Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



A música Reggae jamaicana foi inscrita, hoje, na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

A escolha é da responsabilidade de uma Comissão especializada da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que destacou a contribuição desta música para a  consciência internacional sobre questões de injustiça, resistência, amor e humanidade.

Bob Marley foi a figura maior do reggae jamaicano.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:45


#2920 - O LAMENTO DA MULHER

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.11.18

O LAMENTO DA MULHER

 

Canto a canção de uma mágoa incessante,

A história do meu infortúnio, do peso da minha dor,

Dor do presente e dor do passado,

Dor sem fim de exílio e desgosto,

Mas nunca, desde o tempo de menina, maior do que agora.

Primeiro a agonia, quando o meu senhor partiu,

Para longe dos seus, para além do mar;

Dolorosa a tristeza ao romper da aurora,

Ansiando pelo rumor que diria em que longínqua terra,

Passando horas tão difíceis, o meu amado tardava.

Até longe vagueei então, sem amigos e sem casa,

Procurando ajuda para a minha necessidade pesada.

Com intrigas secretas  os parentes dele intentaram

Separar-nos, criando entre nós vários mundos

E ódio amargo. O meu coração ficou doente.

Com azedume, o  meu senhor ofereceu-me abrigo aqui.

Em toda esta terra poucos eram os que me amavam,

Poucos os que eram leais, poucos os que eram amigos.

Assim o meu espírito está pesado de mágoa

Por saber que o meu amado, o meu homem e companheiro querido,

Vergado pela má fortuna e pela amargua do coração

Mascara o seu propósito e planeia o mal.

Com os corações felizes de outrora tantas vezes nos gabámos

De que nada nos separaria, a não ser a morte;

Tudo isso falhou e o nosso antigo amor

É agora como se nunca tivesse sido!

Longe ou perto, para onde quer que fuja, para lá me segue

O ódio daquele que outrora tão querido.

Nesta floresta, ele fixaram a minha morada

Por baixo de um carvalho numa gruta de terra,

Uma velha caverna habitada em tempos antigos,

Onde o meu coração é esmagado pelo peso da minha dor.

Tristes são as suas profundezas e os penhascos que a cobrem,

Severos os seus confins com os espinhos que lá crescedram -

Uma morada sem alegria onde dia a dia a saudade

De um amado ausente traz angústia ao coração.

Amantes há que podem viver o seu amor,

Conservando alegremente o leito da felicidade,

Enquanto eu percorro a minha gruta de terra debaixo do carvalho

De um lado para o outro na aurora solitária.

Aqui tenho de sentar-me durante o longo dia de Verão,

Aqui tenho de chorar em aflição e dor;

E nunca, na verdade, o meu coração conhecerá descanso

De toda a sua agonia e de todo o seu padecimento,

Por meio dos quais o fardo da vida me prostrou.

Qualquer idade do homem está sempre sujeita à mágoa,

E os pensamentos do seu coração à amargura, ainda que os carregue com alegria;

Perturbado é o seu espírito, perseguido pelo sofrimento - 

Quer possua toda a riqueza do mundo,

Quer seja acossado pelo Destino num país longínquo.

O meu amado está sentado de alma cansada e triste,

Fustigado pela tempestade e hirto com a geada,

Numa cela desventurada sob penhascos rochosos,

Circundada por águas que o apartam - 

A mais pungente das mágoas deve sofrer o meu amado

Recordando-se sempre de um lar mais feliz.

Triste o destino daquele que está condenado a esperar

Com um coração saudoso por um amor ausente.

 

POEMA ANÓNIMO, DO LIVRO DE EXETER, SÉCULO X, REINO UNIDO

________________________________________________________________________________________________

________________________________________________________________________________________________

The Wife's Lament
Verse Indeterminate Saxon


Ic þis giedd wrece bi me ful geomorre,
minre sylfre sið. Ic þæt secgan mæg,
hwæt ic yrmþa gebad, siþþan ic up weox,
niwes oþþe ealdes, no ma þonne nu.
5
A ic wite wonn minra wræcsiþa.
ærest min hlaford gewat heonan of leodum
ofer yþa gelac; hæfde ic uhtceare
hwær min leodfruma londes wære.
ða ic me feran gewat folgað secan,
10
wineleas wræcca, for minre weaþearfe.
Ongunnon þæt þæs monnes magas hycgan
þurh dyrne geþoht, þæt hy todælden unc,
þæt wit gewidost in woruldrice
lifdon laðlicost, ond mec longade.
15
Het mec hlaford min herheard niman,
ahte ic leofra lyt on þissum londstede,
holdra freonda. Forþon is min hyge geomor,
ða ic me ful gemæcne monnan funde,
heardsæligne, hygegeomorne,
20
mod miþendne, morþor hycgendne.
Bliþe gebæro ful oft wit beotedan
þæt unc ne gedælde nemne deað ana
owiht elles; eft is þæt onhworfen,
is nu swa hit no wære
25
freondscipe uncer. Sceal ic feor ge neah
mines felaleofan fæhðu dreogan.
Heht mec mon wunian on wuda bearwe,
under actreo in þam eorðscræfe.
Eald is þes eorðsele, eal ic eom oflongad,
30
sindon dena dimme, duna uphea,
bitre burgtunas, brerum beweaxne,
wic wynna leas. Ful oft mec her wraþe begeat
fromsiþ frean. Frynd sind on eorþan,
leofe lifgende, leger weardiað,
35
210
þonne ic on uhtan ana gonge
under actreo geond þas eorðscrafu.
þær ic sittan mot sumorlangne dæg,
þær ic wepan mæg mine wræcsiþas,
earfoþa fela; forþon ic æfre ne mæg
40
þære modceare minre gerestan,
ne ealles þæs longaþes þe mec on þissum life begeat.
A scyle geong mon wesan geomormod,
heard heortan geþoht, swylce habban sceal
bliþe gebæro, eac þon breostceare,
45
sinsorgna gedreag, sy æt him sylfum gelong
eal his worulde wyn, sy ful wide fah
feorres folclondes, þæt min freond siteð
under stanhliþe storme behrimed,
wine werigmod, wætre beflowen
50
on dreorsele. Dreogeð se min wine
micle modceare; he gemon to oft
wynlicran wic. Wa bið þam þe sceal
of langoþe leofes abidan.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:53


#2919 - EDIÇÃO COMPLETA DA OBRA DE VITORINO NEMÉSIO

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.11.18

VITORINO NEMÉSIO (19 DEZEMBRO DE 1901 - 20 FEVEREIRO DE 1978)

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) vai editar a obra completa de Vitorino Nemésio, tendo já saído o primeiro volume desta nova edição "POESIA (1916 - 1940)".

Este primeiro volume integra uma colecção com cerca de 20 que serão publicados até 2021, distribuídos em 4 séries:

poesia, teatro e ficção, crónica e diário, ensaio e crítica. Esta nova edição da INCM da obra de Vitorino Nemésio é o resultado de uma proposta da Companhia das Ilhas, uma pequena editora da ilha do Pico.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:46


#2918 - O Interior - Cicatrizes na paisagem

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.18

No último declive da montanha, as casas desenhadas no granito equilibram-se  em estreitos sucalcos.

Quando se chega mais perto, o espírito funde-se nesta amálgama de cheiros, cores e sons. A cor da terra é triste - há muito tempo deixou de sentir o peso dos passos de homens, mulheres, crianças e do gado.

As casas ainda têm portas. As portas trancam memórias, abafam gemidos; e as janelas pintadas de cor vermelha gritam o vazio da respiração e do afago.

No interior apenas os sopros das sombras que animam - imitando  os gestos, as palavras, os silêncios, as mágoas, a ternura, a gargalhada dos ausentes moradores, e o crepitar  da lenha no lume da lareira -  esta espécie de teatro de marionetes manipulados por sombras, que se tornaram fantasmas por tamanha saudade de vida e de vivos. 

Nas vielas desta aldeia sem gente,  apenas se ouve o choro manso de um violino, cujas cordas são calcadas pelos dedos do vento.

Nesta paisagem dolorosamente bela,  as feridas do abandono, da renúncia e da ausênca jamais cicatrizarão. 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:16


#2917 - QUESTÕES DE SEMÂNTICA

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.11.18

OS CULPADOS SÃO OS ALIENÍGENAS

 

A ponte cai, a culpa é da enguia;

A floresta arde, a culpa é do raio;

Pessoas e bens são destruídos pelo fogo, a culpa é do corisco;

A estrada é  engolida pelo vazio, a culpa é do gafanhoto;

Depois  de muitos inquéritos, investigações, comissões... as conclusões:

"Os culpados são os alienígenas."

Ponto final!!!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:03


#2916 - Oráculos

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.11.18

 

Tu, que me vigilas do alto da tua sabedoria,

sentada na penumbra do oráculo,

para ninguém saber que és tu que

iluminas as minhas mãos e

enxugas a alma quando a

tristeza rola uma lágrima

que a tua alquimia transforma numa pérola

e, me dizes:

"guarda-a no lugar mais solar da memória".

São palavras desenhadas na boca dos séculos

que mostram as cicatrizes de feridas muito antigas

que só os sapientes, os peregrinos e os puros souberam curar e preservar

sob a forma de letras de todos os alfabetos  

que alquimistas como tu

transformaram a rude palavra da dor, da tristeza, do abandono

em pérolas que iluminaram e continuarão a iluminar os gestos

que simplificam e apaziguam a complexa humanidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:43


#2915 - O DEUS QUE É TRANSPARÊNCIA

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.11.18

O DEUS QUE É TRANSPARÊNCIA

Ninguém me saúda nas esquinas do papel.

Nenhum deus me acompanha pelas ruas desertas.

Mas nos dedos sinto o rumor de um segredo vegetal.

É como se procurasse alargar a mão dos deuses.

É como arder com a água na brancura ofuscante

da ressaca. E as palavras da casa se levantam

a janela a porta a cama e a cadeira.

São presenças espessas e nítidas no perfil.

Assim se forma um círculo com energia erguida

nas sílabas preenchidas pela coerência do mundo.

Maternas são as sombras em torno de um centro verde

que foi talvez um deus antigo que se esqueceu

e o esquecimento é o seu signo: a transparência.

 

POEMA DE ANTÓNIO RAMOS ROSA, in «Antologia Poética», selecção, prefácio e bibliografia de Ana Paula Coutinho Mendes, edição Publicações Dom Quixote, Fevereiro de 2001

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:12


#2914 - This Mortal Coil - Fond Affections

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.11.18

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:09


#2913 - "JURO NÃO DIZER NUNCA A VERDADE"

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.11.18

Javier Marías

Este livro reúne noventa e cinco artigos publicados por Javier Marías no suplemento dominical do El País, no período que vai de 10 de fevereiro de 2013 a 1 de fevereiro de 2015, particularmente difícil em Espanha (e Portugal).Alguns dos temas abordados têm que ver com a sociedade espanhola. Mas até esses interessam aos leitores portugueses que acompanham os episódios governamentais e políticos do país vizinho, que tem afinidades ibéricas com os portugueses.A maioria deles tem no entanto um interesse geral, como é o caso dos abusos e da corrupção governamentais, os lamentáveis hábitos criados por redes sociais como o Facebook e o Twitter, os imaginativos atropelos da gramática, o incivismo que impera nos locais públicos, a xenofobia de alguns, a superstição nas estatísticas e percentagens, a praga das selfies nos museus e a invasão da televisão por programas de culinária.Mas o autor de Coração tão Branco, Os Enamoramentos e Berta Isla revela-nos também os seus gostos e afinidades, dos clássicos de cinema até algum filme recente, as suas referências literárias privilegiadas, e a origem do seu Reino de Redonda, onde os nobres são escolhidos não pela sua perícia no manejo das armas, mas pelos talentos revelados na escrita e outras formas de arte.

Fonte: Relógio D' Água, Editores

__________________________________________________________________________________________________________

1. É um dos mais destacados autores espanhóis da atualidade. É autor de Los dominios del lobo, Travesía del horizonte, El monarca del tiempo, El siglo, El hombre sentimental (Prémio Ennio Flaiano), Todas las almas (Prémio Ciudad de Barcelona), deste Amanhã na batalha pensa em mim (Prémio Fastenrath, Prémio Rómulo Gallegos, Prix Fémina Étranger), Negra espalda del tiempo, Tu rostro mañana (3 volumes), Os enamoramentos e Coração tão branco (vencedor do Prémio da Crítica em Espanha, do Prix l’Oeil et la Lettre e do IMPAC Dublin Literary Award), estes dois últimos já publicados na Alfaguara).
Tem ainda editados vários livros de contos, antologias e coletâneas de ensaios e crónicas. 
Em 1997, recebeu o Prémio Nelly Sachs, em Dortmund; em 1998, o Prémio Comunidad de Madrid; em 2000, os prémios Grinzane Cavour, em Turim, e Alberto Moravia, em Roma; em 2008, os prémios Alessio, em Turim, e José Donoso, no Chile; e, em 2011, o Prémio Nonino, em Udine, e o Prémio Literário Europeu, todos eles pelo conjunto da sua obra. Entre as traduções de sua autoria, destaca-se a de Tristram Shandy.
Foi professor na Universidade de Oxford e na Universidade Complutense de Madrid. A sua obra encontra-se publicada em quarenta e dois idiomas e cinquenta e quatro países, com seis milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
É membro da Real Academia Espanhola.

Fonte: WOOK

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:43


#2912 - IDA VITALE VENCE PRÉMIO CERVANTES

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.11.18

Ida Vitale, poetisa uruguaia, vence Prémio Cervantes 2018, o mais importante prémio da literatura em castelhano.

Com 95 anos de idade, Ida Vitale, além de poetisa, é jornalista, tradutora e crítica literária, e tem vasta obra publicada, destacando-se "La Luz desta Memoria", "Procura de Lo Imposible", "Léxico de Afinidades", Sueños de la Constancia" e "Cada uno em su noche".

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 08:57


#2911 - O PRINCÍPIO DA MATÉRIA

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.11.18

 

O PRINCÍPIO DA MATÉRIA

No princípio não havia nada.

Apenas silêncio negro.

Mas quando a  luz acordou a noite 

fez-se dia;

Das trevas nasceram pirilampos e

apareceram as estrelas;

Do caos e da desordem  cosmológica 

formou-se a Terra

que tomou a forma de mulher.

Trovoadas constantes lançaram sobre o seu corpo poderosos relâmpagos.

E ela engravidou.

No seu ventre formaram-se os oceanos, os mares e os rios e

... uma borboleta.

Frágil, bela, luminosa, quente...

o Sol

e com a capacidade de voar 

e assim lançar sobre a Terra as sementes que darão origem a novas borboletas

 que com o correr dos tempos,

muitas delas continuarão borboletas, 

e outras se transformarão em pássaros, peixes, mamíferos e

toda a espécie de árvores e bichos que,

hoje

voam, rastejam, nadam e caminham.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:57


#2910 - UM GESTO

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.11.18

UM GESTO

«Que cansativa que a polícia é!» suspirou, Matilde, fechando a janela. Depois, sorrindo do seu próprio comentário, deu dois passos no aposento e relanceou os olhos pelo espelho, que a penumbra como que apagara. Foi aí que se lembrou de uma mulher que vira três ou quatro dias antes, ao volante de um carro que parara junto ao seu, esperando que o sinal abrisse. Aproveitando aqueles breves momentos, a mulher mirara-se no retrovisor e, depois de levar um dedo aos lábios e o molhar com a língua, passara-o pelas sobrancelhas. Matilde puxou uma cadeira para o centro da sala e sentou-se, sem conseguir deixar de pensar naquele gesto, à luz do qual todos os móveis que a cercavam pareciam ganhar raízes no seu espírito. São gestos assim que emcorpam a vida, que lhe dão espessura, pensou ela. Tinha a certeza de que, enquanto se lembrasse daquele gesto e da mulher que o executara, o instante em que o captara continuaria a existir, tal como ela naquele preciso momento existia ali, naquela sala, deliberadamente alheada do aparato policial montado nas ruas adjacentes, devido a uma qualquer concentração perfeitamente inóqua e que só no caso de nas próximas horas nada haver no mundo digno de atenção mereceria umas escassas linhas nos jornais do dia imediato. Que peso teria aquela manifestação em comparação com o gesto da mulher que passara o dedo, molhado de cuspo, pelas sobrancelhas? Saberiam aqueles homens armados até aos dentes e distribuindo barreiras de arame farpado ao longo da avenida que o que eles supunham ser «este momento» amanhã já não teria existido? As feições da mulher haviam começado, é certo a diluir-se-lhe na memória, onde, de resto, o automóvel em que ela se encontrava e mesmo o seu cabelo já não tinham qualquer cor.  Talvez esses pormenores funcionassem como catalizadores e contribuíssem para que o instante em que Matilde a entrevira através dos vidros dos dois carros se perpetuasse para além da sua contingência. Mas não. Matilde estava certa de que isso pouco importaria. Fosse a mulher loira ou morena, gorda ou magra, o que na realidade havia de marcante é  que levara um dedo à boca e às sobrancelhas e que, sem disso  poder ter tido consciência, colocara assim, ali, um travão no tempo, dando consistência a qualquer coisa sobre a qual os nossos gestos normalmente não produzem mais efeito que os de quem se industriasse a desenhar cruzes na água.

TEXTO DE LUÍS MIGUEL NAVA in Poesia Completa (1979-1994), Edição Publicações D. Quixote, Março de 2002

________________________________________________________________________________________________

Luís Miguel Nava

Luís Miguel Nava
 
Nasceu a 1957
Morreu em 1995
Luís Miguel de Oliveira Perry Nava foi um escritor português. Era bisneto de José Bressane de Leite Perry, político da monarquia constitucional e visconde de Leite Perry.
 
Luís Miguel Nava nasceu em Viseu, Portugal, em 1957. Estudou Filologia Românica na Faculdade de Letras de Lisboa, partindo mais tarde para Oxford, onde lecionou Português. Estreou com o volume de poemas Películas (1979), pelo qual recebeu o Prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores. Publicou ainda as coletâneas A Inércia da Deserção (1981), Como Alguém Disse (1982),Rebentação (1984),O Céu Sob as Entranhas (1989) e Vulcão (1994). Em 1986, mudou-se para a capital belga, trabalhando como tradutor do Conselho das Comunidades Europeias. Foi assassinado em seu apartamento de Bruxelas, em 1995.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:20

"O Século dos Prodígios",  ensaio de Onésimo Teotónio Almeida, trata o pioneirismo da ciência portuguesa no período dos Descobrimentos. Com este ensaio, Teotónio Almeida venceu o Prémio Fundação Calouste Gulbenkian, História da presença de Portugal no mundo.

___________________________________________________________________________________________________________

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:06


#2908 - As vozes que ouvia nos anos 70

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.11.18

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:51


#2907 - "ONE MORE YARD"

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.11.18

Evamore - One More Yard (Sinead O’Connor, Cillian Murphy, Brian Eno, Ronnie Wood, Imelda May)

One more yard era uma expressão usada pelos soldados nas suas cartas e diários, referindo-se aos avanços através da chamada terra de ninguém.

Esta música é uma homenagen aos homens que tombaram nas trincheiras da I Guerra Mundial e teve a participação de Sinéad O'Connor, Brian Eno, Robin Hood, Nick Mason e a voz do actor Cillian Murphy que lê uma carta do tenente Michael Thomas Wall.

"Eu vi os olhos cansados de homens duros cheios de lágrimas e nunca vi uma carnificina como esta, nem um único corpo humano foi deixado intacto" escreveu Michael.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:10


#2906 - Joe Bonamassa & Beth Hart - I'LL TAKE CARE OF YOU

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.18

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:03


#2905 - Joe Bonamassa - Different Shades Of Blue - Official Video

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.18

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:59


#2904 - COMO USAR O SALTO (Crónica de Gonçalo M. Tavares no JL)

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.11.18

 

COMO USAR O SALTO

 

No  " sagrado uso da verticalidade", expressão utilizada por Herberto Hélder, vemos pecisamente a antítese de algo que podemos designar como Humano uso da verticalidade. Neste uso humano da elevação temos um uso instrumental, um uso bípede e racionalista da verticalidade. Estamos em pé para usar instrumentos, máquinas,  para olhar de frente para certas máquinas; até mesmo isto: para olhar de frente para certas fórmulas matemáticas, para as entender. O uso humano da verticalidade construiu as cidades, sim, e também esse edifício de material insólito: a matemática.

 

Mas há então o outro uso da verticalidade; o uso não humano, mas sagrado. Digamos que a dança, certa forma de dança, usa esse uso. Enquanto dança, o homem é vertical não para entender fórmulas ou mexer em máquinas, mas para outra coisa: para entender, tanto quanto possível, o céu e a ausência e esquecimento do corpo. Esquecer o corpo na dança é usar a verticalidade muscular para esquecer os músculos. Como se a certa altura o homem quisesse ser vertical não para ser mais alto do que os outros animais, mas para ser apenas ligeiramente mais baixo que o céu (e os seus eventuais deuses.)

 

CRÓNICA DE GONÇALO M. TAVARES NO JL-JORNAL DE LETRAS, ARTES E IDEIAS. N.º 1255, ANO XXXVIII, PÁGINA 32

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:48


#2903 - Nicolas Mathieu vence Prémio Goncourt

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.11.18

NICOLAS MATHIEU

 

O mais importante prémio literário da língua francesa - PRÉMIO GONCOURT - foi atribuído ao escritor francês Nicolas Mathieu com o romance "Leurs Enfants Aprés Eux".

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:42


#2902 - Max Richter-Sorrow Atoms

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.18

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:11


#2901 - Sem comentários

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.18

jl cartaz021 (3).jpg

Fotografia que ilustra uma crónica de Patrícia Portela no JL-Jornal de Letras, página 36, edição n.º 1254, ano XXXVIII

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:45


#2900 - GUIMARÃES JAZZ 2018

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.18

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:47


#2899 - SINGAPORE WRITERS FESTIVAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.18

 

José Luís Peixoto é convidado do Singapore Writers Festival. Este acontecimento teve início no dia 2 passado e termina a 11 deste mês.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:30


#2898 - ATRAVÉS DA CHUVA E DA NÉVOA

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.18

RUY BELO

 

ATRAVÉS DA CHUVA E DA NÉVOA

 

Chovia e vi-te entrar no mar

longe de aqui há muito tempo já

ó meu amor o teu olhar

o meu olhar o teu amor

Mais tarde olhei-te e nem te conhecia

Agora aqui relembro e pergunto:

Qual é a realidade de tudo isto?

Afinal onde é que as coisas continuam

e como continuam se é que continuam?

Apenas deixarei atrás de mim tubos de comprimidos

a casa povoada o nome no registo

uma menção no livro das primeiras letras?

Chovia e vi-te  entrar no mar

ó meu amor o teu olhar

o meu olhar o teu amor

Que importa que algures continues?

Tudo morreu: tu eu esse tempo esse lugar

Que posso eu fazer por tudo isso agora?

Talvez dizer apenas

chovia e vi-te entrar no mar

E aceitar a irremediável morte para tudo e todos

 

POEMA DE RUY BELO IN «O TEMPO DAS SUAVES RAPARIGAS E OUTROS POEMAS DE AMOR», EDIÇÃO 1402, JULHO 2010, ASSÍRIO & ALVIM

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:02


#2897 - PRÉMIO LITERATURA SEM FRONTEIRAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.18

Cluj-Napoca: Gonçalo M. Tavares na 6.ª edição do Festival Internacional do Livro da Transilvânia

A 6.ª edição do FICT - Festival Internacional do Livro da Transilvânia decorre entre 2 e 7 de outubro de 2018 na cidade de Cluj-Napoca, na Roménia.

O escritor português Gonçalo M. Tavares é um dos convidados de honra desta edição. O autor terá a oportunidade de participar do lançamento das versões romenas dos seus títulos “Enciclopédia: Breves Notas Sobre Ciência”, ”Breves Notas Sobre o Medo”, “Breves Notas Sobre as Ligações” (Llansol, Molder e Zambrano), “Breves Notas Sobre a Música” e “Breves Notas Sobre a Literatura – Bloom” com tradução de Corina Nutu, e serão publicadas pela Editora, na coleção Longseller.

 

Gonçalo M. Tavares foi o vencedor do Prémio Literatura Sem Fronteiras atribuído no âmbito da 6.ª  edição deste Festival.

 

Fonte:    Camões - Instituto da Cooperação e da Língua

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:42


#2896 - Questões de Semântica

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.18

Dizia-me ele:

O que conta é o momento, a sinceridade, defender as convicções, a bofetada, a provocação, o murro no peito.

O resto é vaidade e o exibicionismo de palavras doces e bonitas para enganar tolos.

O que conta, dizia-me ele, é o momento, o instante. Aproveita-o, pois não existe o presente. Apenas passado e futuro. O presente não existe, é apenas uma singularidade excêntrica do tempo. Só se este parasse o tempo suficiente para então ser presente.

Dizia ele:

O que conta é mesmo o momento, a verdade, a simplicidade. O resto, bem o resto, reserva-o no coração, o lugar onde guardas o teu passado e o futuro que num espasmo de um sopro será passado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:33


#2895 - "Desimaginar o Mundo - Manuel António Pina 2018"

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.11.18

MANUEL ANTÓNIO PINA (1943-2012)

 

Para celebrar o 75º aniversário do nascimento de Manuel António Pina, tem início, este sábado, na cidade do Porto, as Jornadas Internacionais "Desimaginar o Mundo-Manuel António Pina 2018", com a reposição da peça «O Beco dos Gambozinos".

A peça é um musical para crianças concebido há cerca de 30 anos por Manuel António Pina e a música desta peça é de Susana Ralha.

Este musical regressará ao palco do teatro Helena Sá e Costa, na cidade do Porto, dia 3, pelas 17 horas. 

Estas jornadas acontecerão, também, em São Paulo, Brasil, para prosseguirem, depois, no Porto, a partir do dia 16.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:59


#2894 - Movimento editorial - Novembro

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.18

Títulos publicados e a publicar pelas editoras neste mês de Novembro

 

ALFAGUARA 

"Anoitecer do Paraíso" de Lucia Berlin, autora  de "Manual para mulheres de limpeza"; 

Vai, também, publicar um inédito de Charles Bukowsky "Os cães ladram facas".

 

COMPANHIA DAS LETRAS

"Princípio de Karenina" de Afonso Cruz;

"Tantas Palavras" de Chico Buarque.

 

ELSINORE

"Aquilo que encontrei na praia" de Cynan Jones;

"Inverno" de Ali Smith, segundo volume da tetralogia que começou com "Outono"

 

CAVALO DE FERRO

"Os peixes não têm pés" de Jón Kalman Stefánsson 

"Memórias de um morto" de Hjalmar Bergman

"Anaconda" - colectânea de contos de Horacio Quiroga

 

E-PRIMATUR

"A loja de antiguidades" - edição ilustrada de Charles Dickens

 

CASA DAS LETRAS

"A morte do comendador" - Primeira parte do novo romance de Haruki Murakami

 

PORTO EDITORA

"O presidente desapareceu" de Bill Clinton e James Patterson

 

SEXTANTE

"O nicho da vergonha" do escritor albanês Ismail Kadaré

 

ASSÍRIO & ALVIM

3 livros de poesia:

"O sal da língua" e "Ofício de Paciência" de Eugénio de Andrade

"Poesia" - volume que reune toda a poesia publicada em vida por António Botto

 

LIVROS DO BRASIL

"Morte feliz" - um romance de Albert Camus quando tinha cerca de 20 anos

"Mistério em branco - Um crime de Natal" de J. Jefferson Farjeon

 

DOM QUIXOTE

"Gente feliz com lágrimas" de João de Melo e "Arapariga do tambor" de John Le Carré

 

ANTÍGONA

" A guerra das salamandras" de Karec Capek

"Guerracivilândia em mau declínio" de Georges Sauders

 

QUETZAL

"Metade da Vida" de V.S. Naipul

 

PLANETA
"contos eróticos do velho testamento" de Deana Barroqueiro

 

RELÓGIO D'ÁGUA

"A saga de Selma Lagerlof" um romance biográfico de Cristina Carvalho;

"As estações da Vida" de Agustina Bessa-Luís;

"Viver" do chinês Yu Hua;

"Assimetria" de Lisa Halliday;

"Na América, disse Jonathan" de Gonçalo M. Tavares;

"As Farpas" de Eça de Queiróz;

"Correio para mulheres" de Clarice Lispector.

 

BERTRAND

"A Coisa" - Segundo Volume - de Stephen King.

 

TINTA-DA-CHINA

"Poemas Escolhidos" de Pedro Mexia;

"Aprender a cantar na Era do Karaoke" de Fernando Luís Sampaio;

"Eliete" de Dulce Maria Cardoso

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:55


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas