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#2592 - Despejo

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.09.17

 ALEXANDRU VLAHUTA (1859 - 1919)

 

DESPEJO

 

Gente coitada, não pagou a renda

E a tralha para a rua lhes deitaram:

Roupas de pobre - só trapos rasgados...

Esta mudança parece agonia.

 

E a chuva molha com seu ar de troça

Velhos farrapos, móveis roídos

Pelo caruncho, nus, desvergonhados.

Há dentro deles uma alma que chora.

 

E a cama ainda pensa nas carícias

Que amparou e que à dor deitaram

Dois magrizelas com as mãos de cera...

Oh, malditos amores da pobreza!

 

E grita ao vento: Mas por que direito

A mulher fraca, esfomeada, atira

Nova vida ao inferno - por um beijo?

Entre os pobres o amor é um crime.

 

Chia a carroça à chuva: sua ruína

Devagar vai seguindo um operário,

Cabeça baixa, seco, de dor mudo,

E os olhos tristes para trás nem vira.

 

Ao lado, a mulher cansada, leva

Dois miúdos pela mão. E em silêncio,

Vão sem parar - nem eles sabem onde,

E a chuva os açoita sem piedade.

 

Tormento horrível, quase ameaça

Oculta-se no monte de farrapos,

No carro velho que a gemer estala,

Nos quatro vagabundos macilentos.

 

Essa miséria que os caminhos trava,

Os móveis desengonçados, gastos,

Que a lama cortam rumo ao futuro,

Sáo como início de uma barricada.

 

Poema do poeta romeno Alexandru Vlahuta, tradução de Doina Zugravescu

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publicado às 19:57


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