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A HIPÓTESE DO CINZENTO

 

Num país a preto e branco

recomendaram-me o cinzento. Um recurso

extraordinário. Com a hipótese do cinzento poderia

ensaiar

soluções inusitadas -

experimentar o morno (que não é frio nem

quente)

explorar o lusco-fusco (que

não é noite nem dia) praticar a omissão

(que não é mentira

nem verdade). Preto e branco misturados permitiam

finalmente

viver em conformidade

desocupar os extremos (tão alheios à virtude)

liquefazer-me na turba

no centro na

média

dourada. Com a paleta de cinzentos poderia

aprimorara arte da sobrevivência que

(como os mansos bem sabem) é

não estar vivo

nem morto.

 

POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES, DO LIVRO "O TEMPO AVANÇA POR SÍLABAS", PÁG.136, EDIÇÃO QUETZAL, 2019

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publicado às 20:44



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