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#3078 - FESTA DAS FOGACEIRAS - DIA DE FESTA NA MINHA TERRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.01.20

DIA DE FESTA NA MINHA TERRA

 

Ano dezanove do século vinte e um

domingo

janeiro

vinte

inverno

lua vermelha

eclipse total para ver mais logo na madrugada

 

É dia de festa na minha terra e da grande procissão

fanfarras e bandas  pipocas e balões algodão-doce

bancas de fogaças e outros  doces "regionais"

meninas de branco vestidas

cinturadas de vermelho ou azul

cabeças coroadas de fogaças para honrar a promessa feita há séculos

varandas enfeitadas por tecidos adamascados

gente anónima e de todas as condições

verga-se respeitosamente à passagem dos andores e do pálio

e das suas bocas saem silenciosos murmúrios em forma de oração

e foguetes troam anunciando o princípio e o fim da festa

animada pelos trapezistas dos negócios ambulantes 

montados no palanque das suas viaturas anunciam 

com voz peculiar pomadas e elixir para todas as maleitas

descontos na compra de cobertores ou

de um molho de peúgas

"...não é 100, nem 90, nem 80, nem 50... se comprar agora, e ainda leva este relógio como oferta... 

vai pagar, nem mais nem menos, duas notas de 20... uma pechincha!

aproxime-se freguesa aproveite a minha boa disposição

hoje é dia de festa..."

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publicado às 19:48


#3077 - FESTA DAS FOGACEIRAS, A TRADIÇÃO QUE SE RENOVA

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.01.20

FESTA DAS FOGACEIRAS EM HONRA DO MÁRTIR SÃO SEBASTIÃO, 20 DE JANEIRO, SANTA MARIA DA FEIRA

 

 
 
 
 

AS FOGAÇAS E OS CALADINHOS - PERCURSOS

 

Com percursos históricos diferentes e motivações sociais, culturais, políticas, religiosas e psicológicas bem diversas, as fogaças e caladinhos que conhecemos e adoptamos como um dos ex-libris do concelho de Santa Mara da Feira, são, hoje, extremamente importantes para a economia de algumas unidades industriais e comerciais da cidade.

 

As fogaças e caladinhos encerram dentro de si uma parte importante da nossa história enquanto testemunhos da nossa memória colectiva. Mas, mais importante do que as formas, os sabores e os gestos que ensinam as receitas, é permitir que cada porção de farinha, de açucar, de ovos e manteiga seja a descoberta da alma, das emoções, dos conflitos, da dor, morte, esperança e vida do  povo anónimo das Terras de Santa Maria.

 

Houve, nos séculos XV e XVI, uma grande epidemia. E o povo foi dizimado. E aqueles que restaram levantaram os braços e os olhos em direcção ao Céu e dirigiram as suas súplicas carregadas de fé ao mártir S. Sebastião. E fizeram promessas e empenharam as suas vidas.

 

O mártir sorriu. E o sorriso limpou-lhes a alma e as lágrimas. E as lágrimas transfiguraram-se  e tomaram a forma de fogaças.

 

E, todos os anos, no dia 20 do mês de Janeiro, somos cúmplices e testemunhos vivos de uma promessa que nos pediram para cumprir. E cumprimos. Por isso descemos à cidade e enfeitamos as velhas ruas do burgo e damos-lhe vida, cor e emoções. E vivemos a História, e aprendemos que a Fogaça não é apenas um símbolo, mas toda a alma do povo das Terras de Santa Maria.

 

E, ao enterceder, quando a penumbra do dia confunde os rostos e transforma as sombras em silhuetas, o povo junta-se em pequenos grupos e regressa a casa transportando consigo as fogaças e caladinhos. Durante a viagem relembram momentos já passados e contam histórias que fazem parte da História da cidade. E recordam, a propósito de caladinhos, os anos 30, a polícia política, as tertúlias na Farmácia Araújo, e a perspicácia do Augusto Padeiro. E contam como simples biscoitos passaram do anonimato para a ribalta da glória.

 

"...Um dia, à noite, aqui em Santa Maria da Feira, o Augusto Padeiro e seus empregados estavam a fazer biscoito sortido com forma arredondada e achatada. De repente, entraram elementos da polícia política e o Augusto Padeiro, com medo, disse aos empregados: Shiu! Calados!.

Um dos elementos da Polícia perguntou: - Porque disse calados?

O Augusto Padeiro, respondeu: Porque estamos a fazer Calados. Estes biscoitos são os Caladinhos"...

 

E de memórias em memórias, sob a égide do castelo altaneiro, num ritual marcado pelo tempo, o povo cumpre o voto e, de uma forma cúmplice e intimista, ergue o olhar ao Céu e o Santo sorri.

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publicado às 19:36


#3076 - Era uma vez uma Fogaça

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.01.20

Uma Fogaça recriada pela designer Francisca

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publicado às 19:27


#3075 - Bill Ryder-Jones - Mither (Yawny Yawn) (Official Video)

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.01.20

 

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publicado às 19:12


#3074 - ROMANCE DE UM FUTURO NATAL (POEMA DE DAVID MOURÃO-FERREIRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.01.20

David Mourão-Ferreira  |||  24 fevereiro 1927 - 16 junho 1996

ROMANCE DE UM FUTURO NATAL

 

Vai a caminho de Marte

um foguetão de turistas

Turismo pobre   É um charter

de tarifa reduzida 

Ou serão refugiados

Parece que vão fugidos

Quem sabe de que se escapam

Quem sabe a que vão fugindo

 

Consta da lista uma grávida

com ar de Madona antiga

das que inda se desenhavam

nos fins do século vinte

Chegou à pista de embarque

mesmo à hora da partida

E traz escrito na face

o lance que decidira

 

Não quer que o seu filho nasça

na Terra que vai perdida

Dão-lhe razão    Todos sabem

que funda razão lhe assiste

Todos conhecem o estado

que a pobre Terra atingiu

sobretudo após a grave

crise do século trinta

 

Vão a caminho de Marte

como quem foge à desdita.

Sentem-se dentro da nave

bastante mais protegidos

É como voltar ao espaço

de antes de haverem nascido

Todos a grávida tratam

com cuidados infinitos

 

E sonham    Talvez em Marte

nem tudo esteja perdido

Mas não sabem que na cápsula

um grupo de terroristas

vai sabotando a viagem

mudando o rumo previsto

Fica tudo executado

em pouco mais de três dias

 

E torna de novo a nave

quase ao ponto de partida

Quem mais se aflige é a grávida

com ar de Madona antiga

ao ver que à Terra terá de

ir entregar o seu filho

Já lhe rebentam as águas

quando se apeia na pista

 

Já pra dentro de uma cave

os outros a encaminham

Já por entre as dor's do parto

um facho de luz luzia

Quem sabe se necessário

não fora enfim tudo isso

para que à Terra baixasse

mais um resgate possível

 

Pálida pálida pálida

lívida lívida lívida

de costas a mulher grávida

já vagamente sorria

 

Poema de David Mourão-Ferreira, in Obra Poética (1948-1995), edição Assírio & Alvim, Novembro de 2019

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publicado às 17:38


#3073 - Perfume Genius - Put Your Back N2 It

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.01.20

 

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publicado às 22:37


#3072 - SIGOR RÓS - TAKK

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.01.20

 

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publicado às 20:01


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