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Juan Gelman

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09



CIDADES


Assim, ternura de Lisboa no meio do terror:

O mundo está nublado, mas não aqui,

onde se adensa a tristeza do mundo.

Deixou tanta luz o anjo que voa

para a suspensão da infância

na toca de um canário adormecido?

A língua vive na boca

calcinada pela curva do sol.

Junto do rio ou tejo que fala com a cidade

algo existe de distante implacável

em acontecer o que não acontece.

Como se ata o que sou para mim

com o que não sou para mim?

Aqui me cansa a morte, que nada tem lá dentro,

e pelo meu quarto passeia-se um que usa o meu passado.

Ah, transparência embalada pela

pegada do animal

que procura o encontrado. Dizeres

que velam o que mostram. Lenta

felicidade de ruas contagiadas

pelo que não se espera.

 

Poema de Juan Gelman traduzido por Pedro Tamen

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publicado às 18:30


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