Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




#2785 - Os Ciclos

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.02.18

Inverno. Troco o passo. Atropelo o passo. O braço que não balança.O rosto fechado. Um esgar na boca. Uma pontada entre os olhos. O lenço guardado no bolso, a mão não chega lá empanca em alguma contrariedade.

 

É quase Primavera, o vento abotoa-me o casaco, afaga-me a alma. Depois das máscaras,  quase a Páscoa.

O vermelho é a cor: das opas, do sangue derramado e do vinho...

E o mar já à espreita! É quase Verão...

 

...Entretanto, homens gigantes na alma e na coragem preparam mais uma faina. Mãos poderosas agarram os remos como se agarrassem a vida, e as mulheres vestidas de negro, o rosário a rolar nos dedos, parecem sentinelas de olhar lacrimoso, corações apertados, atentas aos humores do mar e ao regresso dos homens.

Amam o mar que lhes mata a fome. Odeiam o mar que lhes mata os  homens.

 

O sol levanta-se mais cedo, as noites são mais curtas, o tempo do tempo quente e dos dias descontraídos, dos corpos que se insinuam, corações na areia, o pôr-do-sol que incendeia o mar. Festas, romarias, bailaricos e fogos de artifício anunciam o fim da festa e o fim do  verão.

 

Abro a janela. Uma pequena brisa sacode as folhas cor do fogo, cor da terra que desmaiam silenciosamente ao longo das linhas solares verticais. É o momento da terna melancolia, do silêncio tranquilo, das metamorfoses da natureza. 

 

É o outono que se anuncia suavemente e o começo de um novo ciclo que morrerá noventa dias depois. E de ciclo em ciclo tudo se repetirá.

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:41


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas