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#889 - Breyner 85

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.07.09

O Breyner 85 é um dos lugares mais originais do Porto: é simultaneamente bar, escola de música, estúdio de gravação, galeria de arte e, em breve, loja de instrumentos. Uma bela surpresa.

Com o tempo, o Porto tem vindo a encaixar no seu puzzle mental a Casa da Música. Se, por um lado, chamou a atenção dos portuenses para o sector e os fez perceber que, afinal, já antes do meteorito da Rotunda da Boavista havia pequenas grandes ideias de apoio à actividade musical postas em prática (como a do reciclado centro comercial Stop, autêntico viveiro de bandas), por outro o carácter messiânico que lhe foi atribuído ampliou a evidência das suas lacunas e dos erros ali cometidos. Até hoje, o edifício de Koolhaas tem sido uma espécie de Algarve do tempo em que este sobrestimava os estrangeiros e desprezava os portugueses.


Ora, isto produz efeitos colaterais. Para o caso, que já se dirá qual é, pensemos apenas num positivo: o fazer música, que antes era uma espécie de dado adquirido, como se as coisas caíssem do céu, subiu à esfera do interesse social. E passou a ser possível viabilizar ideias comerciais que juntam o útil de apoiar quem faz ao agradável de servir quem assiste. E até, por vezes, promover a troca de papéis entre uns e outros. Eis-nos chegados ao caso: o Breyner 85.


O nome, desde logo, indica-nos que antes de ser um caso era uma casa. Lindíssima. Construída em 1906, na Rua do Breyner, alguns dos seus tectos são originais de Aurélia de Sousa. Tem quatro pisos. O de baixo, que é a cave, e o de cima, que é bem mais do que um sótão, são os de menor pé direito e os que mais se adequam às funções para eles designadas: estúdio e escola de música, respectivamente. Naquele ensaia-se e grava-se, nesta aprende-se. O rés-do-chão, digamos assim, é o núcleo duro do edifício, com o bar central, a varanda para o enorme jardim/esplanada/palco de concertos (à cota da cave) e ainda uma sala ampla que, a partir de Setembro, funcionará como loja de instrumentos. Por fim, o primeiro andar, onde se pode fumar, engloba uma galeria de arte, um palco para projectos mais portáteis ou experimentais e uma sala pequena de convívio, munida de bar.


Rui Pina e David Fialho, autores do conceito e parceiros na gestão da casa, quiseram corporizar a sua visão da música, enquanto circuito que, como o curso de um rio, tem uma nascente e uma foz. Não se trata aqui, porém, da foz do Douro. Estamos em plena nova Baixa, junto à Miguel Bombarda (rua das galerias) e a Cedofeita (cada vez mais a recuperar o seu antigo estatuto no comércio) e perto dos Clérigos (zona que parece tocada por Midas), um outro rio que, de charco, após alguém ter atirado a primeira pedra, virou onda.


A vida diária do Breyner 85 vai das duas da tarde às duas da manhã, com aulas (que variam do regime livre a cursos certificados por prestigiadas instituições britânicas), ensaios, gravação de discos, música ambiente, copos, concertos dentro e fora de casa, exposições, venda de instrumentos, sessões de poesia, tertúlias filosóficas e o mais que haja. As sextas e os sábados estendem-se pela noite, até às 4h00, "e com gente de todas as idades", como sublinha Beatriz Bastos, um dos rostos da mansão, cujas portas abriram apenas em Janeiro deste ano. É, pois, de saudar mais um exemplo do renascimento criativo do Porto. Uma caixinha de música.


Morada: Rua do Breyner, n.º 85, Porto


Horário: quarta, quinta e domingo, das 14h00 às 2h00; sexta e sábado, das 14h00 às 4h00. Fecha segundas e terças.


Telefone: 226 109 760

 

retirada do jornal online "i"

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publicado às 11:56


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