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#2465 - EDUARDO LOURENÇO

por Carlos Pereira \foleirices, em 24.06.17

 

Pensar é ser um eco do que o Cosmos tem para nos dizer. É saber o que somos como tempo passado, como História

 

In Revista "E" do Jornal Expresso de 24 de Junho de 2017 - Entrevista a Eduardo Lourenço por Luciana Leiderfarb

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publicado às 21:42


#2427 - George Steiner

por Carlos Pereira \foleirices, em 04.06.17

 George Steiner - (1929 - )

 

A retórica política é capaz de matar. A política pode assassinar por meio da linguagem. O horror do movimento nazi foi largamente baseado na retórica, na propaganda. Muito mais poderosas do que qualquer exército são as mentiras do totalitarismo. O totalitarismo funciona através da linguagem. E também existe outro fenónemo: pode ser-se um grande artista e um assassino, uma pessoa a favor do extermínio. Há um momento muito importante nos diários de Cosima Wagner, em que Wagner está lá em cima, no primeiro andar, e ela ouve-o ao piano a reveer o 3.º acto do "Tristão". Ele desce para almoçar, e de que é que eles falam? De como queimar os judeus. O homem que tinha estado a compor a melhor música do mundo desce para almoçar e discute alegremente como livrar-se dos judeus. O que quero dizer é que eu não poderia viver num mundo sem a música de Wagner. A minha dívida para com ele é enorme. A minha dívida para com Nietszche, para com Céline! Que livros belos e horrendos! Não tenho resposta para estas pessoas. Não há explicação. Perante os gigantes temos de ficar calados."

 

(...) O nacionalismo é um veneno absoluto. Lembro-me das palavras justíssimas de Georges Clemenceau: "Não somos patriotas, somos chauvinistas." É uma distinção importante. O patriotismo pode ser decente, mas o chauvinismo - o nacionalismo - é algo muito, muito feio. Desprezar outra pessoa por ter uma nacionalidade diferente, isso não o posso compreender nem aceitar. Porque, afinal, o que é que nós escolhemos? Não escolhemos onde nascemos, quando, com que condições. Somos convidados nesta terra. Vou dizer-lhe uma coisa central: acredito que cada lugar deste mundo pode ser interessante. Não consigo pensar num lugar que não o pudesse ser. Se fosse mais novo e tivesse de voltar a mudar de país, tentaria, primeiro, aprender a língua. Seria certamente fascinante aceder a uma nova civilização. Não há lugares aborrecidos na Terra. Isto é o que receio em relação aos mais novos hoje em dia: que  por causa da sua obsessão com os media artificiais, tenham pouco entusiasmo pelas experiências genuinamente criativas."

 

Excerto da entrevista realizada por Luciana Leiderfarb a George Steiner e publicada na Revista "E" - A revista do Expresso, Edição 2327, de 3 de Junho de 2017

 

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publicado às 19:50

MICHEL ONFRAY

Michel Onfray, filósofo francês, 58 anos de idade, fundador da Universidade Popular de Caen é o autor de Décadence onde pretende demonstrar como as civilizações são fundadas sobre religiões, como elas nascem, crescem, conquistam, declinam e morrem.

Seu pensamento se caractriza pela afirmação da razão, do  hedonismo e de um ateísmo militante  e é influenciado por Friedrich Nietzche, Albert Camus, Michel Foucault, etc...

 

As pessoas preferem uma ilusão que lhes dê segurança a uma verdade que as inquiete. Antes fábulas que prometem que a morte não existe e que a vida continua depois do falecimento, do que uma verdade científica que traz a prova de que, uma vez mortos, apenas conhecemos a decomposição e o vazio
Michel Onfray
 
Pode ler aqui a entrevista conduzida por JAN LE BRIS DE KERNE e publicada no jornal online PÚBLICO de hoje.

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publicado às 19:42


#2163 - "Trump tem o vocabulário de uma criança de 6 anos"

por Carlos Pereira \foleirices, em 15.02.17

Peter Kuznick, professor de História na Universidade Americana em Washington

 

Para Peter Kuznick, professor de História na Universidade Americana em Washington, "as coisas parecem bem encaminhadas" para um impeachment a Trump. Kuznick é especialista em temas nucleares e autor do livro "A História não Contada dos Estados Unidos", escrito com o realizador Oliver Stone e editado em Portugal pela Vogais.

Está assustado com a presidência de Donald Trump?

Aterrorizado. A ameaça mais imediata vem das políticas nucleares. Basta pensar que uma guerra muito limitada, por hipótese entre a Índia e o Paquistão, em que explodissem cem bombas equivalentes à de Hiroxima, seria suficiente para causar dois mil milhões de mortos, uma queda abrupta das temperaturas e doenças pelo menos durante uma década. Imagine-se o que poderia acontecer se fosse usada apenas uma fração das cerca de 15 mil armas muito mais potentes. Trump disse durante a campanha que responderia a um ataque terrorista com armas nucleares, já ameaçou rasgar o acordo com o Irão e os seus conselheiros em matéria de política externa são assustadores. Rodeou-se de um bando de islamofóbicos.

Já se fizeram muitas comparações entre Hitler e Trump. É exagero?

Apesar de muitas semelhanças, Trump ainda não é um Hitler, nem nós deixaremos que ele se torne num. Ele apela às piores tendências que existem na sociedade, tem posições muitos hostis em relação aos muçulmanos e não lhe corre no sangue um pingo de bondade ou de generosidade humana. Mas ainda não vimos aquele ódio cego que poderia levar a uma loucura genocida como no caso de Hitler. Um sinal preocupante, porém, é o desprezo que mostra pela verdade. Não é um nazi, mas não tenho dúvidas de que um homem como Trump seria um nazi na Alemanha dos anos 30.

Tem esperança de que o Partido Republicano funcione como travão à loucura de Trump durante os próximos quatro anos?

Não, porque quem o criou foi o Partido Republicano. Trump é um produto de anos e anos de posições republicanas que apelam ao pior da sociedade americana: ao ódio, preconceito, medo, racismo, à misoginia. Trump vai apenas um bocadinho mais longe do que é o republicano médio dos dias de hoje. Os extremistas do Tea Party acabaram com os republicanos moderados. A única esperança, ainda que ténue, é que os menos extremistas dos extremistas percebam que Trump não é bom para o partido e que ficariam melhor com Mike Pence.

O ano de 2017 marca o 25.º aniversário do fim da Guerra Fria. Como vê a relação EUA-Rússia? Podemos falar de um antes e um depois de Vladimir Putin?

Nos tempos de Boris Ieltsin a relação Washington-Moscovo foi uma maravilha para a classe dirigente norte-americana, mas revelou-se um desastre para a Rússia. Ieltsin aceitou tudo o que os EUA queriam. O resultado foi a economia russa a encolher. Até a esperança média de vida caiu dos 66 para os 57 anos. O escritor Alexander Soljenítsin, depois de ter estado exilado durante duas décadas, voltou à Rússia e descreveu a situação em 2000: "Os setores fundamentais do Estado foram destruídos ou saqueados. Vivemos entre ruínas. As falsas reformas deixaram ainda mais pessoas na pobreza." Este foi o momento em que a NATO começou a expandir-se para leste - apesar de Bush ter prometido a Gorbachev de que isso não aconteceria se a Rússia viabilizasse a reunificação alemã.

E com Vladimir Putin?

No início, Putin teve um comportamento amistoso para com os EUA. Mas aos poucos, à medida que a NATO continuou a expandir-se até às portas da Rússia, a relação com Bush filho azedou. Barack Obama prometeu recomeçar do zero, mas continuou a seguir as políticas que eram vistas por Putin como uma ameaça para a segurança nacional russa, incluindo o envio de armamento para o espaço, a expansão da NATO, o envio de tropas para o Báltico, a Ucrânia, as sanções... Apesar de ter havido uma colaboração positiva em casos como o acordo nuclear com o Irão, as relações deterioraram-se a um ponto em que começou a falar-se numa "nova Guerra Fria". Em 2016 a situação era de facto perigosa. EUA e Rússia estiveram mais perto da guerra do que em qualquer momento desde 1962.

Com Trump passámos da nova guerra fria ao amor quente?

No último ano fui várias vezes à Rússia. Foi preocupante perceber que os meus colegas russos preferiam Trump a Hillary Clinton. Não sou um fã de Clinton, mas tentei explicar-lhes que ela seria sempre preferível a um louco imprudente, intolerante, ignorante, narcisista e impulsivo. A única coisa que Trump fez até agora como presidente que me deixa um bocadinho de esperança foi o telefonema com Putin. É bom que tenha conseguido reduzir as tensões. Mas o facto de neste momento estar a ser amigável para com a Rússia não significa que seja assim amanhã. Um homem que perde as estribeiras se for provocado no Twitter não devia jamais ter acesso aos códigos nucleares.

É uma questão de tempo até que as coisas amarguem?

Trump é um homem cheio de ódio e preconceituoso. E rodeou-se de pessoas da mesma laia. Creio que as relações vão azedar muito depressa.

Trump estará a começar uma nova guerra fria com a China?

Infelizmente, parece que sim. Mas também nesta questão a sua política pode mudar amanhã.

Quão plausível é um impeachment a Trump?

As coisas parecem bem encaminhadas. Até no próprio partido há muita gente a perder a cabeça. Trump tem a maturidade emocional de uma criança de 4 anos, o vocabulário de uma de 6 e é incapaz de pensar um problema complexo. Tem tanta propensão para os escândalos que dá aos opositores corda mais do que suficiente para que o enforquem.

Os conflitos de interesses...

Estão por todo o lado. Recusa publicar as declarações de impostos e passou os negócios para as mãos dos idiotas dos filhos. Há vários processos a correr contra ele e convém não esquecer que uma dúzia de mulheres apareceu durante a campanha a acusá-lo de assédio. O país está mobilizado contra ele. Desde os movimentos contra a Guerra do Vietname nos anos 1960 que não assistíamos a este nível de mobilização política. Muitos republicanos preferiam ver Mike Pence [atual vice-presidente] no lugar de Trump. Não terá a mesma pompa e circunstância, mas é um herói dos fanáticos cristãos da ala mais à direita do partido.

 

Entrevista publicada no DIÁRIO DE NOTÍCIAS ON-LINE  por José Fialho Gouveia

 

 

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publicado às 14:20


#2030 - "Estamos a viver a IV Guerra Mundial"

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.05.16

O escritor italiano Claudio Magris tem um novo romance. Sobre a guerra e a paz. Pretexto para pensar a realidade mundial e a literatura.

 

Ler aqui entrevista dada ao Diário de Notícias

 

 

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publicado às 17:15


#1821 - Obra revisitada

por Carlos Pereira \foleirices, em 23.01.13

 

Confira entrevista com o colombiano Jerónimo Pizarro, que é um dos maiores conhecedores de Fernando Pessoa na atualidade. Nos últimos anos, ele se dedicou ao estudo do espólio do autor português e descobriu alguns inéditos.

 

O guardador de livros de Pessoa

“Ele é como aquele personagem do Humberto Eco. É capaz de andar de olhos fechados na biblioteca e não se perder. Domina como ninguém o espólio.” A frase de Antonio Cardiello sobre Jerónimo Pizarro define bastante bem a posição alcançada pelo pesquisador colombiano no universo da pesquisa sobre Fernando Pessoa. Em 2003, quando começou a estudar os milhares de folhas deixados pelo poeta, Pizarro ficou tão encantado que praticamente morava na Biblioteca Nacional de Lisboa. Os muitos anos debruçados sobre os papéis na tarefa quase detetivesca de compreender sinais gráficos, montar quebra-cabeças que faziam de folhas soltas um conjunto, procurar relações entre documentos, fez do jovem pesquisador um dos maiores conhecedores na atualidade da obra de Pessoa. Organizado e metódico, conseguiu reunir um grupo de investigadores e revolucionar os estudos acadêmicos sobre o autor. Além disso, com o apoio de uma editora, levou ao grande público esses achados.

 

Agora, de volta à Colômbia para comandar uma cátedra que leva o nome do poeta, o acadêmico tem por objetivo disseminar a cultura portuguesa e tornar cada vez mais conhecido, também em castelhano, o nome de Fernando Pessoa.

Leia a entrevista que Jerónimo Pizarro concedeu à BRAVO!.

 

Bravo!: Qual o critério que vocês têm para publicar Fernando Pessoa. Todos os papéis deixados por ele são considerados “publicáveis”? Como funciona a seleção?

 

Jerónimo Pizarro: Consideramos que essa seleção [entre publicável e não publicável] deve ser aplicada daqui a 40, 50 anos, não agora, quando ainda desconhecemos a maior parte desse material. Admito critérios mais rígidos, ontológicos, no futuro. Quando tivermos uma visão do conjunto, fará muito sentido começar a limitar. Mas fazê-lo de maneira subjetiva, individual, é muito difícil. Até porque o que pode ser interessante para mim pode não ser para outra pessoa. E se fizéssemos assim, atingiríamos um público mais restrito, faríamos um trabalho menos completo. E acabaríamos por dar muita seriedade aos nossos juízos. Acho que temos que suspender os nossos juízos para que outras pessoas, mais tarde, com uma visão diferente das nossas, possam construir uma obra mais seleta.

 

Bravo!: Você tem a impressão de que Pessoa sabia que um dia grupos de investigadores como vocês se debruçariam sobre o espólio e publicariam esse material?

 

JP: Acho que o Pessoa sabia que a posteridade estava a sua espera, mesmo com algumas frustrações de não reconhecimento em vida. Sabia que estava a deixar alguma coisa quase armada, que são as arcas, para a posteridade. Sabia que sua vida dependia do que fosse a sua existência futura, ainda que não soubesse qual seria ela. Imaginava que sua obra, e o que tinha deixado arquivado durante anos, ia continuar a construir essa figura que ele próprio tinha construído em vida.

 

Bravo!: Ele deixou pistas para facilitar a vida de quem viria fazer esse trabalho?

 

JP: Praticamente não. Algumas pistas, mas mínimas. Acho que parte da brincadeira era deixar esse labirinto, não era deixar uma coisa já preparada. Então seria muito fácil, se tivesse deixado um mapa, instruções, seria só armar o que estava. Seria menos vanguardista, menos do seu tempo. O que muitos modernistas fizeram, tipo [James] Joyce e Pessoa, foi deixar uma coisa complexa para mais tarde porque, se as pessoas se perderem no caminho e ficarem cativadas por algo misterioso – e há muito mistério nessas arcas –, ficam presas durante muito mais tempo. Se as arcas tivessem instruções, acho que teríamos nos desinteressado muito tempo atrás.

 

Bravo!: É coincidência que tantos estrangeiros estejam estudando e publicando Pessoa?

 

JP: Acho que o que está a acontecer com grande parte da cultura e literatura portuguesa, e não só agora, se calhar há muitos séculos, é que ela atrai pessoas de todo o mundo. Lembro-me de umas palavras de Antero de Quental [escritor e poeta português do século 19] a afirmar que alguns autores portugueses estavam a ser estudados por pessoas vindas de fora. Pessoa, neste momento, é um dos motivos que estão a atrair mais interessados na cultura portuguesa.

 

Bravo!: O cálculo de vocês é de que cerca de 10 mil folhas deixadas por Pessoa, mais ou menos 30% do espólio, ainda não foram publicadas. É possível prever quanto mais de trabalho e quantos anos ainda serão necessários para conhecermos tudo?

 

JP: Sei que posso ter 40 anos mais de trabalho e não vou concluir, e podia ter 80 ou 120, e não iria concluir. E nem sequer posso muito bem imaginar como seria a conclusão. Penso em um caso com Dante Alighieri, que continuamos a pensar a Divina Comédia a escrever sobre ela. Não é só a questão de editar Fernando Pessoa, que vai continuar a ser editado durante séculos. A questão é que não há uma única maneira de editar pessoa. O Livro do Desassossego é paradigmático nesse ponto. Da mesma maneira, podemos continuar a armar muitos livros mais.

 

Bravo!: Como funciona o trabalho entre esse grupo chefiado por você? Trabalham sempre em equipe, trabalham só...

 

JP: Há uma parte que terá que ser sempre solitária, de transcrever certos manuscritos, percorrer os papéis, ler certos livros. Mas depois há uma parte coletiva, de discutir certas leituras, de discutir textos e livros que estão a ser preparados. E é uma dimensão coletiva que está em crescimento, e a única maneira que acho que faz sentido existir uma “equipe” para editar Pessoa.

 

Bravo!: Ouvi você dizer que se pesquisa pouco no espólio, que não se vai à fonte primária. Por quê?

 

JP: É um defeito das universidades. Estão muito acostumadas com a uma visão do texto como uma entidade abstrata, uma análise do texto que esquece os condicionamentos materiais. A internet e a digitalização dos arquivos vão tornar mais simples uma consciência necessária da existência material dos textos. Temos que regressar aos textos, e não só ler o que já lemos, mas perceber que os textos costumam ser um percurso, que não é uma coisa imediata. Estamos a trabalhar com um produto final e esquecer a história que está por trás, e para mim são tão importantes o texto em si e a sua análise quanto a história do texto. É muito mais complexo, interessante, e acho que pode ser uma das maneiras para sairmos da crise das humanidades.

 

REVISTA "BRAVO"

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publicado às 19:26


#1772 - Recordar as palavras de Manuel António Pina

por Carlos Pereira \foleirices, em 12.11.12

Na morte de Manuel António Pina, um nome maior da literatura portuguesa, recordamos a entrevista que Maria Leonor Nunes lhe fez, em 18 de maio de 2011.

Pode uma poesia abarcar-se em 80 páginas, dizer-se quase quatro décadas de versos em pouco mais de 40 de poemas? Poesia, saudade da prosa, uma antologia pessoal de Manuel António Pina, uma edição Assírio &Alvim, em breve nas livrarias, traça uma espécie de 'biografia poética', ainda que Pina, considere que se trata apenas de uma "leitura" da sua obra.
São exatamente 44 poemas que Manuel António Pina escolheu de quase todos os seus livros, com incidência nos mais recentes, por exemplo, Cuidados intensivos e Os livros. Uma escolha feita, segundo adianta, sobretudo por "afinidades", mais por uma "subjetividade" do que por critérios objetivos.
E, no entanto, a sua leitura ilumina os lugares da sua poética, a relação com as palavras e com um modo de dizer da morte, da vida e do mundo.
Manuel António Pina, que desde 2003 não publica um volume inédito de poesia, tem entretanto quase pronto um novo livro a sair provavelmente no final do ano. Chamarse-á Como desenhar uma casa. É o que adianta ao JL, numa entrevista por mail, feita noite dentro, ainda na ressaca da surpresa do anúncio do Prémio Camões. Respostas quase à medida, talvez um pouco menos do que os carateres limite. "Cortar é fácil", diz ele, acrescentar é que lhe parece sempre "palha". Prática do essencial que não é apenas da sua poesia, mas também do jornalismo, mais de 30 anos de estagiário e crítico de cinema a chefe de redação e da sua arte de cronista. Custa-lhe, diz ele, até juntar 50 carateres para completar os 1400 da sua crónica diária no Jornal de Notícias. E conta: a "palha" só lhe serviu uma vez, nos exames do liceu, para encher o olho dos professores. Resultou, porque ele, que era aluno de 12, exceção feita à Literatura, acabou por ser até premiado por ter a melhor prova de Filosofia. O valor monetário era dececionante, uns quatro escudos e não mais, mas em compensação disseram-lhe que poderia usar durante um ano o título do prémio como um régio cognome. Agora por certo, muitas vezes se irá acrescentar Prémio Camões, ao seu nome.

JL: Retomemos o seu verso: "Porquê a poesia e não outra coisa qualquer?"
Manuel António Pina: Hoje estou convencido de que, retirando a carga dramática à palavra, se trata antes de uma "condenação" (poderia dizer "inclinação", mas a coisa é um pouco mais imperativa do que isso) do que de uma opção, algo que nos escolhe mais do que o escolhemos nós. Desde que me conheço que escrevo versos. Minha mãe (as mães fazem coisas destas) guardou durante muito tempo versos que escrevi aos sete ou oito anos (quando, aos sete, entrei para a escola primária já sabia ler e escrever).

Que versos escrevia?
Primeiro, dísticos muito simples, depois versos mais elaborados,quadras de rima cruzada ou interpolada, falando de histórias de que gostava (há, por exemplo, um que conta o milagre das rosas) ou em resposta a questões que era costume os adultos porem às crianças, como: "O que queres ser quando fores grande?" (naquele tempo, a crer nesses versos infantis, eu hesitava entre ser detetive, padre ou bombeiro).
Pergunto-me porque é que me deu para escrever em verso e não em prosa, e estou convencido de que foi porque, próxima da música, a poesia é a forma elementar e primária de expressão pela palavra. Apesar de, como Monsieur Jourdain a certa altura descobre, falarmos em prosa, a prosa escrita vem depois da poesia e exige um muito maior domínio da palavra (só escrevi os meus primeiros contos aos 14 ou 15 anos).

Poesia, saudade da prosa, a antologia que vai publicar, é uma 'memória descritiva 'da sua arte poética?
Acho que não. Tomei todos os poemas que publiquei em livro como se se tratasse do acervo de um novo livro, despi-os de quaisquer referências cronológicas ou outras (os próprios livros de origem dos poemas apenas são referidos no índice), escolhi os bastantes para ocuparem, páginas de anterrosto e de rosto, bem como de índice, incluídas, cinco cadernos (80 páginas) e organizei-os subjetivamente.

Como?
Mais por afinidades pressentidas do que por qualquer critério lógico, temático ou formal. O resultado é uma concreta leitura pessoal que, num dado momento e em dadas circunstâncias, fiz da minha própria poesia. Noutro momento e noutras circunstâncias (até de tempo) teria talvez feito outra, decerto não inteiramente coincidente com esta.

O que agrega estes poemas é a reflexão sobre a sua poesia? Um olhar sobre os lugares, as palavras, e a relação com o real, com a memória?
Como disse antes, os poemas foram agregados apenas pela minha subjetividade de momento, e esta até a mim, às vezes, me parece agora um pouco confusa. Com uma única exceção por assim dizer "objetiva", resultado de uma preocupação gráfica: que os poemas mais longos, com duas páginas, começassem em página par e acabassem em página ímpar, de modo a aparecerem integralmente aos olhos do leitor, e evitando a perturbação que as mudanças de página sempre provocam na leitura, maior ainda quando a primeira página do poema eventualmente termine no fim de uma estrofe ou num ponto final e só quando vira a página se descobre que o poema, afinal, continua.

O MEDO E A MORTE

A morte percorre estes poemas. Pela inquietação, pela consciência, por ser o "lado" de onde se vê a vida?
A morte e o amor (e, vá lá, o tempo) são temas de toda a poesia e, se calhar, de toda a literatura e toda a arte. Bataille, falando da presença da morte e do sexo em muito do humor que os homens fazem, relaciona isso com o medo. "Ris-te porque tens medo", diz ele, já não sei se em "Madame Edwarda" se em "Le petit". O amor está ligado, através do sexo, à origem do ser; a morte ao seu desaparecimento. Perante os abismos do antes e do depois, é natural que o homem tenha medo. E que, por isso, ria. Ou se interrogue, procurando respostas. Julgo que é o medo que explica a presença obsessiva da morte e do amor na literatura e na arte. E não só, também na filosofia e na religião.

Em que sentido?
As questões filosóficas continuam a ser aquelas que os nossos filhos nos põem mal tomam consciência de si e do mundo: "Onde estava eu antes de nascer?", "Para onde se vai quando se morre?", isto é: "Donde vimos?, para onde vamos?, porquê?" E a generalidade das religiões contém uma cosmogonia e uma resposta particular à questão do destino do homem. Como poderia a minha poesia não falar da morte?

Como escolheu os poemas? Em função de uma 'narrativa'?
Não criei qualquer 'narrativa' (se assim fosse, teria separado os poemas por partes, eventualmente intitulando-as, propondo assim uma espécie de roteiro de leitura). Espero que, se as coisas tiverem corrido bem, os próprios poemas possam organizar-se como 'narrativa' e oferecer-se como tal a cada leitura.

Diz-se que ninguém é bom juiz em causa própria. E antologiador?
Com efeito, fiz uma escolha (o número de páginas começou logo por ser uma escolha prévia; eu pretendia um número menor delas, foi o Manuel Rosa quem insistiu em "80 pelo menos"). E uma escolha implica necessariamente um julgamento. Mas não (no meu caso não, ou apenas limitadamente) em causa própria, pois já sinto muita dificuldade em reconhecer-me nos poemas dos meus primeiros livros, antes de Farewell happy fields. Daí talvez a predominância nesta antologia de poemas dos meus livros mais recentes. Numa outra antologia (por isso esta se subintitula, não "antologia pessoal", mas "uma antologia pessoal"), presidida por outro tipo de subjetividade ou, até, quem sabe?, outros tipos de objetividade (por exemplo, cronológica ou "representativa") poderia ter acontecido o contrário. Quanto a ser, ou não, "bom" juiz em causa própria, ocorre-me um dito de Cyrano de Bergerac quando um dia, réu num processo qualquer, se propôs defender-se a si próprio e o juiz o alertou do velho brocardo jurídico que diz que "advogado que se defende a si próprio tem um burro como cliente". Terá respondido Cyrano: "Pois sim, mas prefiro ter um burro como cliente do que um burro como advogado". Talvez eu tenha preferido ter um mau juiz em causa própria do que um bom juiz mas em causa alheia

Como releu toda a sua obra para esta antologia? Como reconheceu os seus poemas? Estranhou alguns, rejeitou outros? Mudou alguns?
Acho que apenas eliminei (e/ou acrescentei, já não me recordo) uma ou outra vírgula. E tenho a vaga ideia de ter igualmente eliminado um ou dois pontos de exclamação.

A CASA E A MELANCOLIA

Desde Os Livros que não publica um volume inédito de poesia.
Tenho um livro praticamente pronto, que julgo que se intitulará Como se desenha uma casa e que inclui poemas inéditos e outros publicados avulsamente em jornais ou revistas.

Se tudo correr bem entregá-lo-ei à Assírio & Alvim lá para o fim do ano.(Mas já no ano passado tinha garantido ao Manuel Rosa que o entregaria no fim desse ano...)

Tem já muitos poemas escritos?
Acho que 90% estão escritos, e 90% desses 90% tenho-os por acabados, até onde uma coisa destas pode ser dita. Como o título do livro sugere, todos esses poemas se organizam, mais claramente ou mais obscuramente, em torno da melancólica temática da "casa", com todas as suas possibilidades simbólicas. Se as coisas permanecerem como estão, terá duas partes, uma intitulada "Ruínas" (título a partir de um verso do poema de abertura: "Uma casa é as ruínas de uma casa") e outra, com avulsos, "Amigos e outras moradas".

E outros livros? Irá voltar à ficção? E à literatura infantil?
De momento não tenho qualquer projeto de ficção. Já no domínio daquilo que costuma designar-se por literatura infantil tenho por aí um ou dois contos inéditos.

E como se sente um poeta distinguido com o Prémio Camões?
Só posso falar por mim, e eu sinto-me um pouco constrangido. Apesar de tudo, cada vez menos conforme o tempo vai passando. Se a coisa continuar assim, acho que acabarei por habituar-me à ideia, mesmo não sabendo bem o que faço eu no meio de nomes como os dos outros premiados.

Ler mais: http://visao.sapo.pt/manuel-antonio-pina-1943-2012-condenado-a-poesia=f692239#ixzz2C2yvALwh

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publicado às 21:39

Antonio Negri, conhecido por Toni Negri, é um pensador e activista italiano. É autor de uma vasta obra em que o pensamento político radical se mistura com a filosofia de Espinosa. Foi dirigente da organização de extrema-esquerda Poder Operário. Esteve preso. É nome cimeiro da corrente marxista autonomista.

 

Num dos seus muitos livros, Antonio Negri fala de Kairòs, o momento em que Deus toca na história; este filósofo italiano que nasceu em Pádua em 1933 já viu muitas vezes a história ser feita. E pagou o preço por isso. Acusado, por “arrependidos”, de ser o mentor ideológico das Brigadas Vermelhas, esteve preso. A Itália assustada com o terrorismo de extrema-direita e de extrema-esquerda precisava de exorcizar os seus fantasmas, mesmo que isso significasse acusar falsamente. Tem uma vasta obra escrita, em que se destaca, depois da sua libertação da prisão, “O Império”, escrito com o norte-americano Michael Hardt. Esteve em Lisboa para falar de manifestações e dos novos manifestos que aí vêm.

 

Ler a entrevista aqui por Nuno Ramos de Almeida

 

 

Vídeo relativo à presença de Antonio Negri em Outubro de 2011 na Biblioteca Municipal de Santa Maria da Feira


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publicado às 19:10


#1473 - Frases

por Carlos Pereira \foleirices, em 09.11.11

 

"queria ter sido como você, um escritor", afirmou George Steiner a António Lobo Antunes quando recebeu o escritor português em sua casa nos arredores de Cambridge em 9 de Outubro de 2011.

 

Os diálogos podem  ser lidos na revista "LER", n.º 107 de Novembro de 2011

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publicado às 23:41


#1299 - Manuel António Pina homenageado na Feira do Livro

por Carlos Pereira \foleirices, em 06.06.10

Nas crónicas como na poesia, abarca a desmesura do Mundo, como se procurasse "desimaginá-lo e descriá-lo".

Manuel António Pina - cujas crónicas no JN, "Notícias Magazine" e "Visão" foram parcialmente reunidas no livro "Por outras palavras", que foi apresentado ontem, na Invicta - vai ser homenageado hoje, às 17.30 horas, na Feira do Livro do Porto, numa sessão em que intervêm Álvaro Magalhães, Sousa Dias e Luís Miguel Queirós.

É alvo de mais uma homenagem. Ainda reage com desconforto a estas manifestações de apreço?

Com desconforto e com gratidão. Também sou leitor, embora bissexto, da minha "obra" e, sem pretender representar a rábula da modéstia, sou lúcido q.b. em relação a ela para aceitar iniciativas do género sem cepticismo.

Mesmo já tendo afirmado que não pertence a lugar nenhum mas a muitos, reconhece que o Porto e a Beira Alta são lugares especiais da sua geografia de afectos?

É minha convicção de que somos sobretudo memória, memória de lugares, de gente e mais dispersas existências, de livros, filmes, sonhos, desejos, medos... O Porto e a Beira Alta são, na minha memória, um pouco de tudo isso.

Não publica poesia desde 2003. O cronista tem silenciado o poeta?

Não escrevo poesia como escrevo crónicas, profissionalmente. No caso da poesia, sou, antes, amador, isto é, aquele que ama. Só escrevo poesia quando não posso deixar de escrevê-la. Passar anos sem publicar poesia não significa que tenha deixado de escrever poesia. Tenho há muito um livro praticamente pronto, reunindo poemas dispersamente publicados aqui e ali, em jornais e revistas, e inéditos.

Continua a escrever regularmente, apesar da publicação irregular?

Escrevo como publico, irregularmente. Para regularidade, basto-me com as crónicas. O meu processo é esperar. Passo bem sem escrever poesia (sem ler poesia já é outro assunto). Quando começo a passar mal, o poema encarrega-se de se escrever a si mesmo em mim. O resto é trabalho, "transpiração", como António Ferreira dizia.

Acaba de ser lançada a antologia "Por outras palavras". Como foi esse confronto com as crónicas?

Na verdade, foi Sousa Dias quem as leu e escolheu umas 250. O autor dessas crónicas sou eu, mas o autor do livro é Sousa Dias. E também o editor José da Cruz Santos, que há anos insistia comigo. Foi a generosidade de ambos que venceu a minha inércia; e ambos sabem como a minha inércia é difícil de vencer. Sousa Dias diz-me constantemente que posso ter orgulho neste livro. Tenho orgulho é de o ter a ele e ao Cruz Santos como amigos.

Afirma que "as crónicas do jornal duram um dia e morrem". Não concorda que há escritos que resistem ao tempo?

Nada resiste ao tempo. Vista a coisa a suficiente distância, um dia depois, ou um século depois, tudo (crónicas, poemas, romances) acaba na mesma imensa campa rasa do esquecimento. Isto é, como diziam os velhos tipógrafos dos jornais, tudo serve, no dia seguinte, só para embrulhar peixe. Tenho consciência de que algumas crónicas (como alguns poemas) lutam desesperadamente, como nós próprios lutamos, contra o tempo. Sabendo que é uma luta perdida. Acho que há alguma grandeza nisso.

Numa crónica recente, escrevia que o jornalismo continua subserviente. O "respeitinho" é atávico?

Não é característica apenas lusitana, o "respeitinho". Há profissionais disso por todo o lado, no jornalismo como na vida. Também nisso não somos originais. A nossa única originalidade é apenas a convicção de que somos originais, que, como dizemos constantemente, "isto só em Portugal". Não, "isto", como o resto, não é só em Portugal, é em todo o lado.

No prefácio, o director do JN conta que, "se a sua crónica falha, chovem telefonemas e cartas de leitores". A "violência" que significa escrever sempre sobre a actualidade é compensada pelas manifestações de afecto?

Devo isso aos leitores do JN. E também esta antologia, que me foi sugerida por muitos deles. Sinto uma grande responsabilidade por isso, e faço todos os dias um esforço enorme para tentar não frustrar as expectativas desses leitores. Essa é também uma espécie de servidão, mas, às vezes, chego a achar que não há nada mais libertador do que uma boa servidão.

Lendo as suas crónicas, não se pode dizer que esteja surpreendido com o estado a que Portugal chegou. Viver num país destes é o sonho de um cronista e o pesadelo dum cidadão?

Diz-se que os povos felizes não têm história. Às vezes, a infelicidade de um povo é a felicidade dessa espécie de historiadores do presente que os cronistas (sobretudo aqueles que, como eu, praticam a crónica como género jornalístico e não literário) são.


in

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publicado às 21:09


#1284 - "A literatura infantil deveria ser subsidiada"

por Carlos Pereira \foleirices, em 26.05.10

 

Miguel Sousa Tavares confessa que tem projectos literários na gaveta. Sugere-se que a editora encomende um assalto a sua casa para o privar do computador. Da última vez funcionou... Liquidou um romance por falta de empatia e tem uma peça parada. Lança agora um livro infantil.

 

In "Diário de Notícias"

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publicado às 23:28


#1159 - Belmiro de Azevedo sem papas na língua

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.01.10



Belmiro de Azevedo, o patrão da Sonae, afirma, em entrevista que a revista “Visão” vai publicar amanhã, que o Presidente da República “é um ditador” e que o primeiro-ministro José Sócrates “liga e manda ligar muitas vezes”.


"Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim de mão directa", afirma Belmiro de Azevedo sobre a primeira figura do Estado.

Sobre o Governo, o empresário diz desconhecer " metade dos que estão lá" e que as promessas do executivo de Sócrates são “feitas sem o Teixeira dos Santos assinar por baixo". E felicita o facto do Governo de Sócrates ser minoritário: Neste momento, e quase direi por felicidade, não há um Governo de maioria".

Belmiro de Azevedo não poupa também a líder da oposição, Manuela Ferreira Leite: “Teve muitos anos de trabalho, mas no Estado. Nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários".

E comenta ainda o recente anúncio de Manuel Alegre sobre a intenção de se candidatar a Presidente da República: "O Alegre devia ter juízo (...) No final do mandato já terá 80 anos, não é muito sensato".


In Jornal Público

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publicado às 22:27

Jorge Luis Borges, William Faulkner e Ernest Hemingway são alguns dos 10 escritores cujas entrevistas à Paris Review chegam agora a Portugal, compiladas num volume editado pela Tinta-da-China

 
Algumas das entrevistas que a revista realizou vão ser publicadas em Portugal

E.M. Forster, Graham Greene, Truman Capote, Lawrence Durrell, Boris Pasternak, Saul Bellow e Jack Kerouac são os outros autores presentes nestas entrevistas com selecção e tradução do jornalista Carlos Vaz Marques.

"The Paris Review" foi uma revista criada em 1953 por um grupo de jovens intelectuais norte-americanos em Paris, que inventaram a entrevista literária, tal como hoje a conhecemos.

“Os seus autores dificilmente terão tido a percepção de que estavam a fazer nascer uma abordagem nova à literatura e à arte da escrita e de que, por outro lado, se constituiria a partir dali o mais extraordinário arquivo do fascínio que uma entrevista literária pode alcançar”, escreveu Carlos Vaz Marques no prefácio da obra.

Em “Entrevistas da Paris Review”, encontram-se frases como esta, de William Faulkner (1897-1962): “Se eu não tivesse existido, alguém me teria escrito, a mim, a Hemingway, a Dostoiévski, a todos nós”.

Ernest Hemingway, por sua vez, afirmou, quando entrevistado, que “quanto melhor o escritor, menos ele falará do que escreveu”.

Já Borges declarou: “Quando eu escrevo, escrevo porque algo tem de ser feito. Não me parece que um escritor se deva intrometer demasiado no seu próprio trabalho. Deve deixar o trabalho escrever-se a si próprio”.

Neste volume da Tinta-da-China, com ilustrações de Vera Tavares, foi mantida a ordem pela qual as entrevistas foram publicadas na revista literária trimestral, tendo decorrido 15 anos entre a de E.M. Forster e a de Jack Kerouac.

Segundo Carlos Vaz Marques, “o tempo que corresponde a uma mudança social drástica que a literatura soube espelhar e que estas peças também revelam por inteiro: do aprumo formal de Forster à conversa com anfetaminas em casa de Kerouac.

O jornalista lamenta que a nenhum jornalista tenha ocorrido, por exemplo, entrevistar escritores como Mark Twain, Herman Melville ou Walt Whitman.

“Que extraordinários documentos literários possuiríamos hoje se isso tivesse sido possível”, observa.

E sublinha que, embora “sem a 'Paris Review' tivéssemos as mesmas obras de Faulkner, Hemingway ou Borges, não teríamos a mesma imagem que temos hoje de alguns dos escritores decisivos para a arte literária no século XX”.

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publicado às 22:32


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