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Por outras palavras, de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.05.08

Brandos Costumes

Os números são assustadores na sua brutal neutralidade só nos três primeiros meses deste ano foram assassinadas 17 mulheres, vítimas de maridos e companheiros, na "coutada do macho latino" (a expressão, famosa, é de um acórdão do Supremo e serviu em tempos de justificação à atenuação da culpa de um violador). Além destas, segundo as contas da UMAR, outras 11 escaparam, mais ou menos maltratadas, a tentativas de homicídio. De fora ficam todas as demais formas de violência, dos espancamentos à humilhação quotidiana, que não chegam, por vergonha e por medo, aos tribunais nem à comunicação social. Os partidos de direita preocupam-se muito com a insegurança nas ruas, mas é dentro de casa e da família que se praticam diariamente em Portugal os crimes mais cobardes, sobre as mulheres, sobre as crianças, sobre os idosos, sobre, em geral, os mais fracos e vulneráveis. "Uma casa portuguesa com certeza" continua ainda hoje a ser a da paródia de Neca Rafael à canção de Amália: "A lua atrás da sacada,/ vem espreitar ao postigo,/ a vê-la a levar porrada/ por arrebitar comigo"e não a da "fartura de carinho" e do "amor, pão e vinho" do original. Brandos costumes? Só no modo como aparentemente aceitamos tudo isto sem escândalo e sem um sobressalto de revolta.

Crónica de Manuel António Pina publicada no "JN" de hoje

 

 

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publicado às 18:01



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