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#1014 - Ferreira Gullar

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.09



ARTE POÉTICA


Não quero morrer não quero

Apodrecer no poema

Que o cadáver de minhas tardes

Não venha feder em tua manhã feliz

               E o lume

Que a tua boca acenda acaso das palavras

- ainda que nascido da morte -

                    some-se

                    aos outros fogos do dia

aos barulhos da casa e da avenida

                      no presente veloz


Nada que se pareça

a pássaro empalhado múmia

de flor

dentro do livro

                             e o que da noite volte

volte em chamas

               ou em chaga


                  vertiginosamente como o jasmim

que num lampejo só

ilumina a cidade inteira


Poema de Ferreira Gullar

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publicado às 22:54



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