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#2175 - Sem título

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.02.17
 

As pálpebras

inclinadas sobre lenços de partidas -

bandeiras de vidas doridas -

lágrimas que rolam até à doca

e perdem-se no silêncio rancoroso do metal.

frio, indiferente

como a saudade que restará embrulhada,

para sempre, em ventres

sem desejo ou vontade.

 

E, o vapor já ronca

em suspiros de grosso fumo

carregando no seu ventre

demónios e fantasmas que,

antes de o serem,

eram oliveiras e carvalhos,

montes,

um casario em ruas de gargalhadas

e afectos

e miudagem,

e murmúrios,

e seios que ardiam as mãos,

a banda no coreto.

os domingos.

 

E, hoje é domingo.

poderia ser outro qualquer.

ou não ser nenhum.

já não importa se os dias somam meses,

se as estações têm nome,

frio,

chuva

ou calor.

A rua está despida,

nua

frágil

severa.

as casas envelheceram

as flores murcharam em hortas magoadas;

apenas raízes,

grandes

grossas

tentaculares,

esganam a cor do sol

e uma névoa densa, espessa,

aprisiona e definha

as bocas dos que não partiram.

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publicado às 17:02



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