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#2408 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.05.17

RODRIGO GUEDES DE CARVALHO

ANTES DO INÍCIO

 

 

Abriu o livro e procurou a primeira frase.

 

Sempre ouviu dizer que o arranque de um livro é muito importante, porque se percebe logo o que podemos esperar.

Ficou surpreendido quando viu que a primeira frase dizia:

 

«Abriu o livro e procurou a primeira frase.»

 

Além da surpresa, sentiu-se observado, apanhado na inesperada e impossível ideia de que alguém lhe lia o pensamento, na livraria quase deserta.

 

Rodou a cabeça, espreitou por cima do ombro. Perto dele, com o mesmo livro na mão, outro leitor espreitava também, e os seus olhares encontraram-se.

Perceberam de imediato que a ambos acontecera a mesma coisa.

 

Abriram ambos um livro e, julgando lê-lo, estavam a ser lidos. (...)

 

Início do novo romance de Rodrigo Guedes de Carvalho "O Pianista de Hotel", pág. 11 - Edição Publicações Dom Quixote - Maio 2017

 

 ___________________________________________________________________________________

Rodrigo Guedes de Carvalho nasceu em 1963, no Porto.

Recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival Internacional FIGRA, em França, com uma Grande Reportagem sobre urgências hospitalares (1997).

Estreou-se na ficção com o romance Daqui a nada (1992) vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU.
Seguiram-se-lhe A Casa Quieta (2005), Mulher em Branco (2006) e Canário (2007).

Elogiado pela crítica, foi considerado uma das vozes mais importantes da nova literatura portuguesa.

É ainda autor dos argumentos cinematográficos de Coisa Ruim (2006) e Entre os Dedos (2009), e da peça de teatro Os pés no arame (estreada em 2002, com nova encenação em 2016).

Regressa ao romance com O Pianista de Hotel (2017).

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publicado às 18:56


#2195 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.03.17

RADUAN NASSAR,MENINA A CAMINHO030.jpg

RADUAN NASSAR

 

HOJE DE MADRUGADA

 

"O que registro agora aconteceu hoje de madrugada quando a porta do meu quarto de trabalho se abriu mansamente, sem que eu notasse. Ergui um instante os olhos da mesa e encontrei os olhos perdidos da minha mulher. Descalça, entrava aqui feito ladrão. Adivinhei logo seu corpo obsceno debaixo da camisola, assim como a tensão escondida na moleza daqueles seus braços, enérgicos em outros tempos. Assim que entrou, ficou espremida ali no canto, me olhando. Ela não dizia nada, eu não dizia nada. Senti num momento que minha mulher mal sustentava a cabeça sob o peso de coisas tão misturadas, ela pensando inclusive que me atrapalhava nessa hora absurda em que raramente trabalho, eu que não trabalhava. Cheguei a pensar que dessa vez ela fosse desabar, mas continuei sem dizer nada, mesmo sabendo que qualquer palavra desprezível poderia quem sabe tranquilizá-la.  (...)"

 

Excerto do conto "Hoje de Madrugada" escrito por Raduan Nassar, que faz parte do livro de contos "Menina a Caminho", edição Companhia das Letras, Fevereiro de 2017

 

 

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publicado às 22:05


#2190 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.03.17

PAUL AUSTER

PAUL AUSTER, 4321031.jpg

 

 

 

 

 

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publicado às 19:29


#2139 - LIVROS E LEITURAS

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.01.17

ruy cinatti029.jpg

 

 

 

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publicado às 16:35


#2126 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.01.17

afonso cruz026.jpg

 

 "De todas as operações conhecidas da CIA, a agência de informação norte-americana, entre as ridículas e as tenebrosas, há uma que se destaca, pelo facto inusitado de a arma usada ter sido a música, mais concretamente o jazz. Trata-se de um programa criado em mil novecentos e sessenta e oito, depois do falhanço da Baía dos Porcos e da operação Northwoods. Esta última parece mais uma absurda teoria da conspiração do que um projecto factual: foi recusada por John F. Kennedy e tinha por objectivo organizar e levar a cabo, dentro das fronteiras americanas, diversos actos terroristas, entre sequestros, atentados bombistas, sabotagens, etc., atribuindo as culpas a Cuba e justificando assim uma possível invasão do país caribenho; estes documentos foram tornados públicos em mil novecentos e noventa e sete. A par disto, já no final dos anos sessenta, a CIA criou o programa Jazz Ambassadors, com o qual se prertendia, através da música, melhorar a percepção internacional dos Estados Unidos da América, à época especialmente negativa. Em plena Guerra Fria, organizaram-se diversos concertos do outro lado da Cortina de Ferro, com vários elementos do jazz, incluindo Satchmo (Louis Armstrong), Benny Goodman, Dizzy Gillespie e Duke Ellington, entre outros. Os músicos negros eram os eleitos para mostrar ao mundo que, afinal, os Americanos não eram racistas. Genuinamente, acreditavam poder, com este programa, vencer a Guerra Fria, ao evangelizarem uma juventude de Leste que ouvia música erudita mas tinha pouco contacto com outros géneros musicais, especialmente o jazz.

 

Este facto parece-me uma das ideias mais fantásticas da Humanidade: pretender conquistar o mundo através da música, em vez de, por exemplo, fazer explodir Hiroxima ou invadir o Iraque. A música tem um enorme poder transformador, quase imediato. É uma das poucas artes, senão a única, capaz de nos fazer mexer o corpo, de nos pôr a dançar, de provocar a catarse ou o êxtase. E não tem sequer de ser música de qualidade para o conseguir. Uma pintura de Van Gogh não nos põe a dançar, mas uma canção, por pior que seja, é bem capaz de o fazer. O programa americano pode ter falhado - o Muro só viria a cair muitos anos depois -, mas a esperança que esteve na sua base, ainda que utópica, não deixa de ser maravilhosa: a possibilidade de uma guerra poder terminar num  baile em vez da explosão  de uma bomba de hidrogénio. "

 

INÍCIO DO NOVO LIVRO DE AFONSO CRUZ  «NEM TODAS AS BALEIAS VOAM» EDIÇÃO COMPANHIA DAS LETRAS PORTUGAL, NOVEMBRO DE 2016

 

 

 

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publicado às 18:12


#2101 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.09.16

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 MÁRIO DIONÍSIO

 

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publicado às 12:45


#2100 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 05.09.16

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e a boca já do mar

emerge

para o beijo infinito

 

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publicado às 23:33


#2098 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 31.07.16

 JULIAN BARNES

 

The Noise of Time

The Noise of Time by Julian Barnes

 

In May 1937 a man in his early thirties waits by the lift of a Leningrad apartment block. He waits all through the night, expecting to be taken away to the Big House. Any celebrity he has known in the previous decade is no use to him now. And few who are taken to the Big House ever return.

So begins Julian Barnes's first novel since his Booker-winning The Sense of an Ending. A story about the collision of Art and Power, about human compromise, human cowardice and human courage, it is the work of a true master.

Scheduled for publication in January 2016 in the UK and later in the US and Canada.

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publicado às 19:34


#2072 - Livros e Leituras - UMA CAUSA IMPROCEDENTE

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.06.16

 Cláudio Magris

 

"...A morte destina-se aos museus. A todos, não só a um Museu de Guerra. Cada exposição - quadros, esculturas, objetos, maquinaria - é uma natureza-morta e a gente que se aglomera nas salas, enchendo-as e esvaziando-as como sombras, exercita-se na futura estância definitiva no grande Museu da Humanidade, do mundo, em que cada qual é uma natureza--morta. Rostos como fruta colhida da árvore e disposta num prato..."

 

Excerto de "Uma causa improcedente" de Claudio Magris, editado pela Quetzal, Abril 2016

 

______________________________________________________________________

Claudio Magris nasceu em Trieste, em abril de 1939. É romancista, ensaísta, germanista, e colabora regularmente com revistas e jornais europeus, nomeadamente o Corriere della Sera. Depois de uma passagem pela Universidade de Freiburg, foi professor de Língua e Literatura Germânicas na Universidade de Turim. Atualmente dá aulas na sua cidade natal. Magris exerceu também o cargo de Senador entre 1994 e 1996.

Os seus livros contribuíram para o conhecimento literário da cultura europeia – ele foi o criador do conceito de Mitteleuropa. Claudio Magris é um dos candidatos favoritos ao Prémio Nobel da Literatura e um dos mais influentes intelectuais dos nossos tempos.

 

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publicado às 17:55


#2028 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.05.16

novembro.jpg

 "Gosto do Outono, esta estação triste convém às recordações. Quando as árvores já não têm folhas, quando o céu conserva ainda, ao crepúsculo, o tom rubro que doura as ervas murchas, é bom ver apagar-se tudo o que ainda ontem em nós ardia... É triste, a estação em que estamos: dir-se-ia que a vida vai embora com o sol, corre-nos o coração um arrepio e também a pele, todos os barulhos se extinguem, empalidecem os horizontes, vai tudo dormir ou morrer."

 

Excerto retirado do livro de Gustave Flaubert «Novembro», edição de 2007 da Editorial Teorema

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publicado às 21:26


# 1940 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.05.15

poemas canhotos - herberto helder.jpg

 

ESTES POEMAS QUE CHEGAM

 

estes poemas que chegam

do meio da escuridão

de que ficamos incertos

se têem autor ou não

poemas às vezes perto

da nossa própria razão

que nos podem fazer ver

o dentro da nossa morte

as forças fora de nós

e a matéria da voz

fabricada no mais fundo

de outro silêncio do mundo

que serão eles senão

uma imensidão de voz

que vem na terra calada

do lado da solidão

estes poemas que avançam

no meio da escuridão

até não serem mais nada

que lápis papel e mão

e esta tremenda atenção

este nada

uma cegueira que apaga

a luz por trás de outra mão

tudo o que acende e me apaga

alumiação de mais nada

que a mão parada

alumiação então

de que esta mão me conduz

por descaminhos de luz

ao centro da escuridão

que é fácil a rima em ão

difícil é ver se a luz

rima ou não rima com a mão

 

Poema de Herberto Helder in "Poemas Canhotos", edição Porto Editora, Maio de 2015

 

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publicado às 17:05


#1870 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 11.08.13

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publicado às 19:25


#1837 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 16.03.13

 

Era uma vez uma árvore...

que amava um menino.

E todos os dias o menino vinha,

juntava as suas folhas

e com elas fazia coroas, imaginando ser o rei da floresta.

Subia o seu tronco,

balançava-se nos seus ramos,

comia as suas maçãs,

brincavam às escondidas

e quandi ficava cansado, dormia à sua sombra.

O menino amava aquela árvore...

E a árvore era feliz.

Mas o tempo passou.

O menino cresceu.

E a árvore ficava muitas vezes sozinha.

...

 

 

Excerto do livro "A ÁRVORE GENEROSA" de SHEL SILVERSTEIN, editado pela BRUAÁ EDITORA em Março de 2008

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publicado às 16:19


#1834 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 07.03.13

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publicado às 00:03


#1724 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.08.12

"Um pessimista é um optimista bem informado"

 

retirado do livro "O curioso iluminismo do professor Caritat" de Steven Lukes, edição Gradiva, Setembro de 1996

 

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publicado às 16:29


#1653 - Livros e Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.03.12

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publicado às 12:20


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