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Nas livrarias desde a passada sexta-feira, "A máquina de fazer espanhóis" é o quarto romance de Valter Hugo Mãe. Antigo regime, terceira idade, provocação - de tudo se encontra num livro que o autor admite ser terapêutico, mas não piegas.

 

O pai morreu há dez anos, sem ter direito a essa idade que se chama terceira. Surge então o livro, que lhe é dedicado. "É feito para imaginar um espaço sensível, ou tempo sensível, que o meu pai não pôde viver", diz Valter Hugo Mãe, escritor e filho. Em "A máquina de fazer espanhóis" - título que aparenta ter nada a ver com nada -, o autor usa a voz de António Silva para incitar à dignificação.

Reformado de barbeiro, António Silva é um velho dos seus 84 "que começa talvez a maior aventura da vida no momento em que a esposa morre", conta, insistindo: "É um homem que tem de lidar com a revolta do efémero, com a revolta da perda, e de encontrar motivos para, naquela idade e debilitando-se cada vez mais, sobreviver".

Apesar de pouco sair à rua, a personagem central do livro carrega às costas o fardo de despertar consciências. E como? Diz à sociedade que "os velhos ainda são perigosos, neste sentido de que a opinião deles ainda tem de contar", explica o escritor. Mas há mais personagens, às quais Valter recorre para alcançar outro objectivo do novo romance, que é revelar "um certo testemunho que existe nas pessoas mais velhas em Portugal e que se prende com o facto de terem uma experiência directa do que foi o fascismo e do que foi o antigo regime".

É nesse apelo à memória que o livro identifica o que sobrou, ou pode ter sobrado, da ditadura. Eis a constatação do autor: "Que o enfraquecimento do nosso país durante o século XX - e sobretudo um enfraquecimento ao nível das consciências - nos leva a pensar que somos piores do que os outros e que estaríamos melhores se fôssemos espanhóis". Eis-nos, então, chegados ao título.

"Obviamente discordo com a manutenção dessa menorização. Temos a tendência para uma certa menorização que nos foi deixada por décadas de ditadura", critica. E, apesar de considerar que o povo português tem "valores humanos assinaláveis", não deixa de lhe apontar uma "tendência para desmobilizar". "Já passaram 30 e tal anos e a verdade é que nós continuamos, de alguma forma, à deriva", acrescenta.

Voltando à idade que é a terceira, Valter Hugo Mãe diz ainda que o livro é "uma tentativa de perceber que drama é esse de, a dada altura, estarmos a viver contra o corpo". Mas sem exageros. "O livro acaba por ser um pouco terapêutico, mas, sobretudo, não é piegas", garante. "O que pretende é incitar os cidadãos da terceira idade a uma participação maior, a uma exigência de uma dignificação", refere ainda.

A capa do livro resultou de uma feliz coincidência. É que a personagem central costumava namorar com a mulher atrás de cortinas. Depois de António Silva ter feito essa revelação na história, o autor encontrou na Internet uma fotografia muito semelhante, acabando por usá-la agora.

Valter deverá lançar dois livros infantis proximamente e, até ao fim do ano, é provável que publique um outro romance, já concluído há uns tempos. Será uma edição especial, ilustrada, espécie de oferta para quem costuma ler os seus escritos.


Notícia publicada no JN

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publicado às 22:01


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