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#2221 - DEITADO COM O DEDO NA BOCA

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.03.17

 ALICE SANT'ANA

 

DEITADO COM O DEDO NA BOCA

 

deitado com o dedo na boca

o sorriso invertido

curvado como uma montanha

a pele da perna uma cédula

gasta e seca

todos os dias rigorosamente iguais

banheiro, visitas, ampolas de sangue

às vezes tem mordomias como

um pedaço de pão ou uma fruta

doces nem pensar

da janela passa uma nuvem de carros

um táxi amarelo convida

a ir a qualquer lugar

sem previsão de alta o táxi é mais

uma miragem um filme

na televisão aquele programa da tv5

sobres casas em paris sem saneamento

pessoas que moram hoje, você acredita?, em quartos

sem janelas, apartamentos no sexto andar

sem elevador, como será que fazem para subir

com a água? não tomam banho, naturalmente

depois se cansa da conversa

a nuvem se torna mais espessa

na hora do rush o táxi não tem serventia

se não puder tomar o caminho que leva

ao ponto mais alto

de onde se vê a curvatura da terra

 

Poema da poeta brasileira Alice Sant'Ana

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publicado às 12:52



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