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Esquecer é possível? - Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.05.08

POR OUTRAS PALAVRAS, DE MANUEL ANTÓNIO PINA

Noticia o EcoDiário que o Ministério do Fomento espanhol vai mudar o nome da ponte José León de Carranza, em Cádis, por ela evocar o nome de um presidente da Câmara franquista que esteve à frente da autarquia entre 1948 e 1969. Igualmente o Estádio Ramon Carranza terá que mudar de nome, pois Ramon Carranza, pai de José León, exerceu o mesmo cargo durante a ditadura de Primo de Rivera e, depois, na sequência da rebelião de Franco. A imposição resulta da Lei da Memória Histórica, que visa erradicar de ruas e monumentos espanhóis todos os símbolos do franquismo. Apagar o passado e a História (vem imediatamente à memória, por se ter tornado também um símbolo, Trotsky apagado da fotografia por Estaline) é uma arte antiga e perigosa. O problema é se o passado, o dos povos como o dos indivíduos, pode apagar-se, se é possível esquecer, recomeçar esquizofrenicamente de novo como se atrás fosse o vazio. Porque, reprimido, o passado torna-se às vezes um animal acossado. No curso de uma revolução, arrancar uma placa toponímica, destruir um monumento, podem ser actos simbólicos. Mas uma democracia forte e saudável não deve temer enfrentar os fantasmas inscritos no corpo colectivo. E recordar é decerto, como ensina a vulgata freudiana, a melhor forma de o fazer.

 

Crónica de Manuel António Pina no "JN" de hoje

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publicado às 18:43


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