Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



#2711 - CATÁLOGO BOTÂNICO DA PRIMAVERA

por Carlos Pereira \foleirices, em 10.12.17

FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

 

CATÁLOGO BOTÂNICO DA PRIMAVERA

 

Principia a estação, com o seu ruído

feito de sons de pássaros, que eu decifro.

Mais difícil sinal são as cores várias,

que despontam cada dia e eu vejo,

ano após ano, iguais e singulares.

Primeiro, um pouco além, o lírio roxo,

que me traz consigo a criança viva

que o colheu e, tal como a um barco

o fez singrar, só, roxo, macerado,

na água que descia por um rego.

Um lírio com a mão que o cortara

já decepada e presa ao passado,

sem o seu corpo. Vejo as três pétalas

assim a confundir-se com os três dedos,

como se as nossas mãos por vezes vivessem

mais do que os passados corpos.

Depois, foi esta a manhã das camélias

brancas, cravadas com dureza em rostos,

que, ainda de olhos fechados, tocam

as corolas em busca do seu cheiro.

São camélias mortais, e ainda atraem

a face dos mortos, que algum dia

as bafejaram com o seu hálito próximo.

Manchas brancas de círculos informes,

cada círculo contendo outro círculo.

E, no centro de cada rosto, apenas,

em cada Primavera, duram os olhos.

 

Já caem as glicínias, de alto, sobre

o esplendor do crânio ou do cabelo.

São cachos também roxos, em manhãs

de assombro, por cada dia mais

trazer um diverso cacho pendente.

Misturam-se com a cabeleira antiga

estes cachos de glicínias de hoje.

Mas são absolutos, novos, singulares

os momentos com a sua luz e cor,

os seus insectos e as suas sombras.

Alguém, que os colhera os fez prender

entre cabelos fecundos, de orelhas,

adornos para os filhos da Terra.

Estão, depois dos lírios e das camélias,

para salvar, em cada dia novo,

o viço dos cabelos, mais eternos

do que a já sepultada carne. Carne

de alguém que tinha um nome seu e que

se oferecia, com deleite, ao Tempo.

Só pode ter sido a de parentes, dúbios

cohabitantes do ser que relata

esta actual Primavera, com saudade.

A Primavera, que me surpreende

somente por estar a ser olhada.

 

Se aquela rosa rubra, na manhã

em que surgiu, logo fosse ignorada,

eu não estaria aqui neste papel,

dando-me inteira à nova Primavera.

Recebo-a, olho-a como um visitante,

aliás porque, na sua latada,

ela está perto do meu sólio. Rosa

de repente vista, primeira rosa

na natural frescura. E, também,

o vento lhe tocou, e já a abrem

aquelas mãos que haviam sabido

lançar barcos de pétalas aqui.

Junto da rosa só cabe esta boca,

pronta a beijar com amor as suas línguas

ou a beber a linfa que é da abelha.

Havia uma boca assim, sem a face,

a respirar ao ritmo dessa rosa,

que hoje nasceu fadada para ser

a sempre minha, única, igual.

A cor da rosa mostra-me o lugar

daquela boca, e eu quero sentir-me

aqui e ali. Pois vejo-te, rosa,

e vejo a outra, a que foi beijada.

Assim, não posso mais do que olhar.

Rosas terás em redor, solitária.

 

- Eis os melros, rasteiros, que insistem

em tornar-se evidentes, saltitando

sobre cômoros de terra. Mas hoje

perante o mistério das flores súbitas,

são como eu, embora não como eu,

com a negra plumagem que os cobre.

Sobre a lage do poço correm dois,

negros contendores no mesmo sprint,

músicos de assobio que eu bem entendo.

 

E, próximos da rosa, mas alheios,

estão a nascer os narcisos, de amarelas

frisadas campânulas e de sépalas

perto do solo, e que se elevam

na luz de cor. Também uma figura

de mulher genuflectida as colhia,

e uma criança, oscilando no riso,

quer ter para si uma flor solar.

Junto aos eternos matizes das pedras,

a cor dos narcisos, nítida, clara,

evoca esses desejos saciados

em tempo ido: o da mulher, prendendo-os

no seu seio, e os da criança, seguindo

o movimento que pertence ao tempo.

Hoje, como hei-de separar os corpos

da haste e da corola dos narcisos,

pois a mancha amarela tem a forma

humana contida em si, curva, erecta.

 

Salva-me o vermelho vivo da rosa,

que atrai a cor intensa dos narcisos

para contraste, outra tensão,

que eu revivo, amando o beijo da rosa

e a prece ao sol destes narcisos.

Mas outra prece, hesitante, desponta

ao raso dos terrenos, dispersa, ágil.

Flores que vibram esguias e tácteis,

de um vermelho ardente, submissas

como pálpebras, ao cair da noite.

Abrem-se na aurora, comovidas

pela unção da luz, porque se chamam

páscoas. E são amadas, benditas.

Anunciam a passagem eterna

da luz sagrada entre noite e aurora.

A aragem devagar as sacode,

finas folhas e hastes a dançar,

em pleno dia de êxtase, no sono

das corolas exaustas pela noite.

 

Noutra manhã, eu vejo, deslumbrada,

a poalha da brancura florida

que envolve os troncos velhos da ameixoeira,

flores que o ar conhece e o vento leva,

há muito, para lugares e tempos.

Poalha em que não estão vultos humanos.

Apenas um nó de sombra, atrás

de cada flor, mostra a imagem de antes

ou a espessura de um fruto futuro.

São as flores do jardim que guardam o enigma,

pois cada espécie vista tem em si

um sinal visível de outra estação.

Flores solitárias que, uma a uma, vêm

ligar-se a fragmentos de vida antiga.

 

- Repetem-se os melros p'lo empedrado,

a debicar sempre nas pedras húmidas,

sob o fascínio do cálido dia.

Tão nítidos, tão certos, a presença deles

não cabe ao lado de uma flora rara,

a desta Primavera em narração.

 

Também os loureiros em flor, visíveis

ao longe como nuvens, são visões

completas, com  a floração e as folhas

na mesma cor de sempre, indecifrável.

Alguém pega no ramo do loureiro,

num verso clássico, e o dá a toda

a humanidade, pois a memória

da poesia passa de poeta a poeta,

para o mundo. Se o meu relato é vivo

é porque olho c'os outros a Primavera,

e nesta Primavera eu vi melhor,

presa do assombro do que é novo e antigo.

Os meus olhos, o espírito e as mãos

pegam em cada imagem de uma flor,

em cada dia de visão e ganho.

Mas a perda, enfim, virá somar tudo

igual a si mesmo, uno, passado.

E, de repente, uma flor de palavras

muito branca chega até mim, e é

esta estação, nesse florir de goivos.

Uma carta traz-me inscrita as palavras

de Eugénio, goivos, e o seu eflúvio.

Esta transcreve-a ele de Pessanha,

diante de tão nítidos canteiros.

Grata, prendo-me a esses elos vivos

da corrente de vozes, que se oferecem

aos ouvintes, depois de recolherem

o real, o findo, o que foi amado.

Aqui, depois do loureiro, floriu

a acácia, também sem qualquer vulto

escondido no seu florir imenso.

São árvores solitárias, constantes

na pura relação com a luz solar.

E, talvez por fim, neste  infinito,

uma inflorescência de gladíolo

rosada, erecta, se tenha aberto.

 

Vem de um único bolbo, soterrado,

está só, entre a verdura vária.

Junto de si viveram outras hastes

também de gladíolos, há muito tempo.

Braços levaram-nas juntas, consigo,

em braçadas de amor e de alegrias.

Os braços são as linhas de matizes,

unidas em redor da cor suavíssima

das flores de hoje, a florir aqui.

Cada manhã me põe diante dos olhos

nova forma de cor e  luz e, às vezes

figuras esbatidas de outra estação

igual, porém perdida já, inane.

 

- Melro audaz, que te aproximas mais

de mim, ou do que eu fui e agora sou,

não vejas que eu represento o Tempo.

A tua colheita de grãos e de larvas

seja o teu mais subtil pensamento.

 

- E, afinal, entraste no meu espaço,

num intervalo entre o concreto e o abstracto.

 

 

Poema de Fiama Hasse Pais Brandão

Carcavelos, Março, 1997

 

____________________________________________________________________________________________

 

Fiama Hasse Pais Brandão
 
Dramaturga, tradutora e poetisa, nasceu a 15 de agosto de 1938, em Lisboa,faleceu a 19 de janeiro de 2007, na mesma cidade. Frequentou o colégio St.Julian's School, em Carcavelos, e, mais tarde, o curso de Filologia Germânicada Universidade de Lisboa. Fez crítica de teatro, estagiou no TeatroExperimental do Porto (1964), e foi, com Gastão Cruz - com quem se casaria - e outros, fundadora do grupo Teatro Hoje (1974). Ao longo da sua vida,exerceu  atividade de investigação na área da linguística assim como  pesquisa histórica e literária sobre o século XVI em Portugal. Traduziu vários autores como Bertolt Brecht, Antonin Artaud, Novalis e    Anton Chekhov e colaborou em revistas literárias, como Seara Nova Cadernos do Meio-Dia Vértice entre outras. 
                                                                                                                                                                                                                                    Revelou-se com "Morfismos", no âmbito da iniciativa Poesia 61 coletânea que refletia uma tendência poética atenta à palavra, à linguagem  na sua opacidade, na busca de uma expressão depurada e não discursiva. A criação poética de Fiama Hasse Pais Brandão                             i impõe-se pela busca de uma expressão original, onde as palavras tentam evocar uma essência perdida, anterior à erosão do              tempo e do uso corrente. A desconstrução das articulações do discurso e a sua metaforização provocam um estranhamento que conduz o leitor a despir a linguagem da sua convencionalidade e a entrever o acessopela palavra pura a um tempo primordial. 
critério de "amor pela leitura" que presidiu à versão de Cântico Maiorpode, por extensão, ser aplicado à obra da autora que apresenta comofontes de emoção poética "o texto que cabe na pupila: o simultâneo, a grande cena das metáforas e das comparações, a Visão multiforme doConhecimento (pus no coração a Sabedoria de Ezra), que é parcelar naspalavras e nas imagens e que  por acumulação diurna e através daabsorção pupilar (como a do ar) tende para o Todo." ("Do prefácio de CânticoMaior", reproduzido em "Apêndice" a Obra Breve 1991).
 
Sob o Olhar de Medeia , a obra que marca a primeira incursão no romance porparte desta autora, foi publicado em 1998. 
Fiama Pais Brandão recebeu várias distinções, entre as quais se destacam o Prémio Adolfo Casais Monteiro, 1957; o Prémio Revelação de Teatro, 1961; o Prémio Pen Clube Português de Poesia, 1985; o Grande Prémio de PoesiaAPE/CTT, 1996; o Prémio D. Dinis, da Fundação Casa de Mateus, 1996; e o Prémio Pen Clube Português de Ficção e o Prémio da Crítica da AssociaçãoPortuguesa de Críticos Literários, ambos em 2005.
 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:03


#2442 - CANTO DAS IMAGENS

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.06.17

 FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

CANTO DAS IMAGENS

 

Ao princípio era só uma em cada olhar

após a grande divisão das águas

e mesmo, segundo disse Baudelaire, a imagem

até ao seu século do real múltiplo

era una, única e própria. Dementes

chamou este cantor aos fotogramas

que roubavam à alma a unicidade

e deram aos olhos frívolos as figuras

plurais, idênticas, dispersivas.

Era somente uma a imagem mística,

dos entes naturais aos transcendentes.

Só uma esta vermelha afelandra

embora as suas irmãs se lhe assemelhem

e desassemelhem, cada uma, sempre.

O concreto pulsava neste ritmo

das coisas parcas, poucas, singulares.

E de repente, nos olhos do poeta

cada coisa reproduziu a imagem

inumeradamente, e a ideia

decaíra no  banal prolixo.

Antes, podia hesitar-se entre o modelo

e as sombras de Platão, agora as flores

malignas, podem reproduzir-se no mundo

nítidas, iguais, supérfluas.

Eu ainda vejo o olhar antigo de Baudelaire

e cada coisa vibra no seu mito,

e cada imagem cria o seu espírito,

e cada cópia fotográfica muda

na liminarmente máxima diferença.

Ao crítico e amante da Pintura

as dúbias imagens decerto deram

a cada rosto um só outro rosto,

a cada paisagem uma só tela.

Já os vidros, a água, a prata traziam

a incerteza aos traços, como se os olhos

que nos deu a Natureza nos fossem

infiéis. E o poeta pôde resistir

a esta perda das formas consagradas

e consubstanciais das coisas que ainda

ecoam a Criação como o eco cósmico

 

Poema de Fiama Hasse Pais Brandão escrito em 30 de Outubro de 1993 retirado do livro "Obra Breve - Poesia Reunida", páginas 558 e 559, com prefácio de Eduardo Lourenço, e edição da Assírio & Alvim n.º 0976, Maio de 2006

_____________________________________________________________________________________

Dramaturga, tradutora e poeta, formada em Filologia Germânica na Universidade de Lisboa, exerceu actividade de investigação na área da literatura e da linguística. Revelou-se com "Morfismos", no âmbito da iniciativa Poesia 61, colectânea que reflectia uma tendência poética atenta à palavra, à linguagem na sua opacidade, na busca de uma expressão depurada e não discursiva. A criação poética de Fiama Hasse Pais Brandão impõe-se pela busca de uma expressão original, onde as palavras tentam evocar uma essência perdida, anterior à erosão do tempo e do uso corrente. A desconstrução das articulações do discurso e a sua metaforização provocam um estranhamento que conduz o leitor a despir a linguagem da sua convencionalidade e a entrever o acesso pela palavra pura a um tempo primordial. O critério de "amor pela leitura" que presidiu à versão de Cântico Maior pode, por extensão, ser aplicado à obra da autora que apresenta como fontes de emoção poética "o texto que cabe na pupila: o simultâneo, a grande cena das metáforas e das comparações, a Visão multiforme do Conhecimento (pus no coração a Sabedoria de Ezra), que é parcelar nas palavras e nas imagens e que só por acumulação diurna e através da absorção pupilar (como a do ar) tende para o Todo." ("Do prefácio de Cântico Maior", reproduzido em "Apêndice" a Obra Breve, 1991). Sob o Olhar de Medeia, a obra que marca a primeira incursão no romance por parte desta autora, foi publicado em 1998. Faleceu em Lisboa no dia 20 de Janeiro de 2006.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:14


#2052 - GRAFIA 1

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.06.16

 FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO

 

GRAFIA 1

 

Água significa ave

 

se

 

a sílaba é uma pedra álgida

sobre o equilíbrio dos olhos

 

se

 

as palavras são densas de sangue

e despem objectos

 

se

 

o tamanho deste vento é um triângulo na água

o tamanho da ave é um rio demorado

 

onde

 

as mãos derrubam arestas

a palavra principia

 

(MORFISMOS, 1961)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:44


#1595 - Canto das Imagens

por Carlos Pereira \foleirices, em 28.01.12

Ao princípio era só uma em cada olhar

após a grande divisão das águas

e mesmo, segundo disse Baudelaire, a imagem

até ao seu século do real múltiplo

era una, única e própria. Dementes

chamou este cantor aos fotogramas

que roubavam à alma a unicidade

e deram aos olhos frívolos as figuras

plurais, idênticas, dispersivas.

Era somente uma a imagem mística,

dos entes naturais aos transcendentes.

Só uma esta vermelha afelandra

embora as suas irmãs se lhe assemelhem

e desassemelhem, cada uma, sempre.

O concreto pulsava neste ritmo

das coisas parcas, poucas, singulares.

E de repente, mnos olhos do poeta

cada coisa reproduziu a imagem

inumeradamente, e a ideia

decaíra no banal prolixo.

Antes, podia hesitar-se entre o modelo

e as sombras de Platão, agora as flores

malignas podem reproduzir-se no mundo

nítidas, iguais, supérfluas.

Eu ainda vejo o olhar antigo de Baudelaire

e cada coisa vibra no seu mito,

e cada imagem cria o seu espírito,

e cada cópia fotográfica muda

na liminarmente máxima diferença.

Ao crítico e amante da Pintura

as dúbias imagens decerto deram

a cada rosto um só outro rosto,

a cada paisagem uma só tela.

Já os vidros, a água, a prata traziam

a incerteza aos traços, como se os olhos

que nos deu a Natureza nos fossem

infiéis. E o poeta pôde resistir

a esta perda das formas consagradas

e consubstanciais das coisas que ainda

ecoam a Criação como o eco cósmico

 

 

Poema de Fiama Hasse Pais  Brandão, OBRA BREVE [Poesia Reunida], Assírio & Alvim, edição 0976, Maio de 2006

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:07


#1208 - Sinais de Vida

por Carlos Pereira \foleirices, em 19.02.10



ANJO MORTO


O corpo passa entre fendas na madeira.


Graficamente a representação é igual

aos veios claros e escuros. Podes

ser um corpo e no entanto também uma

linha cor de sépia. Tu foste

asfixiado pela Poética. A liberdade que

Te era possível na estrutura do Poe-

ma levou-te até à agonia. Mas a voz

em estertor é minha. E as linhas frágeis

no papel comovem-me. Tu és o Único

nesta gravura baça a água-forte.


És um resíduo incandescente. Quan-

do Te invoco recupero-Te poe-

ticamente. Nada de Ti me falta. Apenas

não Te conheço mais completo do que

ver-Te entre fendas. Ou sem lucidez.

A possibilidade que tens de me seres

alheio torna-Te incisivo como o corte

da goiva. A tua presença morta é a úl-

tima confirmação da natureza íntima

da imagem. Sulco morto na matéria.


Poema de Fiama Hasse Pais Brandão extraído do livro "Obra Breve - Poesia Reunida", edição Assírio & Alvim n.º 0976, Maio de 2006

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:51


Leituras

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.08.08

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:45


Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog




Links

Outras Foleirices

Comunicação Social

Lugares de culto e cultura

Dicionários

Mapas

Editoras

FUNDAÇÕES

Revistas