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#2312 - TAU - Um poema de Ruy Cinatti

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.04.17

 RUY CINATTI (1915-1986)

 

TAU

 

O  tempo passa tão devagarinho

quando Tu passas, meu Deus,

e quando a velocidade é repentina

eu fico alucinado, perdido de todo,

ruído de barracas de feira, de comícios de partido,

de qualqer coisa, enfim, o hino nacional,

um cântico religioso, um blue,

Harry Belafonte, Ella Fitzgerald, outros e outras,

bêbedos, drogados, sim ou não, inoculados, imunizados quando te honram nos seus spirituals,

tanto se me importa...

Eu quero é ouvir invocar o Teu nome, ó Senhor meu, em nome colectivo e também só meu

e adormeço sossegado, humilde e consciente

de que Te amo muito mais do que a mim

aos Outros que desconheço e de quem gosto muito, ó indivíduo Emmanuel.

O Poder e a Glória, esses Teus atributos,

e eu, Ruy Cinatti, agradecido cão,

que olha líquido prò olhar do Dono, ò Coisa inefável!...

um trilo pastoril de flauta na Serra da Estrela, Marão ou no Soajo - transumância, eu quero mudar de vida!-

ou em Timor-Ocússi... Atóni, Atóni... chamam por ti, homem, tantos homens te procuram

ó desgraçado Mau Bére... ó Timor meu Amigo.

Ó Pastor, procura-a, não deixes que se perca a Tua ranhosa ovelhinha...

A palavra cala-se, a boca fede, o silêncio é de oiro

O silêncio é de oiro, a palavra cala-se, a boca sorri

 

e depois, ó maravilha de delicadeza, Tu salvas a nossa Vida!

 

Poema de Ruy Cinatti in "Obra Poética" - Volume I, edição Assírio & Alvim de Outubro de 2016

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publicado às 20:23



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