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Spencer Tunick, de novo, em Santa Maria da Feira

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.08

 

 

Spencer Tunick, fotógrafo reconhecido mundialmente pelas suas poses elaboradas e estáticas e imagens de figuras despidas em cenários públicos, regressa a Santa Maria da Feira, no âmbito do Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua.

 

Na Biblioteca Municipal, o fotógrafo vai expor registos fotográficos e um vídeo de reportagem relativos à instalação temporária que realizou no Imaginarius, em Santa Maria da Feira, em 2003. A exposição “Spencer Tunick Exhibition” vai estar patente de 14 de Maio até ao final da primeira semana de Junho.

 

 

do site www.imaginarius.pt

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publicado às 17:48


IMAGINARIUS - Festival Internacional de Teatro de Rua - 8.ª Edição

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.08

Programa do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua, em Santa Maria da Feira.

 

www.imaginarius.pt

 

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publicado às 17:24


As perplexidades de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 08.05.08
As perplexidades de Manuel António Pina... e as minhas;

UNIVERSOS PARALELOS

Oiço na SIC a notícia de que Margarida Vila Nova está grávida e pergunto a mim mesmo "Quem é Margarida Vila Nova?". Depois, aparece no ecrã a capa da revista "Caras" com uma foto de página inteira da tal Margarida e a informação que ela e mais não sei quem pensam casar-se em Setembro e a minha inquietação redobra: nunca vi aquela cabeça naquele ou noutro corpo. Por sua vez, no "Correio da Manhã" leio que Sílvia Rizzo (quem será Sílvia Rizzo?) entrou na Redacção de "uma publicação" acompanhada de Rita Salema (e Rita Salema, quem será?), atirou com o telemóvel a um jornalista e empurrou uma mesa da sala de reuniões por causa de uma notícia qualquer sobre a custódia dos filhos, e começo a suspeitar que não tenho andado por aqui e que existe algures, no meu tempo e no meu espaço, um universo paralelo não comunicante, do tipo dos teorizados por Everett e por DeWitt, que me escapa absolutamente. A hipótese de um mundo ou de um estado quântico alienígena à minha volta, povoado de fantasmas caóticos e de existências em holomovimento, é assustadora. O problema não é esse mundo outro ser ou não real, porque, pelos vistos, é (basta ler alguns jornais e ver televisão), o problema é que pode muito bem acontecer (já admito tudo) que eu é que não seja real.

"Por Outras Palavras", crónica de Manuel António Pina publicada no "JN", de hoje

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publicado às 12:35


João Tunes [ÁGUA LISA]

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.05.08

A propósito de Yoani Sánchez, João Tunes escreveu no seu blog o seguinte post:

O QUE SERÁ, SERÁ

 

O mundo é largo, Yoani. Nós aqui, em Portugal, quando de uma opressão gémea da vossa, dizíamos, repetindo um poeta nosso e do mundo, “não há machado que corte a raiz ao pensamento”. Mas nem sempre a hora do fim dos machados sobre os pensamentos parecia próxima e, no entanto, ela chegou, tinha de chegar. Assim como caíram muros de vergonha, arames farpados, cortinas de ferrugem e o Gulag, chegará a hora de se desfazer em pó a ditadura que ensombra o teu país e, então, poderás circular pelo mundo. A liberdade chegará a Cuba para que os cubanos integrem a cidadania do mundo. Então terás, tu e o teu povo, o poder de pensarem, escreverem e falarem. Nós, aqueles que não conhecem melhor riqueza que a da liberdade, estaremos, em presença ou em pensamento, contigo, na festa que tem de haver ao receberes o teu merecido Prémio Ortega y Gasset de Jornalismo. Não é agora mas será.

Post "roubado" ao João Tunes no seu blog "ÁGUA LISA"

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publicado às 19:27


O Blog de Yoani Sánchez

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.05.08

Descobri este blog e esta senhora através da leitura do blog "Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos",.

Obrigado, Vasco

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publicado às 19:14


Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.05.08

Brandos Costumes

Os números são assustadores na sua brutal neutralidade só nos três primeiros meses deste ano foram assassinadas 17 mulheres, vítimas de maridos e companheiros, na "coutada do macho latino" (a expressão, famosa, é de um acórdão do Supremo e serviu em tempos de justificação à atenuação da culpa de um violador). Além destas, segundo as contas da UMAR, outras 11 escaparam, mais ou menos maltratadas, a tentativas de homicídio. De fora ficam todas as demais formas de violência, dos espancamentos à humilhação quotidiana, que não chegam, por vergonha e por medo, aos tribunais nem à comunicação social. Os partidos de direita preocupam-se muito com a insegurança nas ruas, mas é dentro de casa e da família que se praticam diariamente em Portugal os crimes mais cobardes, sobre as mulheres, sobre as crianças, sobre os idosos, sobre, em geral, os mais fracos e vulneráveis. "Uma casa portuguesa com certeza" continua ainda hoje a ser a da paródia de Neca Rafael à canção de Amália: "A lua atrás da sacada,/ vem espreitar ao postigo,/ a vê-la a levar porrada/ por arrebitar comigo"e não a da "fartura de carinho" e do "amor, pão e vinho" do original. Brandos costumes? Só no modo como aparentemente aceitamos tudo isto sem escândalo e sem um sobressalto de revolta.

Crónica de Manuel António Pina publicada no "JN" de hoje

 

 

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publicado às 18:01


Spencer Tunick

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.05.08
Spencer Tunick em Santa Maria da Feira com uma exposição de fotografia na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira

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publicado às 17:56


Bob Geldof

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.05.08
"Angola é gerida por criminosos" - esta afirmação foi feita por Bob Geldof, em Lisboa,  durante uma conferência patrocinada pelo Banco Espírito Santo e o jornal "Expresso"

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publicado às 15:23


Santa Maria da Feira - Paisagens

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

 

Guimbras - Zona Envolvente do Castelo de Santa Maria da Feira

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publicado às 23:18


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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

Nuestras vidas son los rios

Que van dar en la mar,

Qu'es el morir

 

Jorge Manrique

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publicado às 18:01


Explicação

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

Este blog nasceu em Novembro de 2005.

Porque a plataforma onde estava alojado (blog.com) tinha algumas insuficiências decidi-me pela plataforma do SAPO.

A página deste blog pode parecer caótica e sem coerência em termos de tempo e de espaço; mas como era impossível transferir os posts da plataforma antiga para a actual de forma automática,  tive de recorrer ao copy e paste para transferir os posts que eu julgo mais importantes desde 2005.

Agradeço a vossa compreensão

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publicado às 17:27


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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/05/02

||| Acordo ortográfico - Interpretações

Esta fotografia foi tirada a um anúncio colado na montra de uma loja, em Melgaço.

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||| Rui Tavares, exposição de pintura



DECLINING SYMMETRIES
é o nome que Rui Tavares deu à exposição de pintura que pode ser vista até ao final do mês
de Maio na AO QUADRADO - Galeria de Arte Contemporânea, em Santa Maria da Feira.
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||| Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua

8.ª Edição - IMAGINARIUS - Festival Internacional de Teatro de Rua.

15 a 17 de Maio

Santa Maria da Feira

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2008/04/24

||| Sou parvo, porque sim!

"Sou um tipo inteligente que se faz de parvo para ganhar."

Boris Johnson, conservador britânico
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||| Revista LER


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publicado às 17:19


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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/04/02

||| O dia das mentiras foi ontem!... Mas é verdade...

Só falta mesmo o Sócrates...


António Costa, presidente da Câmara de Lisboa e número dois do PS, será o novo comentador residente na Quadratura do Círculo, da SIC-Notícias. O facto seria quase irrelevante, não fosse a própria SIC - para desfazer eventuais equívocos - ter ontem esclarecido que a nova "contratação" se deveu a sugestões dos outros comentadores, Pacheco Pereira e Lobo Xavier.

Curiosa escolha. Pacheco e Xavier não sugeriram um comunista ou um bloquista, que poderiam criticar o Governo pela esquerda no referido programa, além de suprirem uma clamorosa falha no pluralismo opinativo desta "Quadratura". Também não sugeriram uma voz crítica do PS - António José Seguro, Ana Gomes ou Henrique Neto, por exemplo, já para não falar em Manuel Alegre. Não se lembraram de ninguém melhor do que Costa, que será naturalmente o mais institucional dos comentadores. Já consigo até imaginar Pacheco a acusá-lo, numa das próximas emissões do programa, de "fazer propaganda" socialista, como acusou antes José Magalhães e Jorge Coelho.

Acusação que não deixará de provocar sorrisos, partindo de quem foi co-responsável pela escolha...

Só apetece perguntar: quando terá José Sócrates direito ao seu próprio espaço como "comentador" num canal televisivo? Aqui deixo a sugestão, à consideração de José Pacheco Pereira e António Lobo Xavier.

 

Post publicado por Pedro Correia no seu blog "CORTA-FITAS"

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||| Agradecimentos

Agradeço a gentileza ao "A Barbearia do Senhor Luís" a inclusão, no seu blog, de um link para o meu blog.
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2008/02/24

||| Pinto da Costa e Jonh Le Carré

... "Gosto muito de Maria José Morgado, mas acho quando a laranja não tem sumo nenhum espremedor nos redime."

Post de Bruno Sena Martins no seu blog "avatares-de-desejo"
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2008/02/20

As subtilezas da sabedoria popular

||| Noitadas.

Ontem à noite, antes de adormecer, comecei a imaginar como estaria, hoje, Portugal e a vida dos portugueses, se

1. Fizesse por estes dias três anos de uma maioria absoluta do Bloco de Esquerda, com Francisco Louçã como primeiro-ministro;

2. Fizesse por estes dias três anos de uma maioria absoluta do PCP, com Jerónimo de Sousa como primeiro-ministro;

3. Fizesse por estes dias três anos de uma maioria absoluta do CDS-PP, com Paulo Portas como primeiro-ministro;

4. Fizesse por estes dias três anos de uma maioria absoluta do PSD, com Luís Filipe Menezes (ou Santana Lopes) como primeiro-ministro;

O exercício permitiu-me concluir que a sabedoria popular é imensa.

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2007/09/06

coisas quase completamente despercebidas

"Cristiano Ronaldo chamou umas putas la pa casa, convidou uns putos amigos e divertiu-se. Eu se fosse puto e cheio de dinheiro e sem nada pra fazer para além de treinar e jogar futebol, provavelmente faria o mesmo. Só que as putas são sempre putas, e não consta que tenham algum código deontológico...como acontece no jornalismo, por exemplo."

 Extraído do blog: www.food-i-do.blogspot.com

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2006/08/15

Banca Portuguesa

Financiamentos da banca portuguesa….

Gajos porreiros


A história é contada por fonte segura. Três indivíduos, todos doutorados em Engenharia pela Universidade de Coimbra, jovens, juntam-se e desenvolvem uma ferramenta para detecção de erros em sistemas críticos de software (como o sistema operativo em naves, aviões, etc.). E decidem lançar uma empresa para trabalhar a ideia. Passo seguinte recorrem a um banco, plano de negócios na mão, para obter financiamento. Resposta: "Vocês são uns gajos tão porreiros, são bons, são doutores, por que é que não se dedicam a dar aulas?"

O fim do projecto poderia ser este.

Sucede que, por uma invulgar condição genética que infelizmente não faz parte da cadeia de ADN da grande maioria dos portugueses, os três não desistiram. Traduziram o mesmo plano de negócios para inglês e apresentaram-no a um banco americano. Que agarrou a ideia e desbloqueou as verbas.

Num país à beira da bancarrota, os bancos são instituições que se atrevem a apresentar crescimentos brutais na justa medida em que as famílias mais se endividam. Por falta de cabeça, é verdade... Instituições que, em vez de contribuírem para o crescimento económico e apoiarem ideias não apenas com base no lucro pelo lucro e na usura despudorada, mas no que representam de inovador e de refrescamento para uma economia em agonia, têm práticas abusivas de arredondamento para cima das taxas de juro, cobram comissões inexplicáveis, mercantilizam e favorecem os empréstimos para a aquisição de tralha consumista.

Em Espanha, onde a sociedade não dorme, estão a ser obrigados a devolver verbas.

Extraído do blog www.a_verdade_da_mentira.weblog.com.pt

 

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2006/08/14

Não acredito

Não acredito 

Eu não acredito que a Scotland Yard e a CIA tenham evitado, hoje, uma tragédia, impedindo que uma operação terrorista avançasse e fizesse explodir dez aviões de passageiros.

E não acredito porque estou farto de mentiras. Toda a política dos Estados Unidos e Grã Bretanha, em relação ao Médio Oriente tem assentado em mentiras sobre as quais não se sente nenhum arrependimento, mesmo depois de toda a gente saber que são mentiras. O que se vê é que, desmantelada uma mentira, surge outra mentira, que será desmantelada uns meses depois, para voltar a surgir outra e outra e outra... Não tem fim.

É perigoso não acreditar?... É verdade, mas já me apercebi que também é perigoso acreditar.

Por isso, não acredito.

Posted by carlos pereira at 20:08:43

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publicado às 16:48


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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/11/26

Ana Carolina e Seu Jorge

É isso aí

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2006/11/23

ANTONY AND THE JOHNSONS

Antony and the Johnsons

Posted by carlos pereira at 19:54:00

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publicado às 16:45


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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/03/20

||| Yasmin Levy canta em ladino, 2. «Alegria.»

Sugerido pela "Origem das Espécies"
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2008/02/20

 

Posted by carlos pereira at 17:14:41 | Permanent Link | Comments (0) |

|||«Pra rua me levar», Ana Carolina, Seu Jorge

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2007/09/06

Pavarotti - Uma furtiva lágrima (1935-2007)

Posted by carlos pereira at 19:03:47 | Permanent Link | Comments (0) |

2007/07/09

 

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2007/06/21

 

curandeiro de ursulas, hepatitas
estrabeculosas.....
O seu nome é......

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2007/04/27

Frank Sinatra

My way...

 

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2007/04/15

 

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stairway to heaven

Led Zeppelin

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2006/12/07

 

Silent Night

Posted by carlos pereira at 18:28:18

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publicado às 16:41


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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/05/20

Os livros que estou a lêr

Os livros que estou a lêr

A CASA QUIETA, de Rodrigues Guedes de Carvalho, Romance, Dom Quixote, 2005;

CULTURA - Tudo o que é preciso saber - de Dietrich Schwanitz, Dom Quixote, 2004.

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2006/04/27

Saul Bellow

SAUL BELLOW (1915-2005) um dos grandes escritores norte-americano do sec. XX considerado tão ou mais importante que F. Scott Fitzgerald, William Faulkner ou Ernest Hemingway. Falecido a 5 de Abril de 2005, aos 89 anos, deixou uma vasta obra de ficção que somaria três National Book Awards, um Pulitzer e o Prémio Nobel de 1976.

Estreara-se com "DANGLING MAN" em 1944 (NA CORDA BAMBA, Dom Quixote, 1976). O seu último livro data do ano de 2000, "RAVELSTEIN"(Teorema, 2001, tradução de Rui Zink).

Além destes, destaque para "A VITIMA" (Texto Editores, 2006), e "ADVENTURES OF AUGIE MARCH" (1953).

Posted by carlos pereira at 18:10:32

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publicado às 16:40


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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/04/03

||| Este ofício de poeta [Jorge Luis Borges]

"... O grande escritor e sonhador inglês Thomas de Quincey escreveu - em alguma dos milhares de páginas dos seus catorze volumes - que descobrir um problema novo é quase tão importante como descobrir a solução para um problema velho. Isso, porém, não posso eu oferecer-vos: só posso oferecer-vos perplexidades de longa data. Mas, para que hei-de preocupar-me com isto? O que é a história da filosofia, senão uma história das perplexidades dos Hindus, dos Chineses, dos Gregos, dos Escolásticos, do Bispo Beerkeley, de Hume, de Schopenhauer, e por aí fora? Pretendo apenas partilhar convosco estas perplexidades."...

Jorge Luis Borges, do Livro Este ofício de poeta, edição Editorial Teorema
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2008/04/02

||| Da leitura dos Livros

"... SEI, COMO TODOS NÓS SABEMOS, como pesa o tempo vencido sobre alguém que se aventura a descrevê-lo. É um eco a esfumar as palavras, uma ironia que nos contempla de longe, um pudor."...

José Cardoso Pires, LAVAGANTE, Edições Nelson de Matos
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2008/02/22

||| Lavagante de José Cardoso Pires

Já está à venda "Lavagante", um texto inédito de José Cardoso Pires, Edições Nelson de Matos, Colecção Mil Horas de  Leitura.

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2008/02/20

O Fundamental e o acessório

"... Apesar dos meus vezos, e foram numerosos, continuei a ser dos que pensam que as únicas coisas indispensáveis à vida humana são o ar, o comer, o beber  e a excreção, e a busca da verdade. O resto é facultativo."

Jonathan Littell, as BENEVOLENTES
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2008/02/18

As Benevolentes, de Jonathan Littell

E é assim que a história começa...

"IRMÃOS HUMANOS, DEIXEM-ME CONTAR-VOS como foi que se passou. Não somos seus irmãos, replicarão os que me lêem, e não queremos saber. E é bem verdade que se trata de uma história sombria, mas também edificante, um verdadeiro conto moral, garanto-vos eu. Corre o risco de ser um tanto comprida, afinal de contas passaram-se muitas coisas, mas caso os leitores não estejam demasiado apressados, com um pouco de sorte o tempo há-de chegar. E depois isto diz-vos respeito: acabarão por ver bem que vos diz respeito. Não pensem que procuro convencer-vos seja do que for; bem vistas as coisas, as opiniões do leitor são da sua conta. Se me decidi a escrever depois de todos estes anos, é para esclerecer as coisas para mim mesmo e não para os que me lêem. Durante muito tempo, cada um de nós rasteja nesta terra como uma lagarta, na expectativa da borboleta esplêndida e diáfana que traz em si. E depois o tempo passa, a ninfose não chega, ficamos larva, constatação aflitiva, que havemos de fazer com ela? O suicídio, bem entendido, continua a ser uma opção. Mas, para dizer a verdade, o suicídio tenta-me pouco. Pensei longamente nele, é evidente; e se tivesse de me valer desse recurso, eis como procederia: poria uma granada bem apertada contra o meu coração e partiria numa viva explosão de júbilo. Uma pequena granada redonda que despoletaria com delicadeza antes de soltar a cavilha, sorrindo ao pequeno som metálico da mola, o último que ouviria, exceptuadas as pulsações do meu coração nos meus ouvidos. E depois a felicidade enfim, ou em todo o caso a paz, e as paredes do meu escritório enfeitadas com os meus retalhos."...


DO LIVRO "AS BENEVOLENTES" DE JONATHAN LITTELL - DOM QUIXOTE
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2008/02/15

Leituras

Dança, Dança, Dança de Haruki Murakami - Casa das Letras;

Obra Breve (Poesia Reunida) de Fiama Hasse Pais Brandão - Assírio & Alvim;

Aprender a rezar na Era da Técnica de Gonçalo M. Tavares - Editorial Caminho
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2008/01/29

Leituras

A SOMBRA DO VENTO de Carlos Ruiz Zafón, D. Quixote; O MEU CHAPÉU CINZENTO (Pequenas Geografias) de Olivier Rolin, Edições ASA
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2007/04/11

Os livros que estou a ler e recomendo

Crónica do Pássaro de Corda, de Haruki Murakami, da Casa das Letras;

Cemitério de Pianos, de José Luis Peixoto, da Bertrand Editora;

Combateremos a Sombra, de Lídia Jorge, da Dom Quixote.

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2006/08/14

O Mercador e o Génio

Conta-se, Ó Auspicioso Rei, que havia outrora um mercador muito rico, com negócios em várias cidades, Certo dia, montou a cavalo e partiu para recolher fundos em algumas cidades. Incomodado pelo ardor do sol, que o oprimia, sentou-se então à sombra de uma árvore, tirou da mala algumas tâmaras e uns pedaços de pão. Enquanto comia as tâmaras ia atirando os caroços ora para a esquerda, ora para a direita. Nisto, apareceu-lhe um génio, figura enorme, que avançava para ele de sabre em punho, dizendo: "Levanta-te para que eu te mate como tu mataste o meu filho!" Atónito, o mercador perguntou-lhe: "Como é que matei o vosso filho?", ao que o génio respondeu: "Ao comeres tâmaras e atirares os caroços, um deles acertou no peito do meu filho, que ia a passar e morreu."

"O Mercador e o Génio", in

As Mil e Uma Noites

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2006/08/13

Os livros que estou a lêr

A NOITE DO ORÁCULO - Paul Auster - Colecção VOZES DO MUNDO - Edições Asa;

LONGE DE MANAUS - Francisco José Viegas - Colecção FINISTERRA - Edições Asa;

O (DES)CAMINHO PARA SANTIAGO - Cees Nooteboom - Colecção VOZES DO MUNDO - Edições Asa;

A VÍTIMA - Saul Bellow - Colecção GRANDES AUTORES - Texto Editores

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publicado às 16:38


Restaurantes

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/01/30

Restaurantes para Fumadores

Destaque

Lista de restaurantes

Lista de Restaurantes para Fumadores
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2006/05/31

RESTAURANTES

RESTAURANTES

Esta listagem tem alguns anos e foi compilada por um amigo grande apreciador de boa mesa.

Não posso, portanto, avaliar da qualidade de alguns restaurantes inscritos nesta lista, bem como da sua existência.

  • O TARRO - Portalegre - 245 33 12 23
  • MUSEU DO ARROZ - Comporta, Alcácer do Sal - 265 497 555
  • O MIGAS - Sines - 269 636 767
  • O MOINHO - Évora - 266 771  060
  • TASQUINHA DO OLIVEIRA - Évora -266 744 841
  • A MARIA - Alandroal - 268 431 143
  • A MOAGEM - Arraiolos - 266 499 646
  • ADEGA DO ISAÍAS - Estremoz - 268 337 030
  • SÃO ROSAS -  Estremoz - 268 333 345
  • MANUEL AZINHEIRINHA - Santiago do Escoural - 266 857 504
  • OS INFANTES - Beja - 284 322 789
  • O ALENTEJANO - Serpa - 284 544 335
  • LUAR DE JANEIRO - Évora - 266 749 114
  • SEM FIM - Monsarraz - 266 557 471
  • A TALHA - Borba - 268 894 473
  • O XANA - Redondo - 266 909 414
  • O CHARNECO - Estombar, Portimão - 282 431 113
  • VILA LISA - Mexilhoeira Grande, Portimão - 282 968 478
  • O BARRO - Redondo - 919 136 666
  • CASA PAIXANITO - Loulé - 289 412 775
  • DE QUERENÇA - Querença, Loulé - 289 422 540
  • MOINHO TI CASINHA - Querença, Loulé - 289 438 108
  • LAGAR DA MESQUITA - S. Brás de Alportel - 289 841 888
  • O ROSMANINHO - Sarnadas, Alte, Albufeira - 289 478 482
  • ADEGA VELHA - Mourão
  • AZENHA DO MAR - Azenha do Mar, Odemira - 282 947 297
  • SACAS - Zambujeira do Mar - 283 961 151
  • O MONTE - Cabanas, Tavira - 281 370 964
  • QUINTA DE S. BENTO - Monchique - 282 912 143
  • CASA DA TIA ANICA - Martinlongo - 281 498 313
  • MIGAS - Mértola - 286 612 811
  • MOLHA O BICO - Serpa - 284 549 264
  • O LAGAR - Sousel - 268 554 621
  • A BOLOTA CASTANHA - Terrugem, Elvas - 268 657 401
  • MOLHA BICO - Serpa - 284 549 264
  • O ROLO - Portalegre
  • POMPÍLIO - Rua de Elvas, 96 - S. Vicente- 7350-481 Elvas - Telef: 268 611 133-Descanso Semanal: Terça-Feira
  • REMÉDIO D'ALMA - Av. das Forças Armadas - 2250-029 Constância - Telef: 249 739 405; Telemóvel: 91 924 34 03
  • O ABOCANHADO - Brufe - Terras de Bouro - Tel. 253 352 944 / 917 342 957 - www.abocanhado.com  Almoços, das 12h30 às 15h30 - Jantares, das 19h15 às 22h00
  • O CANHÃO -Rua da Fortaleza, 13, 2970-738 SESIMBRA - Telef: 212 231 442 /967 018 166 - Gerência  de Daniel Piedade

 

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Cartas a um amigo

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/11/07

Carta a um amigo

Não te iludas, ainda,  meu caro. Tu sabias e bem sabes que as coisas não iam ser fáceis. E não são fáceis, eu bem sei. E tu melhor que ninguém;  pois sofres na carne, no coração e na alma, os desamores, as angústias, e  as decepções das vidas opacas que eles viveram ou, se calhar, não viveram. E transferem para ti as suas frustrações, os seus medos, as suas raivas que foram contidas, muitas vezes, em silêncios violentos. E violentam-te, violentando-se usando o boato, a mentira e murmúrios ignóbeis.

Mas, não te preocupes, pois largos dias têm cem anos, e atrás de uma montanha existe outra, e os cães ladram e a caravana passa, e o importante, verdadeiramente importante, é que descubras nos dias que vão passando a singeleza de um pequeno gesto, a cumplicidade de um olhar limpido e luminoso, o conforto de um sorrisso que abrace a tristeza e que transforme as irrequietas lágrimas em pedras preciosas.

Sê feliz, aliás sejam felizes, pois,  muitas vezes,  temos que trilhar ruas de silêncios magoados.

Um abraço fraterno.

 

Post Scriptum

Um poema de António Ramos Rosa

FRUSTRAÇÃO

Fútil viagem
de que restam
sílabas
que não latejam.

 

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2006/05/29

CARTA A UM AMIGO

Meu caro amigo!

Não tenho a certeza que lerás esta carta, mas não importa; vou fingir que a recebestes, que rasgastes o envelope com mãos nervosas e que no fim da sua leitura tivestes pequeninos momentos de emoção que fingistes não perceber. Mas aviso-te que esta carta não é um fingimento pintado de palavras de circunstância ou que revele apenas e somente boa-educação.

Foi agradável a noite que nos proporcionastes que agradeço, e também pela descoberta de um tipo de arroz que eu desconhecia - arroz selvagem - que se revelou soberbo no acompanhamento de um pato delicioso namorando os frutos da oliveira. Genial.

Disse Brecht "...diz-se do rio que é violento, mas ninguém diz que são violentas as margens que o comprimem..." E tu, meu caro, és considerado o rio: violento, destruidor, sem escrúpulos, mentiroso... e os outros, apenas as margens inofensivas e verdes, plantadas de salgueiros de onde é seguro e confortável prescrutar a alma do rio.

E é com comiseração e piedade como se fosses um pateta tolo, que te toleram. Porque tivestes a ousadia e a coragem de romper com o passado, porque se calhar um dia acordastes e olhastes o espelho e não reconhecestes a figura cínica que espreitava do outro lado. E tomastes a decisão de alterares o rumo que o rio estava a seguir, e escolhestes como foz não o mar, mas a nascente, para começar tudo de novo. E as margens isso não toleram porque abalastes as suas convicções mais profundas, puseste-os em causa pois tu eras um deles e sentiram-se abalados. Profundamente abalados porque descobriram que o rio é subversivo e provocador e isso não toleram.

Arrogam-se no direito de serem deuses. Que ousadia. E acusam-te e julgam-te como julgassem que esse direito quase divino resulte do facto de, em alguns momentos, tu teres permitido que habitassem o teu coração e a tua alma. Que impertinência...

E fostes proscrito porque és portador do pecado original, de doenças estranhas, e eles sabem que isso pode ser contagioso pois têm medo de serem tocados com receio de serem os próximos.

Tudo na vida é efémero e jamais poderemos ter a veleidade  do adquirido. Somos frágeis porque todos somos humanos. É a nossa caracteristica, a nossa marca, por isso é que temos a capacidade de transformar em lágrimas as emoções.

Mais uma vez agradeço a noite magnífica que nos proporcionastes e desejo profundamente que apenas sejam felizes. Sem receios e complexos de culpa.

Sejam felizes e até qualquer dia.

 

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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2007/06/21

Aos criadores a vida praticamente não ensina - Augustina Bessa-Luís

"... Nuna sabemos tanto como a vida nos pode ensinar. Ainda nos falta muita coisa para aprender e compararmo-nos, por exemplo, ao pastor da serra da Estrela. Uma vez, um amigo meu perguntava a um pastor, lá na serra, se ele não se aborrecia de estar ali dias e dias com as ovelhas e mais nada. E ele respondeu: "Não, não me aborreço, porque as ovelhas às vezes bolem..." Eu não era capaz de dizer uma coisa destas e, contudo, ali está contida uma filosofia, uma sabedoria, uma capacidade de conhecer a vida e de se integrar na vida, que uma vida com viagens, leituras, conhecimentos pode não resultar naquela síntese."

 EXCERTO DE UM DEPOIMENTO DE AUGUSTINA BESSA-LUÍS, RETIRADO DO LIVRO DE VALDEMAR CRUZ "O QUE A VIDA ME ENSINOU", EDITADO POR TEMAS E DEBATES EM MARÇO DE 2007

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A vida não me ensinou nada - António Ramos Rosa

"... Um dia fui expulso do restaurante aonde ia habitualmente. Almoçava lá com a Agripina. Nesse dia, ela e a minha filha já tinham saído quando cheguei, porque eu tinha dito que não ia. Depois arrependi-me e fui à procura delas. Quando ia a entrar, uma empregada não me deixou entrar. Perguntei porquê. Naquela altura eu andava doente. Estava com um ar vacilante. Ela julgou que eu era um bêbedo ou um toxicodependente. Nunca me explicou porque é que não podia entrar. Tive de sair e vim falar com a senhora da tasquinha na esquina da minha casa. Sentgi uma emoção por ter sido expulso, e comecei a chorar. Isto é uma coisa diferente, mas já algumas pessoas me tinham dado esmolas no Campo Pequeno ou no jardim do chamado Bairro Social. Recebi uma esmola de uma senhora e não percebi como. Quando percebi que ela me estava a dar essa esmola, nem entendi. Era uma esmola, enfim, aceitei. Isso não me impressionou de modo nenhum. Achei que não era uma coisa ofensiva e compreendi que a minha figura podia proporcionar isso.  Não me ofendeu, de modo nenhum. Muitas vezes ia ao Campo Pequeno. Uma vez fui lá para me sentar ou para passear. Estava cheio de gente a conversar ou a ler os jornais. Fui para um recanto mais pequeno, onde não estava ninguém. Eu gostava muito de estar a olhar para uma árvore e não estar a pensar. Não lia o jornal, nem nada. Sentei-me no banco e estava com a mão em cima da travessa superior, com as costas da mão para cima. Não sei se isso tem algum significado. A certa altura um pardal veio pousar uns centímetros adiante da minha mão. Eu pensei como seria interessante se o pobre pardal pousasse em cima da minha mão. E o pardal realmente, daí a uns segundos, deu um salto para a minha mão. Continuei imóvel. O pardal não ficou por aí. Começou a subir-me pelo braço esquerdo, depois pousou no ombro um bocadinho, deu a volta às minhas costas, e pousou no lado direito. Mas também não ficou por aí. Deu um salto para a minha cabeça e começou a debicar na minha cabeça. Aí está um acontecimento inexplicável, em que há um pardal que vem ter comigo e eu senti-me assim relacionado com o Universo de uma maneira que não aconteceria a conversar com qualquer pessoa ou  a ler o jornal. É uma coisa insignificante ou insignificável.

A vida não me ensinou nada."

DEPOIMENTO DE ANTÓNIO RAMOS ROSA EXTRAÍDO DO LIVRO "O QUE A VIDA ME ENSINOU" DE VALDEMAR CRUZ, EDITADO POR TEMAS E DEBATES, MARÇO DE 2007.

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Imaginarius

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/05/02

||| Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua

8.ª Edição - IMAGINARIUS - Festival Internacional de Teatro de Rua.

15 a 17 de Maio

Santa Maria da Feira

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2007/05/06

Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua

Entre 17 e 19 de Maio, em Santa Maria da Feira, a 7.ª edição do Imaginarius - Festival Internacional de Teatro de Rua, terá como tema central a tradição, a cultura e o imaginário popular. O casamento e a sua representação, enquanto herança cultural comum do povo europeu, terá um lugar de destaque  através dos testemunhos  trazidos por companhias de Portugal, Espanha, Itália, Irlanda, França, Polónia, Eslováquia, Eslovénia, Roménia, Ucrânia, Arménia e Uzbequistão.

www.imaginarius.pt

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2006/05/20

IMAGINARIUS

 IMAGINARIUS - FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE RUA, SANTA MARIA DA FEIRA, PORTUGAL

MANIFESTO

A Viagem ao mundo em três dias, termina hoje, 20 de Maio. Percorremos diversas geografias sociais e culturais. Descobrimos roteiros feitos de sonhos e alquimia. Fomos viajantes peregrinos em busca da redenção. É o Imaginarius: a construção do nosso imaginário entrelaçado por milhões de fios como fossem as veias que transportam a seiva que nos alimenta e sustenta.

Imaginarius - O grito, a provocação, o sorriso, a gargalhada, uma lágrima furtiva, a dor, o espanto, a luz, os sons, os gestos, as máscaras, o arrebatador, o êxtase, a glória, o alquimista, o embuste, os enganos: a realidade de sermos feitos de tudo isto porque intrinseco da condição humana.

E percorremos o tempo e vários espaços, e vivemos diversas vidas, e fomos protagonistas de enredos vários. E, no silêncio das noites, vimos a nossa alma projectada na imensidão do mundo e descobrimos de que somos feitos; apenas de sonhos, somente de sonhos.

Até amanhã!

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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/02/24

||| Dez dias que lhe abalaram o mundo

Um artigo de opinião de Nuno Brederode Santos sobre Luiz Filipe Menezes, que pode ler no "DN", de hoje.
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2008/02/20

||| Manuel António Pina - Crónicas


Maldita nicotina


Por outras palavras, de Manuel António Pina

"Levar a sério o que diz um político reduz o esperma e pode causar infertilidade e, havendo coerência le-gislativa, a lei do tabaco deveria aplicar-se às declarações políticas, que só poderiam ser proferidas ao ar livre ou em sítios com adequada extracção de ar e de credulidade e afixação em lugar bem visível do dístico azul advertindo que, no local, se permitem promessas irrealizáveis ou que não se tenciona cumprir. Como tantos portugueses, sou diariamente consumidor passivo de promessas políticas nos jornais e na TV e tenho, por causa disso, os pulmões e os ouvidos cheios de benzeno, nitrosaminas, formaldeído, cianeto de hidrogénio e legislaturas radiosas (ainda anteontem à noite apanhei uma "overdose" de legislaturas radiosas na SIC Notícias). Assim, comprei há uns tempos no "Expresso" um carro em segunda mão a Luís Filipe Menezes segundo o qual, chegado ao Governo, ele desmantelará o Estado em seis meses. Ora ainda a garantia não expirou já ele está a vender-me outro no DN, igualmente em perfeito estado de conservação, assegurando-me que, consigo no Governo, "não fechará nenhum serviço público". Não consigo pôr os dois a trabalhar ao mesmo tempo (como desmantelará Menezes o Estado sem fechar nenhum serviço público?) e aposto que é do formaldeído."


Crónica publicada no JN, hoje
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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/09/06

Geografias

Há as ruas e os lugares. E os lugares que esqueceram como eram chamados para serem ruas, avenidas, caminhos, becos, números de polícia e códigos postais. Havia os quintais, as cortinhas e as quintinhas, os quinteiros, os aidos, a eira, o estrume, os currais e as retretes comunitárias e as folhas de jornal; as ramadas suspensas em braços de pedra;  carros de bois, desfolhadas, o milho-rei e o primeiro beijo. Capoeiras comandadas por galos emproados que comandavam galinhas e garnisés. Porcos na engorda à espera do capador, das arrobas certas e dos primeiros farrapos de geada; Os pés descalços que atropelavam "bolas de capa"; a fruta roubada no quintal do vizinho; as mestras que eram o nosso infantário; o suplício da cata de piolhos e lêndeas; a descoberta de livros que tinham cheiro; o Regedor e Salazar; as noites quentes apaziguadas nas soleiras; a cantina e a sopa dos pobres; o sangue que se ia buscar ao matadouro e que era comido depois de cozido;  as madrinhas de guerra; os soldados a desejarem na Emissora Nacional um feliz natal e um ano cheio de "propriedades"; o mata-porco e o arroz de miúdos; o vinho doce; o colo do meu avô e as sopas de cavalo cansado, e o presépio encaixado numa caixa de sapatos alcatifado com musgo verde; o Bonanza na "sede das pombas"; a alegria e a magia do circo "Arraiola Paramés"; o teatro na "Casa do Povo"; a forja do "Ti" Américo; o saco de pano a tiracolo com a lousa e o caderno de linhas. Primavera, Verão, Outono e Inverno; a Páscoa e as amêndoas e o beijar da cruz; Natal, cigarros e macinhos de chocolate embrulhados em papeizinhos brilhantes e coloridos que guardavamos entre as páginas de qualquer coisa que tivesse letras e desenhos; o tojo para a cama do gado; saquetas com cromos comprados na "Isaurinha"que trocavamos os repetidos; as mãos doridas pelas reguadas do professor Pinto, puxões de orelhas, bofetadas; a apanha diária de leitugas e carrijó; pregoeiros, vendedores de quinquilharias, amoladores, canastras de carapaus e sardinhas; as missas de domingo; os caldos de galinha que celebravam o nascimento e suavizavam as maleitas do parto, e só comidos em dias de festa; a "Ti" Margarida que nos libertava para a vida com um golpe de tesoura enferrujada;  Broa e papas de milho; almoço, janta e ceia, com merenda pelo meio; as rabanadas e malgas de vinho em Castelo de Paiva; as Segundas-Feiras de Páscoa com enguias fritas; os pirolitos e as camarinhas na Senhora da Saúde, em Fornos;  óleo-de-fígado-de-bacalhau; salgadeiras e masseiras; lareira e enchidos abençoados pelo fumo. A noite iluminada a candeias de azeite. A caixa da Sagrada Família. Colchões forrados a palha; forquilhas; brincadeiras, trepar às àrvores, brinquedos feitos de lata, uma fisga no bolso, pedrinhas, botões e berlindes, piões e faniqueiras, e várias fanfarronices; jogar à pancada, fazer recados, o acto subversivo de fabricar cigarros com barbas de milho enrolados em tiras de jornal. Risos, muitos risos que troçavam da pobreza, das doenças e da miséria.

- A bênção, meu Pai?!

- Que Deus te abençoe...

- A bênção, minha Mãe?!

- Que Deus te abençoe...

 

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2006/08/28

Rosmaninho

Uma casa alentejana, paredes alvas rematadas por uma larga risca amarela. Uma porta entreaberta, uma soleira, dois corpos cansados e enrugados.

Murmúrios.

"Boa Noite..."

"Boa Noite!"

Pássaros na gaiola.

A noite está quente.

Sombras projectadas na parede da casa.

Um filme mudo, sem legendas... saboroso, lento e cheio de pecado.

 

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2006/06/13

Um anjo na cidade

Domingo, 11 de Junho, Praça da Figueira, Lisboa. 13 horas, um sol abrasador. Enquanto a minha mulher conversava com Vittorio Avella eu procurava refúgio debaixo de uma árvore plantada nas margens da grande praça. E observava distraído os edifícios, as pessoas, o movimento dos automóveis e o desmontar do Gigli.

Num desses momentos o  meu olhar tropeçou numa pessoa sentada num dos bancos da praça; uma figura feminina aparentemente com uma idade já avançada rodeada de utensílios vários dispostos de forma organizada em cima do banco e coberta por velhas roupas. Nada de extraordinário numa grande cidade. Mas o que verdadeiramente me chamou a atenção foi a sua pose de verdadeira senhora, os seus gestos suaves, mas firmes, a forma delicada e sedutora como limpava os cabelos brancos e o rosto ainda belo com pequenas gotas de água.

Observei-a durante largos minutos e senti-me um intruso com a sensação estranha de estar a violar a intimidade de alguém, apesar de partilharmos um espaço público. E afastei-me e afastei o olhar. Mas não resisiti a um último olhar e,  quando voltei a cabeça na sua direcção percebi que apesar do despojamento total e da miséria absoluta ainda lhe restava dignidade, muita dignidade, que se percebia do olhar sereno e brilhante e iria jurar que tinha visto  uma enorme auréola em torno da sua figura como se fosse um anjo.

 

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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/02/24

||| O preço do pão e a escassez de solo

Engenheiro agrónomo afirma que em Portugal a superfície agrícola utilizada diminuiu 1,77 milhões de hectares desde 1956.
E, sustenta, que num futuro próximo, os países ricos serão aqueles que dispuserem de maior área de solo agrário "per capita".

Pedaços de um artigo retirado do Jornal "Expresso" de  23 de Fevereiro de 2008
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2008/02/19

Manuel António Pina - Crónicas

Uma história portuguesa


Por outras palavras,  de Manuel António Pina

"A novela "Casino de Lisboa" deveria ser incluída no Plano Nacional de Leitura de modo a instruir, desde pequeninos, os portugueses em ética política. O argumento é simples e exemplar uma empresa obtém a concessão de um casino e pretende ficar com o edifício para si e não que ele, como a lei determina, reverta para o Estado. É preciso, pois, mudar a lei. O problema é que as empresas não fazem (supostamente) leis. Quem faz as leis são os políticos que os portugueses elegem para, também supostamente, defender os interesses do Estado. A empresa faz então uns telefonemas e mete no assunto o líder e o director financeiro de um partido do Governo. Ao mesmo tempo escreve ao ministro encarregado da coisa sugerindo-lhe uma "alteração cirúrgica" da lei, "insusceptível" de ser relacionada com o caso. O ministro altera a lei, a empresa mete o edifício ao bolso e todos são felizes para sempre. Às vezes, quando a história tem um "happy end" à altura, o ministro acaba no Conselho de Administração da empresa. Antes disso, se for preciso, o chefe (ou ex-chefe) do Governo vai à televisão explicar que foi tudo para "bem de Portugal" e perguntar: "Acham que eu ia dar um casino?". Obviamente (a história passa-se em Portugal, isto é, em sítio nenhum), ninguém lhe responde."

Texto de Manuel António Pina publicado no "Jornal de Notícias", 19 de Fevereiro de 2008
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2008/02/17

É a saúde, estúpido!

O estado da saúde em Portugal

Um artigo de opinião de Boaventura Sousa Santos publicado na "VISÃO" de 17 de Fevereiro de 2007

http://aeiou.visao.pt/Opiniao/boaventurasousasantos/Pages/Easaudeestupido.aspx
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2008/01/30

Sujeito+Predicado+11 de Setembro

Um texto de opinião de Ferreira Fernandes sobre Rudy Giuliani

http://dn.sapo.pt/2008/01/30/opiniao/giuliani_vai_espaco.html
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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2007/09/30

 

Ver um Mundo num grão de areia
E um Céu numa Flor Silvestre,
Segurar o Infinito na palma da mão
E a Eternidade numa só hora

WILLIAM BLAKE

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2006/09/27

A Banca Portuguesa

De acordo com um relatório do Banco Central Europeu, a banca portuguesa  é a que, dentro da zona euro, pior remunera os depósitos e a que mais cobra pelos empréstimos concedidos.

Não admira, por isso, os lucros elevados que a banca portuguesa consegue gerar.

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2006/09/12

A Televisão que muitas vezes não temos

Há programas e comentadores de televisão que não têm esta atitude nobre,  elegante e séria.

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2006/08/16

CROWFOOT

O que é a vida? É o brilho do pirilampo na noite. è o sopro dum bisonte no Inverno. É a sombra que corre na erva e se perde ao fim do dia.

Crowfoot, Abril de 1890, já moribundo,falou uma última vez, da vida.


CROWFOOT, grande caçador, guerreiro corajoso e brilhante orador, nasceu em 1821 em Blackfoot Crossing, junto ao rio Bow, hoje território da província de Alberta, no Canadá. Muito depressa, tornou-se porta-voz da confederação dos Blackfeet.  Em Setembro de 1887, contrafeito mas cheio de confiança, cedeu cinquenta mil milhas quadradas de pradarias ao governo canadiano. Este tratado conduziu ao rápido desaparecimento dos  bisontes e à fome no seio da tribo dos Blackfeet.

Posted by carlos pereira at 23:47:38 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/04/19

SPUTNIK

O primeiro satélite artificial da Terra, o SPUTNIK 1, foi lançado no dia 4 de Outubro de 1957 pela URSS
Posted by carlos pereira at 10:43:36

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...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/04/02

||| Da leitura dos Livros

"... SEI, COMO TODOS NÓS SABEMOS, como pesa o tempo vencido sobre alguém que se aventura a descrevê-lo. É um eco a esfumar as palavras, uma ironia que nos contempla de longe, um pudor."...

José Cardoso Pires, LAVAGANTE, Edições Nelson de Matos
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2008/04/01

||| Desassossegos

..., barcos que passam na noite e se nem saúdam nem conhecem.

Bernardo Soares [Fernando Pessoa] - o LIVRO DO DESASSOSSEGO
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2008/01/29

Citando

A necessidade faz o sapo pular
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2006/12/06

Sobre o Amor

"Há sessenta rainhas, oitenta concubinas e jovens sem conta; mas a minha pomba, a minha perfeita, é única."

Do CÂNTICO DOS CÂNTICOS

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2006/11/21

 

Ne pas aimer, quand on a reçu du ciel une
âme faite pour l'amour, c'est se priver soi et
autrui d'un grand bonheur

STENDHAL

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2006/11/07

 

"... Os governos precisam sempre de inimigos, mesmo quando não estão em guerra. Se não têm um inimigo real, então
inventam-no e fazem a necessária propaganda. O inimigo deixa o povo assustado e o povo, quando fica assustado, tende a não sair da linha."

PAUL AUSTER - A Noite do Oráculo

Posted by carlos pereira at 17:40:49

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...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/06/03

PAUL AUSTER

O escritor norte-americano PAUL ASTER foi este ano - 2006 - o vencedor do "Prémio Príncipe das Astúrias das Letras".

Paul Aster nasceu em New Jersey no ano de 1947. É autor de romances, poesia, ensaios literários e livros de memórias.

Traduziu ficção e poesia de autores franceses e escreveu guiões de filmes.

Realizou o filme LULU ON THE BRIDGE e está, neste momento, a rodar em Sintra THE INNER LIFE OF MARTIN FROST, produzido por Paulo Branco.

AS  LOUCURAS DE BROOKLYN é o seu último romance traduzido para português (ASA 2006).

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2006/05/21

Umberto Eco

UMBERTO ECO nasceu em Alessandria (Piemonte) em 1932.

Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Turim e em 1956 publicou a sua tese de doutoramento:   O PROBLEMA ESTÉTICO EM S. TOMÁS.

Entre 1954 e 1958 participou em programas culturais  da televisão italiana e dedicou-se ao estudo dos problemas estéticos da literatura e da arte contemporâneas.

O seu nome ficou conhecido internacionalmente com a publicação em 1962, de OBRA ABERTA, editado em numerosas línguas e posteriormente com APOCALÍPTICOS E INTEGRADOS, COMO SE FAZ UMA TESE DE DOUTORAMENTO, DIÁRIO MÍNIMO, etc., mas foi O NOME DA ROSA que o fez sair para fora do círculo dos seus leitores habituais e o tornou um escritor conhecido em todo o mundo.

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HENRIK IBSEN

2006 FOI DECLARADO O "ANO IBSEN", PARA ASSINALAR O CENTENÁRIO DA MORTE DO DRAMATURGO NORUEGUÊS HENRIK IBSEN, QUE SE CUMPRE NO DIA 23 DE MAIO.

NASCIDO EM 1828, É O AUTOR MAIS IMPORTANTE DA HISTÓRIA DA LITERATURA NORUEGUESA E GERALMENTE CONSIDERADO O FUNDADOR DA LITERATURA DRAMÁTICA MODERNA.

DEPOIS DE SHAKESPEARE, É O MAIS REPRESENTADO NOS PALCOS DE TODO O MUNDO.

DURANTE 27 ANOS VIVEU EM ITÁLIA E ALEMANHA (1864/1891).

 

 

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2006/04/18

Mark Juergens Meyer

MARK JUERGENS MEYER é considerado o guru dos estudiosos sobre a violência religiosa. Professor de sociologia e de estudos religiosos na Universidade de Santa Bárbara (Califórnia) e director dos Estudos Globais e Internacionais, tem mais de uma dezena de livros publicados, entre os quais o célebre "TERROR IN THE MIND OF GOD" (AU NOM DE DIEU, ILS TUENT, na versão francesa)
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David H. R. Lawrence

DAVID HERBERT RICHARDS LAWRENCE, nasce a 11 de Setembro de 1885 em Eastwood, Nottinghanshire, e morre a 2 de Março de 1930, em França, de tuberculose.

Sobre Inglaterra, onde se sente ameaçado pelos "suínos invertebrados" que tomam conta da cultura, diz que o enjoa.

O "Amante de Lady Chatterley", "Uma mulher fugiu a cavalo" e "O homem que morreu" são das suas obras mais importantes. Tem diversas obras póstumas como "A virgem e o cigano"

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por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/04/03

||| Este ofício de poeta [Jorge Luis Borges]

"... O grande escritor e sonhador inglês Thomas de Quincey escreveu - em alguma dos milhares de páginas dos seus catorze volumes - que descobrir um problema novo é quase tão importante como descobrir a solução para um problema velho. Isso, porém, não posso eu oferecer-vos: só posso oferecer-vos perplexidades de longa data. Mas, para que hei-de preocupar-me com isto? O que é a história da filosofia, senão uma história das perplexidades dos Hindus, dos Chineses, dos Gregos, dos Escolásticos, do Bispo Beerkeley, de Hume, de Schopenhauer, e por aí fora? Pretendo apenas partilhar convosco estas perplexidades."...

Jorge Luis Borges, do Livro Este ofício de poeta, edição Editorial Teorema
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2008/02/20

O Fundamental e o acessório

"... Apesar dos meus vezos, e foram numerosos, continuei a ser dos que pensam que as únicas coisas indispensáveis à vida humana são o ar, o comer, o beber  e a excreção, e a busca da verdade. O resto é facultativo."

Jonathan Littell, as BENEVOLENTES
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2008/02/18

As Benevolentes, de Jonathan Littell

E é assim que a história começa...

"IRMÃOS HUMANOS, DEIXEM-ME CONTAR-VOS como foi que se passou. Não somos seus irmãos, replicarão os que me lêem, e não queremos saber. E é bem verdade que se trata de uma história sombria, mas também edificante, um verdadeiro conto moral, garanto-vos eu. Corre o risco de ser um tanto comprida, afinal de contas passaram-se muitas coisas, mas caso os leitores não estejam demasiado apressados, com um pouco de sorte o tempo há-de chegar. E depois isto diz-vos respeito: acabarão por ver bem que vos diz respeito. Não pensem que procuro convencer-vos seja do que for; bem vistas as coisas, as opiniões do leitor são da sua conta. Se me decidi a escrever depois de todos estes anos, é para esclerecer as coisas para mim mesmo e não para os que me lêem. Durante muito tempo, cada um de nós rasteja nesta terra como uma lagarta, na expectativa da borboleta esplêndida e diáfana que traz em si. E depois o tempo passa, a ninfose não chega, ficamos larva, constatação aflitiva, que havemos de fazer com ela? O suicídio, bem entendido, continua a ser uma opção. Mas, para dizer a verdade, o suicídio tenta-me pouco. Pensei longamente nele, é evidente; e se tivesse de me valer desse recurso, eis como procederia: poria uma granada bem apertada contra o meu coração e partiria numa viva explosão de júbilo. Uma pequena granada redonda que despoletaria com delicadeza antes de soltar a cavilha, sorrindo ao pequeno som metálico da mola, o último que ouviria, exceptuadas as pulsações do meu coração nos meus ouvidos. E depois a felicidade enfim, ou em todo o caso a paz, e as paredes do meu escritório enfeitadas com os meus retalhos."...


DO LIVRO "AS BENEVOLENTES" DE JONATHAN LITTELL - DOM QUIXOTE
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2008/02/17

José Luis Peixoto - Nenhum Olhar

O primeiro romance de José luis Peixoto, NENHUM OLHAR, vai ser publicado nos Estados Unidos pela maior editora livreira anglo-saxónica, a Random House. Traduzido por Richard Zenith, uma autoridade em Fernando Pessoa, é também o habitual tradutor de António Lobo Antunes e José Saramago.

Na semana passada recebeu pelo livro Cemitério de Pianos o prémio espanhol "Cálamo Otra Mirada 2007".
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2008/01/30

José Cardoso Pires - "Lavagante"

Nelson de Matos, que foi durante quase trinta anos editor de José Cardoso Pires, vai lançar em livro no próximo mês de Fevereiro e através da sua nova editora, um texto inédito de Cardoso Pires que tem por título "Lavagante".

José Cardoso Pires morreu em 26 de Outubro de 1998.
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2008/01/13

Luiz Pacheco

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2007/06/21

A Esfinge

"Ah, que não penso eu como quem pensa
Que viver muito é atordoar-se bem!
Pus-me a um cantinho, e achei a vida imensa.
Pode um só passo andar bem mais que cem...

Fitei o Sol de cara e a noite densa,
Mas só a mim fixei - que a mais ninguém.
Já não concebo angústia que me vença,
Que até vencido vencerei também.

Cruzei os braços sobre o peito. E quedo,
Passeio sobre a areia a arder parada
Nem sei que olhar subtil, vazio, mudo.

Abrem-me... em vão! Sou oco e sem segredo.
Falar?!... Porque falar, se não sei nada?
Contemplo, calo, fico... e entendo tudo."

A ESFINGE DE JOSÉ RÉGIO

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Keith Ward - Deus e os Filósofos

"...Deus tornou-se simplesmente algo de aborrecido e irrelevante... ."

KEITH WARD, EM "DEUS E OS FILÓSOFOS" - ESTRELA POLAR, FEVEREIRO DE 2007

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2006/09/14

Giovan Battista Marino -

"Stolto! a cui parlo? Misero! Che tento?

Racconto il dolor mio

a l'insensata riva

a la mutola selce, al sordo vento...

Ahi, ch'altro non risponde

che il mormorar de l'onde!"

GIOVAN BATTISTA MARINO,

"Eco", La Lira, XIX

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Mia Couto

"O que mais dói na miséria é a ignorância que ela tem de si mesma. Confrontados com a ausência de tudo, os homens abstêm-se do sonho, desarmando-se do desejo de serem outros.

Existe no nada essa ilusão de plenitude que faz parar a vida e anoitecer as vozes.

Estas estórias desadormeceram em mim sempre a partir de qualquer coisa acontecida de verdade mas que me foi contada como se tivesse ocorrido na outra margem do mundo.

Na travessa dessa fronteira de sombra escutei vozes que vazaram o sol. Outras foram asas no meu voo de escrever. A umas e a outras dedico este desejo de contar e de inventar."

Mia Couto, escritor

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Divagações

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/06/13

Os mediocres

"A política é algo de extremamente violento, um mundo de brutos", disse Franz Olivier Giesbert, jornalista, escritor e editor da revista francesa "LE POINT".

E um problema só é problema se tiver solução... se o problema não tiver solução, então não temos problema. Pode parecer confuso e paradoxal, mas não, é muito simples de perceber.

E se no mundo da politica local temos um problema, logo teriamos a solução. Isto é, se quisessemos e pudessemos, mas não tenho essa  certeza. E a solução passaria, por exemplo, de tempos a tempos termos a legitima capacidade de referendar os actos politicos, administrativos e morais que agem em contradicção com as promessas e os programas que foram expressos e defendidos nas campanhas eleitorais. Isto é, os politicos foram eleitos por nós, logo também teriamos o poder de , em qualquer altura, os demitir das suas funções. A isto eu chamo democracia. A isto eu chamo participação política e de cidadania. Mas também de ingenuidade...

Isto é o meu desejo, mas a realidade é bem diferente, infelizmente. E se rodarmos o pescoço em todas as direcções aquilo que vemos é triste e confrangedor. Só vemos "homenzinhos" com falta de vergonha e carácter, cinzentos, analfabetos, medíocres, petulantes, empertigados,  que têm uma visão distorcida e divorciada das realidades sociais, culturais e económicas dos seus concelhos. E, ainda para nossa desgraça têm o cuidado de se rodear de pessoas que procuram na politica apenas e tão só a visibilidade e o protagonismo que não tiveram nas suas vidas ou profissões e cuja única função é a promoção dos medíocres, bajuladores e dos lambe-botas que gravitam em torno do seus umbigos que julgam ser o centro dos seus mundos. E dos outros. E julgam-se importantes, mas apenas são tolos vaidosos e impertinentes, alvo do escárnio e mal-dizer.

Mas, infelizmente, são eles os detentores do poder e dos pequenos poderes construídos habilmente e julgam-se, por isso,  deuses, mas esquecem-se que também os deuses caem facilmente em desgraça, e por isso, no passado eram apedrejados.

 

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2006/06/09

Muitas vezes olhamos sem observar

Olho, melhor,  observo a folha branca posta diante de mim e prescruto-lhe a alma; porque não basta olhar. Olhar é diferente de observar, é ser desatento e apenas deixar correr os olhos de forma fugidia  pelo óbvio  que apenas deixa impressões muito ténues fáceis de esquecer e que são enganadoras. Pelo contrário, observar é um exercício que exige  disponibilidade, rigor, olhar límpido e descomprometido, sem falsos preconceitos e ideias pré-estabelecidas. Observar é perceber o que está por detrás do óbvio, de um gesto que nos parece ser banal, de palavras de circunstância ditas de forma automática e distraída. É perceber que o óbvio não é tão óbvio assim e que olhar, apenas, é profundamente redutor.

E continuo a observar a folha de papel, não a olhar, e revelo-lhe as minhas inquietações e a minha decepção por não conseguir descortinar que impressões quer ela que eu grave na superfície da sua alma. E ela observa-me e espera paciente, porque se calhar eu apenas estou a olhar.

 

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2006/06/05

ALMA

A alma é um arrepio que nos percorre o corpo

até que o rebentar de uma lágrima aconteça.

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2006/05/29

O TEMPO

O tempo feito de compassos precisos, regulares, automáticos, sem que possamos fazer nada e  onde o futuro já era e o presente é passado mais rápido que um suspiro ou o bater do coração.

E o tempo que aquece, cruel, deixando-nos de rastos, cansados, preguiçosos, molhados,  sem vontade e desejando com ardor uma pequena brisa que nos acalme o desejo de estarrecer.

É meio dia quando olhei o relógio da torre sineira. E o calor fica mais quente, perturbador. E os ponteiros avançam insensíveis a tanto calor, tic, tac, tic, tac,... imperturbáveis, serenos, cumprindo o seu destino informando-me que a noite das brisas frescas está quase ali, ao virar do bater do coração.

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2005/11/21

Divagações

Vale a pena, acho que sim que vale a pena. nem que seja por um instante breve, efémero, que escorre por entre os dedos como se tentassemos agarrar um punhado de areia

 

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Divagações

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/09/14

Diálogos surdos

- Parece que vai chover...

- É... parece que sim!

- O céu está muito espesso, não achas?

- Não sei, ainda não reparei...

- Sabes, os meus ossos pressentem a mudança de tempo, por isso....

- Claro, pois....

- É, vai chover, sabes os meus ossos...

- Pois... é bem possível...

- Até amanhã.

- Pois sim!

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2006/09/13

É Domingo

Fim de missa na aldeia. Encontros e banalidades, conversas de domingo ligeiras e às vezes absurdas com despropósitos e inconveniências encobertas pelo telheiro da igreja, ou na tasca bafienta onde rodam copos de três e vidas alheias. Brincadeiras, olhares de soslaio, promessa de encontros breves, passos rápidos e recatados, visões e pensamentos concupiscentes à passagem de viúvas jovens e mulheres solteiras. Apertos de mão que selam compromissos, beijos furtivos, mensagens codificadas que circulam no ar feitas de pequenos e subtis gestos.

É Domingo, numa aldeia.

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2006/08/28

A idade e as palavras

Esqueci palavras que julgava ser importantes. Mas se as esqueci é porque não eram importantes;  ou será que eram e  esqueci-as por já serem velhas ou por falta de uso?.  Ou estou a ficar velho?.
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Há quanto tempo não digo que te amo

Os gestos são apenas palavras

surdas

silenciosas

que não são ditas por timidez ou pudor.

- Há quanto tempo não digo que te amo?

As palavras, sempre as palavras,

perturbadas, perturbadoras,

às vezes banais

quando ditas mil vezes em vão.

- Há quanto tempo não digo que te amo?

O crespúculo do dia quando os nossos olhos abraçam o declinar do sol e

as minhas mãos procuram os teus dedos...

Um gesto simples, prenhe de eloquência, que

as palavras não conseguem entender.

- Há quanto tempo não digo que te amo!

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2006/08/27

Viver

Viver,  é morrer devagarinho todos os dias.
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2006/08/20

O Vento

O vento é o ar que tem saudades das folhas das árvores.
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2006/08/15

Viva o Verão

Enterro o meu desejo na areia molhada enquanto te observo. É Verão... tudo é permitido. A Natureza é perversa na sua suculência de cores, perfumes, abundância, voluptuosidade.

Viva o  Verão! Cool

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2006/08/14

 

O teu sorriso é apenas uma metáfora que esconde

cada nome um dia inventado por alguém e

agora convertido numa coisa que as pessoas trocaram entre si

sem lhe dar atenção.

E existimos sempre dentro de palavras. E não só dentro de palavras,

também dentro da história.

A de agora,

a de outrora.

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2006/06/26

E, pronto...

Sentir necessidade de escrever algo sobre qualquer coisa, não importa o quê, mas faltam as palavras, uma pequena brisa que abra as janelas para as coisas que marcaram as horas e os dias da semana que terminou. Mas não consigo, ponto final. E, provavelmente, quedar-me-ei por aqui, à espera que as letras do alfabeto se juntem em palavras que valham a pena desenhar.
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2006/06/20

Há dias assim...

Quando me perguntam, às vezes eu digo: Não sei... Às vezes nada sei, porque nada quero saber. Desligar-me do mundo, das notícias que correm no ar. Um ar carregado e poluído de ruídos familiares. Que não são apenas sons, mas também imagens estridentes que recebo em silêncio, sem me perturbar. Quero estar indiferente, ser indiferente, relaxar... apenas isso, relaxar. Esvaziar o corpo e a alma dos incómodos, das chatices, dos pequenos e grandes problemas, do quotidiano às vezes cinzento, amargo, triste, doloroso e... profundamente vazio. Apenas desejo ter tempo para deixar correr as lágrimas e assim me poder renovar, purificar, aliviar.

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Divagações

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/04/08

||| Delírios

...E, depois veio a verdade: brutal, que te atinge como um raio parindo com violência metáforas; é isso: a verdade é uma metáfora cínica, violenta, prenhe de raiva, que às vezes se transforma em poema.
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2007/01/03

Sem título - porque às vezes só atrapalha

Ontem foi o dia de todos os milagres,  e lágrimas de emoção;  o dia de todas as esperanças e de todos os sorrisos.

Irei plantar uma oliveira em vossa honra e dar-lhe-ei os vossos nomes.

 

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2007/01/02

2007

2006 terminou - ainda bem, digo eu - que não deixa saudades. Nenhumas! A única coisa que me apetece fazer é borrifar os seus dias e meses com largas gotas de ácido sulfúrico, para que percam a memória. E, esperar que 2007, que agora dá os seus primeiros passos, escolha caminhos diferentes para conseguir percorrer os dias que faltam sem muitos sobressaltos.

Apenas desejo, somente, um pouco de paz, serenidade, e sentir o prazer de alguns momentos de felicidade.

Amén!.

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2006/12/14

O pequeno poder

O pequeno poder é o mais perverso, o mais tirano, quando é exercido por alguém que julga
sermos as couves da sua horta.

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2006/12/12

Pinochet (1915-2006)

Augusto José Ramón Pinochet Ugarte morreu...
Por que será que quase todos os ditadores têm vidas obscenamente longas?
Porque acho que quando nascem já não têm alma!
Apenas vísceras....

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2006/11/07

Gerês, há 30 anos

Dias felizes. Dias boémios. Dias gentis.
Dias aconchegados em camisolas de lã.
O meu braço sobre o teu ombro, um tímido beijo.

Cores castanhas. Cores de fogo. Cores quentes,
os meus dedos entre os teus cabelos,
agradável perfume que aspiro com prazer.

Caminhos forrados a folhas que suavizam o nosso caminhar
por entre cascatas de outono, zimbreiros e reflexos solares.

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2006/10/18

Portugal e a Filosofia

A Filosofia deixou de ser disciplina obrigatória no 12.º ano, tornando-se opcional, e já não é exigida para o acesso a qualquer curso do Ensino Superior, incluindo o de FILOSOFIA!

Qualquer dia alguém se vai lembrar de decretar o fim da obrigatoriedade do ensino do português em favor de linguas  mais rendíveis. E,  já agora, aproveitem e  acabem  com a maçada de sermos portugueses e cretinos e decretem o fim de Portugal que só vos causa prejuízo e incómodos. E, assim, duma só penada, livramo-nos, também,  das "bitaitadas" de todos os"Saldanhas Sanches" que pomposamente se passeiam pelos ecrãs das televisões e exibem orgulhosamente e sem pudor a sua superioridade intelectual e moral, provocando em nós essa sensação desconfortável de sermos desprezíveis, amorais, batoteiros.

 

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2006/09/20

D. Luís Filipe Vieira, O SANTO

Ele tinha a história toda na ponta da língua que iria contar sem soluços nem espasmos, para que não dissessem que eram fajardices.

Porque ele sim, os outros não, ele conhecia, tinha os documentos que soubera ler e interpretar como se fosse um hermenêuta, portanto impossível de refutar.

O problema é que o homem não reconhece ser um tolo vaidoso impertinente que gosta de acusar defendendo a sua honradez e honestidade, e a sua vida passada servida como  exemplo lhe desse vigor para admoestar.

E aparece nas  televisões, nos jornais, arrogando para si direitos e epítetos, o dever e o direito sagrados das cruzadas na luta contra o obscurantismo e a tirania  e os diabos dos corruptores e dos corruptos do futebol portugês.

E esgrime à direita e à esquerda, exemplos, atitudes, comportamentos, palavras sábias e indignações como se fosse a padeira de Aljubarrota, ou o sapateiro de Trancoso.

E esqueceu-se que nesta cruzada apenas cabem guerreiros aquartelados em castelos que não têm ameias de vidro

 

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Fim de tarde

Olho através da janela emprestada o escoar do dia,

e vejo pessoas que ruminam, em silêncio, as suas freimas.

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2006/09/19

Carlos, o fotógrafo da alma

Eu sei que apenas pretendes roubar aquele momento, aquele e só aquele instante, para amanhã, no futuro, lembrares as  marcas, as dores, as cicatrizes gravadas na alma não só das pessoas que queres surpreender, mas também dos objectos, da pequena luz que dá cor ao  olhar, da respiração,  da penumbra e do arfar do vento.

Para te lembrares, um dia,  que as cores outras cores tiveram, que a idade outra idade já teve e que as pedras já estão mais gastas, e então perceberes que todos nós mais dias já vivemos.

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...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/04/26

Até amanhã

Os pés descalços sobre

a erva molhada

Observo o céu

esboço um sorriso

e digo até amanhã.


 

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2006/04/21

VIAGEM ATRAVÉS DUMA NEBULOSA (1960)

Para um amigo tenho sempre um relógio

esquecido em qualquer fundo de algibeira.

Mas esse relógio não marca o tempo inútil.

São restos de tabaco e de ternura rápida.

É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.

É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.

 

(António Ramos Rosa)

Antologia Poética, Publicações D. Quixote

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2006/04/20

Sem titulo

Lágrimas que se retesam de

árvores caídas

Corpos cansados que brotam

flores

Mágoas que destilam estrelas

polares

O amor desnudado de um beijo molhado

O caminho que falta percorrer até que a

alma atinja a idade da oliveira



 

Posted by carlos pereira at 20:37:48 | Permanent Link | Comments (0) |

Sem titulo

OBSERVO O VENTO NAMORANDO AS FOLHAS DAS ACÁCIAS

QUE SE AGITAM EXCITADAS

OS PÁSSAROS COMENTAM

ENTRE MURMÚRIOS TROCISTAS

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2006/04/19

Vida

Um palco de incenso e pérolas

Meretrizes, chulos e agentes da autoridade

Perfumes baratos

Sedas que escondem amargas verdades, escárnios e corpos maltratados

Risos que são uivos de lobos esfomeados

Enredos de intrigas obscenas

Consciências sentadas em carunchosas cadeiras vestidas de organza e

teias de aranha e disfarçadas em melgas verrugosas

O ardil do ardiloso consciente que

masca palavras com sabor a mel

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2006/04/18

Cavalos

OS CAVALOS GALOPAM

SOBRE MALMEQUERES BRANCOS

MONTADOS POR ESTRIDENTES COTOVIAS

BEM-ME-QUER

MAL-ME-QUER

BEM-ME-QUER... MAL-ME-QUER...

TROÇAM AS COTOVIAS

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...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/08/31

 

Corujas e mochos espiam o meu sono.

Noites de silêncio pesado.

O castanheiro que se agita.

Sonhos plúmbeos.

A estrela polar.

O norte, a morte, a sorte

por entre suspiros dos genebreiros.

 

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2006/07/05

Sem titulo

Não sei se as rosas choram

ou se é do orvalho as gotas que nelas vejo!

Sei que têm espinhos,

por serem belas?

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2006/06/14

 

Uma janela aberta para o mar

O pássaro que agita as asas anunciando o entardecer.

O crespúsculo e os ciprestes.

Por favor recorda-me o teu nome

de cor apenas conheço a forma

e o calor dos teus seios

quando neles repouso

as minhas mágoas

Posted by carlos pereira at 18:21:29 | Permanent Link | Comments (0) |

 

DIZ-ME, APENAS, SE É POR AÍ QUE VAIS...

OS SALGUEIROS ESPERAM UM SINAL TEU.

AS BORBOLETAS SUSPENSAS EM RIOS DE PRATA

ESPERAM UM GESTO TEU.

AS ÁGUAS PARADAS DO RIO ESPERAM UM OLHAR TEU.

O CÉU DE MURMÚRIOS MUDOS, UM SORRISO TEU.

EU ESPERO...

COMO SEMPRE ESPEREI

QUE ME DIGAS SE É POR AÍ QUE VAIS.

 

Posted by carlos pereira at 16:06:29 | Permanent Link | Comments (0) |

 

A lua aninha-se entre os seios do céu

enquanto vigio o teu sono sossegado

espreito o teu rosto sereno

por entre a folhagem dos teus sonhos.

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Sem titulo

Uma casa de paredes enrugadas

pedras envelhecidas pela erosão

janelas que espreitam a vida

e portas que agurdam a morte

Os silêncios estranhos e absurdos

de relógios feitos de sombras

O vazio profundo que se esgota num

suspiro que anuncia o fim das madrugadas

Posted by carlos pereira at 15:40:26 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/05/21

Sem titulo

Eu não sei se estiveste ausente.

Eu deito-me contigo, e levanto-me contigo.

Nos meus sonhos tu estás junto a mim.

Se estremecem os brincos das minhas orelhas

eu sei que és tu que te moves no meu coração


Origem do poema: México, Nahuas. Traduzido por José Agostinho Baptista. Extraído do Livro "Rosa do Mundo-2001 poemas para o futuro, da Assírio & Alvim, 2001

 

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Canção

Se até vós subir o movimento das águas,

querereis um com o outro vos banhar?

-E se até vós subir o movimento da morte,

querereis um com o outro vos banhar?


Canção Indonésia, Versão de Herberto Helder, extraído do livro "Rosa do Mundo-2001 Poemas para o Futuro" da Assírio & Alvim, 2001

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2006/05/17

Paixão

Não me possuistes... violastes-me.

Rasgastes a minha carne com a tua boca carregada de fogo

Esculpistes na minha pele marcas profundas de desejo

Violento e arrebatador

Agarrei os teus cabelos como se fossem as crinas de uma égua selvagem e

explodi

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2006/04/26

Sem titulo

OBSERVO-TE...

EU E O CASTANHEIRO QUE ESCONDE

O MEU PUDOR E O

MEU RUBOR DE

CEREJAS ORVALHADAS DE MEL E

DE PRAZER.



 

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...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/10/30

O meu Forte

Pequenas sombras,
manchas que desenham cores na tua alma,
folha de oliveira,
de símbolos vários.

E o teu coração desperta de
lágrimas cristalizadas e,
o céu se abre em azul profundo
lançando sobre tua cabeça
raios de luz apaziguadores.

E sorris, abrindo as tuas pálpebras de jasmim
e embrulhas o meu desassossego
num longo e reconfortante abraço.
E sussurras "finalmente... está tudo bem".

Posted by carlos pereira at 16:30:52 | Permanent Link | Comments (0) |

AI, PORTUGAL, PORTUGAL

Eles mentem e nós quietos, calados;

Insultam a nossa inteligência, a nossa paciência e nós mudos, pasmados;

E acusam-nos de compreensão lenta e nós envergonhados;

Se nos manifestamos, cobras e lagartos.

Ai, Portugal, Portugal...

A nossa desdita de vivermos num jardim à beira-mar plantado.

Posted by carlos pereira at 14:47:24 | Permanent Link | Comments (0) |

PEIXE COM ASAS

Um peixe com asas pousado
nos galhos dos meus cabelos
neste outono quente
povoado de algas, estórias e
castanhas eriçadas.

Um peixe com asas de gaivota,
de mares encapelados,
de penas de espuma salgada,
cansadas,
doridas,
sofridas,
e a areia ali tão perto,
porto seguro,
mas que desconfia.
E desfalece.

Eu sei que desfalece.

Posted by carlos pereira at 14:31:40 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/10/24

 

CICLO DO CAVALO

Os anjos que conheço são de erva e de silêncio
nalgum jardim de tarde. Mas quais os mais ardentes?
Feitos de mar e sol, elevam-se nas ondas,
entre as mulheres de coxas tão fortes como touros.

O meu luto é de mesas e bandeiras sem paz.
É estar sem corpo à espera, inconsolada boca,
o fogo ateia o peito, a cabeça perde a fronte,
o vazio rodopia, é o celeste inferno.

Desço ainda um degrau com o anjo infernal,
um turbilhão de ervas, um redemoinho de sangue.
Quem me vale agora se perdi o meu cavalo?

António Ramos Rosa

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2006/10/19

 

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa (Viagem através duma nebulosa) 1960, inserido na Antologia Poética - Publicações D. Quixote - 2001

Posted by carlos pereira at 13:20:17 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/10/18

 

Djá i dju nibá u

i dju nibá i dju nibá u

djá i dju nibá i ná ê nê ná

i djá i nai ni ná

i dju nibá u

i dju nibá i dju nibá u

djá i dju nibá i djá ê nê ná

(Indios Comanches, EUA)

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- O coração -

No deserto,
vi uma criatura nua, brutal,
que de cócoras na terra
tinha o seu próprio coração
nas mãos, e comia...
Disse-lhe: "É bom, amigo?"
"É amargo - respondeu -,
amargo, mas gosto
porque é amargo
e porque é o meu coração."

Stephen Crane

Posted by carlos pereira at 16:03:48 | Permanent Link | Comments (0) |

 

No tempo em que Deus criou todas as coisas,
criou o sol,
e o sol nasce, e morre, e volta a nascer;
criou a lua,
e a lua nasce, e morre, e volta a nascer;
criou as estrelas,
e as estrelas nascem, e morrem, e voltam a nascer;
criou o homem,
e o homem nasce, e morre, e não volta a nascer.

(Dincas, Sudão)

Extraído do Livro de Herberto Helder "POESIA TODA", Ediçao 406, Março de 1996-Assíro & Alvim

Posted by carlos pereira at 15:54:51 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/10/10

 

Com as aves aprende-se a morrer.
Também o frio de janeiro
enredado nos ramos não ensina outra coisa,
dizias tu, olhando
as palmeiras correr para a luz.
Que chegava ao fim.
E com ela as palavras.
Procurei os teus olhos onde o azul
inocente se refugiara.
Na infância, o coração do linho
afastava os animais de sombra.
Amanhã já não serei eu a ver-te
subir aos choupos brancos.
O resplendor das mãos imperecível.

EUGÉNIO DE ANDRADE, Foz do Douro, 18 de Janeiro de 2000

Posted by carlos pereira at 17:01:18 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/09/13

O Mar

Antes que o sonho (ou o terror) tecera

mitologias e cosmogonias,

antes que o tempo se cunhasse em dias,

o mar, sempre o mar, já estava e era.

Quem é o mar? Quem é o violento

e antigo ser que destrói os pilares

da terra, e é só um e muitos mares,

e abismo e resplendor e azar e vento?

Quem o olha vê-o pela vez primeira,

sempre. Com o assombro tal que as coisas

elementares deixam, as formosas

tardes, a lua, o fogo da fogueira.

Quem é o mar, quem sou? Sei-o no dia

que virá logo após minha agonia.

Poema de Jorge Luis Borges, extraído do Livro "Rosa do Mundo-2001 Poemas para o Futuro" da Assírio & Alvim

 

 

 

Posted by carlos pereira at 17:16:02

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publicado às 16:09


...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2006/12/07

 

As tuas roupas de opal,
penduradas em janelas
vermelhas,
escondem
pássaros
azuis e
luminosos
agachados
no calor das
tuas coxas
que afagam os
primórdios das
tuas noites.
Posted by carlos pereira at 16:14:10 | Permanent Link | Comments (0) |

 

O teu ventre abriga
e esconde
desejos antigos,
irrequietos e
contidos,
que o teu corpo quer negar
e o teu olhar
dar a descobrir.

Posted by carlos pereira at 15:48:16 | Permanent Link | Comments (0) |

De: Raízes e Ramos

Só existe o tempo único.
Só existe o deus único.
Só existe a promessa única,

e da sua chama
e das margens da página todos se incendeiam.
Só existe a página única,

o resto fica
em cinzas. Só existem
o continente único, o mar único -

entrando pelas fendas, batendo, rebentando,
correndo de lado a lado.

ROBERT DUNCAN - Raízes e Ramos

Posted by carlos pereira at 15:40:18 | Permanent Link | Comments (0) |

ORIXÁ

Rumores que roçam as minhas pálpebras
ainda de madrugada,
quando o corpo ainda se ajeita
às primeiras névoas de um sono breve,
de sonhos falados em oriá,
numa cidade distante
que desconheço e
me perturba
habitada de pássaros
selvagens e
guerreiros,
de enormes asas,
que escondem
profundos e negros
origmas.

Posted by carlos pereira at 15:28:08 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/12/06

Testamento

Após a morte de Deus
abriremos o testamento
para saber
a quem pertence o mudo
e aquela grande armadilha
de homens.

EWA LIPSKA - Polónia

Posted by carlos pereira at 16:23:08 | Permanent Link | Comments (0) |

 

esta é uma cadeira
só uma cadeira
nela
sentou-se meu pai
meus irmãos
todos
os meus melhores amigos
agora
está sozinha
sem ninguém
uma cadeira.

REINALDO PÉREZ SÓ - Venezuela

Posted by carlos pereira at 16:17:44 | Permanent Link | Comments (0) |

ANJOS DE TERRA

Anjos, existem Anjos? Volúveis seres
que são um instante de voluptuosa brisa
em que o tempo é a forma do desejo
e do sono das folhas e das águas.
Anjos, sim, de terra, que segredam
a argila dos nomes, o movimento azul
do ar. Na sua companhia eu sou o vento
e o meu hálito confunde-se com as suas vozes. 

António Ramos Rosa - Antologia poética - Publicações D. Quixote, 2001

Posted by carlos pereira at 16:04:32 | Permanent Link | Comments (0) |

Sem Título

De todas as vezes
contornamos o adeus.
Negamos os segundos finais ao tempo,
adiamos o beijo da partida.

Damos ao gesto o gosto
e ao gosto o desgosto da despedida.

E de todas, todas as vezes
atrasamos o tardar.

Maria Inês Castanheira, do Livro "Plasticidades" (Editorial Magnólia, Julho 2005)

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2006/11/07

ÀS VEZES HÁ RUAS ASSIM

 Para o Carlos e

Dedicado às pessoas que não gostam dele

 

Uma rua de silêncios magoados
calçada de pedra triste
decorada de gente amedrontada e
uma fonte de repuxos secos, ervas e alguns pássaros.

Uma rua de boatos, mentiras e murmúrios ignóbeis,
de gente cabisbaixa que olha de soslaio
ladeada de demónios.

Uma rua de almas doridas,
bocas com esgares de risos obscenos e
olhos de peixes mortos.

Uma rua de portas fechadas
silêncios pesados que
escondem misérias violentas e
jardins roxos de loucuras.

Uma rua de árvores despidas de nada
que abrigam corpos cansados e tristezas desesperadas.

Às vezes há ruas que têm uma rua assim.

Posted by carlos pereira at 22:39:39 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/10/30

Doce engano

De pé, na proa do navio,
porte altivo de almirante.

As velas enfunadas pelo sopro de leões marinhos,
hálitos de rum e aniz,
enfeitadas de rosas-de-jericó
e palavras  rúnicas.

Soberbo esse olhar
dominando a força do mar,
e vislumbrando, ao longe,
sereias de chamamento pérfido e enganador,
mas também sedutor,
irresistivelmente sedutor.

E o vento que sussurra segredos
e doces desvarios,
transportando exóticos perfumes,
e a praia ali tão perto,
tão perto...

Ah! Doce engano.

Posted by carlos pereira at 17:33:43

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publicado às 16:07


...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2007/06/21

Terna melancolia

Perde-se no tempo e apenas restam as sombras,
a memória das memórias, punhados de areia que
o vento muda de lugar
e de forma,
montes de formas arredondadas, suaves,
ternas e voluptuosas que
cobrem, para sempre,
o último suspiro de um tempo
que apenas foi um sopro.

Posted by carlos pereira at 23:01:04 | Permanent Link | Comments (0) |

2007/01/23

 

Cheirei o teu caminhar
ainda muito longe
do meu banco de jardim,
sentado à espera fiquei
preso nas tábuas da esperança
raízes ganhei.
estavas distante, mas perto
estavas do meu coração,
muito perto, e
habitavas já a brisa que
animava a minha pele.

E chegastes, eu sabia que eras tu,
pelo cheiro do teu caminhar.

Posted by carlos pereira at 18:36:59 | Permanent Link | Comments (2) |

2007/01/16

Civilização

Nas guerras, antigamente,
não seguiam um princípio:
o mais forte ao mais fraco
roubava o que podia.

Agora, não é assim.
Mundo regem conferências.
Se mais forte faz sujeira,
reúnem-se - dão anuência.

ARANY JÁNOS
(1817-1882)
HUNGRIA

 

Posted by carlos pereira at 16:45:37 | Permanent Link | Comments (0) |

2007/01/15

O ruído da solidão

É insuportável aquela profunda tristeza
sentada no banco do jardim que
só às vezes um sorriso breve ilumina
a esquina escura do medo e
afaga as mágoas escritas nos lábios surdos,
e o
espelho da lua surpreende a alma,
que se recusa,
pois já não se reconhece, e
esse infantil medo pelo assombro
escondido nas gavetas que
aprisionam os sonhos e o
voo das borboletas
suspensos em arribas que se
desmoronam no
esquecimento das memórias.

Posted by carlos pereira at 23:44:51 | Permanent Link | Comments (0) |

2007/01/12

A estrada branca

Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto

folhas tremiam
ao invisível peso mais forte

Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate

JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

Posted by carlos pereira at 00:35:52 | Permanent Link | Comments (0) |

The Raven's Ink

You have your retreat in a solitude of a carob tree,
O bell of dusk with the dark voice!
Now what do they ask of you?
In Adam's garden you searched, that a restless killer
may bury his brother, and descended
into your darkness, where the corpse was exposed to the four winds.
Then you went about your work,
as absence goes about its own preoccupations.
Be alert, raven! Our ressurrection will be postponed.

No night is long enough for us to dream twice.
There is only one door to our heaven,
Where will the end come from?
We are the descendents of the beginning
We only see the beginning
So come out of the origin of night
as a priest, and preach with your always
echoing voice the human void surrounding you!
You are accused of what is within us.
Here, before you, is the first blood of our line.

MAHMOUD DARWISH

Posted by carlos pereira at 00:29:56 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/12/08

VERDADE

A verdade é um polígono de
várias cores,
contradições cinzentas
opacas
mudas
surdas
feita de enganos
ciumenta
viril
frágil
petulante
medrosa
dolorosa.

A verdade é um polígono que às vezes
se prostitui
na esquina da
nossa rua.

Posted by carlos pereira at 19:48:12 | Permanent Link | Comments (0) |

SILENT NIGHT

É inverno nas praias do Ocidente.
As ondas rasgam as areias finas da costa e são
violentas,
iradas,
medonhas.
Que viram elas das terras por onde passaram?
Orgulhos,
preconceitos,
luxúrias,
indiferenças e
ossos que rasgam ventres de fome,
olhos mortos de nada verem,
esperanças dizimadas em
canos de armas,
futuros que não conhecerão o dia de amanhã.

É Natal, e o mundo continuará a girar
até ser novamente Natal.

Posted by carlos pereira at 17:05:35 | Permanent Link | Comments (0) |

2006/12/07

 

O pássaro foge,
não gosta da noite.
o pinheiro enrola as raízes mais fundo.
o cristal parte-se.
a porta abre-se.
o dia afoga-se entre coxas e mamas e
perde a memória.
o vento uiva por entre espinhos e espelhos.
a chuva que tudo limpa e o
carrossel onde os cães se escarrancham.
almas frígidas montadas em cavalos com cio.
espadas, superstições, cânticos.
a noite que engole o dia, sôfrega, num
espasmo de
dor e prazer.
Posted by carlos pereira at 17:17:07 | Permanent Link | Comments (0) |

 

O teu corpo estremece quando os teus dedos
deslizam sobre as páginas do teu coração.
Corpo molhado de gotas de orvalho e
espuma 
correndo em
sulcos de nervos e sangue.
Quente,
muito quente.
Sufocas um grito,
um gemido,
a lua cresce sobre os teus seios,
roseira de rosas vermelhas
que ilumina a laranjeira
de onde escorre leite e mel.

Posted by carlos pereira at 16:50:38

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publicado às 16:05


...

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.05.08

2008/04/24

||| Branco no branco

Não só as casas. Também as palavras
mostram agora a pele mordida.
Que luz é esta, que não responde,
e só ao vento

entrega o sorriso? Se cantam,
onde é que cantam? No coração
de algum amigo será o que resta do lume.
Como esperar
que dure ainda? A mais alada fala. Docemente
afasta a noite. Enquanto a neve,
oh a neve, a neve espera.

Do livro POESIA de Eugénio de Andrade, edição Fundação Eugénio de Andrade
Posted by carlos pereira at 17:36:34 | Permanent Link | Comments (0) |

2008/04/03

||| Consolo na praia

Vamos, não chores...
A Infãncia está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te - de vez - nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme meu filho.

Carlos Drummond de Andrade - Antologia Poética - Relógio D'água
Posted by carlos pereira at 00:23:13 | Permanent Link | Comments (0) |

2008/04/02

||| Génese

Escrevo para que a liberdade respire com os seus veios de nada
Este instante ninguém o concedeu nem estava prescrito em nemhum livro
e por isso te pertence como um barco ou uma nuvem
Quer subas ao alto de uma torre ou desças a uma clareira branca
a matéria subtil acende-se com as suas minúsculas constelações

Se conseguires escrever o que não vês e só pressentes como um frémito de flor
poderás desenhar os graciosos veios os dóceis requintes
de um translúcido torso de azul adolercência
sob uma cabeleira ardente delicadamente rumorosa

O rumo da palavra será o rumor da serpente
que abrirá os cabelos sobre uma ânfora animal
de onde uma língua desponta num perfume ardor
incendiando as sílabas com a sua leve saliva

Poema de António Ramos Rosa, do livro Génese, edição Roma Editora
Posted by carlos pereira at 13:21:43 | Permanent Link | Comments (0) |

2008/03/20

||| Anunciação da Primavera

São as primeiras frésias do ano:
vieram da Holanda
para que a primavera entrasse
em janeiro pela casa dentro.
Com seu aroma e o vento solar
farei o lume,
farei o lume onde aquecer as mãos
e de chama em chama regressar
às oliveiras do sul lentas e claras,
ao azul estendido nas pedras nuas
da Cantareira,
aos pardais ardendo nos ramos
do crepúsculo com a luz derradeira.

Poema de Eugénio de Andrade, do livro "Poesia", edição da Fundação Eugénio de Andrade, 2000/2005
Posted by carlos pereira at 12:50:29 | Permanent Link | Comments (0) |

2008/03/19

||| Constelações

Há um azul de colina um azul de adolescente

nesse corpo de jarra sumptuosa

Amo a tranquilidade do seu som suave

e a grande latitude redonda dos seus flancos

Ela é o longo jasmim das águas douradas pela lua

e saiu do vulcão calcinado pelo desejo

como uma rosa da surpresa ou uma chama de frescura

As suas palavras são relâmpagos de orvalho

e no seu peito de pomba um arco azul

Os graciosos joelhos laranjas brancas

de uma paz de ninho e de árvores com o sal do sono

Ela é o fruto que dormiu como um cordeiro de fogo

Se estas palavras conservam o seu aroma de água

poder-se-á tocar a sua lâmpada de folhas

e saborear a rosa do seu sangue tão lenta e transparente

que nela se reflectem as constelações da água


Poema de António Ramos Rosa, do livro "Génese", editado pela Roma Editora, Lisboa
Posted by carlos pereira at 13:28:02 | Permanent Link | Comments (0) |

2008/03/15

||| Primeiramente

Acordo sem o contorno do teu rosto na
minha almofada, sem o teu peito liso e claro
como um dia de vento, e começo a erguer a
madrugada apenas com as duas mãos que
me deixaste, hesitante nos gestos, porque os
meus olhos partiram nos teus.

E é assim que a noite chega, e dentro dela
te procuro, encostado ao teu nome, pelas
ruas álgidas onde tu não passas, a solidão
aberta nos dedos como um cravo.

Meu amor, amor duma breve madrugada
de bandeiras, arranco a tua boca da minha e
desfolho-a lentamente, até que outra boca -
e sempre a tua boca - comece de novo a nascer na minha boca.

Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dos
pássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbados e
perguntar o que aconteceu.

Eugénio de Andrade, poema extraído do livro "POESIA", edição da Fundação Eugénio de Almeida
Posted by carlos pereira at 22:53:29 | Permanent Link | Comments (0) |

||| Conselho

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Poema de Eugénio de Andrade retirado do livro "Poesia" editado pela Fundação Eugénio de Andrade, 2000
Posted by carlos pereira at 22:41:27 | Permanent Link | Comments (0) |

2008/02/17

Em dia de efemérides

PEDRA EM EXPANSÃO

Diz não são os anos que passam
é a pedra

Não o tempo
o que por mim passa
mas ela
que somente acompanha

Diz não passam anos
para a minha idade
só uma pedra está

Fiama Hasse Pais Brandão - Obra Breve (Poesia Reunida), Assírio & Alvim



Posted by carlos pereira at 18:27:17 | Permanent Link | Comments (0) |

Da Voz Das Coisas

Só a rajada de vento
dá o som lírico
às pás do moinho.

Somente as coisas tocadas
pelo amor das outras
têm voz.

FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO - Obra Breve (Poesia Reunida) - Assírio & Alvim, Edição 0976, Maio 2006
Posted by carlos pereira at 18:20:47 | Permanent Link | Comments (0) |

2007/09/30

 

O Voo interrompido
Asas quebraram
Sonho desfeito
Na rua,
Um beco triste,
feio

Apenas uma mão visível
estendida sobre o nada.
Porque não há nada.

Nem gente, nem flores,
apenas arame farpado.

Posted by carlos pereira at 20:42:51

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