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#2671 - Um poema de José Ángel Valente

por Carlos Pereira \foleirices, em 17.11.17

 

Se depois de morrer nos levantamos,

se depois de morrer

venho para ti como dantes vinha

e algo há em mim que desconheces

porque não sou o mesmo,

que dor o morrer, saber que nunca

alcançarei as margens 

do ser que foste para mim tão dentro

de mim mesmo,

se tu eras eu e inteiro me invadias

porque é tão cega agora  esta fronteira,

tão aziago este muro de palavras

subitamente geladas

quando mais te requeiro,

te digo vem e às vezes

ainda me olhas com ternura

apenas nascida da lembrança.

 

Que dor é morrer, chegar a ti, beijar-te

desesperadamente

e sentir que o espelho

não reflecte o meu rosto

nem tu sentes,

tu que tanto amei,

a minha ansiosa impresença.

 

Poema de José Ángel Valente, traduzido por Pedro Tamen.

 

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José Ángel Valente nasceu em Orense em 1929.

Estudou nas Universidades de Santiago de Compostela e de Madrid, onde se licenciou em Filologia Românica.

Estudou em Oxford, onde obteve o Master of Arts.

De1958 a 1980 viveu em Genebra, onde foi tradutor em organizações internacionais, e posteriormente em Paris, onde dirige um serviço da Unesco.

Poeta conceituado, obteve em 1955 o Prémio Adonais da Poesia, em 1960 e 1980 o Prémio da Crítica, e em 1988 o Prémio Príncipe das Astúrias.

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publicado às 19:10



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