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Fatos Arapi

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.09

 

EM BERLIM


Outro modo de andar, outras vozes de chuva aqui.

Não ressoa o bronze do trovão das minhas montanhas,

nem regressa o seu eco ensurdecedor

a golpear-me outra vez e mais outra vez...

Tem um não sei de quê o caminho aqui, o voo da chuva...

O calor que sobe do corpo desta mulher molhada,

as pombas em Kurfurstendamm,

igrejas e templos feridos pelas guerras.

Aqui se derrama uma alma imensa, e macia, de chuva,

e cai sobre mim, como sobre uma oliveira verde

que caminha, sentindo como as suas raízes

- como no sul - se enterram para se irem nutrir

entre antigas necrópoles.


 


PARA PENÉLOPE


Não terminaste ainda de tecer a teia, Penélope.

Ulisses ainda não voltou de Tróia,

sempre errante pelas ilhas do tempo...

Poi se chegar a tocar Ítaca a pedregosa

com o sangue dos Pretendentes semeará a

terra.

Continua então a tecer, Penélope.

O bater do teu tear

é eterno grito entre as ondas do Jónio.

Tu, não te canses, não cedas, ó mulher.

Precisamos de um sonho de sonhar,

e mesmo ele, o amor,

se alimenta só da nossa inocência.


Não me desmintas, Penélope.

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publicado às 12:55


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