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#2243 - DO LIVRO DO DESASSOSSEGO

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.03.17

...O velho sem interesse das polainas sujas, que cruzava
freqüentemente comigo às nove e meia da manhã? O caute-
leiro coxo que me maçava inutilmente? O velhote redondo e
corado do charuto à porta da tabacaria? O dono pálido da
tabacaria? O que é feito de todos eles, que, porque os vi e os
tornei a ver, foram parte da minha vida? Amanhã também
eu me sumirei da Rua da Prata, da Rua dos Douradores, da
Rua dos Fanqueiros. Amanhã também eu — a alma que
sente e pensa, o universo que sou para mim — sim, amanhã
eu também serei o que deixou de passar nestas ruas, o que
outros vagamente evocarão com um "o que será dele?". E
tudo quanto faço, tudo quanto sinto, tudo quanto vivo, não
será mais que um transeunte a menos na quotidianidade de
ruas de uma cidade qualquer (...)

 

Fernando Pessoa - Excerto do Livro do Desassossego (Edição Brasileira)

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publicado às 20:07


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