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#870 - Vultos da nossa terra

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

Vasco Pulido Valente, fotografia de João Cutileiro

 

Sophia de Mello, fotografia de Fernando Lemos

 

Ruy Cinatti, fotografia de João Cutileiro

 

José-Augusto França, fotografia de Fernando Lemos

 

José Cardoso Pires, fotografia de João Cutileiro

 

Helder Macedo, fotografia de João Cutileiro

 

Carlos Wallenstein, fotografia de Fernando Lemos

 

António Pedro, fotografia de Fernando Lemos

 

José Cutileiro, fotografia de João Cutileiro

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publicado às 12:54


#869 - Américo Durão

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09


Cliché com um soneto e retrato inéditos de Américo Durão

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publicado às 12:23


#868 - XV Bienal Internacional de Arte de Cerveira

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

 

Ver programação aqui

 

A XV Bienal Internacional de Arte de Cerveira decorrerá de 25 deste mês a 27 de Setembro, mas a edição deste ano alargar-se-á a outros cinco municípios do Minho e a Tui, Espanha. A iniciativa foi apresentada ontem, no Porto.

A Bienal de Cerveira contará, nesta edição (que assinala os 31 anos), com a participação de 264 artistas, entre os quais 164 estrangeiros. Além dos criadores nacionais, estão já garantidos trabalhos de diversas expressões da autoria de artistas da Alemanha, Angola, Argentina, Bélgica, Brasil, China, Espanha, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Lituânia, Moçambique, Nepal, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia, Sérvia, Suíça, Tailândia e Turquia.

Candidataram-se nesta edição 439 artistas de todo o Mundo, tendo sido seleccionados 83. Os restantes participantes foram convidados ou indicados pelos respectivos curadores.

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publicado às 11:56


#867 - Tord Gustavsen Trio

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

 

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publicado às 11:46


#866 - 'Ode Marítima' em destaque no Festival de Avignon

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

 

A dramatização da Ode Marítima de Fernando Pessoa, encenada por Claude Régy, será um dos momentos altos da edição de 2009 do Festival de Avignon, considerado o maior acontecimento da vida teatral francesa, que começou terça-feira e decorre até dia 29. Para Hortense Archambault e Vincent Baudriller, directores do Festival, Claude Régy vai a Avignon apresentar uma das grandes obras poéticas do Século XX. Conhecido por mostrar a criação contemporânea francesa e estrangeira em matéria de Teatro e Dança, o Festival de Avignon, criado em 1947 por Jean Vilar, conta com um orçamento que ronda os 10 milhões de euros, ocupa 600 funcionários e tem uma audiência que costuma ultrapassar as 130 mil pessoas. (fonte: Correio do Minho)

 

Post retirado do blog Mundo Pessoa

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publicado às 01:02


#865 - Tord Gustavsen Trio

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

 

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publicado às 00:49


#864 - "Bruno"

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

 

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publicado às 00:33


#863 - Julieta Monginho ganhou Grande Prémio da APE

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

Ao Prémio concorreram 101 obras de 101 escritores -69 homens e 32 mulheres

 

"A Terceira Mãe", de Julieta Monginho, editado pela Campo das Letras, venceu o Grande Prémio de Romance e Novela APE/Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, no valor de 15.000 euros.

Ao Prémio concorreram 101 obras, o maior número de sempre, de 101 escritores - 69 homens e 32 mulheres - tendo a chancela de 35 editoras, esclarece uma nota da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

O júri, liderado pelo vice-presidente da APE, José Correia Tavares, foi constituído por Ana Marques Gastão, Annabela Rita, Armando Silva Carvalho, Cristina Robalo Cordeiro e Fernando Pinto do Amaral.

A mesma nota da APE esclarece que o júri deliberou por maioria, tendo a obra e Julieta Monginho recebido os votos de Ana Marques Gastão, Annabela Rita e Cristina Robalo, enquanto Armando Silva Carvalho e Fernando Pinto do Amaral votaram em "Myra", de Maria Velho da Costa, editado pela Assírio & Alvim.

O Grande Prémio de Romance e Novela distinguiu já 23 autores, de 16 editoras, havendo quatro autores que bisaram: Vergílio Ferreira, António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís e Maria Gabriela Llansol.

O volume "Bilhetes de Colares 1982-1998 "(Assírio & Alvim), de A. B. Kotter, pseudónimo de José Cutileiro, venceu por unanimidade, o Grande Prémio de Crónica Associação Portuguesa de Escritores/C. M. de Sintra. Do júri, que se reuniu na terça-feira, fizeram parte Ernesto Rodrigues, José Manuel de Vasconcelos e Maria Augusta Silva.

 

 

Notícia retirada do Ípsilon

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publicado às 00:22




A história dos judeus portugueses foi condensada em 250 páginas pelo académico alemão Carsten L. Wilke.

 


Carsten L. Wilke, doutorado em Estudos Judaicos pela Universidade de Colónia, Alemanha, e investigador no Instituto Steinheim de História Judaica Alemã, em Duisburg, aceitou o desafio de condensar em apenas 250 páginas destinadas ao grande público a história dos judeus portugueses. Uma história que o autor considera bem estudada, sendo numerosos os trabalhos académicos, e claramente autónoma da dos outros judeus da Península Ibérica, uma história que, no entanto, é mal conhecida pelos não especialistas num país onde raramente os livros escolares lhe dedicam mais do que rápidas - e escassas - referências.

 

Ler entrevista aqui

 

Entrevista no Ípsilon

 


 


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publicado às 00:16


#861 - Leitura de Blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.07.09

Da leitura do Blog "Autores e Livros"

 

 

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publicado às 00:05


#860 - Máscaras da Utopia

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.07.09

Apresentação do livro

Apresentação do livro 'Máscaras da Utopia'

por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo

10/07/2009
18h30
Aud. 3 da Fundação Calouste Gulbenkian

 


Uma História do Teatro Universitário em Portugal foi recentemente publicada com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. De autoria de José Oliveira Barata e com o título Máscaras da Utopia, retrata mais de três décadas de actividade dos grupos de teatro académico, abrangendo o período de 1938 a 1974. Ao aprofundar os percursos de grupos como o TEUC(Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra), o TUP(Teatro Universitário do Porto), o CITAC (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra), o Grupo Cénico da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa ou o Grupo de Teatro da Faculdade de Letras de Lisboa, entre outros, o livro reenvia inevitavelmente para a vida cultural e política da época, em pleno Estado Novo, marcada por fortes restrições à expressão criativa e liberdade associativa. Professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, José Oliveira Barata participou no TEUC, enquanto estudante, como actor e membro da direcção. Conciliando um percurso de reflexão teórica com a prática cénica, é autor de uma vasta bibliografia sobre teatro. O livro é o resultado de dois anos de investigação a partir de um amplo acervo pessoal, estendido a muitas outras fontes, testemunhos e documentação. Ao longo de quase 400 páginas, reúne informação relevante sobre a vida destes grupos universitários, historiando o seu percurso e identificando, de um modo muito completo, os principais intervenientes. Ao mesmo tempo, procura responder a várias questões como, por exemplo, quem defendeu ou procurou impedir o projecto do Teatro Universitário, de que modo se articulavam os projectos dos vários grupos de teatro universitário com a oposição política do país ou que importância teve o teatro protagonizado por estudantes universitários no diálogo com o teatro profissional e com o teatro amador.


O apoio da Fundação ao teatro em geral é destacado nesta obra, bem como os subsídios regulares aos grupos de teatro universitário. Este apoio traduziu-se no reforço das estruturas logísticas e técnicas, na atribuição de subsídios à produção de espectáculos, na contratação de encenadores e deslocações a Festivais Internacionais. São também lembrados os esforços de descentralização representados por iniciativas como o Ciclo Gulbenkian de Teatro. Em 1961, António Ferrer Correia, na altura administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, justificava o apoio da Fundação ao primeiro curso de teatro do CITAC afirmando na cerimónia de abertura, o valor da cultura “como essencial pressuposto de liberdade, de tolerância, de fraternidade humana”, e sublinhando a necessidade de acordar e fomentar a consciência destes valores no espírito do jovem universitário.

 

Assumindo a sua paixão pelo teatro, que viveu de um modo intenso como actor, dirigente e ensaísta, José Oliveira Barata reúne nesta obra o que até hoje se encontrava disperso e fragmentado, sistematizando estas décadas de actividade teatral, com o olhar informado e cúmplice de quem “esteve lá”. Recordando esses tempos de entusiasmo juvenil, salientou para a Newsletter o modo como a oposição ao regime fervilhava nos movimentos associativos, realçando também o extraordinário espírito colectivo e de cooperação que existia no seio dos grupos de teatro universitário, que levava os actores a desempenhar outras funções de cena, da iluminação à abertura das cortinas. Para além dos problemas suscitados pela mentalidade da época e que, entre outras coisas, colocava reservas à participação das raparigas do grupo em digressões, havia também a convivência regular com a censura. Lembra, por exemplo, que nos ensaios que realizavam para a censura, ensaiavam-se também estratégias para enganar os censores, ao ponto de os actores retirarem toda a intensidade interpretativa, no palco, esperando que qualquer sentido mais “subversivo” de um texto pudesse escapar, neutralizado pelo tom monocórdico da declamação. Às vezes esta estratégia era suficiente para driblar um censor menos perspicaz (o que nem sempre acontecia), e, para grande satisfação de todos, o projecto ia em frente. Centenas e centenas inscreveram o seu nome nos vários grupos de teatro universitário, alguns dos quais tornando-se figuras fundamentais do teatro nacional, pelo que Oliveira Barata afirma estar confiante de que o livro terá uma grande receptividade a nível nacional. O livro será, aliás, apresentado por duas dessas figuras maiores – Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo – no dia 10 de Julho, às 18h30, na Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Fundação Calouste Gulbenkian

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publicado às 23:51


#859 - China, século XXI

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09

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publicado às 22:06


#858 - Novelas em suporte de papel higiénico

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09

 

A primeira novela japonesa impressa em papel higiénico que tem por título "Drop" foi escrita pelo escritor japonês  Koji Suzuki e  já vendeu  cerca de 80.000 exemplares.

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publicado às 21:52


#857 - Confusões

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09

Hoje,  julgo ter visto um boi... mas não era; usava gravata e calçava, apenas,  um par de sapatos... mas juraria ser um boi!

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publicado às 21:16


#856 - Prémio Poesia APE/CTT para Armando Silva Carvalho

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09


Armando Silva Carvalho que foi o vencedor, por unanimidade, da edição de 2008 do Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT com a colectânea "O Amante Japonês".


Ler mais

aqui


 

Post retirado do blog "porosidade etérea"

 

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publicado às 15:34


#855 - Festa da Poesia Lusófona em Vila Nova de Famalicão

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09

Nos próximos dias 10 e 11 de Julho, Vila Nova de Famalicão transforma-se na capital da poesia lusófona, com o lançamento do projecto “Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética” da autoria do poeta brasileiro Wilmar Silva. Constituído por um livro e um DVD, o projecto que é apresentado na Casa de Camilo, em S. Miguel de Seide, reúne 100 poetas, do Brasil, de Portugal, da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. Entre os vários autores participantes destaque para o cabo-verdiano Arménio Vieira, vencedor do Prémio Camões.


Para além da projecção do DVD e da apresentação do livro de poemas, o programa de lançamento da obra inclui ainda cinco mesas de debate, reunindo diversos poetas de língua portuguesa. Durante os dois dias do evento, a Casa de Camilo será o centro da poesia dos países da lusofonia, onde não faltarão os recitais, pelos próprios autores.


Inserido nas comemorações do dia da Cidade, que se celebram a 9 de Julho, o projecto é também uma homenagem à cultura portuguesa que se expandiu a todos os continentes.


A abertura do evento está marcada para as 21h30, de sexta-feira, dia 10 de Julho, com a apresentação do projecto. Segue-se o primeiro debate sob o tema “Poesia: Liberdade, Experiência, Linguagens”, com as presenças dos poetas portugueses, Filipa Leal, José Braga Amaral e Ruy Ventura. Pelas 23h00, inicia o debate dedicado ao tema “Safra Nova”, a cargo dos poetas André Sebastião, Cristina Nery e João Miguel Henriques. A noite termina com um recital de poesia pelos autores presentes.


No sábado, dia 11h00, o programa recomeça pelas 10h30, com o debate “Poesia e Realidade”. Os poetas intervenientes serão Aurelino Costa, Ana Viana e Américo Teixeira Moreira. Segue-se o debate sobre “Poesia: Linhas de Fuga e Transmigração”, com Fernando Aguiar, João Rasteiro e Luís Serguilha. Pelas 15h00, Melo e Castro, Jorge Reis-Sá e Rui Costa debatem a “Poesia de Livro: Objecto e Produto”, seguindo-se a projecção do DVD Portuguesia, primeiro Volume.


O evento termina com o debate “Portuguesia: Unidade e Contraste”, a cargo dos poetas Jorge Melícias, Tny Tcheka e o brasileiro Wilmar Silva.

 

post retirado do blog "porosidade etérea"

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publicado às 15:10


#854 - Vasko Popa

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



CANÇÃO DA VERDADE JOVEM


A verdade cantava no escuro

No cimo da tília sobre o coração


O sol há-de amadurecer dizia

No cimo da tília sobre o coração

Se os olhos o iluminarem


Troçámos da canção

Agarrámos prendemos a verdade

Cortámos-lhe a cabeça debaixo da tília


Os olhos estavam noutro sítio

Ocupados com outra obscuridade

E nada viram

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publicado às 15:03


#853 - Yannis Ritsos

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



INSISTENTEMENTE


Detrás da velha muralha,

através das ameias,

pelos buracos das pedras em ruína,

os rostos

com olhos dilatados, cruéis,

observam

o jovem caçador a urinar

sobre um capitel quebrado.


Por acaso, se a vida é mentira

a morte também o é.

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publicado às 14:56


#852 - René Char

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



FIDELIDADE


Nas ruas da cidade anda o meu amor. Pouco

me importa onde vá o tempo dividido. Já não

é o meu amor, quem quer que seja lhe pode falar.

Já nem sequer se lembra; quem na verdade o

amou?


Procura o seu semelhante na promessa dos

olhares. O espaço que percorre é a minha fidelidade.

Desenha a esperança e depressa a repele.

É tão preponderante como desprendido.


No fundo dele vivo como destroço feliz.

Com pesar seu, a minha solidão é o seu tesouro.

No grande meridiano onde o seu impulso se

inscreve, penetra-o a minha liberdade.


Nas ruas da cidade anda o meu amor. Pouco

me importa onde vá no tempo dividido, Já não

é o meu amor, quem quer que seja lhe pode falar.

Já nem sequer se lembra; quem na verdade o

amou e ilumina de longe para que se mantenha de pé?

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publicado às 13:34


#851 - Jacques Prévert

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



PARA FAZER O RETRATO DE UM PÁSSARO


Pinta primeiro uma gaiola

com a porta aberta

pinta a seguir

qualquer coisa bonita

qualquer coisa simples

qualquer coisa bela

qualquer coisa útil

para o pássaro

agora encosta a tela a uma árvore

num jardim

num bosque

ou até numa floresta

esconde-te atrás da árvore

sem dizeres nada

sem te mexeres...

Às vezes o pássaro não demora

mas pode também levar anos

antes que se decida

Não deves desanimar

espera

espera anos se for preciso

a rapidez ou a lentidão da chegada

do pássaro não tem qualquer relação

com o acabamento do quadro

Quando o pássaro chegar

se chegar

mergulha no mais fundo silêncio

espera que o pássaro entre na gaiola

e quando tiver entrado

fecha a porta devagarinho com o pincel

depois

apaga uma a uma todas as grades

com cuidado não vás tocar nalguma das penas

Faz a seguir o retrato da árvore

escolhendo o mais belo dos ramos

para o pássaro

pinta também o verde da folhagem a frescura do vento

a poeira do sol

e o ruído dos bichos entre as ervas no calor do verão

e agora espera que o pássaro se decida a cantar

se o pássaro não cantar

é mau sinal

é sinal que o quadro não presta

mas se cantar é bom sinal

sinal de que podes assinar

então arranca com muito cuidado

uma das penas do pássaro

e escreve o teu nome num canto do quadro.


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publicado às 13:19


#850 - Jorge Luís Borges

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



CANDEM, 1892


O odor do café e dos periódicos.

O domingo e seu tédio. A manhã

E na entrevista página essa vã

Publicação de uns versos alegóricos

De um colega feliz. O homem velho

Está prostrado e branco na decente

Habitação de pobre. Ociosamente

Olha o seu rosto no cansado espelho.

Pensa, já sem assombro, que essa cara

É ele. Com distraída mão toca

A barba solta, a despojada boca.

O fim já não está longe.  A voz declara:

Quase não sou, mas os meus versos ritmam

A vida e seu esplendor. Eu fui Walt Whitman.

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publicado às 13:12


#849 - César Vallejo

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



"TRILCE", LX


É de madeira a minha paciência

surda, vegetal.


Dia que foste puro, menino, inútil,

que nasceste nu, as léguas

da tua marcha vão correndo sobre

as tuas doces extremidades, esse taciturno

vinvo de depois despia-se

não se sabe em que últimas fraldas.


Constelado de hemisférios de grumos,

debaixo de eternas e inéditas américas, de grande plumagem,

partes e deixas-me sem a tua ambígua emoção,

sem o teu nó de sonhos, domingo.


E já me apodrece a paciência,

e volto a exclamar: Quando virá

esse domingo bocarrão e mudo do sepulcro;

quando virá a carregar este sábado

de farrapos, esta horrível sutura

do prazer que nos engendra sem querer,

e o prazer que nos desteRRa!

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publicado às 13:00


#848 - Eugénio Montale

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



VENTO NA MEIA-LUA


A grande ponte não leveva a ti.

Ter-te-ia alcançado nem que navegasse

pelas cloacas, a uma ordem tua.

Mas já as forças, com o sol nos vidros

das varandas, iam declinando.

O homem que pregava no Crescente

perguntou-me: "Sabes onde está Deus?" Sabia

e disse-lho. Abanou a cabeça. Perdeu-se

no turbilhão que arrasta homens e casas

e ao alto os ergue, na escuridão.

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publicado às 00:46


#847 - Pierre Reverdy

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09





TAMANHO NATURAL


Por fim vejo o dia através das pálpebras

As persianas da casa insurgem-se

E batem

Mas o dia em que o devia encontrar

Não chegou ainda


Entre o caminho que desce e as árvores ele está nu

Esses cabelos ao vento que o sol levanta

É a chama que lhe rodeia a cabeça


Ao anoitecer

No meio do voo dos morcegos

Sob o tecto musguento e a chaminé fumarenta


Lentamente

Desmaia

 

Poema de Pierre Reverdy traduzido por Eugénio de Andrade e que faz parte do Livro "Trocar de Rosa" de Eugénio de Andrade editado pela editora Limiar em Março de 1981

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publicado às 00:31


#846 - Eugénio de Andrade

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.07.09



Retrato de Eugénio de Andrade por Mário Botas, 1980

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publicado às 00:24


#845 - O regresso

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.09

 

A voz pública tem a teimosia como um defeito; crismada perseverança torna-se uma virtude.

Por teimosia (ou perseverança) A Phala regressa.

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publicado às 11:57


#844 - Fernando Echevarría

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.09



Pastores de horas. Ou, nem isso. Apenas

vamos levando ao que fica

um augusto vagar de inteligência

que só a velhice elucida.

E, mais ainda, reajusta a tenda

para que o tempio lhe eternize a mítica

brancura de refúgio. Onde se pensa,

e de onde a idade, abstracta, se retira.

Só o pastoreio sobrevive. Entra

por uma luz cada vez mais antiga

que, a certa altura, ganha  a secura eterna

de quem, por trás, fica a reter a vida.


Poema de Fernando Echevarría, do livro Geórgicas, edições afrontamento. Edição n.º 665, Novembro de 1998

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publicado às 11:36


#843 - Recreio

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.09

A Assembleia da República, muitas vezes, parece o recreio de uma escola primária, onde  putos reguilas cantam  com vozes desafiadoras e fanfarronas"o meu pai é engenheiro.... e o teu é sapateiro"... e os outros respondem, enchendo o peito: " o teu pai tem uns valentissimos ... " ,  e ilustram com um  gesto...

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publicado às 11:09


#842 - José Luís Peixoto

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.09

Tradução Peixotão

(Muito trabalho, muitas imagens e palavras e sons na cabeça têm-me impedido de vir aqui dar notícias. Para quebrar o hiato, deixo um aperitivo: mais um poema de Izet Saraljic (Bósnia, 1930-2002) , traduzido por mim a partir das traduções espanhola e italiana.)


O DONO DE UNS SAPATOS NÚMERO 43 CONTEMPLA UMAS SANDÁLIAS DE CRIANÇA EXPOSTAS NO MUSEU DE AUSCHWITZ



Quanto amor pôs, antes da guerra,

um sapateiro dos arredores de Lvov

ao fazer estas sandálias

para que uma criança pudesse,

calçando-as,

atravessar o maio da sua vida.



E agora aqui estão, expostas

no museu de Auschwitz.



E o homem que as olha

sente-se quase culpado.

O homem cujo pé pôde

crescer até ao número 43.



Era ele quem, em 1941,

saltava, calçando estas mesmas sandálias.

****************************************************

Respira

 

Depois de atravessar o oceano e ver o que existe do lado de lá, depois de traçar linhas irregulares no mapa da Europa, faço a pé o caminho entre a minha casa e o supermercado. Sou um privilegiado enquanto avanço com um saco dobrado na mão, a carteira no bolso interior do casaco, a conhecer todos os passos deste caminho. Posso descer pela escadinha do jardim, por baixo da oliveira que, no Outono, dá azeitonas que ninguém aproveita, ou posso seguir pela rua principal, passar em frente à paragem de autocarros e atravessar a passadeira. Penso em muitas coisas enquanto faço esse caminho: tenho de ir aos correios, às finanças, à segurança social. Encontro sempre alguém para olhar: as pessoas que fumam à porta do supermercado ou a cigana romena, com uma criança a dormir-lhe no colo, que me estende a mão e o olhar. Enquanto avanço entre a minha casa e o supermercado, posso pensar neste texto que estou agora a escrever ou posso pensar nas compras que preciso. Isto, claro, se não tiver feito uma lista num quadrado de papel. Às vezes, deixo um pedaço de papel preso nesses imãs do frigorífico de Londres ou Ibiza e escrevo lá aquilo de que preciso. Detergente da loiça, por exemplo. É também assim que faço com as ideias para textos como este. Não as afixo no frigorífico, mas anoto-as em papéis que perco e encontro nos lugares mais inesperados da casa, muitas vezes após anos, ou em blocos que começo e que nunca acabo.

Posso estar enganado, mas, conhecendo-me, creio que, se tudo o resto falhar, poderei sempre contar com este caminho entre a minha casa e o supermercado. Bem sei que tudo muda: a casa pode deixar de ser minha, o supermercado pode desaparecer, a casa e o supermercado podem facilmente ser submersos por uma tristeza sem nome. Sei que o mundo pode ainda ser mais terrível do que isso, mas, com optimismo, gosto de pensar que este caminho está garantido. Não é pouco. Ao fazê-lo, carrego vagamente a memória daquelas ocasiões em que a minha mãe tirava um saco de plástico do armário e me pedia que fosse fazer um mandado à mercearia da Ti Ana Dezoito (quadrados de toucinho em cima do balcão de mármore, grãos de sal grosso em cima das folhas de papel pardo), ou quando o meu pai me dava uma garrafa e me mandava ir à do Ti Lourenço (o som e o cheiro do vinho tinto a escorrer do barril para dentro da garrafa, o funil de lata), ou quando a minha mãe me dava a bolsa de renda e me mandava à padaria de Ti Luísa do Peças (a farinha, queres mais bem cozidinho?) Enquanto caminho, eu sou essas memórias. Sou um corpo com pernas, braços e cabeça que é a representação física dessas memórias.

Quando chego ao supermercado, sei o lugar das coisas. A meio da manhã ou da tarde, cruzo-me com homens e mulheres que têm mais de setenta anos e que fazem compras ainda mais insignificantes do que eu: um pacote de leite, duas maçãs, pão. Vejo-me a ser um deles. Não daqui a muitos anos, não sou confiante a ponto de acreditar que passarei dos sessenta, mas já hoje, sou já um deles. Como eles, aproximo-me dos homens que estão a jogar às cartas no jardim, e fico a tentar perceber o jogo por cima dos seus ombros. Como eles, leio todas as notícias do jornal, vejo com pormenor todos os papéis que me são deixados por rapazes brasileiros na caixa do correio. Como eles, escolho bem cada peça de fruta que disponho nesses sacos de plástico fino, que custam a abrir, e, como eles, tomo-lhes o peso com a balança do braço antes de os atar com um nó cego.

É também como eles que encontro as palavras para este texto. Se tudo o resto falhar, como tantas coisas que já falharam efectivamente, posso sempre contar com este texto ou, pelo menos, com textos como este. Não tem de existir sempre a mais alta ambição em cada gesto. Ninguém aguenta viver assim e, para os vivos, viver é muito importante. Eu estou vivo. Respiro quando faço o caminho entre a minha casa e o supermercado, como respiro agora ao escrever esta palavra, e esta, e esta. Estão vivas também as pessoas com mais de setenta anos que cheiram melões no supermercado e que se balançam na aventura de comprar um (será que já estão maduros?) Será, será? Oh, dilema.

Aquilo que digo a mim próprio, digo também aos outros: tenham calma.

Agora, em especial para ti: do lugar de onde estás, tu próprio és o assunto que melhor vês, tu és a pessoa que está mais perto de ti. Por esse motivo, é normal que te pareça que cada detalhe é fundamental, essencial, que não podes viver sem ele. Mas podes. Os outros, esses que te amedrontam, que te telefonam todos os dias, que te escrevem emails e te perguntam: já está?, onde é que está?, porque é que não está? Esses parecem gigantes, têm os olhos muito abertos, mas, sabes, quando adormecem, são meninos indefesos. Como tu, também eles. Como tu, também eles recebem os mesmos telefonemas, os mesmos emails e, como tu, também eles, se encolhem ante gigantes, olhos muitos abertos, que, por sua vez, fazem a mesma coisa com outros e outros e outros, espelhos a reflectirem-se infinitamente. Se eles te perguntarem: já está? Podes responder: não, não está. E tudo continua. Se não tiveres o caminho entre a tua casa e o supermercado, terás outra coisa, qualquer coisa. Se não tiveres um texto como este para escrever, terás outra coisa que desconheço, mas que sei que existe. Por isso, respira, respira, respira.

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publicado às 10:43

A bailarina e coreógrafa Vera Mantero, de 43 anos, foi ontem distinguida com o Prémio Gulbenkian Arte 2009, no valor de 50 mil euros, atribuído no ano passado ao cineasta Pedro Costa. Num comunicado, a Fundação Gulbenkian descrevia ontem Mantero como “uma das artistas mais criativas e singulares da cena nacional, com uma sólida carreira construída ao longo de mais de duas décadas”.

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publicado às 10:25


#840 - Leitura de Blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.09

DA CINTURA PARA CIMA


Há os que vivem da cintura para cima, como se o corpo servisse apenas para transportar a cabeça cheia de ideias.

Post retirado do blog "A Dobra do Grito"

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publicado às 09:49


Maria Filomena Mónica diz que com a idade está a perder a raiva, porque a raiva cansa muito. Mas continua a fazer e a dizer tudo o que lhe apetece.


Maria Filomena Mónica, em entrevista ao "i", conversa sobre Eça de Queirós

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publicado às 09:37


#838 - Novo livro de Miguel Sousa Tavares nas livrarias

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.07.09

 
 
A partir de hoje nas livrarias
 
 

«Esta história que vos vou contar passou-se há vinte anos. Passou-se comigo há vinte anos e muitas vezes pensei nela, sem nunca a contar a ninguém, guardando-a para mim, para nós que a vivemos. Talvez tivesse medo de estragar a lembrança desses longínquos dias, medo de mover, para melhor expor as coisas, essa fina camada de pó onde repousa, apenas adormecida, a memória dos dias felizes.»

 

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publicado às 09:21

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