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#2675 - ACORDAR NA RUA DO MUNDO

por Carlos Pereira \foleirices, em 21.11.17

 

ACORDAR NA RUA DO MUNDO

 

Madrugada, passos soltos de gente que saiu

com destino certo e sem destino aos tombos

no meu quarto cai o som depois

a luz, ninguém sabe o que vai

por esse mundo, que dia é hoje?

soa o sino sólido as horas, os pombos

alisam as penas, no meu quarto cai o pó.

 

um cano rebentou junto ao passeio.

um pombo morto foi na enxurrada

junto com as folhas dum jornal já lido.

impera o declive

um carro foi-se abaixo

portas duplas fecham

no ovo do sono a nossa gema.

 

sirenes e buzinas. ainda ninguém via satélite

sabe ao certo o que aconteceu. estragou-se o alarme

da joalharia. os lençóis na corda

abanam os prédios. pombos debicam

 

o azul dos azulejos. assoma à janela

quem acordou. o alarme não pára o sangue

desavém-se. não veio via satélite a querida imagem o

vídeo não gravou

 

e duma varanda um pingo cai

de um vaso salpicando o fato do bancário

 

POEMA DE LUIZA NETO JORGE

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publicado às 18:18



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