Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




As Raízes

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.05.08

As raízes não falam. Não estão atrás. Nem no fundo.

As raízes vão à frente. Puxam-nos para a frente.

Por vezes engrossam nos sapatos. Cheias de suor e cobertas de bocas.

Trazem os olhos cheios de noite e de formigas

e têm o peso de séculos de pão e morte, de mãe e cal.

Projectam-se para o sol em latidos de sangue

mas caem num fundo de chumbo ou numa imóvel sombra.

Crescem, crescem sempre com as cabeças feridas,

orfãs de um horizonte soterrado em escamas.

Ascendem à garganta com os dentes da terra

mas sustêm o grito como se fosse um osso.

Que querem elas dizer? Alegria, árvores,

astros? Ou a intensa sombra do silêncio?

Elas impelem-nos para a frente, para um futuro antigo

de lágrimas adolescentes e marinhas,

de rios juvenis, de grandes luas

e o coração late em águas vivas.

 

Poema de António Ramos Rosa, do Livro Antologia Poética - Publicações Dom Quixote, 2001

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 18:57



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas