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#2248 - Sem título

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.03.17

Subo as escadas até ao limite

no último degrau

uma porta em frente

fechada

um muro de silêncio que tem tanto tempo...

devo ultrapassá-la?

Recordo:

As flores a murcharem naquele quarto

Um gato espadachim em cima do armário

Um vento agoirento e frio a escorrer das muralhas

Mulheres novas e viúvas envoltas em xailes negros a derramarem seus

prantos em lágrimas mansas

Um rei sem trono sentado

numa cadeira forrada a tecido grosso esperando

que lhe devolvam o poder do decreto

Caras estúpidas

todas tinham cornos

a olharem de soslaio

 

É o que recordo

ali parado suspenso no medo

 

O grilo assobia uma canção ridícula

quem o terá alimentado?

Uma aragem cinzenta anima fantasmas e

partículas de pó dançam o rufar de pandeiretas

Parece haver vida naquele quarto apesar de

há muito tempo não ser habitado

Um palhaço de trapos vermelhos e amarelos

botões no lugar dos olhos

joelhos remendados

escancara a porta e gesticula

palavras infantis que não percebo

 

É o que recordo de uma noite

de pesadelo

ali parado

sem medo.

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publicado às 23:43


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