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Israel Eliraz

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.03.09

 

O ORIENTE É UMA BOCA


I .

Levanta o dedo e aponta

o centro no qual


o rapaz (de joelhos,

à tua frente) desenha


segundo as leis da luz

e as leis do ragga,


e como ele pergunta:

"estás dentro do teu corpo


ou és

o teu corpo?"


Põe no teu caminho

uma pausa de

flores



2 .

Um homem nu

levanta a alma


que levanta o corpo

à mão.


Subitamente ao corpo

falta corpo.


A boca, punho de ouro

empunha carvões de prazer.


Como uma pena,

uma mancha sobe

do calor do peito.


O que é que nasce

em ti, sem ti,


quando perguntas,

"estou mais ou menos

no centro disto?"


3 .

O oriente

é uma boca


para onde te voltas

de joelhos


à procura de matéria

mais rápida


que a luz, que o

ragga. Aprendes


com a energia do sol, com

o fruto acobreado no forno do olho:


o  que há -

é isto! é o que há!


e há aquele

que antecede tudo


o que se disser

dele


e sem ele -

não somos.


Poema de Israel Eliraz traduzido por Lúcia Liba Muckznik

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publicado às 22:40


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