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#2696 - DOIS POEMAS DE MAR E UM DE SALA

por Carlos Pereira \foleirices, em 29.11.17

ARMANDO SILVA CARVALHO

Nascimento28 de março de 1938, Olho Marinho
Falecimento1 de junho de 2017, Caldas da Rainha
 
 
DOIS POEMAS DE MAR E UM DE SALA
 
Gosto de sentir a natureza e fingir
que não lhe pertenço.
O vento é esta mão gigante e nunca vista
que sacode o carro perante um mar
em brancas gargalhadas.
Não é o mundo que tenho na cabeça.
Penso nas gotas de água que embaciam o vidro,
e vejo o véu da chuva que ainda não chegou
com as nuvens atrasadas.
 
As palavras recusam-se a ser irmãs das ondas.
O meu silêncio não quer ser filho do clamor da tempestade
que faz dançar as aves na escuridão das nuvens
como sondas.
 
Mas como é belo
que tudo viva na luta de viver,
a fúria da maré o espelho do  meu rosto debruçado para dentro
como um poema de Pedro Homem de Melo.
 
O mundo natural dá-me a acidez da voz
que se solta
nos cabos teleféricos
e transporta o ruído dos loucos suicidas
a luxúria do tempo
ou esse luxo que se chama esperança.
 
No céu desamarrado a gaivota baila,
no chão perto do mar outro baile circunda
o meu coração desordenado.
 
E nunca saberei como se dança.
 
POEMA DE ARMANDO SILVA CARVALHO

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publicado às 19:11



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