Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




#2216 - ANOTAR FORTUITAMENTE O BRANCO

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.03.17

 

 ANNITA COSTA MALUFE

 

ANOTAR FORTUITAMENTE O BRANCO

 

anotar fortuitamente o branco o

contorno do vidro modulando o

branco do céu anotar como quem

anota rapidamente um recado as

letras dando a entender um nome

o vidro embaçado pela maresia

a planta fina que cresce entre as telhas

úmidas anote o que digo mas rápido

a voz tem um sotaque rápido ou

lento não sei bem o nome

de onde? um sotaque não me lembro

não faz sentido os nomes são

sempre os mesmos fortuitamente

anoto o contorno que modula veja

o tom de branco esgarçando

aqui rapidamente anote o que

digo entre as telhas na primavera

costuma ser nesta época não sei

de onde este sotaque este modo

de esticar o «r» eu acho que é

nesta época esta planta fina os ramos

costumo anotar mas rapidamente

o contorno se desfaz em seguida e

é entre as telhas na infiltração dos dias

um reflexo automático nisto

de falar da morte e em seguida

olhar o relógio

 

«Há uma espécie de reflexo automático nisso de falar da morte e, em seguida, olhar o relógio.»

M. Benedetti, A trégua

 

Poema de Annita Costa Malufe, poeta brasileira

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:08


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas