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#1963 - Tudo-Nada

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.04.16

 JOSÉ RÉGIO

 

TUDO-NADA

 

Passai!, belas carruagens brasonadas,

Forradas de alcatifas e de roubos!

Passai!, carroças trôpegas! e bobos

Com as fardas e as farsas desbotadas...!

 

Passai!, clarões, clarins, tinir de espadas,

Arruaças de lobos contra lobos!

Passai!, gentis idílios!, vãos arroubos!,

Êxtases vis nos pátios das escadas!

 

Passai!, grenhas e caspa de profetas,

E doces ignomínias de poetas...!,

Almas em lira e corações em escudo.

 

Passa!... - No mar de gelo encalha o barco;

Lá longe, o charco sonha... e cheira a charco;

Lá em cima, há um céu crivado de astros, mudo.

 

Poema de José Régio in "Cântico Negro", edições Quasi, Setembro 2005

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publicado às 18:38



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