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#2242 - 1976

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.03.17

 LUIS MAFFEI

 

1976

 

A palavra formiga é muito longa para ser formiga

O boi não cabe em suas letrinhas

Armário escrito num papel colado ao puxador não

cria um outro armário sobre o armário nem

desmata o que foi mata e já se desmatou há muito

nem desmata o armário morto pelo texto que o inventa só

na morte Isso

tudo é educação pelas perdas que bem se têm

que mal se veem

que só se notam quando é noite a gente sua

e chora como quem responde ao mundo uma resposta muito

boi pouco formiga

e entende

aos poucos

que é por pouco que não fomos concluídos bem no instante de

nascermos que é

um pouco

ir para a vida ir para a morte

ir a palavras como boi como fer

mento muito curta para ser de au

mento muito longa para ser um

boi Isso era educação caso não

fosse noite mal dormida como nunca uma vigília a imitará quando

palavras forem vozes de uma vida que

sem jeito

se encontra a si em poça de suor e urina e cabelos ensebados

pelo medo pelo armário sem

amante nem vestido sem

infância com

infância demais quando não falo

e mais quando só falo e falo dessa infância onde tudo fica ainda e quando boi

era formiga e um mendicante amor de tudo era o

futuro em que

(é agora?)

mendigo ainda e sei que tu mendigas pelo avesso o mesmo

extremo encontro a mesma aberta

cárie a mesma morte que me abraça como

um urso e consegue a criação da vida inteira e o suadouro das palavras

que usam boca e ressuscitam

 

Poema do poeta brasileiro Luis Maffei

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publicado às 18:15


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