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#3229 - ÚLTIMO SOPRO - A DESPEDIDA DA ALMA DO CORPO

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.07.22

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publicado às 13:46


#3228 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.07.22

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publicado às 15:58


#3227- OS CAMINHOS DE SANTIAGO - PEREGRINAÇÕES

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.07.22

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publicado às 18:47


#3226 - PRÉMIO BOOKER INTERNACIONAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.03.22

The 2022 International Booker Prize


Paulo Scott, escritor brasileiro, é um dos 13 nomeados da edição deste ano do Prémio Booker Internacional com o livro "Marrom e Amarelo" com a tradução para a língua inglesa de Daniel Hahn.

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The 13 long listed novels have been announced. They are works of fiction translated into English from 11 languages and originate from 12 countries across four continents – including Hindi for the first time.

This year’s longlist includes previous winners Olga TokarczukJennifer CroftDavid Grossman and Jessica Cohen, alongside authors translated into English for the first time. 

Independent presses with a mission for bringing the world’s fiction to English-speaking readers have dominated, with Tilted Axis - the publisher founded by Man Booker International Prize winner Deborah Smith - appearing on the list for the first time with three titles.

The shortlist of six will be announced on 7 April and the winners of the prize will be named on 26 May 2022. 

The Longlist

Paradais

Paradais

byFernanda Melchor

Translated by Sophie Hughes

Heaven

Heaven

byMieko Kawakami

Translated by Samuel Bett David Boyd

Love In The Big City

Love in the Big City

bySang Young Park

Translated by Anton Hur

Happy Stories Mostly

Happy Stories, Mostly

byNorman Erikson Pasaribu

Translated by Tiffany Tsao

Elena Knows

Elena Knows

byClaudia Piñeiro

Translated by Frances Riddle

The Book of Mother

The Book of Mother

byViolaine Huisman

Translated by Leslie Camhi

More Than I Love My Life

More Than I Love My Life

byDavid Grossman

Translated by Jessica Cohen

Phenotypes

Phenotypes

byPaulo Scott

Translated by Daniel Hahn

A New Name, Septology VI-VII

A New Name: Septology VI-VII

byJon Fosse

Translated by Damion Searls

After The Sun

After the Sun

byJonas Eika

Translated by Sherilyn Hellberg

Tomb of Sand

Tomb of Sand

byGeetanjali Shree

Translated by Daisy Rockwell

The Books of Jacob

The Books of Jacob

byOlga Tokarczuk

Translated by Jennifer Croft

Cursed Bunny

Cursed Bunny

byBora Chung

Translated by Anton Hur

 

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publicado às 09:15


#3225 - GRANDE PRÉMIO DE ENSAIO EDUARDO PRADO COELHO

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.03.22

 

Cristina Robalo-Cordeiro, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, venceu o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores (APE), em conjunto com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, com a obra "O Véu de Maia - Relendo Almeida Faria".

Esta obra foi publicada por Edições Minerva em 2020.

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publicado às 08:49


#3224 - A BARBEARIA DO SENHOR LUÍS, DE LUÍS NOVAES TITO

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.03.22

Descobri que A Barbearia do Senhor Luís estava aberta. Fiquei feliz... pois pensava que encerrara as portas do seu distinto estabelecimento.

O dono da Barbearia, Luís Novaes Tito, continua na mesma. Coerente. inteligente, sem medos, apesar de pontuais desacordos.

O meu respeito por um velho amigo com quem aprendi algumas coisas.

Tentarei passar pela Barbearia todos os dias para o cumprimentar e pôr a conversa em dia.

Os meus cumprimentos.

 

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publicado às 18:57


#3223 - O MEU FILHO É INTERROGADO

PROSA DE TIMOTHY HAGELSTEIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.22

Ouço um disco da Dulce Pontes, aqueles fados imortais, Canção do Mar, Povo que lavas no rio, Se voasses para perto de mim... todas canções maravilhosas.

 

Isso ajuda-me a suportar a distância, o tempo faz o sentimento, transforma-o e idealiza-o, imagino o brilho suave nas terras escarlates do Alentejo, naquela estrada que leva ao Sul e atravessa aldeias adormecidas. E hoje dou comigo a pensar no que a actual namorada do meu filho, o seu primeiro amor, lhe perguntará daqui a alguns anos quando se voltarem a encontrar, com uma outra vida desenhada e outras respirações partilhadas, para ambos, imagino as suas questões, se eu ainda estiver vivo, ela poderá perguntar-lhe:

 

E o teu pai? Ainda encerrado na sua gruta, o seu escritório e ateliê de  criação? A  procurar palavras e a juntá-las, transmitindo uma ideia, um momento que conseguiu captar, uma pata com os seus patinhos? uma imagem para desenhar ou colorir? uma música que não lhe sai da cabeça e não o deixa em paz até a ter gravado? Ainda tão solitário e afastado de tudo e de todos, sozinho com as suas memórias indefiníveis excepto através dos seus poemas? Continua um misantropo? revoltado contra a ignomínia dos políticos e apoiantes de movimentos políticos ou sindicais hipócritas? Ainda fala das suas noites bravas e das cores do céu cujos perfumes dizia respirar, quando dizia que alguém era um poema que vivia dentro de si e através do qual chegava ao seu coração e aos seus tormentos? Invejoso, mas com admiração, não cobiça, sentimemnto que diz nunca ter tido e que deixou aos medíocres que desperdiçam a sua energia preocupando-se com os outros.

 

Continua tão solitário, tão afastado de tudo, após ter conhecido certas glórias e certas luzes? Revoltado contra as sentinelas da moralidade nas suas cidadelas, intransigentes, contra aqueles que cultivam com talento a denúncia, ele que se alimenta da imprevisibilidade do som das palavras e que vê em cada velho músico uma beleza digna de uma pintura de Miguel Ângelo. Esses Mick Jaggers, esses Keith Richards, septuagenários enrugados e marcados mas tão belos pelas suas vivências.

 

Ainda tem aqueles ímpetos para misturar violentamente cores numa tela infernal que ninguém entende, mas na qual ele vê o deserto florescer ou um pequeno fosso amargo de riquezas íntimas? Ainda diz que as palavras são sons, a música,  cores, e a çpintura, frases coloridas e que, portanto, as expressões das três artes são idênticas e se fundem?

 

Não sei o que o meu filho poderá responder, sei, pelo menos espero, que ele lhe dirá que passou comigo os melhores anos da sua vida familiar e que o amor que lhe dei foi o principal, a arte é apenas uma mensagem que deixarei àqueles que apreciei e amei na vida e que me terá ajudado a viver, sobreviver e morrer e,  na verdade, isso é o principal.

 

TEXTO DE TIMOTHY HAGELSTEIN, DO LIVRO "APNEIAS EMOCIONAIS - POESIAS, PROSAS E NOTAS BIOGRÁFICAS", EDIÇÃO GUERRA E PAZ, EDITORES, NOVEMBRO DE 2021, TRADUÇÃO DE ANA PAULA FILIPE.

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publicado às 19:59


#3222 - POEMA DE HERBERTO HELDER

DO LIVRO "SERVIDÕES"

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.22

já não tenho tempo para ganhar o amor, a glória ou a Abissínia,

talvez me reste um tiro na cabeça,

e é tão cinematográfico e tão sem número o número dos efeitos especiais,

mas não quero complicar coisas tão simples da terra,

bom seria entrar no sono como num saco maior que o meu tamanho,

e que uns dedos inexplicáveis lhe dessem um nó rude,

e eu de dentro o não pudesse desfazer :

um saco sem qualquer explicação,

que ficasse para ali num sítio ele mesmo sítio bem amarrado

- não um destino à Rimbaud,

apenas longe, sem barras de ouro, sem amputação de pernas,

esquecido de mim mesmo num saco atado cegamente,

num recanto pela idade fora,

e lá dentro os dias eram à noite bem no fundo,

um saco sem qualquer salvação nos armazéns obscuros

 

POEMA DE HERBERTO HELDER in "SERVIDÕES", EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM, MAIO DE 2013

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publicado às 19:20


#3221 - ORAÇÃO

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.03.22

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publicado às 19:07


#3220 - O POETA DAS IMAGENS

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.02.22

São corpos pendurados em paredes de sombras, registados em papel com a ajuda de um relâmpago emitido por uma velha máquina fotográfica. Poses  artísticas forçadas de pais, avós, filhos dos filhos, tias solteiras, putos ranhosos que também aparecem mas que não foram convidados por falta de espaço e não ser domingo - era o argumento...

Ser fotógrafo era também ser encenador e mestre na arte de dispor as almas nas suas diversas posições e atitudes para, no final, parecerem actores ou figurantes numa cena de teatro burlesco, de marionetes . Era considerado no seu meio e entre os seus pares um verdadeiro mestre na arte de fixar para a posteridade os momentos em memórias que alguém guardaria numa caixa qualquer ou num caixilho que ficaria em equilíbrio numa parede qualquer de um compartimento da casa.

As expressões do rosto e as formas diversas que o corpo assumia reflectiam estados psicológicos, de humor, de hierarquias bem vincadas pela posição de cada um no espaço geográfico da lente da máquina que dava para perceber a  importância que cada um tinha e o seu papel na estrutura social e familiar.

Era um verdadeiro alquimista, um mágico que no quarto escuro apenas iluminado por uma luz vermelha conseguia dar vida a películas  mergulhadas num caldo químico, como se fosse o útero onde se formava, célula a célula, um corpo que era expulso depois de estar completamente pronto.

Era um poeta que escrevia e fixava um momento da vida para a posteridade.

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publicado às 14:56


#3219 - Madrugada - Chimes at Midnight - Ecstasy

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.02.22

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publicado às 22:19


#3218 - Thomas Feiner - The Opiates Revisited - The Rain Collector

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.02.22

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publicado às 22:09

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publicado às 20:48


#3216 - LIVROS E LEITURAS

APNEIAS EMOCIONAIS - TIMOTHY HAGELSTEIN

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.02.22

AFAGAR A MEMÓRIA

 

Desenho a tua ausência,

perdoo-te por existires;

alquimia que mistura

a chuva do passageiro.

Gestos de amor esquecidos

e esperanças nocturnas

da minha infância destruída

levaram afinal à minha fortuna.

Podes a minha memória afagar

para eu sempre em ti acreditar?

 

POEMA DE TIMOTHY HAGELSTEIN "in Apneias Emocionais" edição Guerra & Paz, Novembro de 2021, tradução de Ana Paula Filipe

 

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publicado às 20:17


#3215 - AS PALAVRAS NA BOCA DOS TAGARELAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 20.01.22

O vazio está sentado no centro de uma estrela

com a cabeça apoiada num pensamento incolor, transparente, inodoro,

inclinando-se para o lado que o vento soprar

provocando o tédio

bocejando até a boca não poder abrir-se mais

criando um sopro de ar

que circula entre a garganta e o exterior do corpo

situado no limite da vertigem,  da tolerância, do vómito

e que devora a vontade de se opôr ao ruído opaco das palavras

sentado ao lado do vazio que deixa de ser, por isso,

o centro da estrela.

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publicado às 21:24


#3214 - DESENHOS

por Carlos Pereira \foleirices, em 14.01.22

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publicado às 18:23


#3213 - A STANISLAW WYSPIANSKY

POEMA DE KATHERINE MANSFIELD [1888-1923]

por Carlos Pereira \foleirices, em 13.01.22

Credit: Getty Images/Keystone

 

A STANISLAW  WYSPIANSKY

 

Do outro lado do mundo,

De uma pequena ilha embalada no grande regaço do mar,

De uma pequena ilha sem história,

(Fazendo a sua própria história, lenta e desajeitadamente,

Juntando isto e aquilo, encontrando o padrão, resolvendo o problema,

Como uma criança com uma caixa de tabuinhas),

Eu, uma mulher, com a marca do pioneiro no meu sangue,

Cheio de uma força juvenil que consigo guerreia e ignora leis,

Canto em teu louvor, guerreiro magnífico; Eu proclamo a tua batalha triunfante.

O meu povo não teve nada contra o que lutar;

Trabalharam à luz clara do dia e manipularam o barro com dedos rudes;

A Vida - uma coisa de sangue e músculo; a Morte - um enterro de desperdícios.

 

Que poderiam saber de fantasmas e presenças invisíveis,

De sombras que obscurecem a realidade, da escuridão que nega a manhã?

Límpida e suave é a água que escorre das suas montanhas;

Como poderiam conhecer ervas venenosas, gavinhas podres que estorvam?

A tapeçaria tecida com os sonhos da tua infância trágica

Eles rasgariam com as suas mãos inábeis,

A luz triste e pálida da tuua alma apagariam com o seu riso infantil.

Mas os mortos - os velhos - Oh Mestre, aí te pertencemos;

Oh Mestre, somos crianças e aterrados pela força de um gigante;

Como saltaste vivo para o túmulo e lutaste com a Morte

E encontrste nas veias da Morte o sangue vermelho florindo

E ergueste a Morte nos teus braços e a mostraste a todo  o povo.

A tua foi uma tarefa mais pessoal que os milagres do Nazareno,

O teu um encontro mais estrénuo que as ordens mais amáveis do Nazareno.

Stanislaw Wyspiansky - oh homem com o nome de um combatente,

Através destes milhares de quilómetros estilhaçados de mar, em alta voz te proclamam;

Dizemos «Ele jaz na Polónia, e a Polónia pensa que ele morreu;

Mas ele disse não à Morte - ele jaz ali, acordado;

O sangue do seu grande coração pulsa vermelho nas suas veias».

 

Poema de Katherine Mansfield, escritora neozelandesa, (1888-1923) traduzido por José Alberto Oliveira

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publicado às 06:46


#3212 - CAMPANHA ELEITORAL (LEGISLATIVAS - JANEIRO 2022

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.01.22

 

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publicado às 16:58


#3211 - Thomas Feiner, Anywhen - The Opiates Revisited - Betty Caine

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.01.22

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publicado às 19:03


#3210 - LIVROS E LEITURAS

AS CRÓNICAS - ANTÓNIO LOBO ANTUNES

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.12.21

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publicado às 22:58


#3209 - B0AS FESTAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.12.21

Aos crentes. Aos não crentes. Aos cerca de 7,8 bilhões de pessoas que habitam esta planeta,

desejo-vos um Bom Natal.

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publicado às 18:33

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publicado às 18:58


#3207 - "TOMÁS NEVINSO" - O NOVO LIVRO DE JAVIER MARÍAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.21

SINOPSE

Dois homens - um deles na ficção, o outro na vida real - tiveram oportunidade de assassinar Hitler antes que ele desencadeasse a Segunda Guerra Mundial. Um mal menor teria impedido um mal maior. Se é legítimo pensar que aqueles dois homens deveriam ter disparado sobre o Führer para evitar a morte de milhões, até que ponto podemos decidir quem merece viver ou morrer?

Tomás Nevinson, marido de Berta Isla, cai na tentação de regressar aos Serviços Secretos após uma temporada de ausência. Estamos no ano de 1997. Tomás é incumbido de se deslocar a uma cidade do Noroeste de Espanha para identificar uma pessoa que, dez anos antes, participara em atentados do IRA e da ETA.

A missão é-lhe atribuída pelo seu ex-chefe, Bertram Tupra, figura ambígua que já anteriormente lhe atrapalhara a vida. Ambos são anjos desagradáveis que devem velar pela tranquilidade dos demais. Feito espião que sonda a verdade, Javier Marías constrói uma intriga inquietante, uma reflexão profunda acerca do alcance e das consequências das nossas acções.

Quão longe podemos ir para evitar o triunfo do mal? E, num mundo de claro-escuro, como podemos estar certos do que é o mal?

Tomás Nevinson é o retrato do que acontece a alguém a quem já tudo aconteceu, o retrato de um homem que tenta intervir na História e acaba desterrado do mundo.

 

CRÍTICAS DE IMPRENSA
««Tomás Nevinson será talvez o melhor romance que Javier Marías já publicou.»
José-Carlos Mainer, El País

«Sempre que leio Javier Marías, tenho a impressão de estar a ouvir uma sinfonia.» Julia Navarro, Hoy por Hoy

«Marías escreve como sempre, escreve como ninguém, [...] porque está num outro nível: eleva-nos e está a fazer - porque não dizê-lo? - o que Shakespeare fez com a sua época e com os seres humanos da sua época.»
Alberto Olmos, El Confidencial

«É impossível dizer se este é o melhor romance de Marías. Mas é, sem dúvida, um dos mais empolgantes.»
J. A. Masoliver Ródenas, La Vanguardia

«Uma história poderosa, com uma pulsação fortíssima. [...] Um assombroso retrato da realidade. [...] Um romance impressionante.»
Antonio Lucas, El Mundo
 
 
Tomás Nevinson
ISBN 9789897843518Edição/Reimpressão 12-2021Editor: Alfaguara PortugalIdioma: PortuguêsDimensões: 149 x 233 x 42 mmEncadernação: Capa molePáginas: 656Tipo de Produto: LivroClassificação Temática: Livros em Português Literatura Romance
 
 
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Javier Marías nasceu em Madrid em 1951. É um dos mais destacados autores espanhóis da atualidade. É autor de Los dominios del lobo, Travesía del horizonte, El monarca del tiempo, El siglo, El hombre sentimental (Prémio Ennio Flaiano), Todas las almas (Prémio Ciudad de Barcelona), deste Amanhã na batalha pensa em mim (Prémio Fastenrath, Prémio Rómulo Gallegos, Prix Fémina Étranger), Negra espalda del tiempo, Tu rostro mañana (3 volumes), Os enamoramentos e Coração tão branco (vencedor do Prémio da Crítica em Espanha, do Prix l’Oeil et la Lettre e do IMPAC Dublin Literary Award), estes dois últimos já publicados na Alfaguara).
Tem ainda editados vários livros de contos, antologias e coletâneas de ensaios e crónicas.
Em 1997, recebeu o Prémio Nelly Sachs, em Dortmund; em 1998, o Prémio Comunidad de Madrid; em 2000, os prémios Grinzane Cavour, em Turim, e Alberto Moravia, em Roma; em 2008, os prémios Alessio, em Turim, e José Donoso, no Chile; e, em 2011, o Prémio Nonino, em Udine, e o Prémio Literário Europeu, todos eles pelo conjunto da sua obra. Entre as traduções de sua autoria, destaca-se a de Tristram Shandy.
Foi professor na Universidade de Oxford e na Universidade Complutense de Madrid. A sua obra encontra-se publicada em quarenta e dois idiomas e cinquenta e quatro países, com seis milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
É membro da Real Academia Espanhola.
 
FONTE:WOOK
 

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publicado às 09:00


#3206 - PRÉMIO LITERÁRIO VERGÍLIO FERREIRA

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.12.21

HELENA BUESCU, professora universitária da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa onde leciona Literatura Comparada, foi galardoada com o Prémio Literário Vergílio Ferreira atribuído pela Universidade de Évora.

Considerada uma autoridade incontestável dos estudos comparatistas, publicou 12 livros de ensaio, tendo a sua última obra "O Poeta na Cidade: A Literatura Portuguesa na História" vencido o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, da Associação Portuguesa de Escritores.

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Prémio Vergílio Ferreira

A Universidade de Évora atribui desde 1997 o Prémio Vergílio Ferreira ao conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa destacado no âmbito da narrativo e/ou do ensaio. 

Foi em 1959 que Vergílio Ferreira (1916-1996) publicou o livro que lhe rendeu o Prémio Camilo Castelo Branco da Sociedade Portuguesa e também aquele que o ligará para sempre a Évora. A obra “Aparição” retrata a cidade, na qual o autor ainda viveu, durante a época do salazarismo, fazendo referência a algumas marcas ainda presentes nos dias de hoje e levando o leitor a conhecer alguns dos locais mais emblemáticos de Évora, como é o caso do próprio Colégio do Espírito Santo. A cerimónia de entrega do Prémio Vergílio Ferreira realiza-se anualmente a 1 de março, o dia em que se assinala também o aniversário da morte do seu patrono. 

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publicado às 06:35


#3205 - O MAIS FORTE ENTRE OS ESTRANHOS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.12.21

não os encontrarás com regularidade

pois não se encontram

onde se encontra 

a multidão

 

estes seres ímpares,

não há muitos

mas deles

vêm

os poucos

bons quadros

as poucas

boas sinfonias

os poucos

bons livros

e outras

obras.

 

e dos

melhores

entre os estranhos

talvez

nada.

 

eles são

os seus próprios

quadros

os seus próprios

livros

as suas próprias

obras.

 

às vezes penso

que

os vejo - por exemplo

um determinado

velho

sentado num

determinado banco de jardim

de uma determinada 

forma

 

ou 

uma cara fugaz

num carro

que passa

em direcção

contrária

 

ou

há um certo

gesto de mãos

do rapaz ou

da rapariga

a embalar compras

em sacos

de supermercado.

 

às vezes

até é alguém

com quem se vive

há algum

tempo -

dás conta de

um fugidio

olhar luminoso

que nunca lhes viras

antes.

 

às vezes

apenas notas

a sua existência

subitamente

e de forma vívida

alguns meses

alguns anos

depois de

partirem.

 

lembro-me

de um caso

assim -

ele tinha

cerca de 20 anos

bêbedo

às 10 da manhã

a fitar

um espelho partido

em Nova Orleães

 

cara sonhadora

contra

as paredes

do mundo

 

para

onde

fui eu?

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI, DO LIVRO "OS CÃES LADRAM FACAS (ANTOLOGIA POÉTICA", EDIÇÃO ALFAGUARA, NOVEMBRO DE 2018

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publicado às 06:49

 

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publicado às 18:28


#3203 - JOSÉ CARLOS BARROS VENCEU O PRÉMIO LEYA 2021

"As Pessoas Invisíveis"

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.12.21

"As Pessoas Invisíveis", romance escrito por José Carlos Barros, foi a escolha, por unanimidade, do Júri do Prémio Leya 2021.

O Prémio Leya foi criado em 2008 com o objectivo de distinguir um romance inédito escrito em português.

 

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José Carlos Barros nasceu em Boticas em 1963. Licenciado em Arquitetura Paisagista pela Universidade de Évora, foi diretor do Parque Natural da Ria Formosa. É autor de dois romances e de nove livros de poesia, tendo sido distinguido com vários prémios literários. Vive no Algarve, em Vila Nova de Cacela, desde finais dos anos oitenta.

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publicado às 17:45


#3202 - OS TAGARELAS

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI

por Carlos Pereira \foleirices, em 03.12.21

OS TAGARELAS

o rapaz de pés enlameados atravessa-me a 

alma

a falar de recitais, de virtuosos, de maestros,

dos romances menos conhecidos de Dostoiévski;

a falar de como corrigiu uma empregada de mesa,

uma bimba que desconhecia que o molho francês

era feito disto e daquilo;

tagarela sobre as Artes até

eu odiar as Artes,

e não há nada mais limpo

do que voltar para um bar ou

do que ir para o hipódromo

e vê-los correr

ver coisas a passar sem este

clamor e falatório,

falar, falar, falar,

a boquinha a mexer, os olhos a piscar,

um rapaz, uma criança, doente com as Artes,

a agarrar-se a elas como à saia da mãe,

e pergunto-me quantos dezenas de milhares

existem como ele por esta terra

em noites chuvosas

em manhãs soalheiras

em serões que prometiam paz

em salas de concerto

em cafés

em recitais de poesia

a falar, a sujar, a discutir.

é como o porco

que vai para a cama

com uma mulher linda

e por causa disso

deixas de querer aquela mulher.

 

POEMA DE CHARLES BUKOWSKI in "Os cães ladram facas"[Antologia Poética], edição Alfaguara, Novembro de 2018

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publicado às 06:42


#3201 - RIO CÁSTER (DIÁLOGOS COM AS SUAS MARGENS) versão piano

Carlos Pereira

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.12.21

 

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publicado às 19:25


#3200 - Thomas Feiner - Troth (The Dreamers)

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.12.21

 

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publicado às 18:04

Jeferson Tenório, escritor brasileiro, venceu com o livro "Avesso da Pele" o Prémio Jabuti na categoria de "Romance Literário".

 

Pode ver aqui a lista completa dos vencedores das outras categorias

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Jeferson Tenório nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Radicado em Porto Alegre, é doutorando em Teoria Literária pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Estreou-se na literatura com o romance O beijo na parede (2013), eleito livro do ano pela Associação Gaúcha de Escritores. É autor também de Estela sem Deus (2018). O avesso da pele é o seu terceiro romance e está a ser adaptado ao cinema.

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publicado às 19:07


#3198 - A AGONIA NO JARDIM

POEMA DE ANA LUÍSA AMARAL

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.11.21

A AGONIA NO JARDIM

 

A solidão avança como onda,

ausente

toda a luz

 

Saísse eu deste quadro,

poderia tocar o tronco amargo,

os ramos mais esguios dessa oliveira,

libertar-me das mãos

 

Podia ainda, se quisesse,

inventar vento

aproveitando a chama que ele

ostenta

 

Devo ceder a quê?

À história que contaram

sobre mim?

 

Eles não sabem da história mais de dentro,

a que me fez chegar até aqui,

sabendo finalmente:

 

que dizer sim

era morrer por dentro

que dizer não

era afogar-me nessa longa chama,

numa Palavra -

 

em mim

 

POEMA DE ANA LUÍSA  AMARAL, do livro Ágora, edição Assírio & Alvim, Fevereiro de 2020

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publicado às 18:49

 

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publicado às 18:38


#3196 - DO ROSSIO ATÉ AO CASTELO - UM PASSEIO PELAS GUIMBRAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.11.21

 

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publicado às 18:35


#3195 - Richard Hawley - Valentine

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.11.21

 

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publicado às 19:25


#3194 - A CASA ILUMINADA

POEMA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.11.21

A CASA ILUMINADA

 

Olhai honestamente para o vosso passado

escondido da rua pelos arbustos

oferecendo-se aos pedaços

naquilo que o rasurado quis  extirpar

nos trechos sem relação que vos assaltam no sono

no desabamento, na estranheza

outro nome possível se transcreve

a face molhada por uma chuva repentina

e o seu invencível sentido

 

Somos ainda os nativos, os mais remotos

 

Assim que chegarmos ao mar alto

e perguntarmos por que razão

seremos baixados por cordas

à casa demolida ainda iluminada

 

POEMA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA  in «Introdução à Pintura Rupestre», edição Assírio & Alvim

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publicado às 16:49


#3193 - ENTRE OS ATOS

POEMA DE JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.21

ENTRE OS ATOS

 

Espantamo-nos por encontrar o mundo na nossa memória

o mundo que se começa a ouvir no fundo da casa

o mundo que circula em nós entre os corpos deitados

no meio do terreiro da dança

nas cabanas indígenas

no assobio que os indígenas trazem amarrado ao pescoço

com uma atenção fascinada

o mundo que é um dos raros animais

que sabe descer as árvores de cabeça para baixo

 

Espantamo-nos por uma conivência

atestada desde há muito

nos ser entregue de chofre

cheirosa como uma floresta inteira

uma agitação de enxame

uma oficina celeste

a entrelaçar-se no sopro

fosse o que fosse

a zumbir em volta do rosto

 

O mundo é às um toldo que desdobramos às apalpadelas

durante o dilúvio

espantamo-nos que reproduza

na nossa cabeça o grito de uma pintura rupestre

os trilhos que ninguém me diz terem mudado de sítio

as recitações entre duas tormentas

que permitirão às fibras dessa árvore interna sobreviver

o resgate e as cores das casas

onde voltados de lado

repetidamente morremos

 

O mundo desencadeia-se em plena noite

organiza a vida errante

escolhe itinerários, fixa as paragensele

transforma a língua daquele que o mastiga

em corpo estranho

em fabrico inédito da sua matéria anónima

e assim nos dá a contemplar

a imagem irreconhecível

 

POEMA DE JOSÉ  TOLENTINO DE MENDONÇA in "Introdução à Pintura Rupestre"

 

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publicado às 16:23


#3192 - PRÉMIO GONCOURT 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.11.21

Mohamed Mbougar Sarr, escritor senegalês, foi o vencedor do Prémio Goncourt de 2021 com o romance "La Plus Secrèt Mémoire des Hommes".

É o primeiro autor da África subsaariana a receber o mais importante galardão literário francês.

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publicado às 06:56


#3191 - DAMON GALGUT VENCE O PRÉMIO BOOKER PRIZE 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.11.21

 

Damon Galgut, escritor sul-africano, venceu com o livro "The Promise" o Prémio Booker Prize

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publicado às 23:24


#3190 - PRÉMIO LITERÁRIO FERNANDO NAMORA 2021

por Carlos Pereira \foleirices, em 02.11.21

 

 

João Tordo venceu o Prémio Literário Fernando Namora 2021 com o livro "Felicidade".

Este prémio é atribuído pela Estoril Sol há 24 anos.

 

 

SINOPSE

Lisboa, 1973
Nas vésperas da revolução, um rapaz de dezassete anos, filho de um pai conservador e de uma mãe liberal, cai de amores por Felicidade, colega de escola e uma de três gémeas idênticas.
As irmãs Kopejka são a grande atracção do liceu: bonitas, seguras, determinadas, são fonte de desejos e fantasias inalcançáveis.

Respira-se mudança - a Europa a libertar-se das suas ditaduras e Portugal a despedir-se da velha ordem - e vive-se a promessa da liberdade, com todos os seus riscos e encantos. É neste tempo e neste mundo, indeciso entre tradição e modernidade, que o nosso narrador cai num abismo pessoal.

A primeira noite de amor com Felicidade acaba de forma trágica, e o jovem vê-se enredado na malha inescapável das trigémeas Kopejka, três Fúrias que não tem poderes para controlar. À semelhança de uma tragédia grega, o herói encontra-se subjugado por forças indomáveis, preso entre dois mundos.

Felicidade é uma história de amor e assombração nas décadas que transformaram Portugal. Um romance enfeitiçante, repleto de ironia e humor, de remorso e melancolia, em que João Tordo aborda os temas do amor e da morte, e das pulsões humanas que os unem.

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publicado às 06:57

VER PROGRAMAÇÃO AQUI

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publicado às 19:30


#3188 - TIRINHAS DE PAPEL

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.10.21

 

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publicado às 07:17


#3187 - QUESTÕES DE SEMÂNTICA

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.10.21

O Orçamento para o ano 2022 não foi aprovado. Os elos que suportavam o governo não aguentaram a pressão de perdas eleitorais sucessivas e partiram...

 

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publicado às 06:58


#3186 - PEREGRINO E HÓSPEDE SOBRE A TERRA

POEMA DE RUY BELO

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.10.21

PEREGRINO E HÓSPEDE SOBRE A TERRA

 

Meu único país é sempre onde estou bem

é onde pago o bem com sofrimento

é onde num momento tudo tenho

O meu país agora são os mesmos campos verdes

que no outono vi tristes e desolados

e onde nem me pedem passaporte

pois neles nasci e morro a cada instante

que a paz não é palavra para mim

O malmequer a erva e o pessegueiro em flor

asseguram o mínimo de dor indispensávl

a quem na felicidade que tivesse

veria uma reforma e um insulto

A vida recomeça e o sol brilha

a tudo isto chamam primavera

mas nada disto cabe numa só palavra

abstracta quando tudo é tão concreto e vário

O meu país são todos os amigos

que conquisto e que perco a cada instante

Os meus amigos são os mais recentes

os dos demais países os que mal conheço e

tenho de abandonar porque me vou embora

pois eu nunca estou bem aonde estou

nem mesmo estou sequer aonde estou

Eu não sou muito grande nasci numa aldeia

mas o país que tinha já de si pequeno

fizeram-no pequeno para mim

os donos das pessoas e das terras

os vendilhões das almas no templo do mundo

Sou donde estou e só sou  português

por ter em portugal olhado a luz pela primeira vez

 

POEMA DE RUY BELO in «Transporte no Tempo»

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publicado às 06:09


#3185 - FALA DE UM HOMEM AFOGADO AO LARGO DA SENHORA DA GUIA NO DIA 31 DE AGOSTO DE 1971

POEMA DE RUY BELO

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.10.21

FALA DE UM HOMEM AFOGADO AO LARGO

DA SENHORA DA GUIA NO DIA 31 DE AGOSTO DE 1971

 

A mim morto no mar entre algas e corais

que notícias me dais aí da superfície

dessa única terra onde vivi

e foi minha ambição morrer pra nunca mais?

Ainda cheira a esteva por aí?

Que mundo de repente recupera

quem ao abrir um dado dicionário sente o cheiro

do jornal infantil folheado em criança

no pavimento térreo dessa adega

onde o verão intenso nem entrava

mas intensificava mesmo a humidade?

Ainda porventura a alguém

se lhe molham os olhos ao lembrar

quem à vontade meninice fora assim corria

como quem aí tem aquela única casa

afinal sua toda a sua longa vida?

Ao menos uma folha se moveu quando morri

à vista desse cerro aonde o vento dependura cantos

nas mais instáveis copas dos pinheiros

onde a névoa se adensa e cobre aquele castelo

ali erguido para humanizar o mar

e até perpetuar esse quebrar das ondas

contra esses rochedos um recurso secular

que a terra utilizou para se opor à sedução da água

instável envolvente e incapaz de conseguir a paz

como o chão que na pedra tem a máxima fixação?

Alguém notou acaso a minha falta

para além dum visível ponto de referência

um aceno do sono ou som do sino

gesto de mão sorriso silhueta?

Sentiram-se levados a exaltar-me

os que na destruição me vislumbravam

uma certa razão das suas vidas?

Alguém me aquecerá o coração ao fogo

quando o frio do fundo e das correntes

fender as minhas vísceras dispersas

por estes cinco mares onde espalho

a morte merecida pela minha condição de peixe?

Se alguém descer até estas profundidades

porventura será capaz de decifrar

o mistério reflectido nestes olhos

eternamente abertos sobre o meu amado mundo?

Alguém foi como eu profundamente vil

e muito mais o foi por conhecer que o era?

Onde dormem agora os que eu amei?

Como lhes foi possível perecer

se eu por os amar os tinha por eternos?

Seriam só eternos para mim?

Que paz lhes pesa agora sobre o peito?

O sol ainda nasce? Ouve subitamente alguma música

quem tão perdido estava que de súbito começa

e olha para tudo com os olhos limpos

de quem as coisas vê pela primeira vez?

Quem lá na minha aldeia sacrifica hoje

o porco semanal em troca dum grunhido

desfeito contra os montes circundantes?

Morto o miguel ainda fica a faca?

Ainda pelas ruas ao domingo

se tem de procurar não pôr os pés nos bêbados prostrados

convencidos talvez de vir a ter em tão precária posição

mera antecipação da humana condição definitiva

alguma solução para a sua indigna sujeição?

Ainda vem à quarta de almoster o ferrador

ferrar machos cavalos na barraca de madeira

erguida ali à beira do caminho

que me levava a casa e devolvia à vida?

Porventura o barbeiro ainda se chama marcelino?

Compram cada semana os seus trabalhadores

reunidos na praça após matar o bicho

os senhores dos pauis e vinhas e courelas?

Festeja-se na adega o termo da colheita

dessa azeitona vorazmente varejada da oliveira

sobre o espesso pano de serapilheira?

Alguém caiu de cima de uma árvore

por causa da geada de janeiro

e até da aguardente ingerida em jejum

em todos estes anos desde a morte do bizarro?

A cheia traz o s+avel pela primavera?

Há bailes na ribeira a dois quilómetros

passado o pinheiro manso pelo carnaval?

Como se chama agora a dona da farmácia? 

Há fogueiras em junho onde debaixo de aparente devoção

se exalta a vida e normaliza a natureza?

Os noivos vão casar-se de carroça

e abrem de abalada as mãos cheias de confeitos sobre as testas dos miúdos

que se juntam à espera para os ver passar

e não sabem ainda como é triste a alegria?

A quem pertencem hoje as lavegadas

onde as mulheres mondavam as searas

e as folhas arrancavam às videiras

que vedavam às uvas o acesso ao sol?

Nestas núpcias eternas com a água

sobre sinos e ventos sibilantes

não se ouvirá soar a monocórdica

e harmónica música daquelas campainhas

das máquinas registadoras dessa lojas

desse porto e da vila onde dormi

os últimos dez anos de visitas começadas

num verão lembro-me bem num dia três de agosto

dentro da composição número mil e oito da cp

(alguém de letra irregular o deixou escrito num romance

comprado na estação do entrocamento

e por mim esquecido ao chegar a são bento)?

Existirá ainda o escuro casarão até talvez capaz de atenuar

a música do sino que ritmava a vida

nessa vila pequena aonde o homem

mais de frente enfrentava o frio olhar da morte?

Que é feito da pensão perto dos estaleiros

onde eu bebia com os pescadores e carpinteiros

e que deixei de vez para ir ao encontro

da musa mais discreta e silenciosa dos meus versos?

E eu que nos lençóis via a neve polar

que às vezes ao cheirá-los me sentia transportado

subitamente a sítios e a dias do passado

que só os soube na verdade apreciar

levado pela mão de camilo pessanha e dylan thomas

eu que em lençóis de linho ambicionava repousar

são de água os meus lençóis e à volta é o mar

Se me via cingido de cidade

se nem já mesmo o sol deixava entrar em casa

sem antes ele limpar os dois sapatos ao entrar

devo afinal a gestos artificiais

o meu regresso às coisas naturais

Não pense quem vier que estou sozinho

entre inúmeros peixes das profundidades

e os corpos de incontáveis pescadores

como o jovem lourenço são miguel

que aqui se despediu dessa vida de aí

a cinco salvo erro de janeiro de sessenta e cinco

Não reparam que olho com os olhos cheios de água

quem só mais do que eu pertence ao mar

por aqui habitar só aparentemente antes?

Moradores da terra fogo ou ar

sabei que o solo sólido da terra foi apenas para mim

insegurança oscilação vertigem

e que em verdade agora mais do que acabar

o que fiz foi voltar à minha origem

 

POEMA DE RUY BELO IN "TODA  A  TERRA" E RETIRADO DA COLECTÂNEA "TODOS OS POEMAS", EDIÇÃO ASSÍRIO & ALVIM REIMPRESSO EM JANEIRO DE 2020

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publicado às 19:16


#3184 - O ÚLTIMO DESFILAR, ANTES QUE O INVERNO CHEGUE!

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.10.21

 

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publicado às 19:08


#3183 - Hans Zimmer ft Lisa Gerrard & Moya Brennan - Sorrow

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.10.21

 

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publicado às 18:02


#3182 - SLOWDIVE - CATCH THE BREEZE (Official Video)

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.10.21

 

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publicado às 17:36


#3181 - TRABALHOS 105

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.10.21

 

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publicado às 22:28


#3180 - TRABALHOS 102

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.09.21

 

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publicado às 09:05


#3179 - TRABALHOS 103

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.09.21

 

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publicado às 09:01


#3178 - QUESTÕES DE SEMÂNTICA

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.09.21

Se eu fosse borboleta, assumia como minha casa o teu coração.

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publicado às 19:58


#3177 - UMA VEZ QUE JÁ TUDO SE PERDEU ||| POEMA DE RUY BELO

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.09.21

UMA VEZ QUE JÁ TUDO SE PERDEU

 

Que o medo não te tolha a tua mão

Nenhuma ocasião vale o temor

Ergue a cabeça dignamente irmão

falo-te em nome seja de quem for

 

No princípio de tudo o coração

como o fogo alastrava em redor

Uma nuvem qualquer toldou então

céus de canção promessa e amor

 

Mas tudo é apenas o que é

levanta-te do chão põe-te de pé

lembro-te apenas o que te esqueceu

 

Não temas porque tudo recomeça

Nada se perde por mais que aconteça

uma vez que já tudo se perdeu

 

Poema de Ruy Belo in "Homem de Palavra[s]", pág. 312 da colectânea "Todos os Poemas", edição Assírio & Alvim de Abril de 2014 (4.ª Edição)

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publicado às 10:17


#3176- Hans Zimmer ft Lisa Gerrard & Moya Brennan - Sorrow

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.08.21

 

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publicado às 05:50


#3175 - James Blake - When We’re Older (Lyrics)

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.08.21

 

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publicado às 05:40


#3174 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.08.21

SINOPSE

Entrada essencial no vasto universo de Theroux e na sua constante procura pelo autêntico dos lugares, das pessoas e dos livros.
Nesta sequência de grandes lugares, pessoas e prosas, os ensaios de viagem levam-nos ao Equador, ao Zimbabwe, ao Havai e muito além; as pérolas de crítica literária revelam fascinantes profundezas (e facetas pouco conhecidas) nas obras de Henry David Thoreau, Graham Greene, Joseph Conrad e Georges Simenon, entre outros; e a série de impressionantes perfis pessoais levam-nos numa viagem aérea com Elizabeth Taylor, a envolver-nos com a neurologia de rua de Oliver Sacks e a explorar Nova Iorque com Robin Williams.

A este variadíssimo leque de temas, experiências, gostos, encontros, autores, celebridades, artistas e geografias não podiam faltar as reflexões mais íntimas e as histórias e recordações mais pessoais e familiares - em textos como «O verdadeiro eu: uma recordação», «A vida e a revista Life» ou «Paizinho querido: recordações do meu pai».

Figuras numa Paisagem é uma entrada essencial no vasto universo de Theroux, cuja argamassa é uma ampla meditação e a procura constante do autêntico nas pessoas, nos lugares e nos livros.
 
 
______________________________________________________________________________________________________________
 

BIOGRAFIA

Paul Theroux nasceu em Medford, no Massachusetts, em 1941. O pai era franco-canadiano e a mãe italiana, e Paul era um dos sete irmãos. Frequentou as Universidades do Maine e, posteriormente, do Massachusetts. O curso de Escrita Criativa que realizou com o poeta Joseph Langland fê-lo descobrir que escrever era o que queria fazer na vida. Viveu em Itália, onde foi leitor; no Malawi, onde também ensinou e esteve envolvido no golpe de Estado que tentou depor o então presidente-ditador; em Singapura e no Uganda, onde deu aulas de Inglês e não só conheceu a sua futura mulher como também encontrou, pela primeira vez, V.S. Naipaul (que viria a ser seu grande amigo e mentor). Paul Theroux vive atualmente entre Cape Cod e o Havai.
A par das colaborações regulares que manteve ao longo dos anos com as revistas PlayboyEsquire e Atlantic Monthly, escreveu dezenas de romances (alguns adaptados ao cinema), ensaios e alguns dos melhores livros de viagens de sempre, como O Velho Expresso da PatagóniaComboio Fantasma para o Oriente e O Grande Bazar Ferroviário, todos publicados pela Quetzal.
 
FONTE: QUETZAL

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publicado às 18:24


#3173 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.06.21

 

CNC-Irene-Vallejo-_-O-Infinito-num-Junco-.jpg

A Invenção do livro na antiguidade e o nascer da sede dos livros.
Este é um livro sobre a história dos livros. Uma narrativa desse artefacto fascinante que inventámos para que as palavras pudessem viajar no tempo e no espaço. É o relato do seu nascimento, da sua evolução e das suas muitas formas ao longo de mais de 30 séculos: livros de fumo, de pedra, de argila, de papiro, de seda, de pele, de árvore, de plástico e, agora, de plástico e luz.

É também um livro de viagens, com escalas nos campos de batalha de Alexandre, o Grande, na Villa dos Papiros horas antes da erupção do Vesúvio, nos palácios de Cleópatra, na cena do homicídio de Hipátia, nas primeiras livrarias conhecidas, nas celas dos escribas, nas fogueiras onde arderam os livros proibidos, nos gulag, na biblioteca de Sarajevo e num labirinto subterrâneo em Oxford no ano 2000.

Este livro é também uma história íntima entrelaçada com evocações literárias, experiências pessoais e histórias antigas que nunca perdem a relevância: Heródoto e os factos alternativos, Aristófanes e os processos judiciais contra humoristas, Tito Lívio e o fenómeno dos fãs, Sulpícia e a voz literária de mulheres.

Mas acima de tudo, é uma entusiasmante aventura coletiva, protagonizada por milhares de personagens que, ao longo do tempo, tornaram o livro possível e o ajudaram a transformar-se e evoluir - contadores de histórias, escribas, ilustradores e iluminadores, tradutores, alfarrabistas, professores, sábios, espiões, freiras e monjes, rebeldes, escravos e aventureiros.

É com fluência, curiosidade e um permanente sentido de assombro que Irene Vallejo relata as peripécias deste objeto inverosímil que mantém vivas as nossas ideias, descobertas e sonhos. E, ao fazê-lo, conta também a nossa história de leitores ávidos, de todo o mundo, que mantemos o livro vivo.

Um dos melhores livros do ano segundo os jornais El Mundo, La Vanguardia e The New York Times (Espanha).

CRÍTICAS
 
«Uma obra-prima.»
Mario Vargas Llosa

«Uma homenagem ao livro, de uma leitora apaixonada.»
Alberto Manguel

«É uma felicidade ler a prosa de Irene Vallejo, ela é uma criadora brilhante e sensível.»
Luis Landero

«Uma exploração admirável sobre as origens da maior ferramenta da liberdade alguma vez dado ao ser humano: o livro.»
Rafael Argullol

«Um livro muito original: sobre a história dos livros, o alfabeto, as bibliotecas… narrado com erudição e envolvência, sentido de humor e elegância, faz paralelos com o presente.»
Laura Freixas

«Amigos leitores: corram a ler O Infinito num Junco.»
Maruja Torres

 

CRÍTICAS DE IMPRENSA
 
«Os livros que nos desbravam, que nos domesticam, que nos impõem o seu ritmo de leitura, que nos dão cabo dos nervos, não se encontram facilmente entre as novidades nas livrarias e contudo são tão necessários. A mais recente destas descobertas que fiz intitula-se O infinito num Junco e é de Irene Vallejo.»
Juan José Millás, El País

«Vallejo decidiu, sabiamente, libertar-se do estilo académico e optou pela voz do contista, a História entendida não como lista de documentos citados mas como fábula. Para o leitor comum e ávido (de que Virginia Woolf falava) este ensaio encantador torna-se mais comovente e mais cativante por se assumir como uma homenagem ao livro, por parte de uma leitora apaixonada.»
Alberto Manguel, Babelia, El País

«Irene Vallejo criou um livro genial, universal e único.»
Jordi Carrión, The New York Times (ES)

«É possível ser-se um filólogo de exceção e escrever como os anjos. Irene Vallejo enlaça-nos nas suas palavras e transforma o diálogo com o leitor num verdadeiro festival literário.»
Luis Alberto de Cuenca, ABC
 
 

BIOGRAFIA

Irene Vallejo (Saragoça, 1979) é apaixonada pela mitologia Grega e Romana desde tenra idade. Estudou Filologia Clássica, doutorando-se nas universidades de Saragoça e Florença. É escritora, colunista do El País e do Heraldo de Aragón, palestrante e promotora de educação e do conhecimento sobre o mundo clássico. Partilha com os outros, diariamente, a sua paixão pela Antiguidade, pelos livros e pela leitura.

 

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publicado às 18:51


#3172 - TRABALHOS 97

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.06.21

 

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publicado às 06:21

Ana Luísa Amaral, poetisa, venceu o Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda 2021, pela obra "Ágora" editada pela Assírio & Alvim. Este prémio é promovido pelo Município de Amares.

 

Duas semanas antes, Ana Luísa Amaral tinha sido  galardoada com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana atribuído pela Universidade de Salamanca e o Património Nacional de Espanha.

BIOGRAFIA

Ana Luísa Amaral ensinou na Faculdade de Letras do Porto e tem um doutoramento sobre Emily Dickinson. É autora de mais de duas dezenas de livros de poesia e livros infantis, e traduziu diversos autores para a nossa língua, como John Updike ou Emily Dickinson. A sua obra encontra-se traduzida e publicada em vários países, tendo obtido diversos prémios, de que destacamos o Prémio Literário Correntes d'Escritas, o Premio Letterario Poesia Giuseppe Acerbi ou o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores. Em outubro de 2020, foi galardoada com o prémio literário espanhol Leteo. Em novembro do mesmo ano foi-lhe atribuído o Prémio Literário Vergílio Ferreira pela totalidade da sua obra. Em maio de 2021, foi galardoada com o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, atribuído pelo Património Nacional Espanhol e pela Universidade de Salamanca, pelo seu contributo para o património cultural do espaço ibero-americano. Escuro (2014), E Todavia (2018), What’s in a Name (2018) e Ágora (2020) são os seus títulos publicados pela Assírio & Alvim.
 
FONTE DA BIOGRAFIA: Editora Assírio & Alvim

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publicado às 19:53

David Diop

David Diop, escritor francês e professor de literatura do século XVIII, vencedor do Prémio Literário «THE INTERNATIONAL BOOKER PRIZE 2021» com o livro "At Night all Blood is Black", vai ter uma edição em português pela editora Relógio D'Água até final deste mês de Junho.

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publicado às 08:56


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