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#2394 - ADEUS

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.05.17

 ARTHUR RIMBAUD (1854-1891)

 

ADEUS

 

Sim, ao menos a hora nova é severíssima.

Posso dizer que tenho a vitória adquirida: o ranger de dentes, 

os silvos de fogo, os suspiros pestilentos abrandaram. Todas as memórias imundas se apagam. Vispam-se os meus últimos remorsos, - ciúmes dos mendigos, dos salteadores, dos amigos da morte, dos ignaros de toda a sorte. - Malditos, se eu me vingasse!

Temos de ser modernos absolutos.

Cânticos nunca: manter o passo adquirido. Dura noite! O sangue seco fumeia no meu rosto, e nada atrás de mim, só a arvorezinha horrível!... O combate do  espírito é tão brutal como batalha de homens; mas a visão da justiça é prazer só de Deus.

Vigília, no entanto. Recebamos todos os influxos de vigor e de ternura autêntica. E pela aurora, armados com ardente paciência, entraremos na cidade esplêndida.

Falava eu de mão amiga! Um bom proveito, é poder rir-me das velhas afeições enganosas, e ferrar de vergonha esses casais de engano, - eu vi aquele inferno das mulheres; - e ser-me-á dado possuir a verdade dentro de uma alma e num corpo.

 

Poema do poeta francês Arthur Rimbaud

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Arthur Rimbaud (1854-1891) foi um poeta francês que exerceu grande influência na poesia do século XX. Foi considerado um dos precursores da poesia moderna. Seu relacionamento com o poeta Paul Verlaine foi inspiração para o filme “Eclipse de Uma Paixão”.

Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (1854-1891) nasceu em Charleville, França, no dia 20 de outubro de 1854. Filho de um capitão da infantaria e de uma camponesa teve uma educação rígida. Ainda criança começou a escrever suas poesias, que foram reunidas em 1869.

Em 1870, aluno do Colégio de Charleville, fez amizade com Georges Iszambard, seu professor de retórica, que lhe incentivou na leitura dos poetas Rabelais, Victor Hugo e Théodore de Banville. A amizade com o professor era reprovada pela mãe. Nesse mesmo ano deu início a uma série de viagens, revelando seu espírito errante.

 

Com 16 anos viaja para Paris sem a autorização da mãe. Nessa época a França e a Prússia estavam em guerra. Rimbaud é preso e com a intervenção do professor ele consegue ser solto. De volta a Charleville vai morar na casa de uma amiga da família de Izambard.

Em 1871, entre as várias fugas, viaja para Paris, onde conhece o Poeta Paul Verlaine, para quem havia remetido seu poema “Soneto de Vogais”, que o acolhe em sua casa. É o início de uma conflituosa relação que chocou a sociedade da época.

Em 1872 Verlaine abandona mulher e filhos e juntos vão para Londres. Em abril de 1873, Rimbaud volta para sua cidade natal, onde começa a escreve “Uma Temporada no Inferno”. Em junho acompanha Verlaine, mais uma vez, em viagem a Londres. Após muitas brigas, o casal se separa e só se reencontram em Bruxelas, onde Rimbaud tenta romper a relação com Verlaine, que atira em Rimbaud, ferindo-o na mão. Verlaine é condenado pela justiça da Bélgica a dois anos de prisão.

De volta a Charleville, Rimbaud publica “Uma Temporada no Inferno” (1873), que reúne nove poemas em prosa. A obra foi considerada um marco da história da poesia e influenciou vários poetas modernos e muitos movimentos da contracultura do século 20. Em 1874 Rimbaud está de volta à Londres, desta vez em companhia do poeta Germain Nouveau Nessa época publica “Iluminações”.

Com apenas 20 anos, Rimbaud deixa de escrever e decide trabalhar com o comércio de café na Etiópia. Entra para o exército das colônias holandesas, mas em 1876 resolve desertar, e volta para sua cidade natal. No ano seguinte começa a trabalhar no comércio de café e viaja por diversas cidades. Em 1885, se envolve com o tráfico de armas.

Arthur Rimbaud faleceu em Marselha, França, vitimado por um câncer na perna, no dia 10 de novembro de 1891.

 

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publicado às 18:51


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