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#2551 - Para onde caminhamos?

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.08.17

A terra treme sob o peso de botas militares que avançam em passo firme, agressivo, intimidador.

O Poder do medo imposto por cínicos grotescos,  avança firme e resoluto na Europa, América, Ásia, África. Qualquer pretexto serve - ou fabrica-se um qualquer para o impôr. Usa-se, sem vergonha, a mentira tantas vezes repetida e amplificada por rádios, jornais, televisões e outros canais ao serviço do regime. Estamos a ficar encurralados - muitas vezes por culpa própria ao avalizarmos as políticas e comportamentos com o nosso voto, a nossa cumplicidade, o nosso silêncio.

Vivemos momentos nada recomendáveis.  E o mundo, que por causa das suas idiossincrasias é naturalmente perigoso, está a tornar-se paulatinamente num espaço onde os garnisés desta vida estão dispostos a tudo para obterem  o título máximo de galo. A disputa é violenta, vai ser ainda mais violenta.

Esta é a minha convicção. A convicção de um optimista pessimista.

 

Agora a ficção:

Na cumplicidade da noite vingamos as nossas fraquezas e cobardias e usamos as latrinas para pendurar os retratos dos tiranos, usamos os jornais com as sua fotografias para limpar a merda com a qual os afogamos. É a nossa secreta e pegajosa vingança, às escuras para não sermos apanhados, até ao dia em que temos de mostrar que ainda temos "tomates" para lhes enfiar pela goela abaixo as pragas que contra eles proferimos nas deseperadas noites de insónia e vigília, ou então seremos eliminados.

 

 

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publicado às 21:43

A próxima estação é a estação das eleições autárquicas. O ambiente já começa a ficar poluído com o ruído   das mensagens dos candidatos anunciando vulgaridades e disparates.

 

vote em mim e as suas rugas desaparecerão...

tem problenas de celulite? então  eu sou o candidato perfeito

E prisão de ventre?

E problemas de impotência? Comigo vai ser feliz sexualmente

Caspa? 

Olheiras?

Pêlos nos ouvidos e no nariz?

Tem dificuldade de relacionamento?

Mau hálito?

A sua sanita está entupida?

Há quanto tempo não come um robalo?

 

Vou propor que os meus gatos sejam  candidatos, pelo menos são sedutores e não miam promessas, vulgaridades e disparates.

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publicado às 12:42


#2462 - OUTONO, A ESTAÇÃO DAS ELEIÇÕES

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.06.17

Todos os anos há violentos incêndios, há violentas inundações.

 

Chegou o momento do ajuste de contas, de medir forças, de contar espingardas; é tempo de eleições. E as desgraças  muito recentes vão servir, infelizmente, esse propósito.

 

Os partidos da oposição vão esquecer que já foram poder e olvidaram os conselhos sábios e avisos prudentes de pessoas eminentes nas áreas da floresta e ordenamento territorial, e vão exigir com algazarra que as cabeças comecem a rolar.

 

O partido no poder vai defender-se acusando, quem os acusa, de nada terem feito, e de aproveitamento da desgraça para obterem proveito.

 

Inquéritos vão ser abertos - pura perda de tempo - ninguém  vai ser culpado e condenado: é o costume. A culpa é sempre da responsabilidade não se sabe muito bem de quem, ou, então, se se descobre um culpado o processo é arquivado por falhas processuais.

 

É tempo de eleições, a seguir ao Verão. Vai ser o tempo das promessas mil vezes prometidas, vai ser o tempo da caça ao eleitor. Todos os anos a floresta arde. Todos os anos há inundações. E há, e haverá sempre vítimas para vergonha nossa.

 

E as velhas políticas com ou sem novos protagonistas irão continuar de incêndio em incêndio, de juramento em juramento, de acusação em acusação até acontecer uma desgraça maior.

 

 

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publicado às 14:18


#2397 - QUESTÕES DE SEMÂNTICA

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.05.17

É patético, ridículo e às vezes dramático, ouvir o discurso, o argumento, o pensamento - ou a falta dele - e até a respiração irritante dos membros do partido político que foi poder e agora está na oposição e vice-versa. Tem dias que ouvi-los é como receber coice de cavalo no sítio mais abaixo da barriga.

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publicado às 17:50

Investigação revela como são escondidas fortunas através de offshores, bancos e empresas fictícias. Putin é dos nomes citados

Uma gigante fuga de informação - 11,5 milhões de ficheiros - revela como chefes de Estado, políticos, criminosos, celebridades, multimilionários e estrelas do desporto usam paraísos fiscais (offshores) para "lavar dinheiro", esconder património e fugir aos impostos.

 

In "Diário de Notícias"

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publicado às 21:55


# 1939 - O Governo explicado

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.15

 

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publicado às 17:01


#1887

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.10.13
"Não há pior analfabeto que o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e, de peito feito, diz que detesta a política. Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política é que nasce a prostituta, a criança abandonada e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, desonesto, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

 

Bertolt Brecht (1898-1956)

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publicado às 20:44

(Um retrato bem actual do nosso país)
A fábula Mouseland (em português: "Ratolândia") foi inicialmente contada por Clarence Gillis e mais tarde popularizada em discurso por Tommy Douglas, político canadiano. A fábula expressava a visão de que o sistema político canadiano estava viciado, pois oferecia aos eleitores um falso dilema: a escolha de dois partidos, dos quais nenhum representava os interesses do povo.
Na fábula, os ratos (o povo canadiano) votavam nos gatos negros (Partido Progressivo Conservador) e depois de algum tempo descobriam o quão difícil suas vidas eram. Depois votavam nos gatos brancos (Partido Liberal) e assim ficavam alternando entre os dois partidos.
Um dos ratos tem então a ideia de que os ratos deveriam formar seu próprio governo..

 

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publicado às 20:20


#1826 - Leitura de outros blogs

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.01.13

Somos todos iguais, disse o banqueiro


 

 

Há algo de delirante em muito do que acontece hoje, naquilo que nos é apresentado como notícia, e nos actores dessas notícias, como se vivêssemos num estado perpetuamente febril e nesse estado ajuizássemos a normalidade do mundo.

Só num cenário de delírio, e de delírio colectivo, se poderia apresentar o responsável por uma empresa que acaba de auferir pouco mais de 249 milhões de euros de lucro (no mesmo ano em que apresentou um pedido de ajuda ao Estado de 1.5 mil milhões de euros) e afirmar o que afirmou:

Se os gregos aguentam uma queda do PIB de 25% os portugueses não aguentariam porquê? Somos todos iguais, ou não? Se você andar aí na rua e infelizmente encontramos pessoas que são sem-abrigo, isso não lhe pode acontecer a si ou a mim porquê? Isso também nos pode acontecer. E se aquelas pessoas que nós vemos ali na rua, nessa situação e a sofrer tanto aguentam porque é que nós não aguentamos”

Já sabem que quem proferiu estas declarações foi Fernando Ulrich, presidente do BPI e criador do mantra “ai aguenta, aguenta” que a elite nacional vem repetindo com fervor crescente. Esta evocação dos gregos e dos sem-abrigo como exemplo, supõe-se que de estoicismo e resiliência, é insultuosa e este ainda é o adjectivo mais manso que me ocorre.

Ulrich está muito, mas mesmo muito longe de sentir empatia seja pelos gregos seja pelas pessoas sem-abrigo e quem tiver dúvidas disto pode ir ver as imagens das declarações, que não é preciso ser especialista em comunicação não-verbal para percebê-lo. Citá-los porque lhe dá jeito não é reconhecê-los como gente, é só mais uma forma de reduzi-los a parte da casuística do desastre económico, danos colaterais sem maior transcendência.

Enfiar-se a si mesmo nos seus argumentos como alguém a quem, em teoria, a crise poderia afectar, é um recurso manco. Porque não podem estar no mesmo plano a possibilidade remota de Ulrich vir a ser um sem-abrigo e os factos concretizados da Grécia ter sofrido uma redução de 25% do PIB e de que quase um milhão de portugueses esteja desempregado.

Não é igualmente delirante que possamos ouvir da boca de um banqueiro a frase, que infelizmente não lhe vai servir de mantra, “somos todos iguais, ou não?”, quando o que mais tem mercado a situação económica e social actual é o aprofundamento das desigualdades, e sendo a banca de longe o sector mais privilegiado?

É ou não delirante, para não dizer filho da puta, que se apele ao estoicismo e ao sacrifício, citando como exemplo quem dorme nas ruas, quando se apresentam resultados de 249 milhões de euros de lucro?

E que se remate tudo com a cínica pergunta: “Somos todos iguais ou não?”


Post retirado do blog "AVENTAR"

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publicado às 20:21


#1735 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.09.12

 

Siza Vieira: em Portugal, há a sensação de se viver “de novo em ditadura”

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publicado às 18:52


#1622 - As diferenças que explicam muita coisa

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.02.12

Presidente alemão apresenta a demissão

O Presidente alemão, Christian Wulff, acaba de apresentar a demissão do cargo, por causa do seu envolvimento num alegado caso de corrupção. Será substituído interinamente pelo presidente do Bundesrat, Horst Seehofer (CSU). A chanceler Angela Merkel cancelou em cima da hora uma viagem a Itália, e também convocou os media para uma conferência.

 

E em Portugal???

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publicado às 12:20


#1591 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.01.12

 

Parte V (continuação)

 

Tudo quanto foi atrás dito dificilmente explica as perniciosas implicações do neoliberalismo para com uma cultura política centrada no civismo. Por um lado, a desiguldade social gerada pelas políticas neoliberais prejudica qualquer esforço para dar forma à igualdade prevista na lei e necessária para conferir credibilidade à democracia. Os grandes conglomerados dispõem de recursos  para influenciar os meios de comunicação e esmagar o processo político, e fazem-no com eficácia. Para dar um só exemplo, na política eleitoral dos EUA, o mais rico um quarto de um por cento dos americanos contribui com oitenta por cento do total de contribuições políticas individuais  e, para o mesmo fim, as corporações ultrapassam em 10 para 1 os valores destinados a custos com pessoal. Visto sob o prisma do neoliberalismo tudo isto faz sentido, tendo em conta que as eleições então reflectem princípios de mercado, logo as contribuições são entendidas como investimento. Daí resulta o reforço da irrelevância da política eleitoral para a maioria do povo e a garantia da manutenção inquestionável das regras ditadas pelas corporações.

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.

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publicado às 00:22


#1588 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.01.12

 

Parte IV (continuação)

 

 

Portanto, o sitema neoliberal  gera um importante e necessário subproduto - uma cidadania despolitizada marcada pela apatia e pelo cinismo. Se a democracia eleitoral afecta em tão pouco a vida social, torna-se irracional prestar-lhe grande atenção; nos Estados Unidos, berço da democracia neoliberal, em 1998, a abstenção nas eleições para o Congresso constituiu um recorde, somente com um terço dos cidadãos eleitores a exercerem o direito de voto. Apesar da preocupação demonstrada ocasionalmente pelos partidos tradicionais, como o Partido Democrático dos EUA, no sentido de tentar atrair so votos dos mais desfavorecidos, a forte percentagem de abstenção tende a ser vista como  aceitável e é encorajada pelos poderes existentes como algo de salutar, visto que, sem surpresa, os não votantes situam-se maioritariamente entre os pobres e a classe trabalhadora. As políticas que poderiam conduzir a um rápido incremento do interesse dos votantes e a taxas de participação mais elevadas são bloqueadas antes mesmo da sua discussão pública.  Por exemplo, nos Estados Unidos, os dois partidos mais importantes, que são dominados pelo mundo dos negócios, com o apoio da comunidade das corporações, recusaram alterar as leis que virtualmente impedem o aparecimento de novos partidos políticos (os quais poderiam fazer apelo a interesses alheios aos negócios) e que eles  exerçam plenamente os seus direitos. Se bem que exista insatisfação pelo comportamento dos Democratas e dos Republicanos que é anotada e frequentemente referida, a política eleitoral é uma área onde noções de competividade e livre escolha têm pouco sentido. Sob certos aspectos, o teor dos debates  e as propostas em elições neoliberais estão mais próximos dos levados a efeito nos Estados comunistas de partido único do que aquelas que têm lugar nas sociedades genuinamente democráticas.

 

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.

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publicado às 20:00


#1587 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.01.12

 

Parte III (continuação)

 

 

É precisamente a opressão exercida sobre as forças situadas fora do mercado que nos permite observar o modo de actuar do neoliberalismo não só como sistema económico, mas também como sistema político e cultural. Podem aqui verificar-se as suas diferenças para com o fascismo, com o seu desprezo pela democracia formal e com os seus movimentos sociais altamente mobilizados pelo racismo e pelo nacionalismo, que são notáveis. O neoliberalismo actua melhor quando existe uma democracia eleitoral formal, mas desde que a população seja desviada das fontes de informação e dos debates públicos que habilitam à formação participativa de uma tomada de decisão. Como foi salientado  pelo guru do neoliberalismo, Milton Friedman, na sua obra Capitalism and Freedom, e dado que a obtenção de lucro é a essência da democracia, qualquer governo que conduza políticas contra o mercado está a comportar-se de forma antidemocrática, sendo irrelevante o apoio que goze por parte de uma população esclarecida. Logo é mais conveniente restringir a acção dos governos à tarefa de proteger a propriedade privada e fazer cumprir os contratos, e limitar o debate político a questões menores. (As questões importantes como sejam a produção e distribuição de recursos e a organização social devem ser determinados pelas forças do mercado.)

 

Munidos com esta perversa visão da democracia, os neoliberais, como Friedman, não levantaram quaisquer objecções ao golpe de Estado que em 1973 depôs o governo democraticamente eleito de Allende, visto que o presidente estava a interferir com o controlo dos negócios da sociedade chilena. Quinze anos após uma ditadura que com frequência foi brutal e selvagem - tudo em nome do democrático e livre mercado - a democracia formal foi restabelecida em 1989, com a promulgação de uma constituição que torma substancialmente mais difícil, senão impossível, aos cidadãos desafiarem o domínio da sociedade chilena exercido pelo complexo militar dos negócios. A democracia neoliberal pode resumir-se: um debate banal sobre questões menores levado a cabo por partidos que basicamente prosseguem as mesmas políticas favoráveis ao capital, independentemente de diferenças formais ou da forma que revestem os debates eleitorais. A democracia é permissível desde que o controlo dos negócios esteja fora dos limites de escolha ou de mudança como demonstração da vontade popular, i.e., desde que não exista democracia.

 

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.

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publicado às 15:09


#1585 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.01.12

 

Parte II (continuação)

 

 

As consequências económicas destas políticas  tiveram praticamente os mesmos resultados idênticos onde quer que tenham sido aplicadas: um aumento maciço da desigualdade social e económica; um assinalável incremento da forte dependência das nações e dos povos mais pobres do mundo; um desastre ambiental global; uma economia global instável, e uma bonança sem precedentes para os ricos. Ao serem confrontados com estes factos, os defensores da nova ordem liberal argumentam que os restos do que é bom invariavelmente sobejam para a generalidade da população - desde que não se encontrem em oposição às políticas neoliberais que exacerbaram estes problemas!

 

No fundo, não é possível aos neoliberais, nem essa é a sua intenção, defenderem empiricamente  o mundo que pretendem construir. Muito pelo contrário, eles oferecem - melhor, exigem -  uma fé religiosa na infabilidade da desregulmentação do mercado, que reconduz às teorias do século XIX que muito pouco tem a ver com o mundo actual. No entanto, o último dos trunfos dos defensores do neoliberalismo é acentuar a falta de alternativas. Eles proclamam o falhanço das sociedades comunistas, da social-democracia e até dp Estado Social n a sua forma mitigada, tal como existe nos Estados Unidos, e a aceitação do neoliberalismo popr parte dos cidadãos como a única saída possível. Poderá ser considerado imperfeito, mas é o único sistema económico possível.

 

No início do século XX, alguns críticos apelidaram o fascismo de "capitalismo sem luvas", significando com isto que o fascismo era o capitalismo na sua forma pura sem a presença de estruturas ou direitos democráticos. De facto, todos nós reconhecemos que o fascismo é amplamente mais complexo. Por outro lado, o neoliberalismo é na verdade o "capitalismo sem luvas". Representa uma era onde a força do dinheiro é mais forte e mais agressiva, confrontando-se com oposição menos organizada que anteriormente. Neste circunstancialismo político, a força do capital procura sedimentar  o seu poder político em todas as frentes possíveis, e, como resultado, dificultar progressivamente que os negócios sejam postos em causa - e seguidamente tornar impossível - por negócios concorrentes situados fora do mercaso ou que não sejam lucrativos e acabar de uma vez por todas com as forças democráticas.

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.

 

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publicado às 16:35


#1584 - Neoliberalismo e ordem global - crítica do lucro

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.01.12

 

Parte I

 

O neoliberalismo é o paradigma político definidor da economia dos nossos tempos, tendo como referência políticas e procedimentos que permitem que uns poucos interesses privados controlem o mais possível a vida social, por forma a maximizar o seu lucro pessoal. Inicialmente associado a Reagan e Margareth Thatcher, o neoliberalismo foi, ao longo das duas últimas décadas, a orientação dominante adoptada pelos partidos políticos situados ao centro, por muita da esquerda tradicional bem como pela direita no que se refere a opções de política global. Estes partidos e as políticas por eles desenvolvidas são representantes dos interesses imediatos de investidores extremamente poderosos e de umas quantas corporações cujo número não ascende a cem.

 

À parte alguns académicos e membros da comunidade dos negócios, o termo neoliberalismo é mal conhecido e pouco usado pelo cidadão comum, especialmente os Estados Unidos. Ali, muito pelo contrário, as iniciativas neoliberais são caracterizadas como políticas de livre mercado, encorajadoras da livre empresa e da liberdade da escolha dos consumidores, premiando a responsabilidade pessoal e a iniciativa empresarial e destruindo o peso morto que constitui um governo incompetente, burocrático e parasita, o qual nada poderá fazer de bom, mesmo que seja esse o seu objectivo, coisae raramente acontece. Toda uma geração de técnicos de relações públicas financiada pelas corporações desenvolveu esforços e conseguiu  emprestar a estes termos e ideias uma aura sagrada. Daí resulta que as afirmações que produzem raramente necessitam de ser desmontradas, sendo antes invocadas como factor de racionbalização que cobre áreas que vão desde a redução dos impostos sobre a riqueza ou o abandono de determinadas regulamentações ambientais até ao desmantelamento de programas de educação pública ou de segurança social. Na verdade, qualquer actividade que possa interferir sobre o domínio da sociedade pelas corporações torna-se imediatamente suspeita, pois podem bulir com o funcionamento do livre mercado, considerado como o único distribuidor de bens e serviços racional, justo e democrático. No máximo da sua eloquência, os apóstolos do neoliberalismo, enquanto actores por conta de uns quantos endinheirados, surgem como defensores dos pobres e do ambiente e como estando a prestar um enorme serviço à comunidade.

 

 

Excerto de um texto escrito por Robert W. McChesney em Outubro de 1998 e que serve de introdução ao livro de Noam Chomsky "Neoliberalismo e Ordem Global-crítica do lucro, publicado em 1999 e editrado em Portugal por editorial notícias em 2000.

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publicado às 21:41


#1355 - Alerta europeus!

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.05.11

 

1. Festejou-se ontem o Dia da Europa, com a União a entrar numa decadência profunda, dificilmente disfarçável. Os grandes valores europeus - como a unidade e a solidariedade - estão, como dizemos, pelas ruas da amargura. Os egoísmos nacionalistas reaparecem em força - e perigosamente - e os populismos, demagógicos e sem princípios, contaminam países que se consideravam sensatos, como a Finlândia, a Eslováquia e o Reino Unido. Vamos, alegremente, a caminho de novos e perigosos conflitos que põem em causa a paz e em que uma faúlha se pode transformar em guerra aberta. Os povos europeus já se esqueceram do que foram os anos trágicos de 1939-45?

 

É certo que não temos hoje um Hitler nem sequer um Mussolini. Nem passámos ainda por uma guerra preparatória, como foi a tão cruel guerra civil espanhola! Mas, como se viu no passado, uma simples fogueira pode gerar um grande incêndio, sem quase nos apercebermos, como sucedeu no ano fatídico de 1939. Precisamos pois de evitar, sem perda de tempo, que um ou vários conflitos aparentemente menores, nos voltem a empurrar nesse caminho.

 

É caso para se alertarem os Povos da Europa. Não deixemos morrer um projecto de paz, de liberdade, de justiça social e de bem-estar para todos - único no mundo - como é a União Europeia. Atenção: não temos hoje líderes à altura, nos grandes países europeus, tenho-o escrito repetidamente. Merkel, Sarkozy, Berlusconi, Cameron, para só citar os maiores, são políticos de vistas curtas, sem alma nem valores, que não vêem sequer a médio prazo... Só os seus interesses politiqueiros imediatos os movem.

 

Pondere-se a notícia, logo desmentida, publicada na revista alemã Der Spiegel, a propósito da ameaça grega de sair da Zona Euro e talvez mesmo da União. Causou o pânico entre os Grandes Estados europeus que se reuniram em petit comité, sem nada transparecer, como de costume, para o eleitorado. Foi, aliás, desmentida, no dia seguinte, pelo primeiro-ministro grego, Papandreou. Mas o pânico espalhou-se, o que demonstra as fragilidades e os receios da União Europeia que hoje temos...

 

Outro exemplo: a recusa da França do Presidente Sarkozy de receber uma centena de imigrantes vindos da Tunísia, de passagem pela ilha italiana de Lampedusa. Berlusconi, furioso - e desta vez com razão - ameaçou sair da União. Sarkozy deslocou-se a Itália para apaziguar Berlusconi e, como não encontraram uma solução a contento de ambos, resolveram propor o fim do Tratado de Schengen, ou seja: voltarmos às fronteiras cerradas no espaço europeu. Imagine-se! Duas grandes conquistas da União Europeia - a moeda única e o desaparecimento voluntário das fronteiras - poderiam ser sacrificados, segundo os líderes europeus, apenas para satisfazer interesses menores, meramente circunstanciais. O que revela bem a fraqueza dos lÍderes que hoje governam a Europa e o seu desinteresse efectivo pelo projecto comunitário.

 

In "DN"

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publicado às 15:22


# - 1341 O apelo de Mário Soares, hoje no 'DN'

por Carlos Pereira \foleirices, em 22.03.11

 

No 'DN' de hoje, pode ler o "apelo angustiado" de Mário Soares

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publicado às 15:43


#1159 - Belmiro de Azevedo sem papas na língua

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.10



Belmiro de Azevedo, o patrão da Sonae, afirma, em entrevista que a revista “Visão” vai publicar amanhã, que o Presidente da República “é um ditador” e que o primeiro-ministro José Sócrates “liga e manda ligar muitas vezes”.


"Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim de mão directa", afirma Belmiro de Azevedo sobre a primeira figura do Estado.

Sobre o Governo, o empresário diz desconhecer " metade dos que estão lá" e que as promessas do executivo de Sócrates são “feitas sem o Teixeira dos Santos assinar por baixo". E felicita o facto do Governo de Sócrates ser minoritário: Neste momento, e quase direi por felicidade, não há um Governo de maioria".

Belmiro de Azevedo não poupa também a líder da oposição, Manuela Ferreira Leite: “Teve muitos anos de trabalho, mas no Estado. Nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários".

E comenta ainda o recente anúncio de Manuel Alegre sobre a intenção de se candidatar a Presidente da República: "O Alegre devia ter juízo (...) No final do mandato já terá 80 anos, não é muito sensato".


In Jornal Público

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publicado às 22:27


#829 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 25.06.09

"Não aumentarei os impostos"

Promessa de Manuela Ferreira Leite se ganhar as eleições


"Se Moniz sair da TVI será escandaloso"

Manuela Ferreira Leite em entrevista ao Diário de Notícias

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publicado às 12:04


Vasco Graça Moura e a política cultural do governo

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.06.09

O escritor Vasco Graça Moura defendeu hoje que o primeiro-ministro não faz “a mínima ideia” do que seja política cultural, depois de Sócrates ter apontado como um erro do Governo a ausência de um maior investimento na Cultura.

“Não me parece que ele tenha descoberto a pólvora vindo agora dizer isso: um Governo como o dele, que decapitou o Teatro de São Carlos mandando embora o Pinamonti, o Teatro Nacional D. Maria II mandando embora o António Lagarto e o Museu Nacional de Arte Antiga mandando embora Dalila Rodrigues mostra bem que o primeiro-ministro não só nunca prestou atenção nenhuma à Cultura, como não faz a mínima ideia do que seja política cultural”, disse hoje à Lusa Vasco Graça Moura.

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publicado às 21:47


As palavras e a política

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.01.09

Não nutro muita simpatia por políticos - há excepções, claro. Não gosto particularmente de Sócrates e dos seus acólitos, apesar de, em rarissimos casos e em raríssimos momentos, lhes reconhecer alguns méritos, algumas virtudes. Mas não gosto que usem o poder e o poder das palavras como malabaristas em espectáculos de circo.

 

Apetece-me, de imediato, descarregar a minha ira sobre o televisor, o rádio, ou o jornal, quando insultam a minha inteligência e apedrejam a minha cabeça com ladainhas com o único propósito de caçarem o meu voto.

 

E usam palavras  de circunstância; escritas e ditas em momentos de circunstância, muitas vezes sem convicção, sem acreditarem nelas - são palavras terroristas que sempre que são usadas matam o desejo de acreditarmos que os políticos que elegemos cumprem com seriedade, honestidade e honradez as tarefas que juraram aceitar e que defenderam nas campanhas eleitorais.


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publicado às 12:00


O que se diz sobre o 1.º Ministro, José Sócrates

por Carlos Pereira \foleirices, em 18.12.08

 

"José Sócrates não serve.

Transformou a política numa tagarelice."

Baptista-Bastos [in Diário de Notícias]

 

"Sócrates tem a mania, deixa-se dominar por uma arrogância pouco adulta, tem alguns ministros execráveis e é apoiado por uma cambada que inferniza a vida a gente séria e na qual as pessoas de valor procuram não dar nas vistas."

 

Joaquim Letria [in 24 Horas]

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publicado às 17:32


A Semana, a próxima semana e as seguintes

por Carlos Pereira \foleirices, em 01.06.08

Os combustíveis sobem ( o preço desceu para depois mais alto subir); o pão sobe, não no tamanho, mas no preço; o peixe ficou feliz por poder ainda navegar; a Manuela Ferreira Leite é a nova lider do seu partido e o Pacheco Pereira, no seu blog, ilustra o seu contentamento, com uma dedicatória "Para a Manuela" por baixo de uma natureza morta (bastante comovente e ilustrativo).

 

O governo está sob fogo cerrado, mas felizmente o futebol vai começar. Uf!! Que alívio.

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publicado às 19:36


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