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O Vidente

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.09

Vimos o mundo aceso nos seus olhos,

E por os ter olhado nós ficamos

Penetrados de força e de destino.

 

Ele deu carne àquilo que sonhámos,

E a nossa vida abriu-se, iluminada

Pelas imagens de oiro que ele vira.

 

Veio dizer-nos qual a nossa raça,

Anunciou-nos a pátria nunca vista,

E a sua perfeição era o sinal

De que as coisas sonhadas existiam.

 

Vimo-lo voltar das multidões

Com o olhar azulado de visões

Como se tivesse ido sempre só.

 

Tinha a face orientada para a luz,

Intacto caminhava entre os horrores,

Interior à alma como um conto.

 

E ei-lo caído à beira do caminha,

Ele - o que partira com mais força

Ele - o que partira para mais longe.

 

Porque o ergueste assim como um sinal?

Pusemos tantos sonhos em seu nome!

 

Como iremos além da encruzilhada

Onde os seus olhos de astro se quebraram?

 

Sophia de Mello Breyner Andresen - Obra Poética - Editoral Caminho, Janeiro de 2007

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publicado às 18:26



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