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Liliana Ursu

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.03.09



Saída de Emergência - A Janela do Poeta


As tuas janelas fechadas com a luz de Maio

insultantes de vida.

As paredes - páginas não escritas,

avalanches de neves nos teus ombros demasiado leves.

Apenas os teus óculos traem a ausência:

frágeis,

negros,

com as lentes embaciadas pelos murmúrios

de um amor imaginado.

 

Pobre poeta,

luz não encetada -

pão e lágrimas

verde eco. Manto posto directamente sobre o coração.

Vagabundo incurável sob as luzes dos candeeiros.

A tua casa é agora um museu.

 

 

************************************


Atrás da janela -

uma casa habitada por dois automóveis

que te fazem caretas através das suas janelas com preço fixo

em direcção aos céus onde tu paraste

aborrecido com tanta vida,

aborrecido com tanta morte.


Um pouco abaixo está o Café de outrora

onde bebias a tua solidão

em dosese homeopáticas

imitando uma conversa sobre o dia chuvoso.


Agora por cima da tua janela está escrito preto no branco:

"Saída de emergência" - o teu pequeno segredo

de todas aquelas noites sem dias

quando a única prova de que existias

era a escrita trémula do homem da tabacaria

que somava conscienciosamente as tuas dívidas.

 

Poema de Liliana Ursu escrito em Lisboa em 24 de Maio de 1996 e traduzido por Nuno Júdice

 

Liliana Ursu nasceu na Roménia, onde é escritora e jornalista. É autora de um programa literário na Rádio Nacional da Roménia.

 

 

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publicado às 13:26


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