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Jose Luís Peixoto - do blog

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.05.09

Nas livrarias portuguesas a partir de meados de Maio

 

Le Portugal

 

As coisas não começaram bem. No sábado, tinha acabado de sair do cybercafe onde, entre outras coisas, coloquei online o texto anterior, quando recebi um telefonema a perguntar onde estava. Tinha chegado a hora da minha leitura e não sabiam de mim. Percebi então que tinha entendido mal o que estava escrito no programa e tinha calculado mal a hora a que deveria ler (era um dos últimos da lista e, na noite anterior, tinham seguido a ordem). Corri para o hotel para apanhar os livros e, passados minutos, tinha um carro à espera para me levar à abadia de Neumunster. Cheguei, ouvi meio poema em alemão e, esbaforido, fui apresentado. Estavam duzentas e tal pessoas. Uma vez que era a noite em que todos os poetas liam, tinha apenas 5 minutos. Tudo bem.

Comecei por ler “na hora de pôr a mesa” em francês, depois o original em português. Li depois “Arte poética”, também em francês e, quando ia para ler em português, fui interrompido pelo poeta do Luxemburgo que organiza o encontro. Tentei cumprimentá-lo, mas fiquei de mão estendida no ar.

No momento, não me apercebi. Foi só ao longo da serão que foram chegando até mim as queixas dos muitos portugueses que estavam lá (afinal, há portugueses que assistem a leituras de poesia no Luxemburgo). A cada uma, ia percebendo que aquelas pessoas tinham a expectativa de ouvir mais em português e que a forma abrupta como terminou a leitura foi frustrante para elas. Ao mesmo tempo, tinha na memória a leitura da véspera na Kulturfabrik, em Esch, onde 6 poetas convidados leram das 19.30 até quase à meia-noite, nenhum deles respeitando o tempo que lhes tinha sido destinado.

Assim, no domingo, 26, tinha a leitura na Galeria Simoncini, com menos poetas e com mais tempo para ler. Não me considero uma pessoa que guarda ressentimentos (a vida é curta), mas lembrei-me dos portugueses que fizeram e serviram o jantar de ontem, lembrei-me da portuguesa com quem fiquei a conversar na cozinha da Escola Europeia, lembrei-me das cabo-verdeanas que arrumavam os quartos do hotel e com quem também conversei, lembrei-me de que estava ali a representar Portugal e fiz o seguinte: antes da leitura, agradeci ao Instituto Camões (que apoiou o festival, custeando a minha viagem) e expliquei aos presentes que o propósito desse instituto é promover a língua e a cultura portuguesa, uma língua que é falada por cerca de 200 milhões de falantes (obrigado, Brasil) e que, no Luxemburgo, é falada por, pelo menos, 80 mil portugueses (maior comunidade de estrangeiros). Depois, expliquei que começava por ler o poema “Arte Poética”, que não tinha tido tempo de ler na véspera e, que no fim, se tivesse tempo, leria a tradução francesa. Li vários poemas de “A Criança em Ruínas” e de “A Casa, a Escuridão” tanto em português, como em francês. E, no fim, não tive tempo de ler a tradução francesa de“Arte Poética”.



O ANIMAL


Logo após a leitura da Galeria Simoncini, estavam todos os participantes do festival a almoçar numa esplanada de um hotel da Place d' Armes, no centrão da cidade do Luxemburgo, quando se afastaram as nuvens e ficou um sol bastante intenso. Tirei o casaco. Estava a conversar com o César Stroscio, mas ouvi claramente os dois empregados portugueses que estavam a pôr os pratos. Um deles, pensando que não o entendia e referindo-se às minhas tatuagens diz para o outro: “Já viste este? Tem o braço todo sujo.” Ao que o outro responde: “Ah pois tem, o animal.” Quando me virei para eles e lhes disse: “Talvez esteja mais lavado do que imagina”, arregalaram os olhos e foram-se embora.

Na nossa mesa, estava o dono do hotel, o patrão deles. Não sei se foi por isso que o empregado que me chamou animal voltou passados alguns minutos para pedir umas desculpas atrapalhadas. Enfim, nada como uma descida à realidade.

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publicado às 16:13


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