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A UM AUSENTE

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.05.09

 

 

Para o Joaquim Mestre, o bibliotecário da Biblioteca José Saramago, de Beja, escritor e amigo, que hoje nos deixou.

 

 

A UM AUSENTE


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

 
 

Carlos Drummond de Andrade
 

retirado do blog bibliotecadafeira

Joaquim Figueira Mestre, director da Biblioteca Municipal de Beja, faleceu ontem à noite vítima de doença prolongada. A cerimónia religiosa realiza-se esta noite, pelas 21.00 horas, e o funeral amanhã, às 08.00 horas.

 

 

Joaquim Figueira Mestre faleceu ontem à noite, em Lisboa, vítima de doença prolongada. Tinha 54 anos e era director da Biblioteca Municipal de Beja. Joaquim Figueira Mestre ajudou a transformar a Biblioteca da cidade numa Biblioteca de referência a nível nacional. Para além da actividade profissional que desempenhava, Figueira Mestre também deixou obra escrita e foi recentemente distinguido com o Prémio Manuel da Fonseca 2008.

 
 
Francisco Santos, presidente da Câmara Municipal de Beja, muito emocionado referiu que "todos ficam a perder com a morte de Figueira Mestre".
 
Carlos Pinto Coelho, jornalista e amigo de longa data de Joaquim Figueira Mestre, consternado disse que "se foi embora um dos maiores amigos que Beja poderia ter" e recordou que "foi pela mão do director da Biblioteca que a cidade foi transformada numa catedral da leitura. Foi este homem que conseguiu trazer a Beja os maiores vultos da literatura portuguesa".
 
O corpo de Joaquim Figueira Mestre já está em câmara ardente na Casa Mortuária de Beja, a cerimónia religiosa realiza-se esta noite, pelas 21.00 horas e o funeral amanhã, às 08.00 horas. 
 
Biografia:
Joaquim Figueira Mestre era natural de Trindade, concelho de Beja, licenciado em História e pós-graduado em Ciências Documentais.
Iniciou o seu trabalho na Biblioteca Municipal de Beja, antes deste espaço abrir ao público, ou seja desde 1991/92 e exerceu a sua actividade profissional no mesmo até ao seu falecimento.
Joaquim Figueira Mestre deixou também obra escrita. Recordamos que foi distinguido recentemente com o prémio Manuel da Fonseca 2008, com a obra: “Breviário das Almas”, um conto que colheu a unanimidade do júri.
Joaquim Figueira Mestre escreveu igualmente os livros: “A Imperfeição do Amor”, “O Perfumista”, “A Cega da Casa do Boiro” e “O Livro do Esquecimento”.

 

 notícia retirada da "Rádio Voz da Planície"

 

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publicado às 16:49


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