Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Legado Pessoano

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.11.08

Ricardo Marques escreve sobre o legado pessoano na revista STORM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DEAMBULAÇÕES PELO LEGADO PESSOANO, NUM ANO DE COMEMORAÇÕES

“Anglomaniac, myopic, courteous, evasive, dressed darkly, reticent and agreeable, a cosmopolitan who preaches nationalism, “solemn investigator of futile things”, humorist who never smiles but chills our blood, inventor of other poets and destroyer of himself, author of paradoxes as clear as water and, as water, dizzying: “to pretend is to know yourself”, mysterious man who does not cultivate mystery, mysterious as the mid-day moon, taciturn phantom of the portuguese mid-day – who is Pessoa?”
Octavio Paz


Enganemos o leitor, e esquivemo-nos tal como o faria Pessoa, deixando esta longa citação para o fim. A ela voltaremos depois de terminado o arrazoado. Escritas há vinte e cinco anos, as seguintes palavras de Fernando J. B. Martinho parecem proféticas nos dias de hoje:

“Fácil será imaginar que a “vaga pessoana” irá continuar a submergir o “horizonte cultural em Portugal” nos tempos mais próximos, sobretudo se atendermos à circunstância de se avizinharem as datas das comemorações do cinquentenário da sua morte (1985) e do centenário do seu nascimento (1988)”
(Fernando J. B. Martinho, Pessoa e a Moderna Poesia Portuguesa (Do Orpheu a 1960), Lisboa, ICLP, Colecção Biblioteca Breve, vol. 82, 1991 (1983), pp.12-13)

Num ano de comemorações como é este, 120 anos volvidos do seu nascimento tão bem assinalados com a colocação de uma nova escultura do escritor, pelo belga Jean-Michel Folon (1934-2005), mesmo em frente à casa onde nasceu, pensamos ser pertinente “deambular” pelo legado de Pessoa, e pensar se faz sentido ainda pensar em Pessoa neste início de século. A premissa de trabalho que me proponho é falsa, de uma certa falsidade retórica e deveras pessoana, uma vez que desde logo o leitor minimamente informado saberá a resposta. Os exemplos desta herança que a sociedade teima em retomar são tão quotidianos quanto frequentes e não é sequer preciso este ensaio para provar que Pessoa está aqui para durar.
Posto isto, a deambulação que aqui faremos será, se quisermos, uma deambulação textual, no sentido semiótico do termo – veremos três diferentes tipos de texto e de que forma todos eles actualizam a figura, o homem e o mito na nossa cultura de hoje, bem como três momentos cronológicos deste ano, também ele, pessoano.
Em primeiro lugar, um texto escrito, poesia, evocando não Fernando Pessoa per se mas sim Esteves, o homem-personagem do longo e famoso poema de Álvaro de Campos intitulado Tabacaria (1928). Falamos de Esteves!, último livro de poesia, editado entre nós em Fevereiro, do poeta holandês René Huigen (1962-)
É muito interessante verificar esta nova vida que uma personagem tão simbólica como é o “Esteves sem metafísica” ganha neste longo poema narrativo, sobretudo por, na verdade, Esteves ter um papel tão indefinido quanto passivo no texto de Campos. Ao invés disso, Huigen pega em Esteves e dá-lhe um papel preponderante na acção narrada no poema, uma nova vida (literária) que expande a vida literária que ele tem no poema de Campos. Assim, e no que toca à forma de o concretizar, pensamos ser a definição do poeta neerlandês que apresenta este livro, Gerrit Komrij (1944-), a mais sucinta e clara: “ uma demanda, com acentos bíblicos, dantescos e homéricos, arcaica e moderna, sobre o que leva a acção a alguém que se sabe não ser levado a nada”. ( René Huigen, Esteves!, Lisboa, Assírio e Alvim, 2008
Efectivamente, é de uma viagem, de um poema épico que estamos perante, bem à maneira desses três intertextos fundamentais para a cultura ocidental que Komrij sugere e bem – a Bíblia, a Divina Comédia, e a Odisseia. Se quisermos, esta é a “demanda” do “Esteves sem metafísica” à procura da própria metafísica, num percurso que é simultaneamente pessoal e iniciático, e depois uma aventura de escrita poética bem ao gosto dos nossos dias, onde o escritor, o narrador e as personagens invocadas se misturam numa promiscuidade de níveis narrativos. Usando de um estilo torrencial e com laivos surrealistas, há uma constante citação, que se torna muito explicita em certas passagens, desses grandes poemas em prosa supracitados.
Assim, o poema começa por exortar longamente a musa Calíope para que ajude o poeta a falar “de um homem que ficou em casa/ Julgando ser-lhe o mundo um assento/ de onde um herói digno de seus feitos/ não precisava de erguer-se para,/dormindo, ir enfrentá-lo” . E assim se resume o que se passarão nas páginas do livro, todo ele uma metafórica reflexão sobre a metafísica e a vida dentro do livro, a vida das personagens como se fossem reais, e de que Esteves é clara símbolo na obra pessoana.
Na esteira desta ideia, convocaremos a novela de Mário Cláudio, Boa-Noite, Senhor Soares, saída a meio do ano, que vem retratar mais uma vez este aspecto da vida apenas pelo livro, com a nova vida que ganha Bernardo Soares, o semi-heterónimo de Pessoa, e autor da sua “autobiografia possível”, O Livro do Desassossego. Efectivamente, isto torna-se ainda mais credível se virmos que a intenção do autor com a escrita desta história foi “ver o Pessoa através de Bernardo Soares”. Assim, somos transportados para a Lisboa de entre as guerras, numa altura igualmente de afirmação do Estado Novo em Portugal, espelhado nos inúmeros episódios do quotidiano em que o livro se desdobra. Desta forma, mais do que a personagem central que é António, natural do interior profundo e que, como tantos, se desenraizou à força num contexto urbano duro a troca de uma melhor vida, poderíamos dizer que o que ganha mais importância, talvez por se sempre falar nele, mas quase nunca intervir, é “o senhor Soares”. Alvo de reverência por parte deste seu jovem de colega de trabalho, não só por “constar que é poeta”, mas precisamente devido ao seu desapego em relação à vida quotidiana que António não tem outra escolha senão viver, para sobreviver.
Por outro lado, é Lisboa a outra personagem central desta novela. Bernardo Soares, António, e as restantes personagens ( algumas retiradas igualmente d' O Livro do Desassossego, como o Patrão Vasques) são todas engolidas num contexto citadino que é, de um modo geral, muito bem ficcionado e pormenorizado por Mário Cláudio, naquilo que pensamos ser a homenagem a esse outro lado do mito pessoano que é a Lisboa por onde deambulou e sobre a qual amplamente escreveu, e que tantas vezes é indissociável de uma leitura do próprio poeta. Retenhamos esta ideia de “lugar” para o exemplo final deste ensaio.
Falemos de uma exposição, inaugurada na Gulbenkian, denominada - “Weltliteratur - Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o Mundo!”, acontecimento artístico deste final de ano. O pressuposto inicial deste evento foi o de mostrar como era possível expôr museograficamente textos literários, conjugando-os com outro tipo de textos como quadros e esculturas, presentes no museu.
Nos textos de apresentação desta referida exposição, o seu comissário, António M. Feijó, defende que a Literatura é passível de ser mostrada num espaço desses, lembrando claramente a etimologia grega da palavra museu, “o assento das musas”, e da qual a Biblioteca de Alexandria, espaço simultâneo de repositório de obras de artes e fonte de saber livresco, é um claro exemplo. A única limitação que se impõe na escolha de textos foi a de marcar um período e determinar quem e a como expôr, bem como os nexos que depois se estabeleceriam. A escolha, neste ano tão simbólico, foi a de mostrar Pessoa e alguns contemporâneos. Como o próprio diz -

O interesse em usar Pessoa é que, por um lado, em Portugal, há um lugar-comum, corrente em pessoas ligadas à literatura, que afirmam estarem cansadas de Pessoa, fadiga essa que parece, no mínimo, bizarra. (Newsletter da FCG, nº96, Lisboa, Setembro de 2008, pp.17-18)

Por outro lado, e no seguimento daquilo que diz, há a ideia, muito corrente no nosso país, que se está farto de um poeta de que se fala abundantemente, sem na verdade haver um verdadeiro acto de leitura individual e solitário dos seus textos, que esta exposição procura igualmente salvaguardar e promover. Por outro lado, o título da exposição pretende evocar uma dialéctica, sempre constante nas nossas letras, entre “os outros e nós”, o que nós produzimos num determinado lugar e o que os outros fazem, daí a ironia do conceito goethiano de “literatura universal” aqui presente – estamos, no fundo, perante uma geração cosmopolita, encabeçada por Pessoa, mas que extravassa as fronteiras de uma nação. “Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo, o mundo!” é verso de Cesário Verde mostrando que só há uma literatura verdadeiramente universal se for, em primeiro lugar, nacional, ecoando depois ligações que podem aproximar escritores e criadores de diversas nações e gerações. Mais uma vez, como o comissário refere a propósito desta exposição - “É a literatura do mundo partindo deste lugar, uma percepção em que a nossa capacidade foi capaz de a colocar no mundo porque ela é eminentemente deste lugar”

Assim, e como prometido, acabamos com a citação de início. Para Octavio Paz (1914-1998), amplo conhecedor de várias tradições poéticas europeias e tradutor de Fernando Pessoa para espanhol, a figura literária que é Fernando Pessoa constituia o mesmo polifacetado enigma que para nós, leitores com quase um século de distância, ainda nos faz escrever, ler e criar.
Agora, mais do que nunca, a pergunta em que urge pensar quando se evoca esta figura, pelos exemplos que deixámos atrás, talvez não seja tanto - “who is Pessoa?” (não há vida que dure tal investigação) mas sim why ou porquê Pessoa. A própria forma de ser Pessoa, como vimos neste citação e como podemos ler na sua produção literária diversa, é ser várias coisas ao mesmo tempo. Na verdade, esta pergunta final de Paz apenas está lá por cuidados retóricos do seu autor, também ele escritor, uma vez que a resposta já é dada pela enumeração que a antecede. Assim, a nossa actualização constante do homem, escritor e mito literário marca-se, em mais um ano em que não o esquecemos, pela não-aproximação a ele – e parece agora ser a época em que viveu, bem como as personagens e personas literárias que criou, o foco crescente de interesse pelos diversos agentes do meio cultural que não se cansam em retomá-lo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:49


Leitura de outros blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.11.08

Ultima hora

 
Depois do computador Magalhães, "o primeiro grande computador ibero-americano” (é favor não esquecer), o governo Sócrates prepara-se para lançar o carro Vasco da Gama.



 

Etiquetas: dizem que rir é o melhor remédio, governops

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:44


Prémio Goncourt

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.11.08
Goncourt para Atiq Rahimi

O Goncourt 2008 foi hoje atribuído a Atiq Rahimi por Syngué sabour. Pierre de patience. Desenvolvimentos aqui e aqui e entrevista aqui.

 

Post retirado do Blog "LER"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:12


Miriam Makeba

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.11.08

 

Cantora morreu no final de um concerto de apoio ao autor de 'Gomorrah'

Roberto Saviano escreveu Gomorrah, livro publicado em 2006 que expôs detalhes e segredos da Camorra, a máfia napolitana. As mesmas páginas foram transformadas em filme já este ano e Saviano acabou ameaçado pelas organizações criminosas da cidade italiana. Miriam Makeba, nome maior da música sul-africana e activista pelos direitos humanos, esteve em Itália para um concerto de apoio ao jornalista-escritor. Após a actuação, Makeba foi vítima de um ataque cardíaco. Acabaria por morrer, com 76 anos.

Nelson Mandela figurava entre os nomes que apelidavam Miriam Makeba de "Mama Afrika", título garantido pela voz incansável tanto no canto como na denúncia. Na verdade, o seu desaparecimento seria sempre motivo de notícia, e não apenas porque associada a uma controversa aparição pública que levou os meios de comunicação de todo o mundo a procurar eventuais teorias conspirativas. Mas a sustentação de tais hipóteses faz-se de fragilidades. Para a história fica o percurso de uma cantora convicta da transformação latente nas canções que interpretava. Mesmo a sua última prestação em Caserta, quis lembrar que, naquela localidade, foram assassinados seis imigrantes originários do Gana - a autoria do massacre está associado às associações criminosas descritas no livro de Roberto Saviano.

Miriam Makeba mostrou os primeiros sinais de uma vincada personalidade artística na década de 50, quando o bairro de Sophiatown, nos subúrbios de Joanesburgo, atraía os cosmopolitas mais curiosos pelas manifestações artísticas. A segregação imposta pelo regime de apartheid acabou por afastar os negros dos circuitos culturais, mas aquela que seria mais tarde rebaptizada como a "imperatriz da canção africana" encontrou a melhor forma de dar continuidade à sua vontade artística. Encontrou a parceria perfeita com Hugh Masekela, o trompetista que a influenciou em definitivo a desenvolver a linguagem musical que melhor a serviu: um cruzamento entre a tradição africana e o jazz.

Come Back, Africa, documentário revelado em 1959, transformou Miriam Makeba num símbolo da luta antiapartheid. Ao mesmo tempo, foi--lhe negada a entrada na África do Sul durante os 30 anos seguintes. Colaborações assinou-as com nomes tão distintos como Dizzy Gillespie ou Paul Simon. As distinções surgiram tanto de John Kennedy como das Nações Unidas. A autora de títulos como Pata Pata, The Click Song ou Malaika estava em digressão pelo mundo desde 2005, naquela que tinha já sido anunciada como a sua tour de despedida.

 

In "DN" online

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:57


Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.11.08

 
A ministra dos milagres
 

A ministra dos milagres

Os professores portugueses parecem ter ganho o gosto às avaliações, e 120 mil (há oito meses foram "apenas" 100 mil) avaliaram de novo a ministra e a "sua" avaliação. Depois do milagre estatístico da Matemática, Lurdes Rodrigues conseguiu proeza ainda mais improvável, a da unanimidade dos professores. Se isso não chega para a sua beatificação - que Sócrates tem em marcha - vou ali e venho já. 120 mil professores na rua (uns "míseros votos", como lhes chamou Sócrates) contra o naufrágio do sistema educativo e o pesadelo burocrático em que foi transformada a sua profissão, e gritando "deixem-nos ser professores" não é sinal de descontentamento, é algo mais profundo.

 

Ou deveria ser, para quem tivesse um mínimo de humildade democrática e não confundisse firmeza com auto-suficiência e poder com mando. Se a passagem de Lurdes Rodrigues pelo ME constitui um "study case" de incapacidade técnica e autismo político, a reacção praticamente unânime dos professores em defesa da dignidade da profissão docente é um exemplo de cidadania activa cada vez mais raro no "país em diminutivo" em que nos tornámos.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:42


Esperas

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.08

foto de alberto viana d'almeida

 

Sentada na raiz do pessegueiro

esperas que a lua amadureça.

olhas o livro

olhas as horas

olhas o sol

olhas as sombras

olhas o fim-de-tarde

olhas o início da noite

olhas o início do fim

e continuas sentada à

espera da lua cheia

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 16:57


Congratulations Mr. Derryl

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.08

Congratulations Mr. Derryl
 
É alto e magro. Terá uns setenta anos. Nos negros é difícil adivinhar-se a idade, mas os novelos de cabelo branco que pontilham um penteado impecável são um indício de que estamos na presença de alguém que viveu muito.

 

O fato de bom corte assenta-lhe como se fosse parte de si. Um centímetro da manga da camisa engomada a rigor sai do casaco e deixa ver um discreto traço dourado de um botão de punho antigo. O nó da gravata de riscas conservadoras comprime-se na precisão de um homem que sabe tomar conta de si contra um colarinho imaculado que parece de porcelana. 'Quer ficar junto da janela?'. 'Sim por favor.'.'O seu empregado vai trazer-lhe já o café e o sumo de laranja'. E com uma cortesia simples, sem servilismos nem intimidades, puxa-me a cadeira e abre-me um guardanapo. Quando se afasta noto que o fato cinzento-escuro com uma risca fina lhe cai com o rigor da postura rígida quase sem rugas sobre uns sapatos castanhos bem engraxados. Seis e meia da manhã, a sala de jantar está ainda vazia. O maître volta a aproximar-se da minha mesa. Olha para a credencial de imprensa que tenho ao peito e diz-me que já foi jornalista de rádio mas que se reformou e 'na América, nestes tempos, os reformados têm que trabalhar'. Pergunta-me se venho para as eleições. 'Vão ser cruciais', adverte-me. Concordo e ele apresenta-se. 'O meu nome é Mr. Derryl'. 'Prazer, o meu é Mário Crespo'. 'Pensando bem, se Obama ganhar estas eleições é como se a marcha de Luther King pelos direitos cívicos de 1964 tivesse chegado ao fim…Este voto é decisivo Mr.Crespo'. 'Creio que sim'. Despeço-me. 'Boa sorte para amanhã Mr. Derryl'. 'Para si também, Mr. Crespo'. Sigo rumo aos meus destinos, da busca de palavras curtas, medidas ao segundo para contar as evoluções de milénios, revoluções de séculos e estados de espírito que não se conseguem medir nem descrever bem. Votou-se nessa noite. Obama ganhou. Washington explodiu numa madrugada de euforia incontida de centenas de milhar de jovens de todas as raças. Desfilaram buzinando carros e convergiram sobre a Casa Branca, que estava já com as luzes apagadas. Desligam-nas normalmente à meia-noite e os actuais ocupantes não acharam que o momento merecesse qualquer excepção às rotinas. A noite estava muito escura. Entre cânticos de espirituais negros, tambores e latas batidas aos ritmos sempre imprevisíveis dos comboios da história, milhares comprimiram-se contra o gradeamento da residência presidencial e fizeram o ruidoso exorcismo das trevas durante horas. Filmei e falei. Senti um nó na garganta em depoimentos mais expressivos e ri com gosto num ajuntamento maior quando me abraçaram e quiseram entrevistar-me, a mim. E senti aquelas euforias e nostalgias súbitas de estar a viver a história numa ocasião irrepetível. Na manhã seguinte, novamente muito cedo (a diferença de cinco horas é impiedosa) fui tomar o pequeno-almoço. O maître continuava impecável, ostentando talvez um subtil sinal de alegria. A mesma gravata imaculada, o mesmo nó preciso. Em vez das riscas de clube inglês era do azul eléctrico, que é a cor dos Democratas. 'Congratulations Mr. Derryl'. 'Foi uma noite notável Mr. Crespo' e sem intimidades nem servilismo afastou-me a cadeira e abriu-me o guardanapo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:19


Vidas adiadas

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.11.08

seculo XX

fotografia de alfredo de almeida coelho da cunha

 

O rio é espesso.

cego.

sujo.

sofrido.

magoado.

cansado de correr com a morte dentro.

 

Uma película densa,

uma pele grossa

com cicatrizes profundas de acne

asfixiam-no e

desiste de respirar

e também esmagado pelas

margens oblíquas e obtusas de

salgueiros mirrados.

 

Porque as raízes já cegas

não se olham

no espelho cego

do rio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 12:55


Joan Wasser

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.08

Joan As Police Woman - Christobel

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:49


As horas e o esquecimento

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.08

Alexandra de Pinho

 

Quando te chamei

estavas suspensa entre

dois novelos de nuvens.

 

O teu corpo baloiçava

por entre os soluços do vento

e do tempo,

todo o teu corpo, o pêndulo,

os teus seios, ponteiros de

arrependimentos tardios e

o teu sexo, o lugar

de todos os esquecimentos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 19:17


Kurt Elling

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.08

Kurt Elling - Nature Boy - Jazz and Orchestra

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:01


Sonny Rollins

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.08

 

 

Sonny Rollins - My One and Only Love

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:56


Terry Callier

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.08

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:53


Herberto Helder - A faca não corta o fogo

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.08

As mulheres têm uma assombrada roseira

fria espalhada no ventre.

Uma quente roseira às vezes, uma planta

de treva.

Ela sobe dos pés e atravessa

a carne quebrada.

Nasce dos pés, ou da vulva, ou do ânus -

e mistura-se nas águas,

no sonho da cabeça.

As mulheres pensam como uma impensada roseira

que pensa rosas.

Pensam de espinho para espinho,

param de nó em  nó.

As mulheres dão folhas, recebem

um orvalho inocente.

Depois sua boca abre-se.

Verão, outono,  a onda dolorosa e ardente

das semanas,

passam por cima. As mulheres cantam

na sua alegria terrena.

 

Que coisa verdadeira cantam?

Elas cantam.

São fehadas e doces, mudam

de cor, anunciam a felicidade no meio da noite,

os dias rutilantes, a graça.

Com lágrimas, sangue, antigas subtilezas

e uma suavidade amarga -

as mulheres tornam impura e magnífica

nossa límpida, estéril

vida masculina.

Porque as mulheres não pensam: abrem

rosas tenebrosas,

alagam a inteligência do poema com o sangue menstrual.

São altas essas roseiras de mulheres,

inclinadas como sinos, como violinos, dentro

do som.

Dentro da sua seiva de cinza brilhante.

 

O pão de aveia, as maçãs no cesto,

o vinho frio,

ou a candeia sobre o silêncio.

Ou a minha tarefa sobre o tempo.

Ou o meu espírito sobre Deus.

Digo: minha vida é para as mulheres vazias,

as mulheres dos campos, os seres

fundamentais

que cantam de encontro aos sinistros

muros de DEus.

As mulheres de ofício cantante que a Deus mostram

a boca e o ânus

e a mão vermelha lavrada sobre o sexo.

 

Espero que o amor enleve a minha melancolia.

E flores sazonadas estalem e apodreçam

docemente no ar.

E a suavidade e a loucura parem em mim,

e depois o mundo tenha cidades antiga

que ardam na treva sua inocência lenta

e sangrenta.

Espero tirar de mim o mais veloz

apaixonamento e a inteligência mais pura.

- Porque as mulheres pensarão folhas e folhas

no campo.

Pensarão na noite molhada,

no dia luzente cheio de raios.

 

Vejo que a morte se inspira na carne

que a luz martela de leve.

Nessas mulheres debruçadas sobre a frescura

veemente da ilusão,

nelas - envoltas pela sua roseira em brasa -

vejo os meses que respiram.

Os meses fortes e pacientes.

Vejo os meses absorvidos pelos meses mais jovens.

Vejo meu pensamento morrendo na escarpada

treva das mulheres.

 

E digo: elas cantam a minha vida.

Essas mulheres estranguladas por uma beleza

incomparável.

Cantam a alegria de tudo, minha

alegria

por dentro da grande dor masculina.

Essas mulheres tornam feliz e extensa

a morte da terra.

Elas cantam a eternidade.

Cantam o sangue de uma terra exaltada.

 

Poema de Humberto Helder, extraído do Livro "A faca não corta o fogo", edição 1268, Setembro de 2008, da  Assírio & Alvim,

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:51


Inquietação

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.08

Por baixo do silêncio há

uma inquietação que se

esconde sob a luz do abat-jour.

Pequenas sombras, átomos de pó,

explicam a história

de pensamentos pendurados na cabeça

e esquecidos no coração.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 17:21


John Lee Hooker - I Cover The Waterfront

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.08

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:12


Verdi Requiem Lacrymosa/Lacrimosa Karajan

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.08

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:54


Il Soneto para Cesário (escrito aí há 40 anos)

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.08

Se te encontrasse, agora, na paisagem

nocturna dos fantasmas da cidade,

contava-te dos nossos pobres versos

no teu rasto de sombra e claridade

 

Contava-te do frio que há em medir

a distância entre as mãos e as estrelas,

com lágrimas de pedra nos sapatos

e um cansaço impossível de escondê-las

 

Contava-te - sei lá! - desta rotina

de embalarmos a morte nas paredes,

de tecermos o destino nas valetas

 

De uma história de luas e esquinas,

com retratos e flores da madrugada

a boiarem na água das sarjetas.

 

Diniz Machado,

13 de Fevereiro de 1994

 

Soneto oferecido a José do Carmo Francisco por ocasião do seu 47º aniversário

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:26


Às minhas filhas - Jujinha e Princesinha

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.11.08

 

Ah!... aquela música...

já a tinhas esquecido,

e o cheiro a canela e violetas em cada nota.

e sentes a respiração da pele

vestida de organza preta

das margens do rio Yangtze e

abraças cada gesto da batuta

e danças suavemente

desenhando sonetos

no chão.

 

alexandra de pinho

 

Princesinha,

olhos cor do céu

pintados no verde do mar.

O sol que amadurece o dia

nasce no princípio do teu corpo

em forma de searas loiras

dançando uma valsa com o vento.

Vestida de branco,

o teu coração protege a

vida dos outros

em tempo de morte

e silêncios sofridos e

adormeces as suas mágoas,

as feridas do corpo,

as rugas da alma,

com um sorriso

terno

redentor

apaziguador

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 00:07


Três poemas musicais de Manuel de Freitas

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08

GUSTAV LEONHARDT, 2005

Às vezes, por breves instantes,
a beleza habita sobre a terra,
tão urgente e impronunciável
como o rosto em trompe l’oeil
na abóbada da igreja de São Roque.

Com isto, estarei talvez a fazer
a mesma triste figura da rapariga espanhola
que ao meu lado rabiscava poemas
dialécticos – «Argumentos» e Contra-
Argumentos» velozmente incinerados
pela fundamentação física do génio.
Nós, poetas, só escrevemos disparates.

A beleza, dizia eu. Mas os meus pés,
o seu indiscutível peso sobre a terra,
coincidiam com o mármore da sepultura
número 44 (dois terços de paixão, outro de pó).

E aquele homem ajudava-nos a morrer
melhor.


LEONARD COHEN, 1979

 

Era bem claro, nessa noite,
o quanto a sua música
se afastava de «other forms
of boredom advertised as poetry»,
denúncia que se mantém válida.

Não serão bússolas duradouras
– tudo, enfim, falece –,
mas são palavras que nos protegem
da avalanche dos dias e dos meses,
destas poucas horas a que chamamos nossas.

Uma maneira de voltar a morrer?
Talvez,
quando até nas cinzas encontramos lume.


PINA BAUSCH, 2008

Müller,
Café Müller.

 

A morte sabe onde fica.

[in Jukebox 2, de Manuel de Freitas, Colecção Poesia Portuguesa Contemporânea, Teatro de Vila Real, 2008]


Post retirado do blog "Bibliotecário de Babel"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:31


BPN - Negócios manhosos

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08
Burla, abuso de confiança e fraude fiscal no BPN, noticia o Diário de Notícias

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:19


Hoje queria apenas que fosse verão

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08

Alexandra de Pinho

 

A penumbra alberga-se no coração

mas não é triste

às vezes melancólica

apenas saudades do sol -

pequenos filamentos que deslizam por

um declive mínimo até

encontrar a nossa pele.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 17:01


Inédito - os "Comodeantes" de Quiantandona, Penafiel

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08

Dos campos para o palco do teatro

São agricultores, costureiras e domésticas no dia-a--dia, mas, de tempos a tempos, sobem ao palco e durante umas horas passam a ser actores e tudo o que não podem ser na vida normal.


Estamos no propalado Portugal profundo e é aí que reside a companhia ‘ComoDEantes’, em Quiantandona,Penafiel, uma das aldeias preservadas de Portugal. Até o presidente, Cavaco Silva, numa das presidências abertas, já por ali passou e não lhes poupou elogios.

O CM assistiu, anteontem, a uma actuação deste grupo de vinte actores. A peça em cena é ‘Eu voo para a América’. É ao ar livre. Faz frio, muito frio. Mas quem gosta aguenta e o espectáculo, de tão genuíno, deixa a sua indelével marca. Assistimos a uma história em que a ganância é a força motriz para que os acontecimentos se sucedam e tem origem nas mais entranhadas histórias populares portuguesas.

"É uma história que a minha avó com 85 anos diz que a sua avó lhe contava e remonta ao séc. XVIII, quando começaram a surgir os primeiros engenhocas a tentar construir aviões. É originária da zona de Vila Nova, Marco de Canaveses", contou ao CM o único profissional da companhia, Pedro Soares, no papel de encenador.

"Começo por juntar o grupo à volta de um gravador e conto uma história. Todos vão participando e acrescentando outras histórias paralelas, que têm raízes na cultura tradicional, até termos a história", afirmou o encenador.

O fim da história não se deve já contar, mas nesta peça, que até tem um coro como nas tragédias gregas, não há propriamente um final feliz.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:55


O novo livro de Maria Filomena Mónica - "Nós, os Portugueses"

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08

"Nós, os Portugueses" apresentado ontem em Lisboa

Pessimismo em retrato do País

 

Maria Filomena Mónica esteve ontem na Fnac do Chiado, em Lisboa, para apresentar o seu mais recente trabalho, ‘Nós, os Portugueses’, editado pela Quasi.


A compilação de crónicas espalhadas pela imprensa, agora em formato de livro, passa em revista a identidade do País, daqueles que o habitam e até da própria autora.

"A minha experiência pessoal é a base deste trabalho. É a partir dela que tento construir um quadro alargado de traços, positivos ou negativos – enfim, quase todos negativos mas isso é porque eu sou uma pessimista", disse ao CM, antes de se juntar ao cronista João Pereira Coutinho, na apresentação oficial.

"É um retrato subjectivo do que são os meus compatriotas", resume a autora de ‘Nós, os Portugueses’ antes de fazer uma revelação. "Nem vou muito em fados mas partilho com a canção nacional uma nostalgia característica, ou seja, tenho uma visão pessimista da vida", afirma.

Doutorada em Sociologia, com larga experiência em investigação, Maria Filomena Mónica explica a lucidez do método na origem dos artigos que dão corpo aos seus livros, e sobretudo a este: "A disciplina académica ensinou-me a olhar as sociedades, nomeadamente a minha, com a precisão de uma lente sobre um pormenor singular a fim de dar a conhecer uma característica nacional"


Notícia - Correio da Manhã

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:47


José Saramago e o capitalismo neoliberal

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.11.08

O escritor José Saramago criticou as "situações completamente absurdas" criadas pela crise do capitalismo neoliberal, cujas "fantasias, apresentadas quase como verdades científicas, se desfizeram em pó", e lamentou a inexistência de uma alternativa política.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:38


Novo livro de José Saramago

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.08

A viagem do elefante, o novo livro de José Saramago

Símbolo dos republicanos, o elefante está hoje na mó de baixo. Amanhã, porém, volta a animar-se, quando a capa amarela e roxa do novo romance de José Saramago (A Viagem do Elefante) começar a invadir as livrarias portuguesas. O escritor dá hoje uma entrevista ao Diário de Notícias em que explica como é que os gravíssimos problemas de saúde sofridos no último ano não o impediram de escrever «um livro feliz e irónico» (ver aqui, aqui e aqui).
Tal como eu já intuira ao ler o livro, Saramago confessa ter sublimado a experiência de estar à beira da morte numa sequência em que uma personagem se perde da caravana, fica perdida no nevoeiro e só regressa ao ouvir os bramidos do elefante, que mais ninguém ouve

 

Post retirado do blog "Bibliotecário de Babel"

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:14


Prémio Femina

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.08

O escritor italiano Sandro Veronesi foi hoje distinguido com o Femina de romance estrangeiro pelo livro Caos Calmo, lançado este ano em Portugal (ASA). Na categoria de autores franceses, o prémio será entregue a Jean-Louis Fournier pelo romance Où on va papa?.

 

José Riço Direitinho escreveu sobre Caos Calmo na edição de Setembro da LER.

Pietro Paladini, o personagem principal deste excepcional romance de Sandro Veronesi (n. 1959, Florença), tem 43 anos e é director de um canal privado de televisão em Milão. Num dos últimos dias das férias estivais salva uma desconhecida de morrer afogada. Atónito por não ter ouvido nenhuma palavra de agradecimento, Pietro encaminha-se para casa. Ao chegar, Lara, a mulher com quem, após anos de coabitação, iria finalmente casar daí a dias, acabara de morrer. Depois deste começo agitado, e perturbante pela simultaneidade dos acontecimentos e pelas descrições vívidas, Sandro Veronesi entra verdadeiramente na «ideia» que o romance encerra; e o feliz oxímoro que o titula, «caos calmo», pode resumir todo um catálogo de preocupações e de fantasmas do ser contemporâneo. E fá-lo, de facto.
Pietro e a filha, Claudia, dias depois do funeral de Lara, que se realiza no mesmo dia para o qual o casamento estivera marcado, tentam retomar as suas vidas quotidianas. Estranhamente (esta estranheza mantém-se até ao final do livro), a morte parece não os ter afectado. Mas Pietro sabe que isto «não é normal», que a «cacetada» que os deitará abaixo poderá vir quando menos a esperarem. E, por precaução, decide deixar-se ficar durante esse dia diante da escola, dentro do carro, ouvindo Radiohead («we are accidents waiting to happen») ou dando uns passos por ali, para que quando a «cacetada» chegar não o encontre entre faxes e reuniões. No dia seguinte faz o mesmo, e no outro e no outro. O que começou como uma precaução torna-se num hábito que durará até ao dia em que a filha o «obriga» a descobrir o valor da sinceridade.
Sandro Veronesi – que com este romance, premiado com o Strega 2006 e com o Mediterranée 2008, se tornou provavelmente no mais importante autor italiano da sua geração – consegue manter a delicada estrutura que lhe permite reflectir intensamente sobre temas como a morte, sofrimento, amor, fidelidade e loucura. O caos calmo que subjaz toda uma sociedade vai desfilando diante do leitor à medida que vários personagens (o patrão de Pietro, o irmão, a cunhada, etc.) o vão visitando diante da escola, não para lhe expressarem as suas condolências mas para lhe confessarem as suas inseguranças e frustrações; o carro transforma-se assim numa espécie de divã e de confessionário da nossa contemporaneidade.
Com registos como o e-mail, a prosa erótica «dura», o monólogo e o diálogo, Caos Calmo é um magnífico retrato geracional e um dos melhores romances por cá publicados este ano.

Sandro Veronesi, Caos Calmo. Traduzido do italiano por Regina Valente. ASA, 396 páginas.

 

Post extraído da Revista Ler

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:08


Prémio de Poesia João Lúcio

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.08

Poemas de Caravaggio, de Amadeu Baptista, venceu por unanimidade a primeira edição do Prémio de Poesia João Lúcio, criado pela Câmara Municipal de Olhão (júri constituído por Nuno Júdice, Fernando Cabrita e Pedro Ferré). O livro, publicado pela Cosmorama, já tinha sido distinguido com o Prémio Nacional de Poesia Natércia Freire.


 

Há poucas semanas, Amadeu Baptista venceu igualmente o Prémio Literário Oliva Guerra 2008, atribuído pela Câmara Municipal de Sintra, com o livro Doze Cantos do Mundo.

 

Extraído do Blog Ler

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:04


Revista ler

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.08
A revista LER já está disponível nos locais habituais de venda
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:02


Eleições na América

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.08

Obama, o novo presidente.

Títulos de jornais portugueses:

Presidente Obama

Videoclip: "Yes we can" - o hino » Vídeo: A eleição e a revolução tecnológica nas televisões » Obama: "A mudança chegou à América" » Áudio: Discurso de vitória »  Obama: o mundo a seus pés » Áudio: McCain felicita Obama » Vídeo: Democratas no Ohio em festa » Vídeos: o JN acompanhou as eleições com americanos no Porto e em Lisboa » Áudio: comentário de Elmano Madail, nos EUA » Fotogaleria: Da expectativa à vitória » Dossiê Especial EUA » Blogue do enviado especial JN »

 

Jornal Público


 
  • Um Afro-americano (há uns anos dir-se-ia simplesmente um negro
<input ... >
               
VÍDEO FOTOS <input ... >
Vídeo Barack Obama entra em cena
O Presidente eleito Barack Obama, a sua mulher, Michelle, e filhas, Malia e Sasha, pouco antes do discurso de vitória nas eleições americanas de ontem. Obama falou para milhares de apoiantes que se reuniram no centro de Chicago. Fotografia: Gary Hershorn/Reuters
<input ... > <input ... > <input ... > <input ... >
<input ... >
  Fechar
<input ... > <input ... >
 
 
O Presidente eleito Barack Obama, a sua mulher, Michelle, e filhas, Malia e Sasha, pouco antes do discurso de vitória nas eleições americanas de ontem. Obama falou para milhares de apoiantes que se reuniram no centro de Chicago. Fotografia: Gary Hershorn/Reuters
  • Eleições nos EUA: Quénia decreta feriado nacional

  • Poucos minutos depois do anúncio da vitória de Barack Obama, o Presidente queniano Mwai Kibaki decretou hoje o dia 6 de Novembro como feriado nacional no país devido à eleição “histórica” para a presidência dos Estados Unidos. O pai do democrata era queniano.

  • Tristeza controlada na festa amarga de John McCain

    Tristeza, alguns soluços e lágrimas, críticas veladas, a festa do partido republicano em Phoenix, Arizona, continuou, apesar de tudo, com as suas adolescentes que pareciam estar num baile de debutantes e seus acompanhantes de cabelo não muito curto e fato sem gravata, senhoras de meia-idade que pareciam estar numa gala, muitos saltos altos empenados na relva onde John McCain fez o seu discurso após a derrota nas eleições, um discurso elegante e de aproximação, não de confronto, com o seu adversário.

  • Obama arrebatou mais de 60 por cento dos votos eleitorais

    Barack Obama venceu as eleições presidenciais de 2008, tornando-se no 44º Presidente dos Estados Unidos da América, ao conquistar mais de 330 votos eleitorais, ou seja, mais do dobro das representações conseguidas pelo seu adversário republicano no colégio eleitoral.

 
<input ... >
  • <input ... >

Jornal Correio da Manhã

Obama discursa perante 125 mil apoiantes

"A mudança chegou à América"

"Se alguém duvidava de que neste país todos os sonhos podem ser realizados, se alguém duvidava do poder da democracia, esta noite tiveram a sua resposta". Foi com estas palavras que o novo presidente norte-americano, o democrata Barack Obama, iniciou ontem o seu discurso de vitória perante mais de 125 mil apoiantes reunidos no Grant Park de Chicago.

'Demorámos muito tempo a chegar até aqui, mas esta noite, a mudança chegou à América', afirmou Obama, que subiu ao palco na companhia da esposa, Michelle, e das filhas. Num discurso tranquilo mas recheado de significado, o primeiro presidente negro da História dos EUA recordou a sua avó, que faleceu no dia anterior às eleições, agradeceu o apoio da esposa, que disse ser 'a pessoa mais importante da sua vida', e felicitou McCain, lembrando o seu 'sacrifício pela América'.

Obama não esqueceu no seu discurso os soldados no Iraque e no Afeganistão, nem a crise que ameaça a economia dos EUA, tendo pedido a todos os americanos, democratas e republicanos, para se unirem neste momento difícil: 'A vitória não é dos estados azuis nem dos estados vermelhos, mas sim dos Estados Unidos da América', frisou.

'O caminho será longo e íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou sequer num mandato, mas nunca tive tanto a certeza, como tenho hoje, de que lá chegaremos', afirmou ainda, antes de terminar o discurso com o lema da sua campanha: 'Sim, podemos'.

 

 

 


 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:05


Excluídos

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.08

Quem comete um erro é excluído; é fechado dentro de uma caixa. Quem está fora vê apenas a caixa. Mas quem está fechado, excluído, consegue ver cá para fora. Vê tudu, vê-nos a todos.


Em cada compartimento há dezenas de caixas. Milhares de caixas por todo o  lado. A maior parte delas vazia. Outras têm lá dentro pessoas excluídas. Ninguém sabe quais as caixas que têm pessoas.


As caixas são tantas que ninguém lhes dá importância. Pode estar lá uma pessoa, atá a que amas, mas não olhas. Já não produzem efeito. Passas por elas centenas de vezes.

 

Do livro JERUSALÉM,  de Gonçalo M. Tavares,  edição Caminho

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:58


Carla Bley with Phil Woods - Lost In The Stars

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:56


Patricia Barber - Invitation

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:45


Bill Frisell 'Just Like A Woman'

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:40


The Matthew Herbert Big Band

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:32


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Aretha Franklin

Don't Play That Song For Me

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:48


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Otis Redding - arms of mine

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:46


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

YES -Soon

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:40


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

King Crimson - Epitaph

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:23


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Creedence Clearwater Revival

I Put A Spell On You

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:17


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Creedence Clearwater Revival: Who'll Stop The Rain

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:15


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Georges Moustaki

Joseph mon vieux Joseph

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:06


...

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Georges Moustaki

le facteur de

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:06


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Serge Reggiani - Mon enfant, mon amour

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:04


...

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Serge Reggiani

le temps qui reste

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:01


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Mamas & Papas California Dreamin'

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:35


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

Animals - The House Of The Rising Sun

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:33


Músicas que ouvia

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

The Kinks - Lola

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:32


Hector Zazou & Björk - Vísur Vatnsenda Rósu

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.08

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:27

Pág. 2/2



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas