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#2693 - LISBOA

por Carlos Pereira \foleirices, em 27.11.17

bernard-noel.jpg

 BERNARD NOËL

 

LISBOA

 

sete colinas e nenhum papa um tremor

quando o grande sol mastiga o mar da palha

as casas alinhadas como espectadores

de pé diante de outras que vêem

envelhecer por cima delas as roupas estendidas do tempo

a cidade está tão cumeada de vermelhos

que vista de cima parece menchada de sangue

o olhar procura em todo o lado o branco de uma lenda

mas o presente pequenino tudo tapou

só o corpo do poeta ficou intacto

o álcool conserva muito melhor do que a memória

assim se esconde debaixo de uma pedra pesada

a prova de que o ser é menos que o não ser

quem saberá jogar com o desassossego

para que a duração empalhe enfim a pele

e mude a aparência em carne imortal

de um momento para o outro um novo morto morreu

tanto como o mais antigo de todos os mortos

estranha igualdade que desafia o tempo

 

POEMA DO POETA FRANCÊS BERNARD NOËL

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publicado às 16:04



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