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Jordi Virallonga

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.04.09



MAS QUE SUCEDE COM O PRAZER


Nunca imaginei ficar tão sem nada

e a ter de pensar em começar de novo.

Resta-me apenas o teu rosto nas crianças

e um ou outro episódio antes de te conhecer:

Não tenho nenhum porto de saída nem de chegada,

queimei todas as minhas naus para largar contigo

e tudo o que fomos comigo terá morrido;


mas entretanto

que sucede com o prazer,

com a ternura que sem ti é puro regatear

e é sentir-se livre para a mudança

e a procura é luta no meio dos saldos?



TAL A SALIVA DE TER SIDO


Faltam-nos braços e palavras,

noites horizontais de que ainda sabemos pouco,

e saber que entre a morte

e a pressa da névoa ao desvanecer-se

há-de ficar alguma lembrança consistente de ter sido.


Escrevo-te agora porque sei que amanhã

nunca acabaria tudo isto

que se estende sobre ti porque é saliva.


Observa a luz, da varanda,

e vê a névoa caída nesta casa

onde entre lençóis prolongo a última palavra sábia:

eco inútil deste ponto onde mora

uma fugaz febril memória de amor e de cinza.

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publicado às 12:40



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