Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Vitorino Nemésio

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.09


O anoitecer situa as coisas na minha alma

Como as cadeiras arrumadas

Quando os anigos partiram.

Meus degraus ainda têm a passada do adeus,

Lá quando uma palavra cria tudo,

E o resto, fechada a porta,

É posto nas mãos de Deus.

Então, à minha janela,

Tudo repousa e larga o aro dos conjuntos,

Tudo vem, com um gesto secreto e confiado,

Pedir-me o molde e o amor do isolamento,

Como se um desconhecido

Passasse e pedisse lume

E eu, sem reparar, lho estendesse:

Quando quisesse conhecê-lo,

Só a minha brasa ao longe,

Na noite que se faz pelo peso dos rios

E vive de fogo dado.

Assim nocturno, sou

O suporte de quem não tem para a consciência,

Que é como não ter para pão:
As coisa cegas

Prendem-se a mim,

Ao meu olhar, que é único na noite

Pelo seu grande alcance de humildade,

E fico cheio delas,

Como estes sítios ermos, junto de uma cidade,

Cemitérios de tudo, lugares para cães e bidons velhos;

Fico cheio da pobreza e do sinal das coisas,

Como um retrato de gente pobre é pobre e gauche

(Vale a recordação),

Mas sinto-me, ao mesmo tempo seco  cheio de tacto

Como se fosse o seu bordão

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:30


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas