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#2652 - Um poema de António Ramos Rosa

por Carlos Pereira \foleirices, em 30.10.17

 

Que a palavra seja um volume ardente e preciosamente nu

e que trema porque o seu centro é obscuro e incerto

e que se perca na sua chama como numa nuvem

que o seu brilho não apague o movimento da sua sombra

e errante se extinga agravando a solidão de um exílio como um país de sangue

Ese for veementemente como uma onda vermelha

que nela perpasse um húmido murmúrio de névoa

Que a argila reverdeça na prateada lama das suas luas de areia

e mais do que tudo o coração e o olvido se reúnam

entre as luzes e as sombras do seu outono de água

Que a fronte se torne alta de terra vento e chama

porque nela o silêncio é a pureza que vibra

sobre o sangue incessante 

Se arder para o corpo do dia que arda para o corpo da noite

Como um arco lentíssimo sobre um espaço de vento e solidão

ou um ouvido solitário de árvore

ela será luminosa harmonia que se esvai

na sua imperfeição de sombra enamorada

e unir-nos-á docemente à sua fugidia sombra

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publicado às 18:35



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