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#2988 - Construir a Esperança

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.04.19

 

Jeremias estava só

perante a verdade e a inocência

encerradas no fundo de uma gaveta

ou noutro sítio qualquer

na forma de papéis escritos com letra maiúscula e levemente inclinada para  o lado oposto do coração,

e com flores desenhadas no intervalo dos espaços em branco

por falta das palavras certas ou momentâneo esquecimento,

talvez para descobrir nas pétalas o perfume para incensar a memória. É o que recorda.

Era apenas um rapaz no início da adolescência

quando os seus olhos e ouvidos testemunharam

de maneira fortuita,

escondidos atrás do pesado reposteiro, 

a poucos passos do sítio onde

sentados 

com os cotovelos apoiados na pesada e enorme mesa de carvalho 

as pessoas que vagamente conhecia

discutiam a leitura do manifesto que o seu avô escrevera e

titulara de "Construir a Esperança". 

Mais tarde decobriu que se sentia prisioneiro

no sonho de 

ele também

e em memória do seu avô

construir a esperança - para alguns uma palavra  grotesca e subverssiva, 

outros acusavam-no de terrorista do pensamento e da palavra.

Jeremias sentia-se só

precisava de descobrir o paradeiro dos papéis -

deviam ser os únicos com flores no lugar das palavras -

para provar que outras pessoas

muito mais antigas que ele

já falavam e escreviam sobre a

construção da esperança.

O seu único medo era que

as flores tivessem crescido tanto

que sufocariam as letras das palavras do

texto que defenderia a sua verdade

e sua inocência 

para jamais se sentir só

tinha a esperança 

a alma

e o tempo

necessários para a sua redenção.

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publicado às 19:45



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