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#2321- Os dias singelos de um pequeno povoado

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.04.17

O povoado, com  meia dúzia de viventes, tem uma ponte com três metros de comprimento e um passo e meio de largura.

Às vezes divide e outras vezes aproxima quem vive em qualquer dos lados, dependendo dos humores do rio que, apesar de ser miúdo, fica raivoso como homem pequeno em valentia; ou da vontade dos habitantes dos dois lados em comprar conversa fiada que fatalmente acaba em amuos.

 

A ponte é o símbolo tipografado do calendário que a Junta publica como publicidade aos encantos do povoado e obriga, por Edital afixado no adro da Igreja, (para dar mais respeito ao assunto) - senão o Edital seria afixado no lugar do costume, ou seja, na taberna contígua à Igreja - que os comerciantes com porta aberta exibam o calendário em lugar de destaque e que sejam retirados «os outros» calendários. Sem ter o direito à contestação assim foi feito como rezava o Edital.

 

O Soares Padeiro, contrariado, troca a mulher nua e de seios volumosos pela ponte do calendário;

A Josefina, a desvairada dona da mercearia, esconde, enervada, o homem nu e erecto da fotografia e pendura, no seu lugar, a ponte do calendário;

O José da Largatixa, sapateiro, calmamente muda o calendário e vai aproveitar o picotado das folhas mensais do novo calendário para asseio das suas necessidades.

 

E foi assim o dia «animado» de um pequeno povoado graças a um calendário.

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publicado às 20:32



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