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#2786 - A Boneca de Kokoschka, de Afonso Cruz

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.02.18

a boneca de kokoschka011.jpg

 "Existem doenças infames, capazes de fazer do nosso corpo uma gaiola para a alma. Parkinson plus é uma das formas mais perversas de o Universo mostrar a sua crueldade medieval. Ou, como disse Lao Tsé, o Universo trata-nos como cães de palha."

 

Do livro de Afonso Cruz, "A Boneca de Kokoschka", edição da Companhia das Letras

 

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publicado às 18:30


#2785 - Os Ciclos

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.02.18

Inverno. Troco o passo. Atropelo o passo. O braço que não balança.O rosto fechado. Um esgar na boca. Uma pontada entre os olhos. O lenço guardado no bolso, a mão não chega lá empanca em alguma contrariedade.

 

É quase Primavera, o vento abotoa-me o casaco, afaga-me a alma. Depois das máscaras,  quase a Páscoa.

O vermelho é a cor: das opas, do sangue derramado e do vinho...

E o mar já à espreita! É quase Verão...

 

...Entretanto, homens gigantes na alma e na coragem preparam mais uma faina. Mãos poderosas agarram os remos como se agarrassem a vida, e as mulheres vestidas de negro, o rosário a rolar nos dedos, parecem sentinelas de olhar lacrimoso, corações apertados, atentas aos humores do mar e ao regresso dos homens.

Amam o mar que lhes mata a fome. Odeiam o mar que lhes mata os  homens.

 

O sol levanta-se mais cedo, as noites são mais curtas, o tempo do tempo quente e dos dias descontraídos, dos corpos que se insinuam, corações na areia, o pôr-do-sol que incendeia o mar. Festas, romarias, bailaricos e fogos de artifício anunciam o fim da festa e o fim do  verão.

 

Abro a janela. Uma pequena brisa sacode as folhas cor do fogo, cor da terra que desmaiam silenciosamente ao longo das linhas solares verticais. É o momento da terna melancolia, do silêncio tranquilo, das metamorfoses da natureza. 

 

É o outono que se anuncia suavemente e o começo de um novo ciclo que morrerá noventa dias depois. E de ciclo em ciclo tudo se repetirá.

 

 

 

 

 

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publicado às 14:41


#2784 - 19ª Edição de "Correntes d'Escritas"

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.02.18

 

 19ª EDIÇÃO DA "CORRENTE d'ESCRITAS"

 

O livro "A Forma das Ruínas", do escritor colombiano Juan Gabriel Vásquez, foi o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, o prémio principal da Corrente d'Escritas, 19ª Edição, que começou ontem na Póvoa de Varzim.

 

___________________________________________________

 

A informação a seguir foi retirada do "site" da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.

 

A  FORMA DAS RUÍNAS VENCE PRÉMIO LITERÁRIO CASINO DA PÓVOA

Póvoa de Varzim, 21.02.2018

Juan Gabriel Vásquez, com a obra A forma das ruínas, é o vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa 2018, no valor de 20 mil euros.

Consulte a Ata e Declarações de Voto do Júri aqui.

Bogotá, Colômbia, 2014: Carlos Carballo é detido por tentar roubar de um museu o traje de Jorge Eleiécer Gaitán, líder político assassinado em Bogotá em 1948, em plena guerra do Estado colombiano com os narcotraficantes. Carballo é um homem atormentado, em busca de sinais que lhe permitam destrinçar os mistérios de um passado pelo qual está obcecado. No entanto, ninguém, nem as pessoas que lhe são mais próximas, suspeita das verdadeiras razões da sua obsessão.

O que liga o assassinato de Gaitán, cuja morte partiu em dois a história da Colômbia, e o homicídio do presidente americano John F. Kennedy? Como pode um crime ocorrido em 1914 marcar a vida de um homem no século XXI? Para Carballo, não existem coincidências e todos estes eventos estão intimamente relacionados.

Depois de um encontro fortuito com este homem misterioso, Vásquez (sim, o próprio Juan Gabriel Vásquez, que aqui deixa cair a máscara) sente-se compelido a esmiuçar os segredos de uma vida alheia, ao mesmo tempo que se debate com os momentos mais obscuros do passado colombiano.

Uma leitura compulsiva e uma indagação magistral às verdades incertas de um país que ainda mal se conhece a si mesmo.

 

Nascido em Bogotá, Colômbia, em 1973, Juan Gabriel Vásquez vive desde 1999 em Barcelona. É autor da coleção de contos Los Amantes de Todos los Santos, da compilação de ensaios El arte de la distorción e dos romances Los InformantesHistoria secreta de Costaguana O barulho das coisas ao cair, publicado pela Alfaguara em 2012. Como tradutor, foi responsável pela tradução de obras de John Hersey, John dos Passos, Victor Hugo e E. M. Forster, entre outros, e é colunista do jornal colombiano El Espectador. Os seus livros estão publicados em 14 idiomas e mais de 30 países, com extraordinário êxito da crítica e do público. O autor recebeu já várias distinções internacionais, entre as quais o Prémio Alfaguara em 2011 e o Prémio Impac Dublin em 2014, cujos vencedores de edições anteriores contam com os nomes de vários Prémios Nobel. As reputações é o seu quarto romance e por ele recebeu o Prémio da Real Academia Espanhola em 2014.

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publicado às 15:51

 

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publicado às 23:43


#2782 - The Golden Man Booker Prize

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.18

 

The Golden Man Booker Prize

The Booker Prize Foundation has launched the Golden Man Booker Prize to mark the 50th anniversary. This special one-off award will crown the best work of fiction from the last five decades of the prize, as chosen by five judges and then voted for by the public.

Since it was first awarded in 1969, the Man Booker Prize has become the leading prize for quality fiction in English, with the winning books setting a benchmark against which other novels are judged. The Golden Man Booker will put all 51 winners – which are all still in print – back under the spotlight, to discover which of them has stood the test of time, remaining relevant to readers today.

Five judges have been appointed to read the winning novels from each decade of the prize: writer and editor Robert McCrum (1970s); poet Lemn Sissay MBE (1980s); novelist Kamila Shamsie (1990s); broadcaster and novelist Simon Mayo (2000s); and poet Hollie McNish (2010s).

Each judge will choose what, in his or her opinion, is the best winner from that particular decade, and will champion that book against the other judges’ selections. The judges’ ‘Golden Five’ shortlist will be announced at the Hay Festival on 26 May 2018. The five books will then be put to a month-long public vote from 26 May to 25 June on the Man Booker Prize website to decide the overall winner, announced at the Man Booker 50 Festival on 8 July 2018.

Baroness Helena Kennedy, Chair of the Booker Prize Foundation, comments:

‘The very best fiction endures and resonates with readers long after it is written. I’m fascinated to see what our panel of excellent judges – including writers and poets, broadcasters and editors – and the readers of today make of the winners of the past, as they revisit the rich Man Booker library.’

Luke Ellis, CEO of Man Group, comments:

‘We are delighted to be sponsoring the Man Booker Prize in its 50th year and celebrating outstanding fiction from the past half century, which remains as relevant and resonant as ever. The prize plays a meaningful role in recognising and supporting literary excellence that we are honoured to support.’

Key Dates

  • Saturday 26 May - The judges’ ‘Golden Five’ shortlist will be announced at an event at the Hay Festival.
  • Saturday 26 May to Monday 25 June - Voting for the Golden Man Booker is open to the public at www.themanbookerprize.com.
  • Sunday 8 July - The winner of the Golden Man Booker will announced at the Man Booker 50 Festival at Southbank Centre. 

The Golden Man Booker Prize will be supported by retailers, libraries and publishers across the UK, and internationally through online promotion. Readers are already joining in revisiting the previous winners for the #ManBookerPrize50 challenge on Instagram, which encourages them to read as many of the novels as they can by the end of May for the chance to win tickets to the Man Booker 50 Festival.

The Man Booker 50 Festival will run from 6 to 8 July 2018 across Southbank Centre’s 17-acre site in London. Events will be held in a variety of spaces, including Royal Festival Hall, Queen Elizabeth Hall and Purcell Rooms. They will range from interviews and conversations between Man Booker winning and shortlisted authors, to debates and masterclasses. The full programme and tickets will be available soon.

The 50th anniversary will also be amplified globally with Man Booker author events at international literary festivals across the world throughout the year and supported through video, livestream and podcasts, alongside an online exhibition on the Man Booker website.

The Man Booker Prize is sponsored by Man Group, an active investment management firm.

 

Decade  Judge Year, Book title, Author, Publisher
1970s Robert McCrum

1969, Something to Answer For, P.H Newby (Faber & Faber)

1970, The Elected Member, Bernice Rubens (Abacus) 

1971, In a Free State, V.S Naipaul (Picador)

1972, G., John Berger (Bloomsbury) 

1973, The Seige of Krishnapur, J.G Farrell (Orion) 

1974, The Conservationist, Nadine Gordimer (Bloomsbury) 

1974, Holiday, Stanley Middleton (Windmill Books) 

1975, Heat and Dust, Ruth Prawer Jhabvala (Abacus)  

1976, Saville, David Storey (Vintage) 

1977, Staying On, Paul Scott (Arrow) 

1978, The Sea, the Sea, Iris Murdoch (Vintage) 

1979, Offshore, Penelope Fitzgerald (Fourth Estate) 

1980s Lemn Sissay

1980, Rites of Passage, William Golding (Faber & Faber) 

1981, Midnight's Children, Salman Rushdie (Vintage) 

1982, Schindler's Ark, Thomas Keneally (Sceptre)  

1983, Life & Times of Michael K, J.M Coetzee (Vintage) 

1984, Hotel du Lac, Anita Brookner (Penguin) 

1985, The Bone People, Keri Hulme (Picador)

1986, The Old Devils, Kingsley Amis (Vintage) 

1987, Moon Tiger, Penelope Lively (Penguin) 

1988, Oscar and Lucinda, Peter Carey (Faber & Faber) 

1989, The Remains of the Day, Kazuo Ishiguro (Faber & Faber) 

1990s Kamila Shamsie

1990, Possession, A.S Byatt (Vintage) 

1991, The Famished Road, Ben Okri (Vintage) 

1992, The English Patient, Michael Ondaatje (Bloomsbury) 

1992, Sacred Hunger, Barry Unsworth (Penguin) 

1993, Paddy Clarke Ha Ha Ha, Roddy Doyle (Vintage) 

1994, How Late It Was, How Late, James Kelman (Vintage) 

1995, The Ghost Road, Pat Barker (Penguin) 

1996, Last Orders, Graham Swift (Picador) 

1997, The God of Small Things, Arundhati Roy (Fourth Estate) 

1998, Amsterdam, Ian McEwan (Vintage) 

1999, Disgrace, J.M. Coetzee (Vintage) 

2000s Simon Mayo

2000, The Blind Assassin, Margaret Atwood (Bloomsbury) 

2001, True History of the Kelly Gang, Peter Carey (Faber & Faber) 

2002, Life of Pi, Yann Martel (Canongate) 

2003, Vernon God Little, D.B.C. Pierre (Faber & Faber) 

2004, The Line of Beauty, Alan Hollinghurst (Picador) 

2005, The Sea, John Banville (Picador)

2006, The Inheritance of Loss, Kiran  Desai (Penguin) 

2007, The Gathering, Anne Enright (Vintage) 

2008, The White Tiger, Aravind Adiga (Atlantic) 

2009, Wolf Hall, Hilary Mantel (Fourth Estate) 

2010s Hollie McNish

2010, The Finkler Question, Howard Jacobson (Bloomsbury)

2011, The Sense of an Ending, Julian Barnes (Vintage) 

2012, Bring Up the Bodies, Hilary Mantel (Fourth Estate) 

2013, The Luminaries, Eleanor Catton (Granta) 

2014, The Narrow Road to the Deep North, Richard Flanagan (Vintage) 

2015, A Brief History of Seven Killings, Marlon James (Oneworld) 

2016, The Sellout, Paul Beatty (Oneworld) 

2017, Lincoln in the Bardo, George Saunders (Bloomsbury) 

 

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publicado às 09:29


#2781 - A Flor e a Náusea

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.02.18

carlos drummond de andrade

 

A FLOR E A NÁUSEA

 

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjoo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

 

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.

O tempo pobre, o poeta pobre

fundem-se no mesmo impasse.

 

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

 

Vomitar esse tédio sobre a cidade.

Quarenta anos e nenhum problema

resolvido, sequer colocado.

Nenhuma carta escrita nem recebida.

Todos os homens voltam para casa.

Estão menos livres mas levam jornais

e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

 

Crimes da terra, como perdoá-los?

Tomei parte em muitos, outros escondi.

Alguns achei belos, foram publicados.

Crimes suaves, que ajudam a viver.

Ração diária de erro, distribuída em casa.

Os ferozes padeiros do mal.

Os ferozes leiteiros do mal.

 

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.

Ao menino de 1918 chamavam anarquista.

Porém meu ódio é o melhor de mim.

Com ele me salvo

e dou a poucos uma esperança mínima.

 

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

 

Sua cor não se percebe.

Suas pétalas não se abrem.

Seu nome não está nos livros.

É feia. Mas é realmente uma flor.

 

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde

e lentamente passo a mão nessa forma insegura.

Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.

Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.

É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

 

Poema de Carlos Drummond de Andrade in A Rosa do Povo, páginas 19, 20 e 21, edição Companhia das Letras Portugal, Fevereiro de 2017

 

 

 

 

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publicado às 17:40


#2780 - DAN MICHAELSON / OLD KISSES

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.02.18

 

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publicado às 11:05


#2779 - Miragens

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.02.18

 PINTURA  DE  ALEXANDRA  DE  PINHO

 

O corpo desliza no delírio, enquanto

um fruto amadurece no ventre.

O deserto sob os pés,

a cabeça deitada sobre o seio da duna descansa

da dor e da viagem.

Uma boca de areia, o milagre da água é uma miragem.

lâminas ondulantes brotam do solo quente e

formam cortinas transparentes enganando

o desejo. Obsessivo. Louco.

 

E o corpo continua a deslizar no delírio.

Apesar da noite, apesar do frio e

do brilho metálico  sonoro das estrelas,

a certeza que dos olhos brotarão tamareiras

quando o milagre acontecer.

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publicado às 22:43


#2778 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.02.18

david grossman008.jpg

Um cavalo entra num bar

David Grossman

Romance

Dom Quixote | Janeiro de 2018

 

David Grossman nasceu em Jerusalém e é um dos maiores escritores do nosso tempo. É autor de uma extensa obra que está publicada em mais de trinta línguas em todo o mundo. Recebeu numerosos prémios, incluindo o francês Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, o Buxtehuder Bulle na Alemanha, o Prémio de Roma pela Paz e pela Acção Humanitária, o Prémio Ischia Internacional de Jornalismo, o Prémio Emet de Israel, o Prémio da Paz dos Editores e Livreiros Alemães e o Prémio Albatross da Fundação Günther Grass.

O seu romance Até ao Fim da Terra foi distinguido com o Prémio Médicis Estrangeiro, o National Jewish Book Award, o Prémio JQ Wingate e, tendo sido destacado em inúmeras listas de favoritos, foi ainda considerado o melhor livro da ano pela revista Lire, em 2011.

Um cavalo entra num Bar, o seu mais recente romance, recebeu o Prémio Man Booker Internacional 2017

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publicado às 13:03


#2777 - Porque é dia dos namorados...

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.18

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publicado às 17:01


#2776 - Pintura de Paulo Moreira

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.18

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publicado às 16:57


#2775 - Foleirices

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.02.18

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 Quando não há nada para dizer...

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publicado às 16:46


#2774 - Os homens nus

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.02.18

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 O rio que mergulha noutro rio

o caudal aumenta  e afoga a terra

casas viradas ao contrário

o céu é um imenso mar onde as estrelas são gaivotas.

 

Homens nus pescam insectos

mergansos pescam crocodilos

crocodilos apanham homens nus com canas de pesca

e velas que iluminam o caminho aos morcegos.

 

O vento sopra de lado nenhum

o ar está parado

e gente de boca aberta engole o espanto

mas o ar está parado, não há vento.

 

Uma rosa para iludir o tempo e o bocejo

rebenta os balões 

da festa de um menino que gosta

de fazer o pino enquanto sonha.

 

O palhaço é um cão que mia

cujo nariz

cabe no seu

enorme sapato.

 

O sapo namora com uma melga

mas esta ainda não sabe e

graceja ridicularizando a sua incompetência

e o boi ressuscitou no corpo de uma minhoca.

 

E o rio continua a mergulhar num outro rio

e o caudal engrossa cada vez mais e

a terra é um imenso pano bêbedo

onde os crocodilos pescam insectos

sentados em cadeiras de pernas cruzadas

o rabo na boca como se fosse um cigarro.

 

Ratos com asas

infâmias

putin e trump

diabruras

a história que às vezes se quer repetir.

 

Ironias...

 

A história do sarcasmo e da estupidez

ignorantes com boca e poder e

as casas ao contrário e

as árvores ao contrário

o mundo ao contrário

irreal

digital

kafkiano

um carro  no espaço há-de servir para quê...

 

E os crocodilos                                

sentados em cadeiras de pernas cruzadas

rabo na boca

usam canas de pesca

para apanhar

homens nus e desprevenidos.

 

 

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publicado às 15:57


#2773 - Em memória de Jóhann Jóhannsson

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.02.18

Em memória de Jóhann Jóhannsson, compositor e produtor islandês, nascido em Reykjavik, autor de músicas de filmes como, por exemplo,"A Teoria de Tudo". Foi encontrado morto no seu apartamento de Berlim.

 

Jóhann Jóhannsson foi um compositor islandês. Desde 2002, lançou álbuns a solo e compôs para teatro, dança, televisão e filmes. Em 2016, Johánnsson assinou um contrato com a Deutsche Grammophon que visava o lançamento do seu album Orphée. Wikipédia
 
Nascimento19 de setembro de 1969, Reykjavík, Islândia
Falecimento9 de fevereiro de 2018, Berlim, Alemanha

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publicado às 23:10


#2772 - O Ambiente em S. Vicente

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.18

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O AMBIENTE EM S. VICENTE

 

I

Dia.

Calma demais na baía azul

contra a muralha adiante da outra ilha.

Luz sem sombra

e um vazio que perfila

mortos os corpos deitados

na ideia 

e no cansaço

do movimento no cais e nas casas.

Ainda há vida

no velho tamarindeiro

hirto sob a poeira do vento

que sibila mas não sente

a nossa melancolia

dissolvida no ar quente:

o morno desassossego

que se respira em S. Vicente.

 

II

Noite.

Os montes sobem à lua

e descem vertiginosos na sombra.

O silêncio é mineral,

mesmo o das ondas na praia.

Passos acesos por um Petromax

deambulam, estacam.

Ouve-se uma voz: «entra já!»

O silêncio animou-se, falou fundo

como se anima e cala em S. Vicente.

 

III

Quando as nuvens pesam

e o céu e o sol

escurecem

toda a gente pensa:

acaso, o milagre?!

 

Mas não é milagre.

A chuva cai mesmo

quando acaso cai.

 

As ribeiras enchem.

A fome enverdece.

E a casa so pobre

escorrega na lama.

 

IV
E a pracinha ao fim da tarde

animada, sempre em festa

festinha lânguida prece

nos olhos da mulatinha

e de outras mais meninas

que passam, repassam, passam

os mesmos diminutivos

aos rapazes bailarinos

ou aos que  ouvem a banda

encostados à parede.

Até que chega a velhinha

com o seu cão, o seu bastão

e começa, a levitar,

a rodar,

a dizer: eu sou rainha

nos bailes de S. Vicente.

E a festa acaba em vidinha

em que os termos mais soezes

se confundem com os sublimes.

E só me resta gritar:

tu és minha, tu és minha

porque rimas com rainha,

com pracinha, com vidinha

e muita coisinha fina

e mais um raio de gente!

 

Poema de Ruy Cinatti in "Obra Poética, Volume I", páginas 411, 412, 413, 414 - Edição Assírio & Alvim, Outubro de 2016.

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publicado às 16:57


#2771 - Thomas Feiner & Anywhen - The Siren Songs

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.02.18

 

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publicado às 16:43

 

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publicado às 21:26


#2769 - Mazzy Star - Into Dust

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.02.18

 

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publicado às 21:17


#2768 - Beautiful Things by House of Wolves (Official)

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.02.18

 

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publicado às 19:43


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