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#2991 - PRÉMIO ARNOLD W. BRUNNER

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.04.19

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Eduardo Souto de Moura, arquitecto português, vence Prémio Arnold W. Brunner da Academia Americana de Artes e Letras pela "sua contribuição significativa para a arquitectura".

 

Este Prémio foi instituído em 1955,  com o propósito de distinguir arquitectos, de qualquer nacionalidade que "tenham dado uma contribuição significativa à arquitectura como arte".

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publicado às 17:55


#2990 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.04.19

MÁRIO DE CARVALHO

O QUE EU OUVI NA BARRICA DAS MAÇÃS
ISBN:978-972-0-03169-3
Edição/reimpressão:03-2019
Editor:Porto Editora
Código:03169
Coleção:Obras de Mário de Carvalho
Idioma:Português
Dimensões:142 x 210 x 20 mm
Encadernação:Capa mole
Páginas:256
Tipo de Produto:Livro
 
 

SINOPSE

Reconhecido como um dos mais importantes escritores portugueses da actualidade, a sua faceta de cronista passou despercebida à maior parte dos leitores; daí esta selecção das suas melhores crónicas publicadas nas décadas de oitenta e noventa do século passado no Público e no Jornal de Letras. Delas emergem o ficcionista, o cidadão, o comunicador e o memorialista, em textos que alguns diriam proféticos e, nas palavras de Francisco Belard: «testemunhos de um largo campo de assuntos, abordagens, dimensões e estilos, através de eras e lugares, sinais de um escritor que declaradamente prefere viajar no discurso e decurso do tempo e do espaço doméstico a fazê-lo em itinerários geográficos, programados e turísticos. Por tudo isto […], os leitores dos romances o vão reencontrar em mudáveis cenários e perspectivas, de outros pontos de vista, na familiaridade e na estranheza diante do seu mundo, que faz nosso.»
 
 

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publicado às 23:52


#2989 - DE ANTEMÃO ||| POEMA DE HERBERTO HELDER

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.04.19

DE ANTEMÃO

 

Tocaram-me na cabeça om um dedo terrificamente

doce, Sopraram-me,

Eu era límpido pela boca dentro: límpido

engolfamento,

O sorvo do coração a cara

devorada,

O sangue nos lençóis tremia aida:

Metia medo,

Se um cometa pudesse ser chamado como um animal:

ou uma braçada de perfume

tão agudo

que entrasse pela carne: se fizesse unânime

na carne

como um clarão,

Um anel vivo num dedo que vai morrer:

tocando ainda

a cabeça o rítmico pavor

do nome,

O leite circulava dentro delas,

É assim que as mães se alumiam

e trazem para si o espaço todo

como

se dançassem,

São em si mesmas uma lenta

matéria ordenada, Ou uma

crispação: uma ressaca,

E quando me tocaram na cabeça com um dedo baptismal:

eu já tinha uma ferida

um nome,

E o meu nome mantinha as coisas do mundo

todas

levantadas

Que lhe estendas os dedos aos dedos: lhe devolvas

o sangue, Como as estrelas duplas

duplamente

se dão força,

E fique assim - astro grande estanque

cosido em sangue: e a luz

obturada,

E então no seu pneuma luminoso:

um astro cheio, Coração: astéria: carne

de olaria pulsando, O espasmo

da mão às vezes

se arranca aos recessos da cabeça um relâmpago,

Ou se retira ao braço o movimento

pela musa do sexo, Ou à vertigem se retira

o rasgão do ar

na dança,

Assim a estrela com dois membros

cravados recebendo

o tremor do mundo, E toda essa

massa peristáltica esmaga

a argila táctil: um pequeno músculo

convulso no fundo de água:

um troço de sangue nas costas, Que lhe passes

pelas roupas e nudez

as tuas armas, Ou lhe ponhas no escuro

um incêndio:

e te ilumines dele, E a tua cara se faça

miraculada

à combustão, E entres rutilante por uma porta

para outra porta, Essa porta que dê

para uma porta de ti própria,

A mão ateando a escrita que se desloca

brilha direita,

Toca-te toda: tocas no chão

através dela, A terra

treme

quando lhe tocas, Tudo

se transmite e trannsforma,

A gangrena é uma força,  Tu és a raiz dele,

Estás dentro

da luz de fora,  Como o choque

sísmico

da estrela

 

POEMA DE HERBERTO HELDER in "POESIA TODA" EDIÇÃO 406, MARÇO DE 1996, ASSÍRIO & ALVIM

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publicado às 22:39


#2988 - Construir a Esperança

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.04.19

 

Jeremias estava só

perante a verdade e a inocência

encerradas no fundo de uma gaveta

ou noutro sítio qualquer

na forma de papéis escritos com letra maiúscula e levemente inclinada para  o lado oposto do coração,

e com flores desenhadas no intervalo dos espaços em branco

por falta das palavras certas ou momentâneo esquecimento,

talvez para descobrir nas pétalas o perfume para incensar a memória. É o que recorda.

Era apenas um rapaz no início da adolescência

quando os seus olhos e ouvidos testemunharam

de maneira fortuita,

escondidos atrás do pesado reposteiro, 

a poucos passos do sítio onde

sentados 

com os cotovelos apoiados na pesada e enorme mesa de carvalho 

as pessoas que vagamente conhecia

discutiam a leitura do manifesto que o seu avô escrevera e

titulara de "Construir a Esperança". 

Mais tarde decobriu que se sentia prisioneiro

no sonho de 

ele também

e em memória do seu avô

construir a esperança - para alguns uma palavra  grotesca e subverssiva, 

outros acusavam-no de terrorista do pensamento e da palavra.

Jeremias sentia-se só

precisava de descobrir o paradeiro dos papéis -

deviam ser os únicos com flores no lugar das palavras -

para provar que outras pessoas

muito mais antigas que ele

já falavam e escreviam sobre a

construção da esperança.

O seu único medo era que

as flores tivessem crescido tanto

que sufocariam as letras das palavras do

texto que defenderia a sua verdade

e sua inocência 

para jamais se sentir só

tinha a esperança 

a alma

e o tempo

necessários para a sua redenção.

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publicado às 19:45


#2987- PRÉMIO LITERÁRIO "MAN BOOKER INTERNATIONAL PRIZE 2019"

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.04.19

 

 

Celestial Bodies, de Jokha Alharthi (Omã). Traduzido por Marilyn Booth (Sandstone Press);

The Years, de Annie Ernau (França). Traduzido por Alison L. Strayer (Fitzcarraldo Editions);

The Pine Islands, de Marion Poschmann (Alemanha). Traduzido por Jen Calleja (Serpent’s Tail);

Drive Your Plow Over The Bones Of The Dead, de Olga Tokarczuk (Polónia). Traduzido por Antonia Lloyd-Jones (Fitzcarraldo Editions);

The Shape Of The Ruins, de Juan Gabriel Vásquez (Colômbia). Traduzido por Anne McLean (MacLehose Press);

The Remainder, de Alia Trabucco Zeran (Chile). Traduzido por Sophie Hughes (And Other Stories).

O vencedor será conhecido no próximo dia 21 de Maio

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publicado às 06:41


#2986 - Scott Walker - "It's Raining Today" from 1969's SCOTT 3

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.04.19

 

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publicado às 21:56


#2985 - FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICA DE PAÇOS DE BRANDÃO

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.04.19

Começou, ontem, a 42ª edição do Festival Internacional de Música de Paços de Brandão, uma organização do CiRAC-Círculo de Recreio, Arte e Cultura, com sede na Avenida da Sobreira, n.º 328, Paços de Brandão, Santa Maria da Feira.

 

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publicado às 19:53

VICTOR COSTA

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publicado às 10:32


#2983 - The Cinematic Orchestra - 'To Believe feat. Moses Sumney'

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.04.19

 

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publicado às 09:53


#2982 - UM QUARTO AS COISAS A CABEÇA ||| POEMA DE RUY BELO

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.19

 

UM QUARTO AS COISAS A CABEÇA

 

Mesmo que fosse mais do que este quarto a minha vida

à volta da cabeça pronta a rebentar

mesmo que fossem quatro apenas as paredes

quatro paredes são de mais para uma vida

e há palavras horríveis ó meu deus sintagma da gramaticalidade

pura pura negação da vida três palavras onde

se apoia há muito o homem que afinal só fala por falar

e eu me apoio agora em holocausto ao ritmo à vibração verbal

há dizia eu palavras pavorosas que não são precisamente o adjectivo

que substituo por razões de métrica mas são palavras como

por exemplo vida e há muito haver deixado a minha infância

coisa talvez que só por havê-la deixado alguma coisa significa

e ser não já profissional qualificado mas pessoa crescida

que não leva talvez gravata mas que tem vida privada

gulosamente devassada por vizinhos companheiros de trabalho

e tem outras pessoas e tem horas e tem ruas ò meu deus

ó forma essencialmente vocativa do meu grito grande merda esta vida

Talvez haja a janela haja árvores e céu

talvez se eu caminhar ao longo do comprido corredor

que talvez una uns com os outros estes dias

talvez se houve uma entrada ao fundo haja uma saída

Hei-de passar a merda desta vida à procura de papéis?

Sempre entre mim e ao que chamam coisas há-de haver palavras

e dirão que há-de haver não só algum sentido para as coisas

mas um sentido seja ele qual for para a merda da vida

onde nasce de súbito um pequeno imenso monstro descendente de um tirano

e a mãe desse tirano descendente que podia ser tamanha como simples mãe

é mãe por profissão por pose pela posição de tão tonta cabeça

multiplicadas pelas capas das estúpidas inúmeras revistas

forma mais fugitiva de fugir à fome à alegria própria ao real

cabeça digo não apenas sem ideias mas cabeça onde já nada começa

criança que se sabe quantos quilos pesa que cor tinha

a primeira e menos metafórica das merdas que cagou

e o pai da criança que horrorosamente se apresenta como pai profissional

como marido inteirramente a par das regras da mulher

meu deus que merda metafórica esta merda desta vida

E eu ter de passar a vida à procura da chave

e procurar abrir e não saber da chave

e não existir nunca porta ou chave

e chave ser palavra ambígua ter sentido

e haver muitas palavras e muitíssimos sentidos

e a vida ser só uma e ser a vida

e haver mãos para as coisas gestos para as mãos

e não haver que porra uma saída

E esta cara esta cabeça susceptível de ser vista

e tudo quanto faço interpretado e comentado

e haver nomes e eu ser isto e não aquilo

eeu sentir-me em nomes encerrado

Quero dormir não ter esta doença de pensar

estender-me sob o céu o mais possível ao comprido

e que bastante terra cubra o meu comprido corpo

e eu seja terra apenas e a terra nada seja

Que eu durma ó meu nada e tu meu nada existas só

para na noite ouvir quem como eu é isso apenas que deseja

 

POEMA DE RUY  BELO, RETIRADO DO LIVRO «PAÍS POSSÍVEL» - EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM, JANEIRO DE 2016

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publicado às 17:37


#2981 - Max Richter - Dream 13 (minus even)

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.19

 

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publicado às 17:32


#2980 - Alexis Ffrench - Bluebird

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.19

 

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publicado às 17:09


#2979 - SEM TÍTULO

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.19

 

Gostavas...

Gostavas de ter a lua na sala

O sol no quarto de inverno

A poesia pendurada nas hélices da ventoinha

A música suspensa das maçanetas das portas

Que alguns livros retirados da estante ficassem  preguiçosamente deitados no sofá e

escolherias mais alguns para acompanhar o deleite de saborear um  "Sauvignon"

E querias ver o sonho a flutuar no corpo de borboletas  empoleiradas nas janelas verdes dos teus olhos

 

Eu gostava somente que derramasses o teu perfume "L' Interdit" sobre o seio esquerdo para animar o lado direito do  meu corpo

 

 

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publicado às 16:25


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