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#3026 - OS BRUTOS

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.07.19

Brutos...

Gesticulam com os pés

inteligência rasteira

cérebros de minhoca

argumentam usando apenas a força

a sua arma preferida

caretas disformes

risos de hiena

agressores com a mão escondida

os trabalhos sujos  a outros encomendados

é conveniente ter um ar civilizado

aparentar inteligência

é preciso não falar

para não revelar ignorância

apenas «twittar»

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publicado às 21:02

 

A HIPÓTESE DO CINZENTO

 

Num país a preto e branco

recomendaram-me o cinzento. Um recurso

extraordinário. Com a hipótese do cinzento poderia

ensaiar

soluções inusitadas -

experimentar o morno (que não é frio nem

quente)

explorar o lusco-fusco (que

não é noite nem dia) praticar a omissão

(que não é mentira

nem verdade). Preto e branco misturados permitiam

finalmente

viver em conformidade

desocupar os extremos (tão alheios à virtude)

liquefazer-me na turba

no centro na

média

dourada. Com a paleta de cinzentos poderia

aprimorara arte da sobrevivência que

(como os mansos bem sabem) é

não estar vivo

nem morto.

 

POEMA DE JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES, DO LIVRO "O TEMPO AVANÇA POR SÍLABAS", PÁG.136, EDIÇÃO QUETZAL, 2019

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publicado às 20:44


#3024 - HAEVN - We Are (Symphonic Tales)

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.07.19

 

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publicado às 20:34


#3023 - Sem Título

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.07.19

Sentado nas margens 

da sombra, quando

uma inquietação ocorre

e a penumbra escorre 

até aos  seus olhos aquosos

e uma réstea de luz

se torna oblíqua e

dormente, então percebe

que tudo termina

quando o delírio que vem da terra

a sua cabeça beija.

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publicado às 23:41


#3022 - Shannon Wright - Providence - These Present Arms

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.07.19

 

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publicado às 21:00


#3021 - OS CÃES LADRAM TRÊS VEZES

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.07.19

 

Os cães ladram três vezes

Uma balandra de algas vomita

a sua carga no mar espesso e pardo

Numa casa 

algures na cidade

um rato persegue um gato

 

Os cães ladram três vezes

E uma velha toca bandolim

cigarro no canto dos lábios

voz rouca

hálito de rum

 

Os cães ladram três vezes

O mar reclama e ameaça

e o farol

empoleirado na escarpa granítica

afasta o medo

de marinheiros bêbados

 

Os cães ladram três vezes

O barco afunda-se

sovado por ondas sem piedade

e o rato

continua a perseguir

o gato

 

- Bom dia

- Bom dia

- Raios te partam, homem de deus

- Cala-te beata, não invoques o seu nome em vão

e o rato persegue o gato

a velha geme

o bandolim chora

o mar transformou os homens em gaivotas

o farol desmoronou-se

e os cães deixaram de ladrar

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publicado às 09:55


#3020 - Sem título

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.07.19

 

Os meus olhos

fotografam e

capturam a

melancolia da alma

do pássaro

que

num voo circular

se despede da árvore

que o acolheu e

foi a sua casa nos meses da

primavera e verão

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publicado às 23:42


#3019 - SENTINELA

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.07.19

 

Despes a alma

Depois o corpo todo

Enterras os pés na terra

Sufocas o medo

Da tua garganta salgada 

Um relâmpago  incendeia a noite

Os teus pés ganham raízes

Na tua boca nasce a seiva

Que desagua na terra

Alimentando-a

Os teus olhos iluminam a noite

E os caminhos da peregrinação

És a sentinela que afasta as sombras nocturnas

Que habitam nos becos da desesperança

 

Despes a alma

Depois o corpo todo

Vigilante Sentinela

Serena Sentinela

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publicado às 22:27


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