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#2157 - Muitas vezes olhamos sem observar

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.02.17

 Muitas vezes olhamos sem observar

 

Olho, melhor,  observo a folha branca posta diante de mim e prescruto-lhe a alma; porque não basta olhar. Olhar é diferente de observar, é ser desatento e apenas deixar correr os olhos de forma fugidia  pelo óbvio  que apenas deixa impressões muito ténues fáceis de esquecer e que são enganadoras. Pelo contrário, observar é um exercício que exige  disponibilidade, rigor, olhar límpido e descomprometido, sem falsos preconceitos e ideias pré-estabelecidas. Observar é perceber o que está por detrás do óbvio, de um gesto que nos parece ser banal, de palavras de circunstância ditas de forma automática e distraída. É perceber que o óbvio não é tão óbvio assim e que olhar, apenas, é profundamente redutor.

E continuo a observar a folha de papel, não a olhar, e revelo-lhe as minhas inquietações e a minha decepção por não conseguir descortinar que impressões quer ela que eu grave na superfície da sua alma. E ela observa-me e espera paciente, porque se calhar eu apenas estou a olhar.

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publicado às 23:25


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