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#2107 - Um poema de Mário Dionísio

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.11.16

MÁRIO DIONÍSIO

 

eis-te de novo minha pátria inquietante

de esquinas fugidias nua aos perigos

de novo o fosso aberto o passo instável

as porteiras olhando os vizinhos olhando

e o riso frio das ilusões denunciadas

nas clareiras do espanto abertas pelo escuro

 

de novo tu minha pátria invisível

dos pontos cardeais em chama lenta

de novo tu minha pátria forçosa

do silêncio gritante e desolado

 

de novo as portas se nos fecham e os olhos

passam de largo e fingem não nos ver

de novo sós nas ruas alvejadas e de novo

os tijolos primeiros nos degraus hesitantes

cada um em seu posto a estrada vive entre folhas que voam

cada um em seu posto ergue-se a vida ao alto

 

vem coração aqui está a tua pátria

vem coração operário de outras horas

vem ledo e forte pelos bairros tristes

nas macieiras rompem as maçãs

desponta loiro o trigo no chão negro

é entre mortos que o futuro floresce

 

POEMA DE MÁRIO DIONÍSIO IN "POESIA COMPLETA", EDIÇÃO IMPRENSA NACIONAL CASA DA MOEDA, 2016

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publicado às 18:49


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