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Michel Deguy

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.09

 

A Europa em Lisboa

 

O amor "libertou-se" da prisão de Amor

Olha: fica esse belo vazio

do amor esvaziado  o lenço de mármore

que a amante agitava ao oceano agitado

ou à cativa amante um trovador cativo


E agora descreve o castelo de água pétrea

O castelo de gávea capitaina

Que fez renascentistas pensarem feudalismos

Voto cumprido de um príncipe cumprindo o verso de Gôngora

"de uma torre de vento delgadamente erguida"


E agora

O sereno tapete do Tejo estirado retira-se a seus pés

E também o saber se retirou

Como um refluxo sob a secura ignara

Em que as novas despejam uma espuma de datas


Da torre de Belém à torre de Stephen

Não quero pôr em causa o sentido da visita

Que o passe cultural poliglota autoriza

Nessa gaiola fui atrás da mulher da limpeza


A quem incumbe zelar pelo vazio bem vazio

Amarrar favores da pedra ao terceiro patamar

E arrumar turbantes, de pedra, escudos, de pedra,

de sultão, de cruzado

abrir caminho à volta

do Amor que não regressará


Lisboa, 1993


Poema de Michel Deguy traduzido por Vasco Graça Moura

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publicado às 22:51


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